sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A GAFE SINCERA DE MICHEL TEMER NA ENTREVISTA AO RODA VIVA

Vídeo dos bastidores da entrevista de Michel Temer ao Roda Viva revela ambiente de compadres entre os entrevistadores representantes da grande mídia e o atual presidente. Gafe sincera (e lamentável) de Temer provocou gargalhadas

Michel Temer foi o entrevistado do Roda Viva desta semana.


Durante um dos intervalos da entrevista que foi ao ar na noite desta segunda-feira (14) no programa Roda Viva, da TV Cultura, o presidente Michel Temer agradeceu ao jornalista da emissora pela “propaganda” para o seu governo, logo após o término da gravação.

“Eu cumprimento vocês por mais essa propaganda”. disse Temer, diante das câmeras, provocando gargalhadas de jornalistas de diferentes veículos que participaram do encontro gravado no Palácio da Alvorada, na última sexta-feira (11).

O trecho do vídeo foi ao ar apenas na página da TV Cultura no Facebook, mas ganhou repercussão negativa na internet.

Usuários de diversas redes sociais questionaram como seria o teor da entrevista de uma hora e meia de duração diante do agradecimento de Temer pela “propaganda”. Mesmo com a polêmica, a emissora manteve o vídeo em sua página.

“Realmente propaganda. E em volta da figura, um monte de marionetes. Patético”, comentou um internauta.
Confira abaixo a partir dos 5 minutos:

A entrevista

Na entrevista, Michel Temer afirmou que uma eventual prisão do ex-presidente Lula na Operação Lava Jato poderá causar instabilidade para o governo e para o país.

“O que eu espero, e acho que útil para o governo, é que, se houver, como tem havido acusações contra o ex-presidente, que elas sejam processadas com naturalidade. Se você me perguntar se o Lula for preso, se isso causa problema para o governo? Acho que causa, não é para o governo, é para o país. Acho que haverá movimentos sociais. Toda vez que você tem movimento social de contestação especialmente a uma decisão do Judiciário, isto pode criar uma instabilidade”, disse, acrescentando que prefere não comentar as possibilidades de alianças e candidaturas para as próximas eleições presidenciais antes de 2018.

Sobre a possibilidade de o senador e ex-ministro Romero Jucá (PMDB-RR) assumir a liderança do governo no Congresso, Temer negou incoerência no fato de ele ser escolhido para o cargo após ter deixado o comando do ministério do Planejamento. O presidente disse que tanto Jucá como os demais ex-ministros não foram demitidos e sim preferiram deixar o governo.

“Ele não teve morte política ainda decretada. Nós no Brasil estamos acostumados a este fato: se alguém fala de outrem, estamos acostumados a esta condenação. Ele está no pleno exercício da sua atividade política. É uma figura capaz de uma articulação extraordinária sob o foco legislativo. Quando o senador Jucá vier a assumir, eu estou apenas atento a estas circunstancias. Não vejo razão para ele não poder ocupar a liderança do governo”, disse.
Cheque da Andrade Gutierrez

Temer comentou também a acusação de que ele teria recebido um cheque de R$ 1 milhão que teria sido endereçado a ele pela Andrade Gutierrez. Segundo o presidente, o dinheiro seria uma doação ao Diretório Nacional do PMDB. “Esse cheque é de uma conta do PMDB, assinado pelo PMDB, nominal à candidatura do vice-presidente. No TSE, não tenho preocupação quanto a isso.”
Ocupações nas escolas e reforma do ensino médio

Michel Temer disse que o prazo médio de sete meses para discutir a reforma do ensino médio no Congresso Nacional é “mais do que suficiente”. Ele defendeu, porém, que o objetivo do governo ao enviar uma medida provisória sobre o tema foi estimular o debate e que, se ao final das discussões, a melhor saída for aprovar um projeto de lei que já estava no Legislativo, ele irá “aplaudir”.

Sobre as ocupações de escolas por estudantes que se opõem à MP e à proposta que cria um teto para os gastos públicos, o presidente disse se tratar de um protesto “físico, não argumentativo”. “Os movimentos, eu admito, perfeitamente. Lamento por eles, porque no meu tempo de estudante, era assim: você examinava, discutia, chamava pessoas para dialogar e, às vezes, até protestava fisicamente. O que eu vejo hoje é que há muito protesto físico. Não há protesto argumentativo, oral, intelectual. Eu digo isso, as pessoas acham ‘O Temer fez ironia’. Não é isso. Eu estou dizendo a realidade”, disse.

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