PARANÁ REGISTRA DOIS TORNADOS NOS DEZ PRIMEIROS DIAS DE 2026; VENTOS CHEGAM A 180K/H NA GRANDE CURITIBA

Ana Ehlert 
                                                                                                                     João Frigério
            Paraná registra dois tornados nos dez primeiros dias de 2026.

Nos primeiros dez dias de 2026, o Paraná já contabiliza dois tornados. O primeiro foi em Mercedes, na região Oeste, em 1º de janeiro. O mais recente foi neste sábado, 10, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Danificou cerca de 300 casas e deixou dois feridos. Confirmado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), que alcançou classificação F2, com ventos de até 180 km/h, o tornado é resultado de fatores naturais: posição geográfica, e clima.

A classificação segue a Escala Fujita, que vai até cinco. De acordo com o órgão, os ventos chegaram a 180 km/h e o percurso foi de cerca de 1 km/h, não tocando o tempo todo no chão.

O consultor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Fernando Mendonça, afirma que o Sul o Brasil fica geograficamente localizado em uma área considerada o segundo maior corredor do mundo para a ocorrência de ventos extremos, como ciclones, furacões e tornados. O primeiro fica na região central dos Estados Unidos.

“O Paraná está em uma área geográfica de ocorrência de ventos extremos, sobretudo ao longo das calhas dos rios Iguaçu e Paraná, além da foz, no Oeste do Paraná, Oeste Catarinense, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul”, explica Mendonça que é geógrafo e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). As regiões apontadas são mais planas e extensas. Por isso, mais propícias a esses fenômenos. São locais planos, em que o vento consegue atingir maior velocidade, resultando em movimentos turbilhonado e espiralado, que causam ciclones e furacões.

“Já, os tornados são muito menores e atuam em pequenas localidades, como este que ocorreu em São José dos Pinhais. O fator mais expressivo que leva a entender ou acreditar que aumentou este tipo de fenômeno no Paraná tem a ver com relações climáticas e meteorológicas globais,” afirma Mendonça.

O ano de 2025, de acordo com o consultor, registrou o maior aumento da temperatura da água dos oceanos. Ele ressalta que as águas dos oceanos Pacífico e Atlântico Sul não resfriaram na passagem do ano de 2025 para 2026. “A gente está num momento ainda de dias muito quentes e a água marinha ainda está muito aquecida. O que faz com que aumente a disponibilidade de energia na atmosfera e os ventos circulem cada vez mais velozes, formando ciclones e tornados”, explica.

Mendonça ressalta que, particularmente em São José dos Pinhais, houve uma reação térmica, entre o choque de ar frio e quente. Nos dias anteriores, houve uma queda expressiva de temperatura, na quarta, quinta e na sexta. Os dias amanheceram com temperaturas mais baixas que as comuns para a estação do ano, o verão.

Esse resfriamento foi resultado da entrada de uma massa de ar frio, que criou uma bolha de ar, circundada por uma grande massa de ar quente, comum a essa época do ano, provocando o choque térmico. “Esse choque térmico entre ar quente e ar frio, o aquecimento dos oceanos, registrados nos últimos anos, vem registrando mais ciclones, tempestades e tornados, como esse de ontem.” Mendonça aponta ainda questões regionais, como o desmatamento e a aquecimento do ar por atividades humanas.

Mercedes

O primeiro tornado de 2026 no Paraná ocorreu no dia 1º de janeiro, em Mercedes. Naquela ocasião, o fenômeno foi classificado na categoria F1 (ventos de até 120 quilômetros por hora), mas não houve registro de feridos ou danos graves à população local.

Municípios que removem a vegetação natural ficam expostos a estragos maiores. Este é caso de Rio Bonito do Iguaçu, também na região Sudoeste, que foi devastado em 7 de novembro de 2025. O município teve 22.223,37 hectares de Mata Atlântica desmatados nos últimos 30 anos.

Ana Ehlert

Ana Ehlert, formada em dezembro de 1991, pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), começou a carreira em jornais de Cascavel. Passou pelas emissoras da TV Manchete, em Guarapuava, e Bandeirantes, em Curitiba. Ingressou no Jornal do Estado em 1996, como repórter de Geral, passando posteriormente para repórter de Economia e Política. Foi editora de Economia.Nessa função, recebeu, em 2009, o prêmio Economista Paranaense do Ano, promovido pelo Conselho Regional de Economia (CRC-PR), na categoria Jornalista Econômico do Ano. Em 1999, teve breve passagem pela área de assessoria de imprensa. Atualmente é editora do Portal Bem Paraná.


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