BRASIL INICIA PROCESSO DE RECIPROCIDADE CONTRA OS EUA

Foto: Fabio Teixeira / Anadolu via AFP

O governo brasileiro anunciou na noite desta quinta-feira que deu início ao processo para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, em resposta ao tarifaço americano. A legislação permite ao Brasil adotar restrições ou tarifas equivalentes às impostas por outro país. Antes de eventual retaliação, o governo pretende realizar consultas diplomáticas para tentar reduzir ou eliminar os efeitos das medidas americanas. Brasília afirma que apresentou ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) argumentos para contestar as acusações de práticas comerciais desleais. (g1)

Na avaliação de analistas, a decisão brasileira é política e ocorre devido à falta de canais de negociação. “Nossa situação frente a eles é de muita fragilidade e, se continuar escalando, pode ser muito ruim para a economia e para muitas empresas e pessoas”, avalia Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central e conselheiro da Jubarte Capital. Já para Thiago Aragão, pesquisador sênior do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais de Washington e CEO da Arko Advice International, a questão não é mais comercial. “Lula fez uma embalagem com a questão da soberania nacional e vai levar isso até o fim das eleições”, afirma. (Globo)

Os Estados Unidos divulgaram um relatório que acusa o Brasil e cerca de 40 países de facilitar o desvio de produtos chineses para burlar tarifas de importação impostas por Washington. O documento classifica o Brasil no grupo de “Nível 2”, formado por países com “integração econômica significativa” com a China. Segundo o relatório, o Brasil atua como uma importante plataforma regional para suposta alteração da origem declarada de mercadorias antes da exportação para os Estados Unidos. (CNN Brasil)

Enquanto isso... Empresários brasileiros afirmam ter recebido de diplomatas americanos o alerta de que a crise entre Brasil e Estados Unidos pode se agravar caso o governo Lula continue sem conceder o “agrément” ao indicado de Donald Trump para a embaixada em Brasília, Daniel Perez. Integrantes do Departamento de Estado disseram que a orientação em Washington é ampliar a pressão caso o Brasil não autorize a nomeação do diplomata. (Estadão)


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