SEMANA MUNDIAL DE ALEITAMENTO MATERNO: A CRIANÇA NÃO É A ÚNICA BENEFICIADA

*Lilian Regina Lang

A Semana Mundial de Aleitamento Materno acontece anualmente em 120 países, de 1 a 7 de agosto. Essa é uma ação que visa garantir o atendimento nutricional essencial para todos os bebês. Mesmo que o aleitamento materno traga benefícios tanto para a mãe quanto para a criança, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), somente 28% dos recém-nascidos são alimentados unicamente com o leite da mãe em livre demanda até os seis meses de idade. No Brasil, o Ministério da Saúde afirma que esse número atinge apenas 9%.

Também de acordo com o Ministério da Saúde, o aleitamento materno pode evitar 13% das mortes de menores de cinco anos, protegendo contra diarreias, infecções respiratórias e até mesmo alergias, além de diminuir o risco de hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade. E não para por aí: o leite da mãe ainda pode ajudar no desenvolvimento cognitivo dos bebês.

A criança não é a única beneficiada com o aleitamento materno. Amamentar auxilia a mãe a perder o peso que adquiriu na gravidez, ajuda o útero a voltar ao tamanho normal e reduz o risco de hemorragia e anemia durante o puerpério, sem contar que pode reduzir o risco de desenvolvimento de diabetes e câncer de mama e de ovários.

Neste ano, o tema da Semana Mundial de Aleitamento Materno está focado no impacto ambiental da alimentação infantil. Por este viés, é possível perceber que a amamentação não é positiva apenas para mãe e filho, mas também para o planeta. O sistema de produção alimentícia mundial está diretamente ligado a grandes danos ambientais; sendo assim, o aleitamento materno ultrapassa a questão da redução da mortalidade infantil, das desigualdades sociais e do aspecto nutricional, tendo, dessa forma, um papel importante no desenvolvimento sustentável.

Uma prática saudável de aleitamento materno é a doação. No Paraná, há 13 bancos de leite humano e 17 postos de coleta. Em Curitiba, a população conta com dois bancos: o Hospital das Clínicas e o Hospital Universitário Evangélico Mackenzie. A maioria dos bebês que recebe leite doado está internada ou tem uma mãe que não pode amamentar ou não produziu leite na quantidade necessária. Durante a pandemia, uma forma segura de realizar a doação é entrar em contato com os bancos de leite para que a coleta dos frascos seja feita na residência. Além disso, para quem preferir, os locais aceitam também doações de frascos de vidro para armazenamento de leite. 

Mais do que compartilhamento de informações oficiais sobre os benefícios da prática com gestantes e puérperas, é preciso, também, alcançar condições ideais em locais de trabalho e públicos para que o aleitamento seja incentivado com segurança e conforto. O incentivo ao aleitamento deve ser aliado ao incentivo à conscientização, ao acompanhamento médico e a práticas saudáveis para que a amamentação seja um ato de amor entre a mamãe e o recém-nascido.

Lilian Regina Lang é médica, formada pela UFPR em 1985 e com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital de Clínicas da UFPR. Tem atuação em consultório e também exerce atividades de auditoria médica.


GAZETA SANTA CÂNDIDA, JORNAL QUE TEM O QUE FALAR

Postar um comentário

0 Comentários