O CONSTRUTOR DA FLORESTA, JOÃO DE BARRO MAIS ENGENHEIRO DE QUALQUER AVE



O joão-de-barro constrói o ninho mais resistente e mais engenheirado de qualquer ave do Brasil — e o faz em duas a quatro semanas, usando materiais que os pesquisadores compararam estruturalmente com o adobe utilizado em construção humana há milénios.

A argila usada na construção não é qualquer argila disponível: estudos publicados por ornitólogos da Universidade de São Paulo documentaram que os pares de joão-de-barro preferem consistentemente argilas com composição específica de partículas que, ao secar, formam uma matriz densa e compacta com resistência mecânica superior à de argilas mais comuns. Esta selecção activa de material de construção é um comportamento de avaliação material que não se observa em qualquer outra ave construtora de ninho do Brasil.

A entrada em espiral — o corredor que dá acesso à câmara interna fazendo uma curva de 270 graus — foi estudada como adaptação anti-cobra: cobras de diâmetro suficiente para ameaçar os ovos ou as crias não conseguem negociar a curva do corredor sem ficarem temporariamente presas. Cobras mais finas conseguem entrar, mas a barreira mecânica reduz o acesso de predadores comuns.

A câmara vazia exterior — o vestíbulo — cria uma zona tampão de temperatura e de perturbação: qualquer intrusão na câmara exterior não chega directamente à câmara interna, dando tempo de resposta ao casal que ocupa o ninho.

O ninho abandonado pelo seu construtor é adoptado por mais de 350 espécies de vertebrado brasileiros documentadas — desde corujas e periquitos a rãs e lagartos que usam as câmaras termicamente estáveis como local de postura de ovos ou de hibernação.


 

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