PODER E INTOLERÂNCIA VITIMIZAM E ENVERGONHAM A HUMANIDADE

Intolerância é invasão de limites; racismo é abortar a dignidade e a liberdade.

Em pleno ano de pandemia, abuso de poder, intolerância, egoísmo, discriminação e megalomania são cinco armadilhas perigosas que abatem o ânimo de cidadãos e violentam a harmonia universal. Abater, segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, é tornar triste e melancólico o ambiente, desanimar, debilitar, definhar. Daí vem a solidão e a depressão, as quais fomentam incertezas e angústias, perturbam e desorganizam processos intelectuais, emocionais e afetivos.

Mais do que em outras épocas, o ser humano necessita urgentemente de novos cromossomos morais, éticos e espirituais (chroma – cor, soma = corpo) capazes de responder enigmas que o envolve, as verdades lógicas da existência e a certificação de sua origem: de onde vim, o que estou fazendo de útil e para onde quero ir.

Criticar, condenar, ignorar é fácil; compreender requer paciência, cuidados, carinho e participação. Educar e liderar exigem amor, presença, doação, bom senso, diálogo. Governar, gerir, educar não é permitir tudo e anarquizar, nem impedir tudo. A um só tempo, é harmonizar, aprender, exercitar diuturnamente a conduzir-se e crescer junto.

No mundo todo, cada dia aumenta o número de criaturas humanas neuróticas, depressivas e inseguras, outras sofrem de distúrbios de toda a natureza, a maioria reclama vez ou outra da falta de respeito, lealdade, confiabilidade e afeto. Se você analisar ao seu redor, verá todos os dias algum ato com propriedade de desajuste e perversidade, sobretudo contra crianças, jovens, idosos, enfermos, portadores de deficiências, mulheres. Omissão também é perversão.

Com todas as letras, a humanidade está necessitando de novos códigos para sobreviver e progredir em paz e harmonia. As pessoas precisam encontrar motivações inteligentes, entusiastas, dinâmicas e cristãs, de acordo com a modernidade.


Sensibilidade, fraternidade, generosidade e misericórdia são substâncias vitais que precisam voltar a circular fortemente na corrente sanguínea, pois são essências que garantem a realização pessoal, profissional e comunitária e tornam a vida mais produtiva, pacífica e fecunda. Tão importante quanto a ciência, a técnica e o conhecimento, nas veias precisam circular sabedoria, equilíbrio, maturidade, respeito e elegância.

É certo que as dores, as dificuldades e as mortes crescem, quando o egoísmo, a desordem, a deslealdade e a indiferença estão presentes. Na outra fronteira estão o amor, a sinceridade e a solidariedade, valores disponíveis e acessíveis a todos a custo zero, pois são eles que facilitam o diálogo, a unidade e a convivência interpessoal. A prática destes sentimentos não deixa ninguém isolado, deprimido, angustiado.

Pedro Antônio Bernardi – economista, jornalista, professor e conferencista.


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