COMO É O BAIRRO NA HOLANDA ONDE MORADORES SÃO 'OBRIGADOS' A TER UMA HORTA

Colaboração para o UOL

                                                                                                                                                                                                                              Imagem: Divulgação/Daria Scagliola/MVRDV                                                                                        
Oosterwold, bairro na cidade de Almere, na Holanda

No leste da Holanda, o bairro de Oosterwold, na cidade de Almere, chama atenção por uma exigência extremamente incomum, mas totalmente sustentável: os moradores de lá são 'obrigados' a cultivar comida em pelo menos metade de sua propriedade.

O que aconteceu

Oosterwold é um experimento urbano de 43 km² que fica a leste de Amsterdã. Com cerca de 5.000 moradores, nasceu como uma forma de desafiar a rigidez do planejamento urbano holandês, dando às pessoas mais liberdade —e responsabilidade— sobre o processo de design urbano.


A incomum exigência partiu do governo local. Foi definido que pelo menos metade de cada terreno deve ser dedicada à agricultura urbana. "Essa regra é um pensamento muito único no mundo, e faz dela uma área excepcional de muitas formas", disse Jan Eelco Jansma, pesquisador da Wageningen University & Research, que estuda Almere há anos e inspirou a cidade a incluir agricultura urbana no planejamento de Oosterwold.

A área é completamente autossuficiente. Os residentes podem construir casas como quiserem e precisam colaborar com os outros para resolver coisas como nomes de ruas, gerenciamento de resíduos, estradas e até escolas.

A lista de espera para morar no bairro não para de crescer. Oosterwold tem mais de mil unidades residenciais e reúne uma variedade de técnicas agrícolas que vão desde pequenos pomares a grandes estufas.

Os moradores podem ser bastante criativos com a exigência. "Ninguém faz da mesma forma. Você tem que encontrar sua própria receita", diz Marco de Kat, vereador local e morador de Oosterwold, ao jornal britânico The Guardian.

Ontem, eu esqueci de pensar no que comer. Você anda pelo jardim, encontra algo e é isso que você come.Marco de Kat, vereador local e morador de Oosterwold, ao jornal The Guardian

Imagem: Divulgação/Visit Almere

Como funciona o monitoramento

Ao comprar o terreno, o comprador deve assinar um compromisso formal de que dedicará pelo menos 50% da área à produção de alimentos. Trata-se de uma condição obrigatória para a aquisição do lote.

No entanto, não há monitoramento contínuo ou inspeções regulares. A implementação é autogerenciada pelos moradores, sem fiscalização ativa ou punições frequentes.
De simples pomares a matéria-prima para restaurante

Alguns moradores, como Marco de Kat, transformaram seus jardins em uma espécie de Éden para suprir sua própria unidade familiar. Outros moradores apenas plantam algumas macieiras ou terceirizam, possuindo terrenos no local que são cuidados por agricultores profissionais.

Outros conseguiram capitalizar o serviço. "Eu nunca tive experiência cultivando minha própria comida ou algo assim", disse Jalil Bekkour. Ele aprendeu sozinho a jardinar e, há três anos, abriu seu próprio restaurante, Atelier Feddan, onde 80% da comida vem diretamente de Oosterwold.
Imagem: Divulgação/Visit Almere

É preciso ter experiência com plantação?

Apesar da flexibilidade, o projeto não esteve isento de desafios. Muitos moradores não têm expertise em agricultura e sofreram, no começo, com a falta de orientação. Para enfrentar esses desafios, foi criado o Oosterwold Food Hub, gerenciado pela autoridade local de Almere e pela cooperativa de alimentos de Oosterwold.

O hub fornece recursos, workshops e troca de conhecimento para ajudar os moradores a melhorarem suas práticas agrícolas. "Algumas pessoas fazem muito bem, mas outras não", disse Yolanda Sikking, gerente de participação de Oosterwold. "Decidimos que precisamos incentivar mais pessoas a melhorar", complementou.

Imóveis em alta, impacto ambiental em baixa

Os valores imobiliários em Oosterwold têm subido à medida que a área se torna conhecida por sua sustentabilidade. Muitos potenciais compradores são atraídos não só pelas casas, mas pelo estilo de vida e valores associados ao viver ecológico consciente. A comunidade também oferece oportunidades para empreendedores locais experimentarem inovações agrícolas.

O impacto ambiental também é significativo. Pesquisas indicam que fazendas urbanas de pequena escala ajudam a melhorar a qualidade do solo e a biodiversidade, reduzindo os danos ecológicos causados pela expansão urbana. Os moradores usam métodos como compostagem, coleta de água da chuva e controle natural de pragas para minimizar sua pegada ambiental.

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