BOLSONARO ADMITE PELA PRIMEIRA VEZ QUE PODE SER PRESO SE DEIXAR PRESIDÊNCIA (CONFIRA O SEU DESCUMPRIMENTO DA LEI)

Bolsonaro sabe que cometeu diversos crimes e mostra desespero ao falar sobre ser preso: “Eu atiro para matar”. Interlocutores do governo dizem que o atual presidente não seria “ingênuo” como seus antecessores

Jair Bolsonaro. Foto: Cleber Caetano/PR


Com dificuldade de se recuperar nas pesquisas eleitorais, o presidente Jair Bolsonaro (PL) está cada vez mais inquieto e vem repetindo a interlocutores diversos em Brasília, inclusive de seu próprio governo, que tem certeza de que será alvo de inquéritos que teriam como objetivo levá-lo à prisão caso perca as eleições, em outubro. Bolsonaro também acredita que seus filhos podem se tornar alvos mais fáceis caso deixe a Presidência da República.

Essa possibilidade estaria deixando-o “transtornado”, em alguns momentos. As informações são da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo. A coluna ouviu ontem (1) quatro relatos diferentes que descrevem que esse assunto vem sendo pautado com frequência, com variações apenas quanto ao tom do presidente. Segundo políticos e autoridades que não integram o governo, mas que conversaram nos últimos dias com ele, Bolsonaro tem dito que reagirá e que não será preso com facilidade.

Ainda segundo esses interlocutores, o mandatário tem demonstrado nervosismo e repetido o discurso que fez no dia 7 de setembro do ano passado, na avenida Paulista, em São Paulo. A coluna apurou que nas conversas em Brasília, o presidente também vem dizendo, na mesma linha, que pode haver “morte” caso tentem prendê-lo. Dois ministros de seu governo também confirmaram que Bolsonaro afirmou sobre a possibilidade de ser detido em mais de uma ocasião.


Agitado, falando de maneira descontrolada, Bolsonaro causou impacto em especial quando disse qual seria sua reação caso a polícia batesse à sua porta para executar uma ordem de prisão. “Eu atiro para matar, mas ninguém me leva preso. Prefiro morrer”, afirmou o mandatário.


Um de seus auxiliares descreveu que o presidente fala em perseguição e que “estão loucos” para prendê-lo. Mas ele não seria “ingênuo” como seus antecessores. Uma referência aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Michel Temer (MDB). Lula chegou a ficar 580 dias na prisão por um processo julgado posteriormente parcial e que anulou todas as acusações contra o petista. Já Temer, conduzido duas vezes às celas pela força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, foi solto em menos de 10 dias.

A preocupação de Bolsonaro leva em conta as centenas de denúncias de que é alvo, principalmente por sua conduta durante a pandemia de covid-19 e pelos ataques ao sistema eleitoral, além do derramamento de dinheiro do orçamento secreto. Caso seja derrotado e deixe a Presidência, o mandatário será julgado pela Justiça comum, o que eleva as possibilidades de responsabilização penal.

O presidente da República acompanha com muita apreensão cada uma das iniciativas em curso para tentar criar uma blindagem jurídica para ele. Entre as opções, está a aprovação de uma PEC que o tornaria senador vitalício ou de um projeto que o anistiasse dos crimes cometidos.

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CRIMES DE RESPONSABILIDADE E CRIMES ELEITORAIS 

''Piora mais a sua campanha contra a realização pacífica das eleições o presidente da República tenta envolver o bom nome das Forças Armadas. A Lei 1.079/50 lista, entre os crimes de responsabilidade contra os direitos políticos (art. 7.º), “utilizar o poder federal para impedir a livre execução da lei eleitoral” (inciso 4), “incitar militares à desobediência à lei ou infração à disciplina” (inciso 7) e “provocar animosidade entre as classes armadas ou contra elas, ou delas contra as instituições civis” (inciso 8). 
De toda forma, sem minimizar em nada a gravidade das ações de Jair Bolsonaro, é preciso reconhecer o que Rodrigo Pacheco destacou: o presidente da República eleito pelas urnas, seja quem for, tomará posse no dia 1.º de janeiro de 2023.As ações de Jair Bolsonaro contra a Justiça Eleitoral são gravíssimas, podendo ser enquadradas como crimes de responsabilidade e crimes eleitorais. Para piorar, em sua campanha contra a realização pacífica das eleições, o presidente da República tenta envolver o bom nome das Forças Armadas. 
A Lei 1.079/50 lista, entre os crimes de responsabilidade contra os direitos políticos (art. 7.º), “utilizar o poder federal para impedir a livre execução da lei eleitoral” (inciso 4), “incitar militares à desobediência à lei ou infração à disciplina” (inciso 7) e “provocar animosidade entre as classes armadas ou contra elas, ou delas contra as instituições civis” (inciso 8). 
De toda forma, sem minimizar em nada a gravidade das ações de Jair Bolsonaro, é preciso reconhecer o que Rodrigo Pacheco destacou: o presidente da República eleito pelas urnas, seja quem for, tomará posse no dia 1.º de janeiro de 2023'' (Estadão).


GAZETA SANTA CÂNDIDA, JORNAL QUE TEM O QUE FALAR

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