quarta-feira, 14 de novembro de 2018

EXTINÇÃO DO PROGRAMA MAIS MÉDICO GERARÁ UM DESASTRE AO PAÍS

O ex-ministro Alexandre Padilha, criador do Mais Médicos, fala do desastre da extinção do programa

Publicado por Pedro Zambarda de Araujo

terça-feira, 13 de novembro de 2018

BOLSONARO DIZ QUE MANTERÁ TRABALHO COM STATUS DE MINISTÉRIO

Por Agência Brasil 

Bolsonaro fala à imprensa após encontro com o presidente do Superior Tribunal Militar, José Coelho Ferreira, em Brasília
Valter Campanato / Agência BrasiL

O presidente eleito Jair Bolsonaro disse hoje (13) que a pasta do Trabalho será mantido com o status de ministério. A afirmação ocorre depois de ele ter anunciado que a pasta seria extinta. "Vai continuar com o status de ministério, não vai ser secretaria", disse o presidente eleito depois de visitar o Superior Tribunal Militar (STM).

Mais cedo durante visita ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), Bolsonaro afirmou que a estrutura do ministério será absorvida por outra pasta, mas não indicou qual.

"Eu não sei como vai ser, está tudo com Onyx Lorenzoni [ministro extraordinário da transição] e mais algumas pessoas que trabalham nessa área, e temos tempo para definir”, disse o presidente eleito. “A princípio é o enxugamento do ministério, ninguém está menosprezando o Ministério do Trabalho, está apenas sendo absorvido por outra pasta."

Bolsonaro negou que o Ministério do Trabalho será agregado à Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) no futuro Ministério da Economia. “Indústria e comércio está lá no superministério do Paulo Guedes, botar mais o Trabalho lá acho que fica muito pesado."

O presidente eleito deixou o STF e seguiu de helicóptero até o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, onde está a equipe de transição para o novo governo. De acordo com assessores, ele ficou apenas alguns minutos no local e foi para o apartamento funcional na Asa Norte.

CRISE ECONÔMICA NÃO ACABARÁ PARA OS MAIS POBRES

O Brasil voltou a praticar uma política econômica que baseia o crescimento econômico na diminuição de custos através da redução dos gastos das empresas com os trabalhadores



Wallison Ulisses Silva dos Santos*,

Seja na sala de aula, seja na mesa de bar ou no ônibus a caminho do trabalho todos querem a resposta para a seguinte pergunta: Quando acabará essa crise econômica do Brasil?

Baseados nas políticas econômicas do governo brasileiro podemos concluir que a resposta será extremamente positiva para alguns e muito ruim para outros.

O Brasil voltou a praticar uma política econômica que baseia o crescimento econômico na diminuição de custos através da redução dos gastos das empresas com os trabalhadores. Em outras palavras com a terceirização e a reforma trabalhista o trabalhador ganhará menos e isso resultará em redução dos custos das empresas.

Alguém atento a cenários econômicos poderia pensar: Mas isso não afeta o mercado interno? A resposta é sim. De fato esses mesmos trabalhadores que recebem menos são os consumidores que por esse mesmo motivo compram menos. Todavia devemos lembrar que esse modelo que está sendo implantado no Brasil é um modelo de crescimento exógeno e por isso não existe essa preocupação com o mercado interno.

As empresas terão custos reduzidos e suas vendas internas reduzidas, porém poderão vender seus produtos no mercado internacional a um preço menor. Essa estratégia é usada atualmente na China e em muitos países da América Latina, Ásia e África.

Um país que queira crescer com base no mercado interno deve preocupar-se em desconcentrar renda e aumentar a disponibilidade de crédito, mas se a escolha for pelo mercado externo, basta reduzir os custos das empresas e nesse caso o trabalhador será o que pagará o pato.

Some a isso as reduções nos gastos com políticas sociais, a reforma da previdência, o congelamento dos gastos com saúde e educação e a reforma do ensino médio que ficará fácil perceber que o Brasil voltou a crescer para os ricos a base do suor dos mais pobres.

*Wallison Ulisses Silva dos Santos é graduado em Economia pela UFMT e em Administração pela UNIP, mestre em Economia pela UFMT, coordenador e Professor da Faculdade INVEST Cuiabá e colabora para Pragmatismo Político

Fernando Bittar reafirma que é dono do sítio de Atibaia e diz que obras foram “superdimensionadas” na denúncia

Fernando Bittar reafirmou em depoimento à juíza Gabriela Hardt nesta segunda-feira que o sítio de Atibaia é de sua família e que foi emprestado a Lula e à mulher dele, Marisa Letícia, falecida.

Negou ser laranja de Lula e disse que as obras feitas na propriedade eram para abrigar o acervo presidencial trazido de Brasília.

– Na minha cabeça, eles iam pagar, afirmou Bittar, ao ser perguntado se tinha ideia do valor das reformas.

Segundo Bittar, Jonas Suassuna comprou a outra parte do sítio apenas para ajudá-los, já que o antigo proprietário só vendia as duas partes juntas.

Bittar, que chama a ex-primeira dama de “tia”, afirmou que as duas famílias são amigas há 40 anos e que Lula e Marisa levaram o pai dele, Jacó Bittar, para morar em Brasília quando foi diagnosticado com mal de Parkinson.

Achou normal quando o pai, que havia lhe pedido para comprar o sítio, decidiu emprestá-lo a Lula.

Segundo ele, as obras foram “superdimensionadas” na denúncia.

“São quartos simples, feitos com material de segunda. A adega não é uma adega; é um quarto de empregada. Não foi uma adega de cinema, nada disso; foi um quarto adaptado”, relatou.

Fernando Bittar em depoimento à juíza Gabriela Hardt

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

ADVOGADO DE 18 ANOS É O MAIS JOVEM A FAZER SUSTENTAÇÃO ORAL NO STF

Advogado de 18 anos é o mais jovem do Brasil a fazer sustentação oral no STF, 'rouba a cena' em sessão e recebe elogios de Edson Fachin, Barroso e Fux

Mateus de Lima Costa Ribeiro (reprodução)

Luiz Orlando Carneiro e Márcio Falcão, Jota

Quando Mateus de Lima Costa Ribeiro foi anunciado e chamado para realizar sustentação oral na tarde desta quinta-feira (8/11) sua presença na tribuna logo provocou uma troca de olhares e cochichos no plenário do Supremo Tribunal Federal. De toga, o que impressionou aos presentes a aparência juvenil do causídico.

Com uma voz calma, Ribeiro, 18 anos, defendeu a inconstitucionalidade da Lei 12.258/2010 que trata da proibição da prática de revistas íntimas, assim como de qualquer ato de moléstia física, em funcionários, por todos os estabelecimentos industriais, comerciais e de serviços que possuam sede ou filial no Estado do Rio Grande do Sul. Ele representa o PDT no caso e foi responsável pela ação.

O advogado utilizou os 15 minutos que são assegurados aos defensores e ao final fez questão de ressaltar o que ocupar a tribunal do STF representava para ele. “É com coração tomado profunda emoção que finalizo minha primeira sustentação oral. Para qualquer advogado é uma honra poder falar no mais alto tribunal do país e agradeço a oportunidade que é também um desafio pessoal já que faço no início da minha trajetória advocatícia aos 18 anos”.

Relator do caso, o ministro Edson Fachin elogiou a estreia de Mateus, mas fez uma provocação. O ministro disse que congratulava efusivamente o jovem advogado embora não fosse fazer o mesmo com a tese colocada por ele na Corte.

O ministro Roberto Barroso reforçou o discurso afirmando que Mateus parecia um advogado experiente. Luiz Fux classificou de belíssima sustentação.

Em julho, Mateus recebeu da Ordem dos Advogados do Brasil sua carteira profissional. Aos 18 anos, ele é o mais jovem advogados do país, sendo formado pela Universidade de Brasília.

O advogado começou sua trajetória acadêmica em 2014, quando foi aprovado no vestibular da UnB com apenas 14 anos. Uma decisão liminar permitiu que ele entrasse na faculdade, desde que passasse em uma prova com o conteúdo do ensino médio.

Matriculado, Mateus quis quebrar mais paradigmas e concluiu os estudos em quatro anos, acumulando matérias, cursos de verão e atividades extraclasse. Sistema eletrônico da UnB indica que, normalmente, os alunos levam entre cinco e oito anos para concluir o bacharelado.

Mateus é filho de um casal de advogados, e também tem dois irmãos na área jurídica.

Aos 11 anos, Mateus recebeu convite para estudar no Center for Talented Youth (Centro de Jovens Talentos) da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Em 2014, ganhou o prêmio anual de conquista acadêmica do programa International Talent Search, na renomada Universidade de Yale, em Connecticut, também nos EUA, por estar entre os 10% melhores alunos do programa para superdotados do Center for Talented Youth.

DR. REY VISITA BOLSONARO E PEDE PARA SER MINISTRO DA SAÚDE

Em visita a Jair Bolsonaro, Dr. Rey se oferece para assumir o Ministério da Saúde. Em sua defesa, o cirurgião plástico alega que pretende “fechar o SUS” e “americanizar o sistema de Saúde do Brasil”



O cirurgião plástico ‘Doctor Rey’ visitou nesta sexta-feira (9) o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) com o objetivo de se oferecer para ser ministro da Saúde.


Robert Rey disse que sua meta é criar um plano de seguro privado a cada cidadão e “eventualmente fechar o SUS”.

Rey lembrou que ele e Bolsonaro são amigos desde a época em que o presidente eleito estava no PSC, e que ambos têm visões de mundo semelhantes, no campo político da direita.


O médico, porém, admitiu de antemão que talvez tenha dificuldades para ser convidado para o governo. “Talvez ele (Bolsonaro) dê risada da minha cara e eu vou embora, mas não tem problema.”

Dr. Rey chegou ao local em um táxi no momento em que Jair Bolsonaro recebia o embaixador da Alemanha. De cara, o cirurgião logo antecipou o motivo da sua visita.

“Eu quero falar a verdade, que talvez cogitam eu pra ministro da Saúde. Fui criado lá fora, conheço o sistema de saúde do primeiro mundo. Eu sou da mídia, seria legal ter uma representação da mídia dentro desse governo”, afirmou o cirurgião, que fez carreira nos Estados Unidos e declarou duas vezes que estudou em Harvard.



Dr. Rey também antecipou seus planos, caso seja alçado a titular da Saúde. “Todo brasileiro terá seguro privado. Todo mundo terá o Einstein. Todo mundo terá direito ao Einstein. Por que não?”, comentou, fazendo referência ao Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo onde Bolsonaro ficou internado após levar uma facada, em setembro.

O cirurgião criticou o Sistema Único de Saúde (SUS), dizendo que “é um crime contra a humanidade” esperar até dois anos por uma mamografia. “O que acontece no SUS é um crime. Eventualmente eu quero fechar o sistema público do SUS”, declarou.

TERAPEUTA QUE CHAMAVA GAYS DE 'DOENTES' É FLAGRA EM APLICATIVO LGBT

Terapeuta conservador conhecido por prometer curar pacientes gays é flagrado em aplicativo de encontros homossexuais. Perfil do homem continha imagens de nudez e listas de vários interesses, incluindo “namoro”, “beijar”, ​​“homens casados” e “massagem”

Norman Goldwasser


Um terapeuta da Flórida (EUA) que alegava ser capaz de curar homossexuais estava em busca, secretamente, de sexo com homens gays. As informações são do Daily Mail.



Norman Goldwasser, 46, diretor clínico da Horizon Psychological Services em Miami Beach, chegou a comparar a homossexualidade ao TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e afirmava que seus serviços poderiam mudar a orientação sexual dos pacientes.

Um perfil de Norman foi encontrado no Manhunt — aplicativo destinado a encontros LGBT. Norman, que também se declarava judeu ortodoxo, fazia parte de uma organização norte-americana chamada JONAH (Judeus Oferecendo Novas Alternativas para Homossexuais).



Com o nome de usuário HotnHairy72 (QuenteEPeludo72) e exibindo fotos sem roupa, ele trocou ideia e chegou a topar um encontro no aplicativo com um usuário que decidiu expô-lo.

“A vida dupla de Norman Goldwasser mostra toda hipocrisia e natureza dessa indústria de ‘cura gay’. Fiz isso para expor o ridículo e pedir a todos os Estados do país que proíbam a cura gay, este tipo de terapia que só prejudica pessoas LGBTs jovens e coloca suas vidas em risco”, declarou Wayne Besen.

Besen lembrou ainda que a terapia de conversão gay, que busca mudar a orientação sexual de uma pessoa, é proibida em vários estados dos Estados Unidos, como Califórnia, New Jersey, Oregon, Nevada, Washington, entre outros.

“Ele é um caso típico de charlatão que ilude clientes e afeta a saúde mental dos mesmos fazendo acreditar que orientação sexual seja algo que possa ser revertido”, completou.

Em seu perfil no aplicativo LGBT, Norman declarava interesses que incluíam “namoro”, “beijar”, ​​“homens casados” e “massagem”.


Norman tinha uma vida dupla

RATINHO PROFERE COMENTÁRIOS DEPRECIATIVOS SOBRE PABLO VITTAR E THAMMY MIRANDA

Apresentador Ratinho dá aula de preconceito e transfobia ao atacar Pabllo Vittar e Thammy Miranda em seu programa, ao vivo, no SBT

Programa do Ratinho (reprodução)


Um dos apresentadores mais antigos da televisão brasileira, Ratinho deu uma aula de preconceito e transfobia em seu programa homônimo no SBT ao fazer comentários depreciativos sobre a orientação sexual de Pabllo Vittar e a identidade de gênero de Thammy Miranda.


Na ocasião, o comunicador se disse “careta” ao justificar sua recusa em reconhecer o filho de Gretchen como homem, e demonstrou antipatia às pessoas que tratam a drag queen no feminino.

“Eu não consigo entender. No ano passado, aquele rapaz Pabllo Vittar tem saco, eu vi. Tava na internet, eu vi. Ganhou como ‘Melhor Cantora’ [nos melhores do ano do Domingão do Faustão], mas não é cantora. Quem tem saco é cantor. Agora o Homem Mais Sexy a Thammy? Ela não tem saco”, esbravejou Ratinho ao falar sobre a nomeação de Miranda ao título do Homem Mais Sexy do país da revista “Isto é Gente”.


Em seguida, o apresentador disse que é “careta” e afirmou que “não” vai “mudar” seu modo de pensar. “Eu não faço questão de mudar”.

Por fim, o comunicador do SBT opinou que, no seu modo de ver, as coisas “estão passando do limite” e questionou uma mulher da plateia de se ela concorda com ele. Acuada, ela disse “estão”.

“O povo tem medo de falar porque está na televisão e a internet xinga a gente. Por mim, vocês podem me xingar. Eu sou igual rádio velho, não ligo”, completou.


Excesso de ‘viado’ nas novelas da Globo

Essa não é a primeira vez que Ratinho polemiza por fazer comentários preconceituosos sobre LGBTs. No começo do ano, o apresentador precisou se retratar após fazer postagem ofensa em sua conta no Instagram criticando o excesso de “viados” nas novelas da TV Globo.

“Eu estava vendo a novela aqui da Globo, um negócio de cangaceiro e tal, porque temos que ver quem está concorrendo com a gente e tal. Mas Globo, vocês colocaram viado até em filme de cangaceiro, gente!”, reclamou.

“Naquele tempo não tinha viado não. Ou tinha viado naquele tempo? É sério. É viado às 6h da tarde, é viado nas 8 da noite, é viado às 10 da noite. Eu não sei o que tá acontecendo. Será que tem tanto viado assim?”, questionou ele.


Homofobia

Embora não seja considerada crime, a homofobia é hoje uma das práticas de ódio mais comum no dia a dia. A ojeriza motivada pela orientação sexual de outrem deixa marcas que, quando não fatais, psicológicas.

No Brasil, de acordo com dados do Grupo Gay da Bahia, uma pessoa LGBT é morta a cada 19 horas. Em 2017, a entidade computou 445 homicídios desse tipo, o que representa um aumento de 30% em relação ao ano anterior.
Transfobia

O Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo, de acordo com dados da ONG Transgender Europe. O reflexo de tamanha violência é refletido na baixa expectativa de vida dessas pessoas no país: 35 anos contra a média nacional, que é de 75.

Dados do Grupo Gay da Bahia (GGB) apontou que, em 2016, foram registrados 127 homicídios motivados por transfobia no Brasil, uma média de 1 vida ceifada a cada 3 dias.

Já em 2017, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) registrou 179 assassinatos de travestis e transexuais, o maior resultado dos últimos 10 anos. Em ambos os cenários, é oportuno ressaltar que os números se referem, principalmente, aos casos que ganham notoriedade na imprensa ou redes sociais, o que significa que esse resultado pode ser maior.

No tocante a 2018, a Antra liberou um relatório sobre a morte de transgêneros no país no primeiro semestre deste ano, totalizando 86 casos de vítimas fatais, mortas em decorrência da transfobia.

Catraca Livre

CIENTISTA DESCOBREM PINTURA FIGURATIVA MAIS ANTIGA DO MUNDO

Cientistas dataram em 40.000 anos a idade da pintura de um animal em uma caverna da ilha asiática Bornéu, o que faz com que esta seja a obra figurativa — que tenta representar algo da realidade — mais antiga conhecida até agora

Entrada norte da Deer Cave, em Bornéu, na Malásia (reprodução)

Pesquisadores australianos e indonésios localizaram a mais antiga pintura de um animalconhecida, a silhueta vermelha de um ser semelhante a um touro, na parede de uma caverna de calcário na ilha de Bornéu. A descoberta desbanca a teoria de que a arte figurativa rupestre surgiu na Europa.

Em um artigo publicado na revista científica Naturenesta quarta-feira (07/11), os pesquisadores afirmaram que as análises de depósitos de carbonato de cálcio mostraram que o desenho tem pelo menos 40 mil anos, o que o torna um pouco mais velho que pinturas de animais semelhantes encontradas em cavernas na Françae na Espanha.

A descoberta leva à conclusão de que a arte figurativa se desenvolveu mais ou menos simultaneamente na Ásia e na Europa, disse Maxime Aubert, professor associado da Universidade Griffith, na Austrália.


A pintura vermelha é uma entre milhares descobertas décadas atrás nessa região remota. Somente agora ela pôde ser datada, devido a uma nova tecnologia conhecida como datação urânio-tório.

“Quem eram os artistas da era do gelo de Bornéu e o que aconteceu com eles é um mistério“, disse Pindi Setiawan, líder do grupo de pesquisa científica do Instituto Bandung de Tecnologia da Indonésia.

Durante a última era do gelo, quando o nível do mar chegou a estar até 120 metros abaixo do atual, Bornéu formava a ponta mais oriental da Eurásia, com a atual Europa no seu extremo mais ocidental.

Hoje a ilha de Bornéu é dividia em três partes: a maior parte pertence à Indonésia, a segunda maior à Malásia e a menor (encravada dentro da parte malaia) é o sultanato de Brunei Darussalam.

“Parece que duas antigas províncias de arte rupestre surgiram num tempo similar em cantos remotos da Euroásia Paleolítica: uma na Europa e outra na Indonésia“, disse Adam Brumm, outro arqueólogo da Universidade Griffith envolvido no estudo.

Amostras na região indonésia de Kalimantan Oriental, na ilha de Bornéu, indicam que dois estênceis de cor laranja-avermelhada têm 37.200 anos de idade, e um terceiro desenho possivelmente até mesmo 52 mil anos, disseram os autores do estudo.

A equipe identificou duas fases: presumíveis pinturas de animais silvestres e os estênceis de mãos, com desenhos mais recentes e intricados que mostram figuras humanas, barcos e formas geométricas.

Destaque do desenho considerado o mais antigo do mundo, com 40.000 anos (National Centre for Archaeology)

Stencils que reproduzem o formato de mãos humanas descobertos no interior de uma caverna em uma área montanhosa e Bornéu, na Península Sangkulirang-Mangkalihat em Kalimantan do Leste, na Indonésia (National Centre for Archaeology)

Para fazer a datação, a equipe de Aubert colheu amostras de um centímetro de diâmetro das obras, assim como da calcita subjacente.



Caverna em Bornéu possui diversas figuras rupestres datadas de milhares de anos (Robbie Shone)

Figuras de humanos datam de 4.000 anos também encontradas em caverna de Bornéu (National Centre for Archaeology)

Pesquisadores chegaram a conclusões semelhantes na ilha indonésia de Sulawesi em 2014, quando descobriram arte figurativa estimada em mais de 35 mil anos de idade.

A provavelmente mais antiga arte rupestre é uma pintura numa caverna perto da Cidade do Cabo, na África do Sul, com cerca de 73 mil anos.

Aubert afirmou que o próximo passo seria datar peças antigas na Austrália. “Nossa pesquisa sugere que a arte rupestre se espalhou de Bornéu para Sulawesi e outros mundos além da Eurásia, talvez chegando com as primeiras pessoas que colonizaram a Austrália“, disse. “É uma janela íntima para o passado.”
Deutsche Welle

RONALDINHO GAÚCHO TIRA SARRO DA JUSTIÇA BRASILEIRA

Ronaldinho Gaúcho tira sarro da Justiça brasileira: mesmo com ordem de apreensão do passaporte pela Polícia Federal, futebolista já passou por 3 continentes. Quebra de sigilo revela que jogador tinha apenas 24 Reais na conta bancária



Ronaldinho Gaúcho está driblando a Justiça brasileira e parece se divertir com isso. Desde a ordem judicial que determinou a apreensão de seu passaporte, o ex-futebolista já visitou três continentes: Ásia, Europa e África.


Nos últimos dias, Ronaldinho passou por Tóquio, Paris e Marrocos. O ex-atleta esteve nas cidades para compromissos comerciais e também para lazer. Em uma festa na capital francesa, ele apareceu ao lado do MC Guimê.

O processo que culminou na apreensão dos passaportes de Ronaldinho Gaúcho e Assis, seu irmão e empresário, quebrou o sigilo bancário deles para penhorar um valor para pagamento de multas e indenizações milionárias.


O Bacenjud, sistema que interliga o Banco Central e demais bancos, respondeu que não havia saldo suficiente. O Ministério Público escreveu em um documento que os dois tinham somente R$ 24,63 em suas contas. O montante é irrisório e fica longe do valor das multas e indenizações, que somadas chegam a R$ 8,5 milhões.

Outra possibilidade seria hipotecar o terreno que levou Ronaldinho Gaúcho e o irmão a serem condenados por fazer obras em área de preservação permanente. Mas a medida se mostrou inútil por causa do alto valor devido em impostos.

Ronaldinho Gaúcho tem mais de R$ 1,8 milhão em dívidas de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) de propriedades em seu nome em Porto Alegre-RS.

O balancete mostra que só a propriedade alvo da denúncia de crime ambiental tem R$ 184.561,62 em dívidas de IPTU de 2012, 2015, 2016, 2017, 2018.

As dívidas estão disponibilizadas no sistema da prefeitura de Porto Alegre:


LOS ANGELES REMOVE UMA ESTÁTUA DE COLOMBO ''NÃO SE DEVE HOMENAGEAR O RESPONSÁVEL POR GENOCÍDIO''

CRISTÓVÃO COLOMBO

Cidade californiana justifica como um ato de “justiça reparadora” a decisão de retirar a obra em memória do descobridor da América

PABLO XIMÉNEZ DE SANDOVAL


As autoridades na cidade norte-americana de Los Angelesconcluíam ontem a remoção de uma estátua do explorador Cristóvão Colombo, construída há 45 anos no Grand Park, no centro dessa metrópole, como parte de uma moção aprovada no ano passado que já substituiu o Dia do Descobrimento pelo Dia dos Povos Indígenas.

"A estátua de Cristóvão Colombo reescreve um capítulo manchado da história, que carrega com um falso romantismo a expansão dos impérios europeus e a exploração dos recursos naturais e dos seres humanos", de acordo com a ex-secretária de Comércio dos EUA e atual membro do conselho do Governo da cidade, Hilda Solís, autora da moção. "Assim, a remoção da estátua de Colombo do Grand Park é um ato de justiça reparadora que honra e abraça o espírito resistente dos habitantes originais de nosso município. 

Com a sua retirada, começamos um novo capítulo em nossa história em que aprendemos com os erros do passado para que não estejamos condenados a repeti-los", afirmou em declarações divulgadas pela rede NBC.

Para o vereador da cidade Mitch O'Farrell, a remoção da estátua é um "passo natural nos avanços para eliminar a falsa narrativa de que Colombo descobriu a América". "Além disso, o próprio Colombo foi responsável por genocídios e suas ações contribuíram para o maior genocídio jamais registrado. Não é preciso homenagear sua imagem em lugar nenhum", acrescentou O'Farrell, membro da Nação Wyandot de índios norte-americanos.

O vereador Joe Buscaino, de ascendência italiana, expressou suas reservas sobre o cancelamento do Dia de Colombo e tentou fazer um esforço, mal sucedido, para retirar a moção. "Com ou sem Colombo, os italianos continuarão a celebrar seus sacrifícios e contribuições para este grande país e nossa grande cidade", disse Buscaino.

EL PAÍS

domingo, 11 de novembro de 2018

AUDIÊNCIA PÚBLICA TRATA DA COLETA DE RECICLÁVEIS E LOGÍSTICA REVERSA


Foto: Chico Camargo/CMC

A diminuição da quantidade de material reciclável coletado em Curitiba, leis referentes à logística reversa e as demandas dos catadores foram alguns dos assuntos abordados em audiência pública promovida pela Câmara Municipal de Curitiba (CMC) na tarde dessa quinta-feira (8). A iniciativa do evento foi das vereadoras Maria Leticia Fagundes (PV) e Dona Lourdes (PSB). 

“O desafio do século XXI é a sustentabilidade. Todos temos nossa responsabilidade e devemos fazer nossa parte. O assunto desta audiência envolve duas palavras: ética e responsabilidade", avaliou Maria Leticia. Margaret Matos de Carvalho, procuradora regional do trabalho da 9ª Região, lembrou que a Política Nacional de Resíduos Sólidos tramitou no Congresso por 20 anos até ser aprovada, em 2010. “Foi o movimento de catadores de materiais recicláveis quem conseguiu a aprovação”. 

Essa legislação trouxe a novidade de delinear a natureza jurídica dos resíduos sólidos e estabelecer quem são os catadores. “O movimento nacional tem reivindicado, com amparo da lei, a participação das associações e cooperativas junto aos municípios na coleta seletiva e que os catadores recebam por esse serviço”, apontou Margaret. Em Curitiba, os catadores ficam com o material para fazer a triagem. Logística reversa, acrescentou a procuradora, é a responsabilidade pós-consumo. 

Paulo Naiauack, vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio) e membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), advertiu que políticas públicas, quando bem implementadas, reduzem o nível de resíduos. Na avaliação dele, a legislação sobre logística reversa foi construída com base numa problemática do século passado. O convidado justifica que de 2010 para cá houve intensa crise no comércio, redução da atividade econômica e aumento do desemprego, o que resultou em novos “entrantes” na catação. “Isso significa competição. Em qualquer nível, o mercado não é para amadores.”

Edelcio Marques dos Reis, superintendente de controle ambiental da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA), lembrou que o programa de reciclagem começou em Curitiba em 1989 e que o projeto Ecocidadão, de incentivo à formação de cooperativas e associações, surgiu em 2007. Até 2015, disse ele, o poder público coletava até 3 mil toneladas de resíduos por mês, mas hoje esse valor caiu pela metade. “Nós detectamos 500 veículos motorizados fazendo concorrência diária com os catadores e com a coleta formal do município.”

"A maioria das pessoas não separa o material reciclável. Quem está ali no dia a dia da coleta sabe bem disso", declarou Maria José de Oliveira Santos (também conhecida como Lia), presidente do Instituto Lixo e Cidadania. “O catador de material reciclável que está ali puxando um carrinho com 200, 300 kg, eu sei porque já puxei, às vezes acompanhado de uma criança, não ganha um real pra limpar a cidade, e ainda tem de ouvir buzinaço de quem acha que o catador está atrapalhando o trânsito". 

Lia disse que o Instituto Lixo e Cidadania não conta com muito apoio: "O repasse feito pela prefeitura aos catadores ajuda, mas ele poderia melhorar. Muitas vezes temos de pagar do próprio bolso as contas que surgem". "Doutora Margaret pode confirmar que a lei dos resíduos sólidos deixa claro que o material reciclável é do catador. Nós não estamos pedindo favor a ninguém", acrescentou.

Curitiba Lixo Zero

Flávia de Sá Sotto Maior, especialista em direito ambiental e integrante do Movimento Curitiba Lixo Zero, explicou que lixo é a mistura de materiais recicláveis, orgânicos e não-recicláveis (rejeitos). No entanto, a maior parte do que vai para o aterro sanitário, apontou ela, não é lixo. Flávia lembrou da lei municipal 14.767/2015, que instituiu a Semana do Lixo Zero no calendário oficial da cidade. "Uma iniciativa do vereador Helio Wirbiski [PPS] adotada por outros municípios", declarou. 

Ao todo, em todo o Brasil, 66 cidades comemoraram a semana Lixo Zero em 2018. "A responsabilidade compartilhada prevista na Política Nacional de Resíduos deve envolver governo, academia, empresas, terceiro setor e cidadãos", concluiu Flávia. Nilo Cini, presidente do Instituto de Logística Reversa (Ilog), revelou que sua iniciativa foi uma derivação da Central de Valorização de Materiais Recicláveis (CVMR), um projeto da procuradora Margaret Matos de Carvalho. De acordo com ele, o Ilog atua em Maringá com 14 cooperativas. "Fomentamos o recolhimento, a triagem e a comercialização.”

"Quando faço essa pergunta a alguém, a resposta sempre é: não tem comprador. Será que o poder público não teria meios de atrair para Curitiba as empresas que comercializam esse material?", afirmou a professora Ana Flávia, do Departamento de Direito Ambiental da Universidade Federal do Paraná (UFPR), sobre itens levados aos aterros, mas que poderiam ser reaproveitados. Para Edelcio Marques, é uma questão de escala e de mercado. Segundo o superintendente de controle ambiental da SMMA, é possível que em dez anos, somente 10% do material encaminhado para os aterros seja rejeito de material reciclável.
CMC

GUARDA MUNICIPAL REFORÇA EFETIVO NOS POLOS COMERCIAIS DO CENTRO E DOS BAIRROS

Operação Natal

Viaturas, motos e módulos móveis vão auxiliar o efetivo da Guarda Municipal que, a partir desta sexta-feira (9/11), intensifica a presença nos principais polos de comércio da cidade, no Centro e nos bairros. É a Operação Natal da Secretaria Municipal da Defesa Social, lançada pelo prefeito Rafael Greca no Largo da Ordem.

O esquema de segurança especial foi planejado para os locais com grande aglomeração de pessoas nesse período de compras, com o reforço dos 60 guardas municipais contratados recentemente e que, desde setembro, integram a corporação. O objetivo é evitar crimes de furtos e roubos, muitos deles fruto de oportunidade e distração.

“Faremos deste o Natal mais lindo de todos. Uma cidade boa para visitação é aquela boa para o seu povo. E uma cidade boa para o seu povo é uma cidade segura”, disse o prefeito, que entregou simbolicamente dez novos coletes balísticos para os profissionais. A Guarda está comprando 475 novos coletes para as equipes.

Até o dia 6 de janeiro, os guardas municipais reforçarão as rondas durante o horário de funcionamento das lojas, que é estendido nessa época do ano.

“Queremos dar segurança à população de Curitiba que vai às compras e, também, que vai participar dos diversos eventos organizados pela Prefeitura durante o período natalino”, afirmou o secretário da Defesa Social e Trânsito, Guilherme Rangel, que aproveitou para reforçar a importância da parceria com as polícias Civil e Militar no combate à criminalidade.

Investimentos

Para reforçar o trabalho de segurança nas ruas, a Prefeitura está em processo de aquisição de oito módulos móveis, de dez caminhonetes e de 270 pistolas para a Guarda Municipal, que devem ser entregues no início de 2019.

Participaram do lançamento da Operação Natal o diretor da GM, Odgar Nunes Cardoso; o vice-prefeito e secretário de Obras Públicas, Eduardo Pimentel; o superintendente da Defesa Social, Carlos Celso dos Santos Junior; o comandante do 12º Batalhão da PM, coronel Wagner Lúcio dos Santos; o chefe do Centro de Operações Policiais Militares (Copom), major Olavo Vianei Francischett Nunes; o secretário municipal do Esporte, Lazer e Juventude, Emílio Trautwein; o presidente da Cohab, José Lupion Neto; o administrador regional da Matriz, Dirceu de Matos; o deputado estadual Rubens Recalcatti; e a vereadora Fabiane Rosa.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

COMO EXPLICAR O ANTINACIONALISMO DOS MILITARES QUE CIRCUNDAM BOLSONARO?

Pesquisadores e intelectuais questionam o caráter entreguista das medidas já anunciadas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro. As Forças Armadas, outrora associadas à defesa do interesse nacional, reaparecem no cenário político brasileiro com um discurso que contempla até propostas radicais de privatização



Júlia Dolce, Brasil de Fato



O nacionalismo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) tem sido colocado em xeque por opositores e intelectuais, que questionam o caráter entreguista das medidas já anunciadas pelo capitão reformado do Exército.

As Forças Armadas, outrora associadas à defesa do interesse nacional, reaparecem no cenário político brasileiro com um discurso patriótico esvaziado, que contempla até propostas radicais de privatização.


Nem sempre foi assim. Na década de 1950, os militares participaram da fundação da Petrobrás e reivindicaram seu caráter público e estatal. A narrativa privatista e anticomunista da ditadura militar, iniciada em 1964, logo foi deixada de lado em nome da valorização das empresas nacionais. O próprio Bolsonaro defendia, 13 anos atrás, que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fosse fuzilado por defender a privatização da Vale do Rio Doce.


Para o cientista político e professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) João Quartim de Moraes, essa contradição não é uma característica apenas do governo eleito, mas das próprias Forças Armadas. Moraes é pesquisador de filosofia antiga, teoria política e instituições brasileiras, e já publicou diversos livros sobre o militarismo no Brasil e América Latina, como “A Tutela Militar“, de 1987, “A Esquerda Militar no Brasil“, de 1991, e “Liberalismo e Ditadura no Cone Sul“, de 2001.

“Eu concordo que há uma contradição objetiva, ela é o seguinte: as Forças Armadas como instituição estão identificadas ao Estado brasileiro. Se ele fica fraquinho, elas também ficam. De outro lado, ideologicamente, elas estão identificadas com o que chamavam de Colosso do Norte, os Estados Unidos – hoje, Trump. É uma contradição deles, que nós temos que levar em conta“, afirmou.

Confira a entrevista completa:

Brasil de Fato: O senhor enxerga uma contradição no caráter militar antinacionalista do governo de Jair Bolsonaro?

João Quartim de Moraes: A gente determina uma contradição identificando bem quais são os polos dela. No golpe de 1964, no primeiro governo da ditadura, do General Castelo Branco, eles eram privatistas, liberais. Quem mandava na economia era Roberto Campos, um privitatista extremado, liberalóide fanático. Esse tal Paulo Guedes aí, o já designado “superministro” das questões econômicas, é um continuador, talvez menos preparado intelectualmente – porque Roberto Campos era um homem de certa cultura –, mas é a retomada desse liberalismo extremado, socialmente indiferente e cruel. Isso tivemos na primeira fase da ditadura. Houve uma inflexão lenta para uma política de fortalecimento do Estado nacional, que atinge o auge no governo de Ernesto Geisel, uma tentativa de desenvolvimento econômico planejado e centrado no Brasil com um esforço muito grande, que acabou não dando tão certo porque foi atropelado pela crise internacional, do petróleo, governando em uma situação internacional muito adversa. Nesse sentido, pode ser comparado ao governo de Dilma Rousseff a partir de 2012.

Nisso, ele não realizou parte considerável do seu projeto de industrialização acelerada, de desenvolvimento possante das vias de transporte. Ele investiu muito em ferrovia, mas o êxito foi parcial. O interessante é que a contradição que houve foi entre a alta burguesia paulista, banqueiros e industriais, FIES, Febraban, e o Geisel. Porque fizeram uma campanha anti-estatizante – o que dominou a cena política brasileira entre 1977 e 1978.

Em geral, espera-se que os governos militares sejam mais nacionalistas. Isso é parcialmente verdadeiro, mas geralmente esquecemos porque temos a bronca da repressão e do DOI-CODI. Mas, é preciso ver com mais amplitude. Os militares não são todos monolíticos. Tem gente com ideias diferentes lá, de autonomia econômica nacional.

Agora, no governo Bolsonaro, como se configura? Não sei bem. O próprio Bolsonaro tem aquele lado falastrão, vai lançado as frases, muito para apavorar a molecada, mas atrás disso ele não é bobo. Ele fala uma besteira, mas quando se dá conta, ele recua. Veja o caso da China: explicaram para ele que é o maior importador do Brasil, que se a China romper relações com o Brasil é o maior prejuízo. Aí ele parou e considerou isso. Nós tememos, estamos assustados com o que ele pode fazer, mas bobo ele não é.

Mas, historicamente, os militares costumam ter o nacionalismo como valor inerente?

É complexo porque, do mesmo modo que havia muitos militares nos anos 1950, que batalharam corajosamente, até próximos do partido comunista então na ilegalidade, e aos intelectuais nacionalistas, pela Petrobrás, como também lutaram pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Cnpq), havia também a direita militar que recebia ordens de Washington direta e indiretamente. Esses eram a favor do alinhamento incondicional.

Bolsonaro bateu continência para a bandeira estadunidense, o que é lastimável, mas é difícil identificar essa contradição. Eu concordo que há uma contradição objetiva, e ela é o seguinte: as Forças Armadas como instituição estão identificadas ao Estado brasileiro; se ele fica fraquinho, elas também ficam. De outro lado, ideologicamente, estão identificadas com o que chamavam de Colosso do Norte, os Estados Unidos. É uma contradição deles, que nós temos que levar em conta: uma contradição no interior das Forças Armadas brasileiras.

Isso está relacionado à influência dos EUA no golpe de 1964?

Isso não começou em 1964. Do mesmo modo que a vitória do candidato de linguajar e, quem sabe, ideologia fascistóide, não começou com a campanha eleitoral de 2018. Eu diria que começou em junho de 2013, quando a direita começou a tomar conta da rua, ultrapassando e manobrando aqueles protestos até progressistas da molecada do passe livre. Do mesmo modo, em 1964, começou muito antes. Começou com uma vitória da esquerda, a vitoriosa resistência de 1961 à primeira tentativa para impedir que João Goulart virasse presidente, com a renúncia de Jânio Quadros.

Eles não queriam Jango, então houve uma mobilização, da qual despontou a figura desse grande dirigente de esquerda, Leonel Brizola, e coordenou a resistência ao golpe. Mas eles perderam ali e vieram para o toco depois. Eu fiz um livro há 20 anos, “A Esquerda Militar do Brasil”, em que narro isso até a revolução desde 1930. A alta burguesia paulista articulou-se fortemente em contato com os militares até 1961.

Tanques estadunidenses foram doados ao Exército brasileiro, em outubro, e as Forças Armadas estadunidenses já vieram treinar na Amazônia neste ano. O senhor acredita que essas ações simbolizam uma perda de soberania, talvez uma entrada do Brasil em uma guerra contra a Venezuela, à sombra dos EUA?

Ceder base para os Estados Unidos aqui no Brasil é algo que põe em questão a soberania. Trump foi derrotado parcialmente agora nas eleições estadunidenses, os democratas são maioria na Câmara – não sei se aceitariam passivamente uma invasão na Venezuela.

Agora, se o Brasil aceitar o miserável papel de tropa auxiliar dos EUA em uma invasão dos EUA, aí seria um rebaixamento da nossa soberania: voltaremos a ser um satélite. Mas isso não está configurado ainda. O que está configurado na Venezuela é que os imigrantes estão vindo para o Brasil, porque a situação econômica lá está tremendamente difícil. Então, podem usar o argumento de que reforçar a segurança na fronteira é impedir que isso vire um caos. Mas acho que o Brasil, por enquanto, ainda não tem um papel fundamental para desestabilizar a Venezuela. Isso vem do bloqueio estadunidense e de uma hiperinflação que eles não têm conseguido controlar.

As pessoas estão muito preocupadas e assustadas com o que esse governo representa. O senhor acredita na possibilidade de um golpe militar?

Os militares não precisam disso. Se ganharam uma eleição, por que precisam dar um golpe? Isso poderá se configurar mais a frente, daqui a vários meses, no mínimo, se, o que é possível, logo de início as cabeçadas de Bolsonaro criarem uma situação econômica insustentável. Não creio que isso ocorrerá logo no início. Ou talvez por excesso de violência, na linha de frente dele está o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), depois o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e o próprio Partido dos Trabalhadores (PT).

Agora, golpe militar, o chamado “auto-golpe“, com ele, com o General Mourão, que me parece instável psicologicamente se não for fingimento, eu não sei. Mas saberemos logo, porque ele terá que definir se será uma reedição de Jânio Quadros, que aguentou seis meses.

Temos que usar com certa prudência as comparações históricas e não ficar antecipando ou agravando a situação já difícil e preocupante, porque o alarmismo é ruim. Não tenho nenhuma dúvida que o amor à democracia nas cúpulas militares é pequeno, e que diante de uma situação de perigo comunista, ou de crise, algo que eles sempre inventam, ou uma situação real e objetiva de descalabro econômico, paralisia da economia ou revolta social intensa, aí sim o espectro de um auto-golpe com Bolsonaro, com a cúpula militar empurrando Bolsonaro, se ele se demonstrar demasiado desequilibrado, é possível. Mas é mais complexo, internacionalmente. já imaginou uma ditadura militar no Brasil? O único país… eles têm uma noção.

Mas, na sua opinião, podemos virar uma sociedade bem mais militarizada?

O pior que está acontecendo agora é que quem está empurrando a militarização da sociedade não são os militares propriamente. São os talibãs evangélicos, que inutilmente a Dilma Rousseff tentou aplacar, fazendo média, indo vistar o Templo de Salomão.

O que a esquerda tem de fazer é travar um combate ideológico pela cultura e pelas luzes. Vamos diagnosticar direito a coisa. O problema principal e ideológico do Brasil, por hora, não são os militares, porque Bolsonaro é um fanático, e esse é o principal entorno ideológico que o impulsionou. O principal problema de retrocesso cultural são os extremistas evangélicos, e é nisso que temos que prestar atenção, travando uma corajosa luta, como vem sendo travado nas escolas e universidades públicas, contra essa aberração que é o “Escola Sem Partido“.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

BOLSONARO VOLTA AMEAÇAR A ECONOMIA BRASILEIRA E AGORA ATACA O BNDES



Depois de colocar em risco o comércio exterior brasileiro, ao atacar a China, os países árabes e o Mercosul, Jair Bolsonaro volta a ameaçar a economia nacional: apontou suas baterias na manhã desta quinta contra o BNDES, um dos maiores bancos de desenvolvimento do mundo e, hoje, o principal instrumento do governo federal para o financiamento de longo prazo e investimento em todos os segmentos da economia brasileira. Num tweet, afirmou que pretende "abrir a caixa preta do BNDES". Sua equipe está estudando acabar com o banco, fundado em 1952. 

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Firmo o compromisso de iniciar o meu mandato determinado a abrir a caixa preta do BNDES e revelar ao povo brasileiro o que feito com seu dinheiro nos últimos anos. Acredito que este é um anseio de todos. Um forte abraço!

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Os ataques ao BNDES começaram logo depois do golpe de 2016, e o governo Temer tem esvaziado o banco ao longo dos últimos dois anos. Até o final de 2018, o projeto do governo oriundo do golpe é arrancar R$ 310 bilhões dos cofres do BNDES e entregá-los ao Tesouro Nacional. 

O valor representa mais da metade do estoque de créditos do governo federal na instituição em 2016, quando Dilma foi derrubada. Além disso, em 2017, o governo deixou de usar a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) como referência para empréstimos da instituição às empresas. A taxa, bem abaixo das praticadas pelo mercado financeiro, era uma poderosa ferramente de financiamento do desenvolvimento do país. Para efeito de comparação, na data em que foi aprovada a mudança, a TJLP se encontrava em 7%, ou seja, menor que a Selic que era de 9,25% à época. 

Ao final do governo Lula, em 2010, o banco havia triplicado de tamanho em relação a seu tamanho no governo FHC e tornou-se uma referência mundial como banco de fomento e desenvolvimento para países ao redor do mundo. Em pouco mais de 10 anos, o banco havia concedido créditos superiores a R$ 500 bilhões para financiar a infraestrutura do país.


Agora, a equipe de Bolsonaro pretende radicalizar a ofensiva de Temer; grupo sob comando de Paulo Guedes estuda a extinção do BNDES (aqui)

HACKERS INVADIRAM SISTEMA DA JUSTIÇA ELEITORAL ANTES DO 2º TURNO; TSE INVESTIGA


A Justiça Eleitoral sofreu uma invasão de hackers ao sistema GEDAI-UE da urna eletrônica e teve o código do sistema de carga do software vazado durante a semana anterior ao segundo turno das eleições presidenciais. A revelação é do site TecMundo, que recebeu os documentos por meio de duas fontes anônimas e os enviou o TSE. Segundo o site Jota, que participou da investigação do assunto ao lado do TecMundo, o TSE está investigando o caso. A Presidência e a área técnica do Tribunal ficaram reunidas até tarde da noite desta terça-feira (6) para tratar do assunto.

Segundo a apuração dos dois sites, os invasores teriam entrado de maneira remota em equipamentos ligados à rede do TSE e tido acesso, entre outras informações, a documentos sigilosos e ao login do ministro substituto Sérgio Banhos e do chefe da tecnologia da informação do TSE, responsável pelas urnas eletrônicas, Giuseppe Janino.

O sistema invadido pelos hackers, o Gedai-EU, é, segundo o site do TSE, o “gerenciador de dados, aplicativos e interface com a urna, que fornece às equipes dos cartórios eleitorais e dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs)”. 


Conforme relatado pelo hacker ao TecMundo, o acesso aconteceu por meio de vulnerabilidades em aplicações desenvolvidas pelo próprio Tribunal. Assim, foi possível um acesso remoto a um dos equipamentos ligados à rede. Acompanhe abaixo a conversa.


“Tive acesso à rede interna (intranet) e, por vários meses, fiquei explorando a rede, inclusive entrando em diversas máquinas diferentes do TSE, em busca de compreender o funcionamento dos sistemas de votação”, escreveu a fonte. “Com isso, obtive milhares de códigos-fontes, documentos sigilosos e até mesmo credenciais, sendo login de um ministro substituto do TSE (Sérgio Banhos) e diversos técnicos, alguns sendo ligados à alta cúpula de TI do TSE, ligado ao pai das urnas”, relatou o hacker.


Por meio de nota, o TSE disse que recebeu um e-mail indagando sobre a ocorrência de um eventual vazamento” e que, em “decorrência disso, a Presidência do TSE está tomando todas as medidas possíveis”.

Mas, questionado sobre qual código foi vazado, em qual data, se isso ocorreu durante as eleições, entre outras perguntas, o TSE não se pronunciou.

No relato que fez ao TecMundo, um dos hackers descreveu ainda: “Passadas algumas semanas em que estive utilizando os equipamentos de rede do TSE, notei via emails dos técnicos da STI que os mesmos notaram tráfego suspeito (porque utilizei programas de scan na rede)”. Mais: “Fizeram uma perícia para detalhar como o invasor conseguiu obter acesso ilegal à rede, mas mesmo com todos estes procedimentos de segurança que dotaram, incluindo a alteração de senhas de todas as contas, acabou não sendo suficiente para interromper meu acesso aos emails e também para a rede interna”.

Segundo o hacker, na troca de mensagens com o site de tecnologia, as aplicações vulneráveis rodavam em versões ultrapassadas do JBoss, “como o Malote Digital, usado por TRE's”. O hacker ainda adicionou que “alguns técnicos do TSE, pensando nisso, atualizaram a versão de uma aplicação em Jboss, no caso o ELO, há algumas semanas”.


“Essas aplicações deveriam ser utilizadas somente em ambientes de desenvolvimento, sendo que em ambientes de produção, é possível subir um arquivo malicioso/shell, em linguagem JSP. Inclusive, pude notar há algumas semanas atrás uma aplicação em Jboss vulnerável a upload por meio de url_deployment_java.net, rodando em ambiente de produção, pelo próprio TSE”, explicou.
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DIÁRIO CENTRO DO MUNDO