DESEMPREGO CAI DE NOVO, OCUPAÇÃO E RENDA SOBEM: MERCADO DE TRABALHO AQUECIDO

Crescimento do emprego total foi retomado em novembro após três meses consecutivos de queda moderada; projeção é que mercado de trabalho continuará resiliente em 2026


Roberto de Lira

Pessoas caminham em rua no Brasil (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Os dados da PNAD de novembro divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (30) só confirmam o que era esperado: o mercado de trabalho vai fechar 2025 de maneira sólida e aquecida – o que deve manter a inflação de serviços pressionada. Além de taxa de desemprego ter reforçado o recorde de baixa, houve melhora na taxa de ocupação, queda da informalidade e continuidade na evolução da renda média do trabalhador.

A taxa de desemprego brasileira recuou dos 5,4% anunciados em outubro para 5,2% em novembro, surpreendendo o mercado, que esperava uma manutenção no mesmo patamar. Já a métrica trimestral móvel, descontando os efeitos sazonais, de 5,8% para 5,5%. A XP destaca que, considerando sua estimativa mensal e sazonalmente ajustada, a taxa de desemprego recuou de 5,5% para 5,1%.

Um dos destaques citados pela XP foi que o crescimento do emprego total foi retomado em novembro após três meses consecutivos de queda moderada. “Estimamos que o emprego total aumentou 0,8% [mensal] em novembro, chegando a 102,8 milhões. O indicador avançou 1,1% em relação ao mesmo mês de 2024, levando a um ganho de 2,1% no valor móvel de 12 meses”, calculou a XP.



Os especialista alertam que parte significativa desse aumento veio dos serviços públicos, na linha “Administração Pública, Defesa, Previdência Social, Educação, Saúde e Serviços Sociais”, que registrou 310 mil empregos em novembro, após um ganho médio de 75 mil nos quatro meses anteriores.

Segundo a XP, esse salto pode estar relacionado à Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30) realizada em Belém, embora isso não explique totalmente a surpresa crescente no emprego total.

André Valério, economista sênior do Inter, também comentou esse detalhe da PNAD. Ele lembrou que o grupamento de administração pública foi o único a registrar aumento no número de ocupados, com a adição de 492 mil pessoas. “Desse total, o setor público respondeu por 250 mil vagas no trimestre, atingindo 13,1 milhões de empregados, outro recorde da série histórica.”

Valério comentou ainda que, como a administração pública é menos sensível ao ciclo econômico, essa melhora do emprego não deve ser interpretada como um sinal de que a política monetária não esteja funcionando. “Pelo contrário, os setores mais sensíveis à taxa de juros seguem sem apresentar dinâmica de aceleração do emprego.”

O economista também citou que o emprego formal demonstrou resiliência no mês. “A soma das ocupações formais aumentou 2,9% em relação a ano em novembro, resultando em um aumento de 3,5% em 12 meses. O indicador subiu 0,9% [mensal], ficando em 64,0 milhões.”

E isso enquanto a soma das categorias informais de empregos caiu 1,8% em relação ao ano anterior – a quarta queda consecutiva –, embora tenha avançado 0,4% em termos mensais. “O emprego informal apresentou uma queda de 0,2% nos últimos 12 meses. Espera-se que a população total empregada aumente 1,9% em 2025 em comparação com 2024”, disse Valério.

Renda em alta

Sobre a contínua evolução da renda dos trabalhadores, Matheus Pizzani, economista do PicPay, destacou que a expansão foi de 1,8% no trimestre encerrado em novembro. Frente ao mesmo período do ano anterior, o crescimento foi de 4,5%.

“Embora ainda em expansão, o nível de renda já dá sinais de maior acomodação, beneficiando-se da queda da inflação, conforme visto no caso do comparativo anual, e com taxas de variação mais amenas a despeito do contínuo processo de queda do desemprego, conforme visto na base trimestral, sugerindo que a incorporação de mão de obra segue ocorrendo de maneira orgânica e não sofre com restrições latentes do lado da oferta agregada”, disse.

Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, o mercado de trabalho continuará forte ao longo dos próximos meses e até o fim do ano que vem. “Nossa projeção é de que a taxa de desemprego termine 2025 e 2026 abaixo de 6%, um patamar historicamente baixo para o Brasil.”

Na opinião da XP, as estatísticas da PNAD reforçaram o cenário de um mercado de trabalho apertado. “A taxa atual de desemprego permanece bem abaixo do nível neutro, o que dificilmente será revertido tão cedo. Esperamos que a taxa de desemprego atinja 5,5% no ano fiscal de 2025 e 6,0% no ano de 2026”.

Já Valério, do Inter, alerta que a piora recente do câmbio, coloca em questionamento o início do ciclo de cortes da Selic na reunião de janeiro. “Apesar disso, seguimos esperando que, até lá, o câmbio se normalize e os dados de inflação permitam que o Copom dê início ao ciclo de flexibilização monetária.”

https://www.infomoney.com.br/
GAZETA SANTA CÂNDIDA, JORNAL QUE TEM O QUE FALAR

Postar um comentário

0 Comentários