NIKE: O PIOR ANO DESDE JORDAN

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:


• BBSE x CXSE: mesmo trimestre, sinal diferente
• IPO da Oura: sono lucrativo, prospecto insone
• Nike: o pior ano desde a aposentadoria de Jordan



Por aqui, o Ibovespa aproveitou o feriado igual você e descansou para recuperar as energias, numa merecida soneca depois de valorizar 5,40% na sexta-feira. Setembro chegou chegando, com o estrangeiro colocando R$ 3 bilhões por aqui somente nos três primeiros pregões do mês, mas o dólar não recebeu o memorando do otimismo na sexta, e subiu 0,50%, colocando água no chope da festa local por causa do que rolou no exterior.

Lá fora, também teve descanso para os traders com o feriado do Labor Day. O saldo de sexta-feira não foi dos melhores, com os dados do payroll de agosto vindo pra bagunçar, com 162 mil vagas criadas contra as 53 mil esperadas, e o desemprego parado em 4,1%. Emprego forte demais é receita clássica pra virar dor de cabeça de quem queria corte de juros, e o mercado já precifica 60% de chance do Fed subir a taxa em 0,25 p.p no próximo encontro do FOMC, nos dias 15-16 de setembro.



EARNINGS

BBSE x CXSE: mesmo trimestre, sinal diferente


Prêmios da BBSE caíram 5%, puxados pelo penhor rural, que despencou 11,4%. Do outro lado, a CXSE cresceu 5%, com o habitacional subindo 14%.




Duas seguradoras grudadas em bancos públicos, o mesmo trimestre, o mesmo país. O BB entregou R$ 2,15 bilhões e viu o preço-alvo cair abaixo da cotação. A Caixa entregou pouco mais da metade disso, bateu o maior ROE da própria história e não animou ninguém. O 2T26 de Caixa e BB Seg mostrou que o mercado não paga por lucro, mas por direção.


Tem coisa em comum, mas a diferença nasce no balcão do banco. O da BB Seguridade é o agronegócio, que passou o ano em recuperação judicial e crédito represado. O da Caixa é a casa própria, e crédito imobiliário no Brasil não tira férias.

BB Seguridade


Foi um trimestre de quem está segurando as pontas. A Brasilseg entregou uma sinistralidade abaixo do que todas as casas projetavam, com os prêmios recuando 5% e o penhor rural despencando 11,4%. Pra piorar, a Brasilprev virou negativa em R$ 49 milhões porque o IGP-M defasado subiu 4,1% e inflou o passivo dos planos de benefício definido.


Sobrou o dividendo, de R$ 3,9 bilhões no semestre, 88% de payout, a R$ 1,98 por ação.


Lucro Líquido: R$ 2,15B (-3,9% a/a).
Prêmios emitidos: R$ 3,5B (-5% a/a).
Múltiplo e dividendo: 8,9x lucro e DY de 10,75%.




Por que BB Seguridade: você compra a operação mais eficiente do setor a 8,9x P/L, com quase 11% de dividendo ao ano, num negócio que cresce sem consumir capital. O agro é cíclico e deve voltar. Enquanto não volta, o cheque cai todo trimestre e o desconto do múltiplo trabalha sozinho.



Caixa Seguridade


Teve o trimestre de quem pegou carona no motor certo: lucro gerencial de R$ 1,14 bilhão (+9,5%), receita de R$ 1,5 bilhão (+8,5%) e o maior ROE da história da companhia: 70,9% ao ano. Prêmios emitidos subiram 5%, para R$ 2,49 bilhões, puxados pelo habitacional com R$ 1,12 bilhão (alta de 14%).


A previdência foi o contraste mais gritante com a rival: contribuições de R$ 6,7 bilhões (+17,7%), captação líquida positiva de R$ 1,4 bilhão e reservas 16% maiores, enquanto a Brasilprev sangrava. Resultado de 92% do lucro distribuído, a R$ 0,35 por ação.


Lucro Líquido: R$ 1,14B (+9,5% a/a).
Prêmios emitidos: R$ 2,49B (+5% a/a).
Múltiplo e dividendo: 13,3x e DY de 6,57%.




Por que Caixa Seguridade: o crédito imobiliário é o motor mais previsível da economia brasileira e a Caixa é dona dele. Prêmios em alta de 5%, combinado de 57,6% e o maior ROE da história da companhia descrevem uma máquina que ainda tem para onde ir. 13x P/L por crescimento contratado é caro só na planilha.


O veredito de verdade: as duas são operações excelentes presas a bancos que decidem por elas, e o mercado precifica isso: desconto para quem depende de um balcão em crise, prêmio para quem depende de um balcão em alta. Nesse mercado, ninguém está comprando seguradora… todo mundo está comprando o banco por tabela.



Recomendação dos analistas:


BBSE3
Compra: 1 | Neutro: 6 | Venda: 2 | Venda forte: 3
Preço-alvo médio: R$ 37,33 | Preço atual: R$ 42,16
Potencial: -11,45%


CXSE3
Compra forte: 1 | Compra: 5 | Neutro: 5 | Venda: 2 | Venda forte: 1
Preço-alvo médio: R$ 20,11 | Preço atual: R$ 19,98
Potencial: +0,67%





MACRO/AÇÕES


→ Fundos: encolhem no Brasil e gestores migram para os grandes bancos.
→ Ouro: gestoras com US$ 27 trilhões sob gestão renovam apostas no metal.
→ CVM: quer acelerar uso de inteligência artificial na supervisão do mercado.
→ Small caps: superam Ibovespa na semana de rali eleitoral.
→ Vale: abandona plano de abrir capital da unidade de metais básicos.
→ Toky: minoritários acionam CVM, questionam possível OPA e conversão de debêntures.
→ Embraer: e SPX articulam fusão e criam empresa de R$ 700 milhões.
→ Camil: fundadores dão controle da empresa como garantia em operação de R$ 350 milhões.
→ 3Corações: conclui compra da Yoki e Kitano por R$ 800 milhões.
→ BC: determina liquidação de duas gestoras ligadas ao Banco Master.
→ BTG: faz votação para incorporar fundo taxa zero da Empiricus e reduzir teto conjunto.
→ CVC: renegocia dívida, corta juros e empurra vencimentos para 2029.
→ Mercado Livre: supera Shopee e terá a maior locação de galpão do Brasil.
→ Banco do Brasil: XP mantém neutro e preço-alvo de R$ 21.





GAZETA SANTA CÂNDIDA, JORNAL QUE TEM O QUE FALAR

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