"MAIOR AÇÃO DO PODER PÚBLICO COTRA O CRIME ORGANIZADO", DIZ RECEITA FEDERAL

Para o procurador da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, a megaoperação é um marco histórico no combate ao crime organizado

Beto Souza, da CNN, São Paulo

O MPSP (Ministério Público de São Paulo) descreveu a “Operação Carbono Oculto”, deflagrada nesta quinta-feira (28), como a maior ação do poder público contra o crime organizado, com um impacto financeiro estimado em R$ 70 bilhões em operações fraudulentas.

A megaoperação, que visa desmantelar um intrincado esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis com infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital), revelou uma vasta rede de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal que lesou consumidores e a economia, com R$ 7,6 bilhões somente em tributos sonegados.

Para o procurador da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, a megaoperação é um marco histórico no combate ao crime organizado.

"É o dia da maior ação do poder público brasileiro contra um pilar do crime organizado", afirmou Barreirinhas em coletiva de imprensa.

Conforme também destacou o procurador do GAECO, João Paulo Gabriel, a investigação mirou em um grupo que criava empresas de fachada para ocultar suas atividades.

"Conforme o estado vai identificando essas fraudes, os órgãos passam a desconstituir essas empresas. Como o grupo se fragmenta, o estado não consegue alcançar. O objetivo da operação foi mapear essa rede e descobrimos que eles atuam em toda a cadeia de combustíveis", afirmou.

Entenda fraudes

A fraude principal envolvia a importação irregular de metanol pelo Porto de Paranaguá, no Paraná. O metanol, que deveria ser destinado a empresas químicas para uso industrial, era desviado e transportado clandestinamente para postos de combustíveis na Grande São Paulo e outras regiões.

O produto era usado para adulterar combustíveis, chegando a compor até 50% da gasolina vendida, muito acima do limite permitido de 0,5% pela ANP (Agência Nacional do Petróleo).

Os lucros bilionários obtidos com essa adulteração e sonegação eram lavados e ocultados por uma complexa rede criminosa que utilizava empresas de fachada, fundos de investimento e instituições de pagamento para dissimular os verdadeiros beneficiários.

O MPSP apontou que essas fintechs atuavam como um "banco paralelo" para a organização, realizando transferências sem identificar os beneficiários finais e utilizando contabilidade paralela. Há, inclusive, "conivência entre as fintechs e o PCC", segundo o procurador João Paulo Gabriel.

Entenda operação

A “Operação Carbono Oculto” envolveu cerca de 1.400 agentes e mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, em oito estados brasileiros: São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Em São Paulo, foram apreendidos mais de 3 mil documentos, uma centena de computadores e HDs. O procurador Yuri do Gaeco ressaltou que a operação buscou o "andar de cima", os responsáveis por trazer os combustíveis, e que os estabelecimentos não foram fechados, nem houve prisões até o momento da coletiva.

O PCC, segundo o MPSP, se inseriu na economia formal de forma sofisticada, controlando a cadeia de combustíveis e possuindo ao menos duas redes de postos em São Paulo e uma em Goiás.

A investigação revelou que aproximadamente mil postos de combustíveis movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, e uma única fintech movimentou R$ 46 bilhões sem rastreabilidade nesse período. Além disso, pelo menos 40 fundos de investimentos, com um patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, eram geridos pela facção.

A Receita Federal, parceira na operação, observou a "bancarização do crime organizado" através das fintechs, permitindo que o dinheiro ilícito não só fosse ocultado, mas também rendesse, ao contrário de métodos antigos de esconder dinheiro físico.

O CIRA/SP (Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo) tomará medidas judiciais para bloquear bens e recuperar os R$ 7,6 bilhões sonegados.

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