APÓS MORTE EM SHOW DE TAYLOR SWIFT, FÃS DIZEM QUE LOCAL PARECIA UM ''TESTE DE SOBREVIVÊNCIA''

Menina de 23 anos que morreu no show de Taylor Swift no Rio de Janeiro morava no MS. Além do óbito, Bombeiros informaram que cerca de mil pessoas passaram mal e desmaiaram. Tapumes impediram circulação do ar e sensação térmica no local chegou a 62°C. Ministro Flávio Dino manda apurar escassez de água potável no evento e anuncia portaria para permitir garrafas d'água em shows no Brasil

Taylor Swift durante show no Rio de Janeiro — Foto: Alexandre Cassiano

Uma fã morreu no show da cantora Taylor Swift no Rio de Janeiro, nessa sexta-feira (17/11). Ela se chamava Ana Clara Benevides, tinha 23 anos e era estudante do curso de psicologia da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR).

A jovem morava em Pedro Gomes, no Mato Grosso do Sul, e chegou a ser levada ao Hospital Municipal Salgado Filho, após desmaiar e ser atendida no estádio. A causa da morte foi parada cardiorrespiratória.

Ana Clara acabou desmaiando no local, em meio à sensação térmica de 62ºC no Rio de Janeiro. Pelo menos mil pessoas desmaiaram durante o show por causa do calor, conforme o Corpo de Bombeiros.

O pai de Ana Clara, Weiny Machado, de 53 anos, falou à Folha de S.Paulo por telefone na madrugada deste sábado (18/11). Ele disse que havia presenteado a filha com o ingresso para o show da cantora.

“Perdi minha única filha, menina feliz, inteligente. Estava para se formar em psicologia em abril próximo, guardando dinheiro. Não tenho palavras para expressar minha dor. Saiu de casa para realizar um sonho e volta morta”, disse Machado.

Segundo o pai, a filha era fã da cantora desde a adolescência e estava guardando dinheiro para o futuro.

Os tapumes no Estádio Olímpico Nilton Santos, o Engenhão, onde ocorreu o show, impediram a circulação do ar e prejudicaram a experiência do público presente no local.

Flávio Dino se manifesta

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, anunciou que editará ainda neste sábado (17) uma portaria a fim de permitir garrafas de água para uso pessoal em shows no país. Outra medida é obrigar produtores a oferecer água de graça.


“A partir de hoje, por determinação da Secretaria do Consumidor do Ministério da Justiça, será permitida a entrada de garrafas de água de uso pessoal, em material adequado, em espetáculos. E as empresas produtoras de espetáculos com alta exposição ao calor deverão disponibilizar água potável gratuita em ‘ilhas de hidratação’ de fácil acesso”, escreveu o ministro.

“A Secretaria Nacional do Consumidor tomará as providências cabíveis para a fiscalização, com a colaboração dos Estados e dos Municípios, bem como atuação da Polícia, se necessário”, emendou.

Mais cedo, Dino tinha determinado uma apuração das denúncias de fãs da cantora Taylor Swift de falta de água potável no Estádio Nilton Santos, local dos 3 primeiros shows do giro brasileiro do Eras Tour. O prefeito Eduardo Paes disse que exigiu ajustes na operação.

Fãs desabafam

Um fã que estava no show descreveu um cenário caótico. “Já passou da hora de existir uma grande reformulação na forma de assistir shows no Brasil. O público está pagando para assistir ao show, não é um teste de sobrevivência”.

Outro, chamado Igor Paiva, apontou alguns pontos negativos da organização do evento. Confira abaixo o que ele disse:

A T4F hoje conseguiu arruinar a experiência de muita gente que pagou (caro) para experimentar a primeira noite da #TheErasTourBrasil – vou te contar como, e ainda mais diante do forte calor do Rio e da sensação térmica que beirou os 62 °C

Os fãs se organizaram para as filas de entrada que eram acompanhadas por pessoas despreparadas para dar as informações mais básicas para quem precisava entender onde ir. A fila dos portões de misturavam e ninguém sabia ao certo onde tava indo.

Em todos os portões de acesso, os fãs que ficaram na fila para garantir lugares bons, acabaram deixando todo lixo pra trás. E mesmo aqui culpo a T4F, por quê? Porque uma empresa desse porte poderia muito bem ter vendido entradas com cadeiras numeradas; o que facilitaria a vida do fã e da organização do estádio.

Esse é o padrão nos EUA: todos os lugares, inclusive da Pista, são marcados. Penso que no Brasil evita-se fazer isso para conseguir colocar o máximo de pessoas possível em um local.

O Estádio Olímpico Nilton Santos possui em sua estrutura vãos e áreas para promover a circulação do ar nas arquibancadas e nas pistas. Todas elas estavam cobertas por tapume, o que prejudicou – e muito – a ventilação do ambiente. Mesmo com uma temperatura mais amena do lado de fora, quem tava no show chegou a experimentar a sensação térmica de 62 °C.

Proíbem os fãs de levarem águas, garrafas e outros recipientes de líquidos […] Inúmeras pessoas tiveram dificuldades de acesso por conta de ingressos com problemas, o que acaba atrasando – e muito – a entrada dos fãs no show. Ao não coibir o cambismo, a produtora acaba dando um tiro no próprio pé.

Não sei como vai ser a noite dois, e estou apreensivo pela minha saúde e de outros swfities pois (1) passei mal no show de hoje e precisei sair durante “marjorie”, e (2) amanhã o clima promete ser mais severo do que hoje.

Esqueci de contar isso: os tapumes serviam para separar as seções do estádio e para delimitar a área de vendas de alimentos. Passando mal, ao me dirigir para uma placa de saída, fui escorraçado porque aquela saída era “somente de funcionários”. E não tinha outras saídas pq estava tudo cheio de tapume. Essa é a melhor forma de separar seções em um estádio?

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