CIDADE MAIS ALTA DO BRASIL: UMA SUIÇA BRASILEIRA ONDE O FRIO E A ARQUITETURA EUROPEIA A MAIS 1.600 METROS ATRAEM VISITANTES O ANO INTEIRO

A 173 km de São Paulo, Campos do Jordão sobe a Serra da Mantiqueira até os 1.628 metros que a tornam o município com a sede mais elevada do país. O frio que um dia atraiu doentes em busca de cura hoje atrai quem quer viver — ou simplesmente respirar — diferente.

De sanatório a destino: a história improvável da Serra da Mantiqueira

No início do século XX, Campos do Jordão não era destino de lazer. Era destino de sobrevivência. O ar frio e limpo da serra atraiu, nas décadas de 1920 e 1930, os primeiros sanatórios dedicados ao tratamento da tuberculose, doença que assolava o país e para a qual o clima de altitude era uma das poucas alternativas conhecidas. A cidade cresceu em torno desses estabelecimentos, com toda a infraestrutura que os pacientes e suas famílias demandavam.

A virada veio com a medicina. O avanço da penicilina nos anos 1960 esvaziou os sanatórios e abriu espaço para uma nova vocação. A inauguração do Palácio Boa Vista em 1964 como residência de inverno do governador paulista e do Festival Internacional de Inverno em 1970 consolidaram a cidade como referência cultural e turística. Segundo a Prefeitura Municipal, o clima local foi eleito o melhor do mundo no Congresso de Climatologia de Paris em 1957.

                                                                         Créditos: depositphotos.com / julioricco
A cidade mais alta do país e arquitetura alpina definem o prestígio de Campos do Jordão 

O que torna a vida cotidiana diferente a 1.628 metros?

Morar em Campos do Jordão é viver em uma cidade que organiza seu calendário em torno do frio. No inverno, as lareiras acendem, as fondue houses lotam e o centro turístico de Capivari pulsa até mais tarde. No verão, a temperatura raramente passa dos 26°C, o que torna a cidade um refúgio para quem foge do calor das metrópoles vizinhas.


Para o morador, esse ciclo significa alta temporada com movimento intenso em julho e uma entressafra mais tranquila nos demais meses, com preços mais acessíveis e ruas mais livres. A infraestrutura urbana foi moldada pelo turismo de alto padrão e pela presença de segundas residências de famílias paulistas e mineiras.

O resultado é uma cidade com boa rede de serviços para o interior do estado: comércio variado, gastronomia diversificada, teatro, escola de música e parques mantidos com cuidado. O bairro Abernéssia, onde a cidade começou em 1874, guarda esse nome como homenagem a duas cidades escocesas, Aberdeen e Inverness, uma curiosidade do fundador do bairro, o escocês Robert John Reid.

Campos do Jordão encanta todos os visitantes // Créditos: depositphotos.com / casadaphoto

O maior festival de música clássica da América Latina

Todo mês de julho, Campos do Jordão se transforma no centro da música erudita do continente. O Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, criado em 1970 e reconhecido como o maior festival de música clássica da América Latina, reúne orquestras, solistas internacionais e bolsistas de todo o Brasil por cerca de um mês. A 55ª edição, realizada em 2025, trouxe mais de 80 apresentações gratuitas distribuídas entre o Auditório Cláudio Santoro e outros palcos da cidade. Para o morador, o festival é também mercado: aquece hotéis, restaurantes e o comércio por semanas.

Segundo o Ministério da Cultura, o evento oferece ainda bolsas integrais a jovens músicos brasileiros e internacionais, que convivem com professores de primeiro escalão mundial durante o período do festival.
O que fazer além do inverno na cidade serrana?

A oferta de lazer em Campos do Jordão vai além da alta temporada. A cidade tem atrações que funcionam o ano todo e que interessam tanto ao visitante quanto a quem mora ali.
Vila Capivari: centro turístico com lojas, cafeterias, bares e o Boulevard Geneve, travessa coberta por guarda-chuvas coloridos. Ponto de encontro diário dos moradores.
Palácio Boa Vista: residência oficial de inverno do governador paulista e museu com obras de Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Di Cavalcanti. Visita gratuita.
Morro do Elefante e Teleférico: a 1.800 m de altitude, o teleférico parte do Parque Capivari e entrega uma vista panorâmica da cidade e da Mantiqueira.
Parque Estadual Horto Florestal: 8.300 hectares com trilhas entre araucárias centenárias, fauna diversificada e áreas de piquenique a poucos minutos do centro.
Parque Amantikir: mais de 700 espécies vegetais em jardins temáticos ao longo de 60 mil m², aberto todos os dias do ano.
Museu Felícia Leirner: 85 esculturas de bronze ao ar livre nos jardins do Auditório Cláudio Santoro, com a serra ao fundo.

Quem busca o charme da Serra da Mantiqueira, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vamos Fugir Blog, que conta com mais de 230 mil inscritos, onde Lígia e Ulisses mostram um roteiro completo de Campos do Jordão com preços e dicas:

Fondue, pinhão e truta: a gastronomia que o frio explica

A altitude moldou o cardápio da cidade tão profundamente quanto a arquitetura. O frio justifica os restaurantes de fondue que dominam a cena gastronômica, mas a cozinha local vai além da influência europeia. O pinhão, fruto da araucária típica da Mantiqueira, aparece em pratos doces e salgados e é símbolo do cotidiano jordanense. A truta criada nas águas frias da região está em praticamente todos os cardápios.

Fondue de queijo e carne: prato símbolo da cidade, servido nas casas especializadas da Vila Capivari e arredores, especialmente no inverno.

Pinhão assado ou cozido: vendido nas ruas e feiras no período do inverno, consumido quente como petisco de rua.

Truta grelhada ou defumada: peixe local criado em tanques de água fria, presente nos restaurantes da cidade o ano todo.

Cervejas artesanais: a Baden Baden, produzida em Campos do Jordão, é uma das mais reconhecidas do Brasil e oferece tour com degustação na própria fábrica.

Veja no shorts abaixo o que comer com R$ 200 em Campos do Jordão:
Quando o frio e o sol dividem o calendário da Mantiqueira

O clima de montanha é o maior ativo e o principal organizador da vida na cidade. O inverno seco, com temperaturas que chegam a poucos graus acima de zero, define a alta temporada. O verão ameno, com máximas raramente acima de 26°C, atrai quem foge do calor intenso do interior paulista.

☀️Verão
Dezembro – Fevereiro
14°C a 26°C
💧 Chuva alta
O clima ameno atrai quem foge do calor intenso. Excelente fase para fazer trilhas pela manhã e visitar o Horto Florestal.
🍂Outono
Março – Maio
10°C a 22°C
☁️ Chuva média
As temperaturas começam a cair, criando uma atmosfera romântica. Aproveite a beleza dos parques, museus e da gastronomia.
❄️Inverno
Junho – Agosto
3°C a 18°C
🌤️ Chuva baixa
Alta temporada! O frio intenso e o tempo seco definem a cidade. É a época perfeita para o festival, fondue e teleférico.
🌸Primavera
Setembro – Novembro
10°C a 24°C
☁️ Chuva média
A cidade ganha novas cores e o clima fica muito agradável. Excelente janela para explorar trilhas, o Amantikir e a Vila Capivari.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.

Como chegar à cidade mais alta do Brasil saindo de São Paulo?

Campos do Jordão fica a cerca de 173 km da capital paulista pela Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro (SP-123), acessada pela Rodovia Ayrton Senna ou pela Via Dutra. De carro, a viagem leva em torno de 2h30, com a subida da serra como parte do trajeto. Ônibus partem regularmente da rodoviária do Tietê em São Paulo. Para quem vem de outros estados, o aeroporto de São José dos Campos, a cerca de 85 km, é a opção mais próxima com voos regulares.

Vale morar na cidade que o Brasil inteiro visita em julho

Campos do Jordão é uma cidade que construiu identidade a partir de uma circunstância geográfica: a altitude que um dia tratava doenças hoje sustenta uma qualidade de vida difícil de replicar em latitudes mais baixas. Frio real, natureza preservada, cultura de alto nível e um comércio moldado para agradar são ingredientes raros num município de 50 mil habitantes.

Quem pensa em trocar o ritmo das grandes cidades por algo mais calmo, sem abrir mão de cultura e gastronomia, vai encontrar em Campos do Jordão uma das respostas 

O Antagonista 

GAZETA SANTA CÂNDIDA, JORNAL QUE TEM O QUE FALAR

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