REVISTA INGLESA TEXTURE MAGAZINE (N.3) DESTACA ARTIGO DA ARTISTA E ESCRITORA CURITIBANA GIOVE PEREIRA SOBRE MÚSICA, GEOPOLÍTICA E TRANSCULTURALISMO



A cena cultural latino-americana acaba de conquistar mais um espaço de projeção internacional. A terceira edição da revista independente britânica Texture Magazine traz o artigo “Musings on Music and Hybrid Warfare”, assinado pela artista e escritora brasileira Giove Pereira em diálogo com o cientista político e musicólogo Manoel J. de Souza Neto. O texto integra uma publicação dedicada às intersecções entre música, arte experimental, crítica cultural e pensamento contemporâneo, reunindo autores de diferentes países em torno de algumas das questões mais urgentes da cultura global.

Descrita pela revista como artista multidisciplinar, Giove Pereira, de 22 anos, nasceu em Curitiba e mudou-se radicada na Itália. Sua produção transita entre escrita, artes visuais, colagem, design editorial e crítica cultural, desenvolvendo uma trajetória singular marcada pela experimentação estética e pelo diálogo entre memória, identidade, deslocamento e pertencimento.

Em “Musings on Music and Hybrid Warfare”, a autora conduz uma conversa com o musicólogo e cientista político Manoel J. de Souza Neto sobre os cruzamentos entre música, comunicação política, indústria cultural, plataformas digitais e guerra híbrida. Ex-membro do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), fundador do MUSIN – Museu Independente e da Fonoteca da Música Paranaense, Souza Neto é reconhecido por seus estudos sobre economia política da música, sociologia da cultura, memória das cenas independentes e políticas culturais. Ao longo de décadas de pesquisa, desenvolveu investigações sobre o papel das redes digitais, dos algoritmos, das plataformas e dos processos de influência cultural na formação dos imaginários contemporâneos.



O diálogo parte de uma questão central para o século XXI: como a música, os afetos, os comportamentos juvenis e as identidades culturais podem ser mobilizados como instrumentos de soft power e disputa geopolítica? A conversa examina de que forma processos de transculturalidade, circulação global de referências musicais e construção de imaginários coletivos atravessam fronteiras nacionais, influenciando hábitos, valores e formas de pertencimento. Em uma América Latina historicamente conectada aos fluxos internacionais de informação e entretenimento, a cultura aparece simultaneamente como espaço de emancipação, resistência e disputa simbólica.

Para além de uma reflexão sobre a música, o artigo propõe uma análise sobre os mecanismos contemporâneos de circulação cultural e seus impactos sociais. A música funciona como linguagem privilegiada para compreender fenômenos mais amplos relacionados à formação de identidades híbridas, à mediação algorítmica da experiência cultural e às novas formas de influência simbólica que caracterizam o mundo conectado. A publicação evidencia invenção de uma latinidade, transcultural, dinâmica e sem fronteiras rígidas, característica do consumo das novas gerações ligadas por redes digitais, cenas musicais globais e intercâmbios culturais incentivados por ONGs.

Ao mesmo tempo, o texto problematiza como essas mesmas dinâmicas podem ser apropriadas por estratégias de comunicação direcionada, influência política e engenharia de consensos, temas que vêm ocupando pesquisadores da cultura, da comunicação e da geopolítica em diferentes partes do mundo. A chamada guerra híbrida é abordada não apenas como fenômeno militar ou informacional, mas também como disputa pelos sentidos, pelos afetos e pelas narrativas que organizam a vida social contemporânea.

A Texture Magazine é uma publicação física e independente, em língua inglesa, sediada no Reino Unido dedicada à música, arte, rádio, cultura experimental e pensamento crítico. Sua terceira edição reúne ensaios, entrevistas e reflexões sobre música eletrônica, cultura digital, resistência cultural e arte contemporânea, colocando autores latino-americanos em diálogo com colaboradores de diversas partes do mundo. A presença de Giove Pereira na publicação evidencia o crescente interesse internacional por abordagens que conectam música, cultura, política e tecnologia a partir de perspectivas latino-americanas.

A edição número N3 constam textos de: Alek Rybinski, Mort Drew, Sam Ridout
Giove Pereira in conversation with Manoel J. de Souza Neto, Alex Brown, Crashkitty, Thomas Rainbow, Anushka Holding-Savič, Christian Jones, Clotilde Bayle, e é editado por Christian Jones, com design e illustrações de Tommy Brentnall.

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A edição nº 3 pode ser adquirida diretamente pela loja oficial da revista:

[Texture Magazine – Loja Oficial]




Sobre Giove Pereira

Giove Pereira, de 22 anos, nasceu em Curitiba e mudou-se para a Itália aos cinco anos de idade, mantendo uma relação constante com o Brasil por meio de pesquisas, projetos artísticos e frequentes intercâmbios culturais. A escrita de Giove Pereira destaca-se por uma rara capacidade de deslocar a crítica musical dos lugares-comuns do jornalismo cultural para um território onde memória, identidade, política dos afetos, imaginário social e percepção estética se entrelaçam. Sua produção recente, publicada na revista italiana Polvere Magazine, consolida uma trajetória marcada pelo diálogo entre linguagens artísticas, reflexão cultural e investigação das formas contemporâneas de pertencimento.

Em textos na https://polveremag.it/author/giove-pereira/ como Basta con la bossa nova!, questiona a redução da música brasileira a um pequeno cânone exportável, propondo uma leitura crítica dos mecanismos de consagração cultural e das imagens estereotipadas frequentemente associadas ao Brasil. Em Il country brasiliano, tra tradizione e futurismo queer, investiga como artistas LGBTQIA+ reinterpretam tradições musicais rurais brasileiras por meio de estéticas retrofuturistas, articulando gênero, território, memória e imaginação. 
Os textos com boa repercussão também no Brasil, revelam olhares sobre a cena indie, como em Stanchi di essere brasiliani: il rock alternativo degli anni ’90, examina as tensões identitárias presentes no rock alternativo brasileiro dos anos 1990, observando como diferentes artistas negociaram pertencimentos culturais em um contexto de crescente globalização. Em Capisaldi dell’underground brasiliano: i Ludovic a vent’anni di distanza, revisita uma das bandas mais importantes do underground brasileiro recente para refletir sobre memória, legado e resistência cultural. Em I Varanda, i confini e la musica alternativa brasiliana, transforma a discussão sobre fronteiras musicais em uma cartografia sensível dos deslocamentos culturais contemporâneos. 
Ao analisar mais do que gêneros musicais ou tendências de mercado, Giove Pereira demonstra interesse em compreender como sons, símbolos e narrativas produzem novas formas de percepção do mundo. Sua escrita revela uma autora sensível e atenta às relações entre cultura, identidade e imaginação social, capaz de conectar cenas locais a questões globais e de transformar a crítica musical em um espaço de reflexão sobre os significados mais profundos da experiência cultural contemporânea.

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