VIVER O ISOLAMENTO, NÃO SÓ PASSAR O TEMPO

De súbito, a humanidade foi advertida e, principalmente, convidada a mudar e corrigir estilos, ações, valores, sentimentos, pensamentos, atitudes. 

A advertência é explicita e transparente, ao comprovar quanto os seres humanos são frágeis e quanto a ciência, a gestão pública e a tecnologia ainda são incipientes. 

Não há novidade alguma em relação o distanciamento pessoal e isolamento social face à pandemia do novo coronavírus a covid-19. O procedimento é inquestionavelmente coreto, tão antigo quanto à existência da razão e da solidariedade. 

O tempo não espera acontecer. O passado nos alerta de coisas erradas, futilidades e pecados, mas o presente é oportunidade forte de amor ao próximo e reflexão de como estamos vivendo a dignidade, a afetividade, o respeito e as diferenças. O futuro é o espelho do que somos e fazemos hoje. Não existe tristeza maior do que aquela de estar separado do convívio familiar, comunitário e social, sobretudo quando as causas são o dinheiro, as vanglórias, o egoísmo, a cor, a religião, a idade, as deficiências, as necessidades de subsistência, a rejeição, as guerras. Misericórdia, mas não é admissível que só os fortes sobrevivam. 

A partir de 18 de março, quando assumimos as orientações do isolamento social, planejamos novas maneiras de vivenciar plenamente o tempo, nos ajudar, cultivar a unidade e manter alegres dias difíceis. Consorciados, adotamos dois lemas: Ninguém silencie quando não conseguir suportar a dificuldade; um promovendo o bem estar de todos e todos por um promovendo o bem e a harmonia. De forma disciplinada e com horários definidos, estabelecemos oito atividades diárias comuns, de uma hora e meia cada. E, assim, vivemos cada dia de confinamento, sem sacrifício, realizando juntos:


1.Refeições degustadas e comentadas.

2.Três telejornais, meia hora cada, de emissoras diferentes.

3.Televivência,privilegiando familiares, amigos, enfermos, idosos e deficientes.

4.Espiritualidade: missa e terço.

5.Cultura: cantoria, violão, teclado, dança, encenação.

6.Exercício físico e atividades lúdicas.

7.Tarefas manuais e limpeza da casa.

8.Avaliação, feedback, sugestões, resolução de problemas.

Outras quatro horas, cada um faz o que quiser. E, assim, juntos na esperança e confiança, estamos indo em frente. A única reclamação é de que a jornada passa muito rápido. A felicidade está tão próxima, e não exige esforço algum para abraçá-la. 

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Pedro Antônio Bernardi, jornalista, economista e professor.(pedro.professor@gmail.com)

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