UMA ANÁLISE DA NASA DESTACOU QUE A GRANDE MURALHA DA CHINA E AS PIRAMIDES DO EGITO NÃO SÃO VISÍVEIS A OLHO NÚ DA ESTAÇÃO ESPACIAL INTENACIONAL, . . .

. . .  e apenas uma estrutura feita pelo homem é visível dessa forma
Uma análise da NASA destacou que a Grande Muralha da China e as Pirâmides do Egito não são visíveis a olho nu da Estação Espacial Internacional, e apenas uma estrutura feita pelo homem é visível dessa forma
Imagem real vista da janela da Estação Espacial Internacional, com o mar de plástico de Almería marcado

Um levantamento da NASA apontou uma mancha branca no sul da Espanha como a única estrutura humana que aparece claramente a olho nu na Estação Espacial Internacional

A ideia de ver do espaço obras como as pirâmides do Egito ou a Grande Muralha da China virou referência popular por décadas, mas a realidade é diferente. Da Estação Espacial Internacional, o que se destaca com nitidez a olho nu é um fenômeno agrícola concentrado no sul da Espanha.

O nome chama atenção, mas o cenário é bem prático: trata se do mar de plástico de Almería, uma imensa área de invernaderos que ocupa mais de 40.000 hectares no sudeste espanhol. O conjunto aparece como uma faixa clara e brilhante por causa da forma como interage com a luz solar.

O impacto vai além da curiosidade espacial. A estrutura transformou um ambiente árido em um polo produtivo, movimentando exportações e pressionando debates sobre água e resíduos. Para entender por que essa área é visível do espaço, é preciso olhar para o material que cobre os cultivos e para a escala desse modelo agrícola.
O mar de plástico não é um monumento antigo nem uma obra arquitetônica clássica. A visibilidade vem da combinação entre escala gigantesca e um detalhe simples: os telhados dos invernaderos são cobertos por polietileno branco, material que reflete luz com força.

Essa reflectividade cria uma área brilhante que contrasta com o entorno semidesértico. Em imagens de satélite e registros feitos por astronautas, a região se destaca como uma mancha clara próxima ao litoral, chamando atenção mesmo quando outras construções ficam camufladas na paisagem.

Além da cor e do brilho, o fator decisivo é a continuidade do conjunto. Em vez de um único ponto pequeno, existe uma extensão ampla e contínua de superfícies refletivas, o que aumenta a chance de identificação direta a partir da Estação Espacial Internacional.

Onde fica o Campo de Dalías e como os invernaderos ocupam a região

A área se espalha pelo Campo de Dalías, na província de Almería, no sudeste da Espanha. O terreno é árido, com clima difícil, e a cobertura plástica alterou a aparência do solo a ponto de marcar a região em registros feitos do espaço.

A dimensão do complexo agrícola também é destacada por números associados aos invernaderos. Há mais de 28.500 hectares de estufas, consolidando o território como um dos grandes centros de produção agrícola da Europa.

O resultado prático é uma paisagem totalmente distinta do entorno, com milhares de coberturas brancas formando um tapete contínuo. Essa uniformidade visual ajuda a explicar por que essa área consegue se impor na observação orbital.

O que a confirmação em 2007 e as imagens de 2022 mostraram na prática

A identificação do mar de plástico como estrutura visível a olho nu a partir da Estação Espacial Internacional foi confirmada em 2007 pelo astronauta espanhol Pedro Duque. A observação reforçou que o destaque vinha do contraste entre os telhados claros e o cenário ao redor.

Mais tarde, em 2022, imagens mostraram a luz refletindo na região e formando uma mancha branca próxima à costa do mar de Alborán. A área pôde ser vista também por satélites como o Landsat 9, o que ajuda a entender como a reflectividade se comporta em diferentes tipos de captura.

Esse conjunto de registros torna o fenômeno fácil de reconhecer em mapas e imagens de alta altitude. A ideia central é simples: quanto mais luz volta para o espaço, mais evidente fica a marca do terreno na observação orbital.

Por que a Grande Muralha e as pirâmides não entram na lista do que se vê a olho nu

As três pirâmides do Egito fotografadas com um teleobjetivo a partir do espaço (NASA).


A Grande Muralha da China costuma ser citada como visível do espaço, mas essa fama não se sustenta quando o critério é enxergar a olho nu. A estrutura acompanha montanhas e relevo, e por isso tende a se confundir com a geografia ao redor, perdendo contraste em grandes distâncias.

Outras construções podem ser observadas do espaço, mas entram em outra categoria. Pirâmides do Egito, mina Bingham Canyon nos Estados Unidos, presa das Três Gargantas na China e Palm Jumeirah em Dubai podem aparecer em fotos feitas por astronautas, só que com ajuda de câmeras e lentes potentes.

O ponto decisivo é o equipamento. Há menção ao uso de teleobjetivos, e até a possibilidade de uma lente de 800 milímetros para registrar pirâmides com mais clareza. 

A olho nu, elas não se destacam do mesmo jeito que o mar de plástico.

As Palm Jumeirah, em Dubai, podem ser fotografadas com teleobjetivos a partir da Estação Espacial Internacional (NASA).

Como a agricultura avançada funcionou em um clima extremamente árido

Além de chamar atenção do espaço, o mar de plástico abriga um modelo de produção pensado para condições difíceis. Em uma região de pouca água e clima muito seco, entraram em cena técnicas como riego por goteo, que melhora o aproveitamento hídrico, e a hidroponia, que permite cultivar sem solo.

Essas escolhas ajudaram a ampliar a produtividade e a estabilidade do cultivo em um ambiente que, naturalmente, teria limitações severas. O controle de temperatura e o manejo interno das estufas também contribuíram para criar condições mais previsíveis ao longo do ano.

Na prática, isso sustentou um salto na capacidade produtiva e criou um polo agrícola que se mantém ativo mesmo quando o clima externo é hostil. O resultado é uma produção constante em uma região que, sem esse sistema, teria muito menos espaço na cadeia de abastecimento.

Volume de produção, exportações e o papel de 2,5 a 3,5 milhões de toneladas por ano

A escala do complexo aparece também na quantidade produzida. A região gera entre 2,5 e 3,5 milhões de toneladas de frutas e verduras por ano, ocupando espaço importante no fornecimento de alimentos fora de temporada para a Europa.

Entre os produtos cultivados e exportados estão tomates, pimentões, pepinos e melões. O tomate e o pimentão ganham destaque como itens relevantes nas vendas externas, reforçando o peso econômico do sistema de estufas para a província de Almería.

Essa combinação de volume e regularidade ajuda a explicar por que o mar de plástico virou referência. Não se trata apenas de ser visível do espaço, mas de sustentar um fluxo contínuo de produção e distribuição em grande escala.

O efeito climático do albedo e o desafio ambiental do plástico e da água

A reflectividade que torna a área visível também influencia o clima local. Um aumento do albedo foi observado em 10% entre 1983 e 2006, indicando que mais luz solar passou a ser refletida de volta ao espaço e criando um efeito de resfriamento localizado.

Esse comportamento contrasta com tendências de aquecimento em áreas próximas e mostra como mudanças no uso do solo podem alterar a temperatura regional. Ao mesmo tempo, a solução traz desafios claros ligados à sustentabilidade do próprio modelo.

O uso de plástico nos telhados gera preocupação quando o material se degrada, exigindo pesquisa para opções mais ecológicas e estratégias de reciclagem. O consumo intenso de água também continua em debate, principalmente em um cenário de escassez crescente.

A história desse sistema começa a ganhar forma nas décadas de 1950 e 1960, quando agricultores passaram a usar plásticos para proteger cultivos do vento, da salinidade e do sol forte. Com o tempo, o avanço em irrigação e controle climático consolidou o local como referência em eficiência agrícola, mas com pressão contínua para reduzir impactos.

Noel Budeguer

Sou jornalista argentino, vivendo no Rio de Janeiro, especializado em temas militares, tecnologia, energia e geopolítica. Escrevo artigos sobre temas complexos em uma linguagem acessível, mantendo rigor jornalístico e foco no impacto social e econômico

Escrito por
Noel Budeguer

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