INFLAÇÃO DE ALIMENTOS: ENTENDA POR QUE COMER NO BRASIL FICOU TÃO CARO

Estudo mostra que a alta do preço de alimentos é estrutural e o papel de projeto exportador nesse cenário

                  Fernando Frazão/Agência Brasil


Por Isabel Seta | Edição: Ludmila Pizarro


Uma preocupação tem aparecido de forma recorrente nas declarações do presidente Lula: o possível impacto da guerra no Irã nos preços dos alimentos. “Nós estamos fazendo todo o esforço possível para não permitir que a guerra irresponsável no Irã chegue ao bolso do povo que vai comprar seu alface, que vai comprar seu feijão, arroz, milho, vai comprar a comida do seu filho”, disse ele em entrevista à TV Record Bahia na última quinta-feira, 2 de abril.

                                                                             Ricardo Stuckert / PR
Presidente Lula fala sobre preço dos alimentos e guerra do Irã durante entrevista à TV Record da Bahia

O temor é que a alta no preço internacional do petróleo, provocada pela guerra, encareça o frete e os combustíveis no país, elevando o custo de alimentos e bebidas, que vinha caindo desde o segundo semestre de 2025 e fechou o ano com alta de 2,95% – uma desaceleração considerável na comparação com 2024, quando o aumento foi de 7,69%.

“Os preços dos alimentos estiveram mais caros em 2024, estiveram mais caros até metade de 2025, mas hoje a inflação de alimento está muito baixa, as coisas estão melhorando e eu espero que continue baixando, porque nós precisamos baixar o preço da comida para o povo poder comprar mais e comprar alimento de melhor qualidade”, afirmou o presidente.

Ainda que os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã possam reverter essa trajetória de queda nos preços, o que representaria mais uma dor de cabeça eleitoral para Lula, a inflação de alimentos não é um fenômeno pontual no Brasil. Pelo contrário. Um novo estudo da ACT Promoção da Saúde mostra que em 20 anos os preços dos alimentos subiram acima da inflação geral (medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA).

Desde 2006, os alimentos ficaram 302,6% mais caros no Brasil, enquanto nesse mesmo período, a inflação geral acumulou uma alta de 186,6%.

“É comum tratar a inflação de alimentos de forma conjuntural, mas ela não é. Nas últimas duas décadas, todos os grupos de alimentos, alguns mais do que outros, subiram acima da inflação geral”, explica o economista Valter Palmieri Jr., autor do estudo e doutor em desenvolvimento econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Segundo ele, ainda que as oscilações sazonais de cada tipo de cultivo tenham impacto nos preços, elas não explicam a alta generalizada e persistente. Para se ter ideia, R$ 100 em 2006 equivalem a R$ 35 nos dias de hoje e, no caso de alimentos e bebidas, o valor é ainda menor, apenas R$ 24,70. Isso significa que os alimentos que custavam R$ 24,70 em 2006, hoje são adquiridos por R$ 100.

A inflação dos alimentos é um problema porque exige que as pessoas comprometam parcelas cada vez maiores de sua renda para garantir algo básico. Em janeiro do ano passado, por exemplo, famílias que ganhavam até 1,5 salário mínimo consumiam quase um quarto de seu orçamento com a compra de alimentos, como mostrou um levantamento do economista André Braz, coordenador de Índices de Preços da FGV. Pouco depois, uma pesquisa do Datafolha revelou que 58% da população havia reduzido a quantidade de alimentos comprados em resposta à alta dos preços.

Depois de avaliar vários indicadores, Palmieri considera a inflação de alimentos no país um problema estrutural e sistêmico, fruto de cinco fatores relacionados: desigualdades históricas no acesso à terra, concentração de mercado ao longo de toda a cadeia de alimentos, choques causados pelas mudanças climáticas, direcionamento das políticas públicas e, principalmente, a posição do Brasil no mercado internacional como um grande exportador de commodities, como soja, milho, cana de açúcar e carne bovina.

Acompanhe nos gráficos, selecionados do estudo de Palmieri, como a inflação de alimentos tornou-se um problema estrutural no país.
Comida mais cara que o custo de vida

Até os anos 2000, o preço dos alimentos se mantinha abaixo da inflação geral por causa de um processo de modernização da agricultura, que aumentou a produtividade, reduziu a dependência de importações e levou à autossuficiência em vários produtos. A partir de 2006, porém, essa dinâmica começou a mudar e os alimentos passaram a subir acima da inflação geral, o que não aconteceu apenas no Brasil.

“É um fato mundial e é um fato novo, deste século”, diz o agrônomo José Baccarin, professor da Unesp. “E os dados da FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] mostram isso: no período de 1960 a 2000, os preços dos alimentos no mundo caíram. E neste século subiram muito, 71% até 2024”.

Baccarin explica que a alta se deve principalmente ao crescimento das economias e ao enriquecimento das populações na Ásia, o que aumentou a demanda por alimentos no mundo.

No estudo da ACT, Palmieri também identifica o crescimento chinês como o ponto de virada para a mudança nos preços dos alimentos em vários países. “Nesse período, a China chegou a crescer 14%. Imagine uma população de 1 bilhão de pessoas tendo um aumento de renda e começando a consumir muitos produtos que antes não eram tão consumidos, como a carne. Isso afeta o mundo inteiro, mas os países mais afetados são os subdesenvolvidos especializados na produção de commodities, como, por exemplo, o Brasil”, explica ele. “Isso provocou uma transformação gigantesca na nossa pauta de exportação”.

Para responder à fome chinesa, o Brasil passou a exportar ainda mais alimentos – em especial a soja. Se em 2000, o país exportou 24,2 milhões de toneladas, em 2025 esse número chegou a 209,4 milhões de toneladas. Para efeito de comparação, no ano passado, a produção somada de arroz e feijão foi de apenas 14 milhões de toneladas – ou um sétimo dos alimentos exportados.

“Uma parcela crescente da produção nacional é destinada ao mercado externo, e ainda que esse movimento não implique escassez física generalizada ou desabastecimento, ele reduz a oferta disponível internamente, altera os custos de oportunidade da produção e exerce pressão sobre os preços dos alimentos”, afirma o estudo.

Para Palmieri, a exportação não é um problema em si, mas sim a forma como ela se deu, ao aprofundar desigualdades estruturais que já existiam e concentrar recursos e esforços de políticas públicas na produção de commodities para o mercado externo.

Por que isso importa?
Em 20 anos, as frutas ficaram 180% mais caras e os tubérculos e legumes 90%.
No ano passado, o governo Lula chegou a reduzir impostos de alimentos como café, açúcar e macarrão para incentivar a queda dos preços.
Mais terra para commodities e menos terra para alimentos básicos

O pesquisador afirma que o modelo agroexportador brasileiro passou a privilegiar a produção para exportação de carne bovina e outras três commodities agrícolas: soja, milho e cana de açúcar. Esse processo teve impacto na quantidade de terra agricultável destinada à produção dos alimentos que vão para o prato dos brasileiros, como arroz, feijão, batata, mandioca e tomate. Se em 2006, havia 4 vezes mais hectares destinados às commodities agrícolas do que a alimentos básicos pouco exportados, hoje essa diferença é de 12 vezes mais.

A diminuição na área colhida de alimentos básicos, porém, não necessariamente implica em queda de produção – o arroz, por exemplo, teve ganhos importantes de produtividade nos últimos anos –, tanto que não há desabastecimento no país. Ainda assim, a variação na oferta altera a dinâmica dos preços.

As frutas, por exemplo, foram o grupo alimentar com maior aumento de preços desde 2006. Um movimento que, segundo o estudo, pode ser explicado pela redução da área plantada e pela queda da produção per capita, que diminuiu em média 14% nas últimas duas décadas. O caso do mamão é ilustrativo: a fruta registrou uma inflação acumulada de 661% no período e uma diminuição de quase 47% da produção per capita.
Transformação silenciosa

Além disso, Palmieri levantou outros dados que mostram o que ele chamou de uma “transformação silenciosa” do sistema agroalimentar brasileiro. Para além da expansão geral da área colhida dedicada aos produtos para exportação, o estudo mostra que o número de municípios cuja produção é dominada por commodities aumentou nas últimas duas décadas, enquanto diminuiu a quantidade de municípios que tinham uma produção mínima de arroz, feijão e mandioca.

Esses números revelam uma maior especialização produtiva e uma redução da diversidade agrícola. Enquanto as commodities ampliam seu acesso à terra e passam a dominar a produção de vários municípios, a produção de alimentos básicos e de frutas perde espaço e acaba concentrada territorialmente – o que aumenta a dependência de alguns poucos pólos produtivos. Essa reconfiguração diminui a capacidade da produção para consumo interno de amortecer eventuais choques e acaba por pressionar os preços.
O caso de uma das maiores produtoras de feijão do país

Unaí, em Minas Gerais, é um exemplo desse cenário. A cidade era a maior produtora de feijão do país em 2006 e, em 2025, permaneceu como a segunda maior produtora, mas com uma redução significativa de 96 mil toneladas anuais para 66,3 mil toneladas anuais. Ao longo desse período, Unaí sempre produziu mais soja do que feijão. Acontece que essa diferença foi ficando cada vez maior: se em 2000, o município produziu 1,2 vez mais soja do que feijão, esse número passou para nove vezes mais em 2024. Enquanto isso, a quantidade de terra destinada ao cultivo de soja aumentou e a de feijão diminuiu, como mostra o gráfico.

Essa alteração tem lógica econômica: quanto mais lucrativa se torna a exportação, mais vale a pena para o produtor optar por esse caminho. Além do próprio preço da terra aumentar, os custos de produção também se alteram. Entre 2006 e 2024, o custo total de produção do feijão por saca em Unaí saltou 430%, enquanto o da soja cresceu 226%. Não à toa, o fenômeno não se limita só a Unaí: das 20 cidades que mais produziam feijão em 2006, 17 tiveram redução no volume produzido em 2024, segundo o estudo.
Mudanças de hábito influenciam no prato do brasileiro

Base da nossa gastronomia e símbolo nacional, o feijão tem sumido do prato dos brasileiros. Em 2024, dados da Embrapa mostraram que o consumo do grão atingiu o menor índice da série histórica. Ainda que o aumento do preço ajude a explicar esse quadro, ele não é o único fator, já que o consumo do alimento tem caído em todas as faixas de renda. Há também questões culturais e o avanço do consumo de ultraprocessados para se considerar.

“Quando olhamos para todas as faixas de renda, as características do que tem mudado na alimentação são as mesmas: aumento do consumo de ultraprocessados, aumento no consumo de proteínas, diminuição da diversidade da dieta e diminuição dos alimentos in natura e minimamente processados”, explica Arilson Favareto, pesquisador da Cátedra Josué de Castro, da USP, e um dos organizadores do livro “Caminhos Para a Transição do Sistema Agroalimentar: Desafios para o Brasil”.

Uma das causas para essas mudanças, diz Favareto, é a desigualdade no acesso a alimentos saudáveis – ou, posto de outra forma: os alimentos que estão sendo oferecidos à população. Enquanto algumas cidades brasileiras possuem, além de supermercados, sacolões, Ceasas e feiras livres, outras são classificadas como “desertos alimentares” (quando há baixa disponibilidade de alimentos in natura ou minimamente processados) e “pântanos alimentares” (onde predominam estabelecimentos que vendem principalmente produtos ultraprocessados). No Brasil, um mapeamento da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, estimou que 25 milhões de pessoas vivem em desertos alimentares, dependentes de uma estrutura varejista concentrada, que altera não só o preço dos alimentos, mas também a própria diversidade dos produtos ofertados.

 Valter Campanato/Agência Brasil
Alimentos ultraprocessados estão cada vez mais comuns na dieta do brasileiro
Dependência de produtos cada vez mais caros

A inserção do Brasil no mercado internacional como um exportador de commodities implica em uma dolarização dos preços inclusive dos produtos que não são exportados. Além disso, o país não desenvolveu uma cadeia produtiva dos insumos necessários para a produção agrícola, como fertilizantes e agrotóxicos, cujos preços dispararam nas últimas décadas, como mostra o gráfico abaixo.

“Temos uma infraestrutura econômica em que somos exportadores de commodities, produtos de pouco valor agregado, que geram poucos empregos, enquanto somos dependentes desses insumos que não só possuem um valor agregado maior, como são produzidos por empresas de países desenvolvidos”, diz Palmieri ao lembrar que apenas quatro empresas (duas alemãs, uma americana e uma chinesa) concentram 61% do mercado global de pesticidas.

Cálculos realizados a partir dos dados do Banco Mundial indicam que, em 2006, 74% dos fertilizantes utilizados no Brasil eram importados, proporção que aumentou para 87% em 2022. Segundo o estudo, essa crescente dependência torna o país vulnerável às oscilações cambiais e aos preços internacionais, que afetam inclusive os produtores de alimentos destinados ao mercado interno.
Monotonia agrícola, pecuária e alimentar

O gráfico acima mostra o domínio da soja, do milho e da cana de açúcar na área colhida no Brasil desde os anos 1990, o que os pesquisadores da Cátedra Josué de Castro, da USP, classificam como “monotonia agrícola”. Além dela, os pesquisadores identificam que o sistema agroalimentar no Brasil e no mundo está baseado também na monotonia pecuária, associada à criação de poucas espécies de animais com baixa diversidade genética, e na monotonia alimentar, expressa na padronização das dietas e avanço dos alimentos ultraprocessados.

Essa tríplice monotonia reduziu a resiliência dos sistemas alimentares, tornando-os mais vulneráveis aos choques climáticos cada vez mais comuns diante do agravamento da crise climática (que intensifica e acelera eventos extremos, como secas prolongadas, ondas de calor intensas e chuvas torrenciais).

“Essa concentração de poucas variedades agrícolas reduz a capacidade dos sistemas agrícolas de resistir a choques climáticos, já que a homogeneização genética aumenta a suscetibilidade a secas, enchentes, pragas e doenças. Evidências recentes indicam que esse processo não se limita à redução do número de espécies cultivadas, mas envolve também a erosão acelerada da diversidade genética dentro de cada cultura”, afirma o estudo da ACT.

Além disso, a monotonia agrícola impacta nos preços, já que implica em uma dependência crescente de insumos como fertilizantes e agrotóxicos.

“Mais de 70% das calorias que a humanidade consome de plantas vêm de apenas seis plantas. No Brasil, temos um predomínio muito grande da produção de soja. E para extrair esse nível de produtividade de poucas espécies, elimina-se as espécies concorrentes e toda a biodiversidade por meio de agrotóxicos”, explica Favareto.

“Isso gera dois problemas: com a vida do solo eliminada, é preciso usar cada vez mais fertilizantes, o que aumenta o custo de produção. E, segundo, como as espécies vão ficando mais resistentes, é necessário usar cada vez mais agrotóxicos, o que também significa custos subindo. Isso se agrava ainda mais no momento geopolítico atual, já que grande parte dos insumos vêm de lugares conflagrados, como Ucrânia e Oriente Médio”, completa.
Diferenças de tratamento

Palmieri argumenta, ainda, que a inflação de alimentos no Brasil reflete um conjunto de políticas públicas que, no geral, priorizam o agronegócio exportador. Enquanto a produção de commodities, no geral realizada por grandes proprietários e empresas, se beneficia de crédito subsidiado, incentivos fiscais (como mostra o gráfico abaixo) e toda uma infraestrutura voltada para a exportação, o abastecimento interno não recebe a mesma atenção e nem a mesma quantidade de recursos, dependendo de políticas públicas “fragmentadas e instáveis”.

Um exemplo dessa diferença está na tributação. Para estimular a competitividade internacional do país, desde 1996 o Brasil isenta de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, um tributo estadual) as exportações de produtos primários – numa política que difere da adotada até por vizinhos exportadores, como a Argentina, que cobra uma taxa de exportação de 26% para a soja, por exemplo.

Além disso, a maior parte dos tributos que incidem sobre a produção agropecuária são indiretos e aplicados de forma uniforme, independente do tamanho do produtor (são impostos sobre insumos, transporte, combustíveis e energia), o que, na prática, significa que a carga tributária pesa proporcionalmente mais sobre os produtores menores e voltados para o mercado interno do que sobre os grandes exportadores.

Outra política pública que opera de forma desigual é o Plano Safra, principal instrumento da política agrícola do país, lançado anualmente pelo governo federal com linhas de financiamento para custeio, investimento e comercialização da produção. Historicamente, a maior parcela de recursos do programa tem sido direcionada para grandes produtores. O acesso ao crédito sempre foi uma dificuldade dos pequenos produtores no país e, segundo o estudo, mesmo o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) não conseguiu superar esse desequilíbrio, já que muitas linhas do programa também são voltadas à produção de commodities.

Além do acesso ao crédito, as políticas públicas não resolveram as diferenças de acesso à tecnologia e à assistência técnica. “Enquanto os grandes estabelecimentos, voltados sobretudo à produção de commodities, são altamente mecanizados e integrados às cadeias exportadoras, mais da metade dos produtores familiares declararam não ter recebido assistência técnica em 2017 e cerca de 80% não acessaram crédito rural”, afirma o estudo.

Desigualdades históricas



Essa assimetria entre grandes e pequenos produtores no acesso a políticas públicas e tecnologia se relaciona com desigualdades estruturais do campo brasileiro. Entre elas, a concentração de muita terra na mão de poucas pessoas, uma herança do modelo agrário colonial que não foi superada pela modernização agrícola e nunca foi totalmente enfrentada por nenhum governo. Segundo o estudo, entre os 5,07 milhões de estabelecimentos registrados pelo censo agropecuário de 2017, menos de 1% concentram quase 47% de toda a área rural do país, enquanto 50% dos menores ocupam apenas 2,1% da área total.

De acordo com o gráfico acima, Mato Grosso, um grande produtor de commodities, é justamente o estado que apresenta maior concentração fundiária, com 83,7% da área rural total nas mãos de 10% dos proprietários, enquanto apenas 2,2% da área pertencem à metade menor das propriedades.

Dados do censo agropecuário também mostram que essa concentração gera disparidades de receita e de acesso à assistência. Segundo o estudo, entre o 1% das maiores propriedades, 61,6% recebem algum tipo de assistência técnica à produção (seja do governo, de cooperativas, de ONGs ou de iniciativa própria). Já entre as 50% menores propriedades, apenas 12,6% têm acesso a esse tipo de apoio.

A priorização do modelo agroexportador, sem incentivos para reduzir a dependência de insumos externos e nem políticas públicas eficazes para preservar a produção voltada ao mercado interno, agravou os demais fatores que influenciam nos preços, diz Palmieri. “A política pública, que já era assimétrica, se torna mais ainda. A questão climática [também] se torna um problema maior [e] a desigualdade que já era elevada se amplia”, afirma ele.

Mas o raciocínio também se dá do modo inverso, segundo o pesquisador: “Se não fossem as políticas públicas assimétricas e a desigualdade agrária, o Brasil teria outro tipo de participação no mercado internacional”, pondera.

Diante de tantos fatores intrincados, o economista considera que enfrentar o preço dos alimentos de forma estrutural – e não apenas conjuntural – exigiria uma grande articulação de todas as políticas públicas, que passam por vários ministérios diferentes.

“Esse combate não vai se dar através de pequenas políticas independentes. É preciso um projeto nacional que dê centralidade a esse problema e transforme o combate a ele numa política transversal”, conclui Palmieri.

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