O 'GREEN CARD' DE EDUARDO BOLSONARO É O PRÊMIO MÁXIMO POR SEU CAPACHISMO AOS EUA


“Fritei hambúrguer nos EUA" — essa foi uma das justificativas que Eduardo Bolsonaro usou para explicar a indicação do seu pai para o cargo de embaixador em Washington. À época, 2019, as críticas contra a possível nomeação foram tantas que ele acabou desistindo do cargo. Mas o american dream permaneceu vivo no coração desse patriota.

Depois que o golpe do seu pai não deu certo e os golpistas começaram a rodar na justiça, Eduardo largou o batente na Câmara e foi viver o sonho americano à sua maneira.

Pegou 2 milhões do papai e se mandou com a família para o Texas, sob o pretexto de estar sendo perseguido no Brasil. De lá pra cá, o patriota não fez nada além de trabalhar contra o seu país e em defesa dos interesses da sua família e do governo americano.

Nesta semana, a subserviência de Eduardo foi premiada por Donald Trump. De tanto balançar o rabinho para o Tio Sam, o patriota ganhou o tão sonhado green card, que lhe garante o direito de morar por tempo indeterminado nos EUA.

O documento confere certa blindagem ao ex-deputado — que está condenado a 4 anos e 2 meses de cadeia pela justiça brasileira — porque torna a possibilidade de extradição ainda mais remota. É um prêmio e tanto.

Condecoração pelo capachismo

O visto concedido é da categoria EB-1A, destinado apenas a quem tem habilidades

extraordinárias em artes, cultura, ciências, esportes, negócios ou educação. É sabido que Eduardo não é propriamente um homem talentoso, o que torna evidente que o green card é uma condecoração pelo capachismo.

A única habilidade extraordinária que Eduardo tem, além de fritar hambúrguer, é a de atrapalhar a candidatura do seu irmão, Flávio Bolsonaro, pré-canditado à Presidência da República pelo PL.

É curioso notar que, mesmo sabendo que as peripécias nos EUA não estão sendo sucesso de público, Eduardo e Paulo Figueiredo insistem em manter a estratégia equivocada.

É fato que a maioria do eleitorado acredita que o senador apoiou o tarifaço americano para prejudicar o governo Lula, mas mesmo assim a duplinha do barulho insiste em cantar aos quatro cantos a influência que tem junto ao governo americano.

Eles deveriam ser mais discretos quanto à obtenção de um green card, que atesta a vassalagem de Eduardo, mas fizeram questão de comemorá-la. Escreveu Figueiredo no X:

“Parabéns, Eduardo, pela obtenção da residência permanente ("Green Card") nos EUA como indivíduo de habilidades extraordinárias. Você merece! Aqui, na Terra dos Livres, você está protegido. (...) Aproveito para registrar publicamente o agradecimento ao presidente Donald Trump e a todos da sua administração que tornaram isso uma possibilidade. Que venham mais novidades boas!”.

A dupla de golpistas expatriados parece mais preocupada com seus objetivos pessoais do que com o sucesso nas eleições.

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Ingovernáveis

A campanha de Flávio Bolsonaro, claro, silenciou sobre o green card. Integrantes da cúpula têm feito um esforço hercúleo para tentar conter os danos causados pelo tarifaço e jogar a responsabilidade nas costas de Lula.

A comemoração de um green card, além de ser patética para quem se diz patriota, joga luz em algo que a campanha tenta esconder. Além de todos os percalços no caminho de Flávio, ainda é preciso lidar com o estrago dos dois maluquinhos ingovernáveis.

Ainda não foi esclarecido como Eduardo Bolsonaro está financiando a sua vida luxuosa no Texas. Há fortíssimas suspeitas de que parte dos R$ 61 milhões enviados por Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção de “Dark Horse” foi usada pelo ex-deputado.

Afinal, o controlador do fundo em que a grana foi depositada é simplesmente o advogado de Eduardo. Já se passou mais de um mês desde que a campanha de Flávio Bolsonaro prometeu que a produtora do filme e o fundo fariam uma prestação de contas do filme. Até hoje ninguém apareceu para dar as caras.

O destino do dinheiro que o maior ladrão do Brasil enviou para o fundo do advogado de Eduardo ainda é um mistério. O que sabemos é que não está faltando grana para Eduardo Bolsonaro se sustentar nos EUA, longe disso. Aqueles R$ 2 milhões doados pelo pai criminoso acabaram faz tempo, mas ele teve bala pra alugar uma mansão avaliada em R$ 6 milhões.

Paulo Figueiredo é outro que está com dinheiro sobrando. Há pouco mais de 7 meses ele também comprou uma mansão de R$ 6 milhões. Esse valor é um pouco mais alto do que ele deve à União (R$ 4,9 milhões) pela participação em um esquema de fraudes tributárias contra a Receita Federal. Esse honra o patriotismo de seu avô ditador, que preferia seus cavalos ao povo brasileiro.

Blindagem ameaçada

A blindagem em torno dessa nebulosa estrutura financeira está ameaçada. O publicitário Thiago Miranda, ligado a Vorcaro, tem avisado que, se cair, levará gente do meio político.

O recado chegou nos ouvidos de aliados de Flávio, que temem que o senador seja o alvo da ameaça. Thiago Miranda foi quem intermediou a negociação milionária entre Vorcaro e Flávio para o financiamento do filme “Dark Horse”. Certamente o publicitário tem muito a dizer.

Flávio segue como uma barata tonta. Ora segue os conselhos dos seus aliados no Brasil, ora a duplinha do green card.

O fato é que a sua candidatura caminha para um abismo que, a se continuar nessa toada, pode chegar em um cenário difícil de reverter. Sem cargo público a partir de 2027 e com a Polícia Federal fechando o cerco contra seu grupo político, as chances de Flávio se juntar ao irmão nos EUA são grandes. Resta saber quem patrocinará o seu sonho americano.



Flávio Bolsomaster

Em vídeo gravado para o canal do influencer marombeiro Renato Cariani — aquele que é réu por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital, o PCC — Flávio Bolsonaro fez um treino de musculação e respondeu a perguntas.

A comparação com seu principal adversário foi inevitável. Enquanto Lula esbanja dedicação e vitalidade nos treinos, Flávio mostrou-se um frango deprimido, sem qualquer intimidade com os halteres.

É claro que isso não significa nada na prática, mas simboliza o atual momento das candidaturas.

Enquanto Lula segue liderando as pesquisas em todos os cenários e vê a aprovação do seu governo superar a desaprovação, Flávio vem colecionando quedas consecutivas nas intenções de voto.

Desesperado para se recuperar nas pesquisas, Flávio prometeu mundos e fundos entre um exercício e outro de supino.

Depois de prometer dar telefone celular para as mulheres, o candidato prometeu turbinar o Bolsa Família de maneira alucinante:

“Você, que recebe Bolsa Família, se perder o emprego, não vai perder o Bolsa Família. Vamos fazer um esquema de cashback dentro do Gov.br pra estimular a pessoa. Você ganha 600 reais de Bolsa Família. Se você economizou 100, o governo vai te dar mais 100. Se você concluir um curso, vai te dar mais 200 reais e ainda um microcrédito de 5000 reais para você abrir seu negócio”

Ora, ora. O homem que até pouco tempo atrás demonizava o programa social, chamando-o de "Bolsa Farelo", agora está mais entusiasmado que o narrador da Cazé TV em jogo da Argentina.

Têm sido muitas as promessas mirabolantes do candidato, mas tem uma bem mais simples que até agora ele não cumpriu: divulgar onde foram parar os milhões que o maior bandido do Brasil deu pra ele.

A suspeita é a de que a grana está sendo usada para bancar a vida de luxo do seu irmão nos EUA. No momento, é nessa bolsa que o Brasil está verdadeiramente interessado: a Bolsa Família Bolsonaro. Cadê a grana do Vorcaro, Flávio?

Meio Milei, meio Bukele

"Sou Milei na forma e Bukele no conteúdo", disse certa vez o candidato Renan Santos, do partido Missão. Essas referências explicitam a mediocridade intelectual e a tragédia estética que carrega um político nascido no MBL. De Mamãe Falei a Gabriel Monteiro, tudo o que vem de lá é mesmo meio Milei, meio Bukele.

Nesta semana, o lado Milei de Renan se mostrou com força. Vejamos.

"Voltei do Ceará com ameaças de duas facções criminosas. Moro em São Paulo, cidade comandada pelo PCC, que vem também tratando das primeiras ameaças contra a gente. Estou hoje no Rio de Janeiro e já recebi mais uma ameaça, envolvendo o Comando Vermelho".

O candidato não alcança dois dígitos nas pesquisas de intenção de voto, mas já estaria na mira de grandes facções criminosas do país.

É um delírio tão profundo que me lembra Milei, que tem como conselheiro político o seu falecido cachorro, com quem ele se consulta espiritualmente.

Mas, claro, Renan não está delirando. É apenas o seu lado Milei chamando a atenção para o seu lado Bukele. O factóide serve para compor o personagem de homem implacável contra o crime, também encarnado pelo presidente equatoriano.

É importante lembrar que Bukele fez um pacto secreto com as gangues que controlam o país para diminuir o número de homicídios no país. Em troca, ele ofereceu umas mamatas para líderes das facções que estão dentro e fora das prisões. Será que o Renan vai querer sentar à mesa com o PCC e o CV?

Na semana que vem vou dar uma pausa na newsletter Caos e Paixão para descansar. Volto com tudo no segundo sábado de agosto, com a cabeça nas eleições 2026.

Até lá,






GAZETA SANTA CÂNDIDA, JORNAL QUE TEM O QUE FALAR

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