RELEMBRANDO O TEMPO DOS BONDES ELÉTRICOS DE CURITIBA

            Bacacheri

Em 1911, a South Brazilian Railways (SBR), a companhia anglo-francesa que assumiu a operação dos bondes de Curitiba, encomendou 29 bondes elétricos da Les Ateliers Métallurgiques em Nivelles, Bélgica. Eram modelos conversíveis, com laterais removíveis, sem igual no Brasil. Os novos bondes chegaram em Paranaguá em Abril de 1912 e começaram a serem testados em Curitiba no mês de Agosto seguinte.

O serviço de bondes elétricos de Curitiba foi inaugurado pela SBR em Janeiro de 1913. Os novos veículos elétricos belgas possuíam alavancas de roldana de contato para captação de corrente elétrica com suporte giratório para alcançar os fios distantes e suspensos ao longo das laterais das ruas, um arranjo que era único na América do Sul. A bitola entre os trilhos era de um metro.

   Atual rua: João Gualberto px ao Passeio Público sentido centro

O município assumiu a South Brazilian Railways em 1924 e em 1928 as concessões de energia elétrica e dos bondes passaram para a Companhia Força e Luz do Paraná, subsidiária do conglomerado norte-americano Electric Bond & Share. Os novos proprietários colocaram números de identificação nos bondes belgas pela primeira vez. Em 1945 a CFLP vendeu seus bondes de passageiros e 28 km de trilhos para uma nova agencia municipal, a Companhia Curitibana de Transportes Coletivos - CCTC.

     Atual rua: XV de Novembro, Centro de Curitiba

Curitiba cresceu rapidamente a partir das décadas de 1930 e 40, mas não modernizou seu sistema de bondes. Uma rede primitiva de trilhos de via única com carros de 2 eixos, todos envelhecidos por décadas, não era adequado e não se manteriam por muito mais tempo. A CCTC começou a trocar os bondes por ônibus durante a Segunda Guerra e encerrou as atividades de bondes em Curitiba em Junho de 1952.

E os bondes belgas foram abandonados no estacionamento que havia, na avenida Visconde de Guarapuava e, com o tempo vendidos como sucata.

O famoso bonde estacionada na rua XV de Novembro, é um veículo da frota de Santos, o numero 206, trazido para Curitiba em 1973 e exposto para visitação e informações ao publico, além de outros propósitos ao longo do tempo.

Paulo Grani

GAZETA SANTA CÂNDIDA, JORNAL QUE TEM O QUE FALAR

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