Os rótulos dos alimentos trazem informações que são, muitas vezes, apenas uma estratégia de marketing, com frases prontas como “contém vitaminas” e “bom para os ossos”
Por Julia Estanislau

Alimentos ultraprocessados – Foto: Freepik
Você já parou para pensar que
pode estar ingerindo um alimento ultraprocessado, pensando que ele é uma opção
saudável? Pesquisas revelam que, cada vez mais, os brasileiros estão
consumindo alimentos ultraprocessados. Isso é muito comum, ainda mais com uma
rotina atribulada e cheia de compromissos.
Mas existem aqueles que mesmo
sem tempo de preparar uma refeição optam por alimentos prontos que parecem – ou
se dizem – saudáveis, na intenção de fugir dos que fazem mal.
Um bom exemplo são os
alimentos que compõem o café da manhã, como as barras de cereais, iogurtes
funcionais saborizados e adoçados, peito de peru, cremes de queijo tipo
requeijão, pão de forma integral ou branco, entre outros. Porém, não se limitam
a apenas essa refeição.
No almoço ou no jantar podem
aparecer os pães industrializados para sanduíches, como os wraps, salsichas e
embutidos de peru ou frango light (reduzidos em gordura), sopas e cremes em pó,
produtos à base de plantas (almôndegas e hambúrgueres veganos, por exemplo),
molhos para saladas, entre outros.
Aqueles que pareciam não ter erros, na verdade, podem ser os vilões da alimentação “pseudo-saudável”:
“Biscoitos com grãos e cereais integrais também podem parecer saudáveis, mas, na
verdade, a maioria são alimentos ultraprocessados cheio de aditivos, açúcar
adicionado e gordura saturada”, alerta Camila Borges, pesquisadora do
Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição da Faculdade de Saúde Pública
da USP.

Camila Borges –
Foto: Nupens-USP
Isso acontece, principalmente,
por conta dos rótulos das embalagens dos alimentos ultraprocessados. Eles
trazem informações que podem confundir o consumidor, como alegações de
nutrição, como o “contém vitaminas” e “contém fibras”, além de “bom para os
ossos” ou “bom para o coração”, não seguidos de uma maior explicação.
Ainda extrapolando as
alegações sobre saúde e nutrição, as embalagens agora trazem alegações
ambientais, como “orgânico”, “vegano”, “livre de aditivos”, “produzido com
galinhas criadas soltas”, entre outros. Camila adverte que essas são
“estratégias publicitárias com apelo para esportes, saúde, bem-estar, relações
familiares e personagens infantis que podem mascarar a verdadeira composição
nutricional do alimento”.
Como fugir dessas armadilhas?
A pesquisadora lembra que as
opções mais saudáveis são os menos processadas, os alimentos frescos como as
verduras, legumes, frutas, leite, carnes, ovos, cereais e feijões,
preferencialmente orgânicos.
Também é importante ter uma
postura crítica em relação à publicidade e aos rótulos, já que trazem
informações pensando na comercialização dos produtos, e não necessariamente
indicam os reais benefícios.
“Ainda bem que o Brasil
avançou na legislação de rotulagem e agora teremos selos frontais em formato de
lupa informando o consumidor que o produto é alto em açúcar adicionado, sal e
gordura saturada, mas ainda temos que evoluir e mostrar cada vez mais
informações ao consumidor”, diz Camila, que dá como solução a inclusão da
informação da presença de adoçantes artificiais, como acontece em países como
Chile e México.
*Estagiário sob supervisão de
Cinderela Caldeira
Parceria: Cátedra Josué de Castro de Sistemas
Alimentares Saudáveis e Sustentáveis, Rádio USP e Jornal da USP
Produção: Professor Ricardo Abramovay, Estela Sanseverino e Nadine Marques
Co-produção: Cinderela Caldeira, Tulio Shiraishi e Julia Estanislau
Edição: Radio Usp

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