quinta-feira, 25 de maio de 2017

TCU APONTA CRIMES PRATICADOS DENTRO DO BNDES A FAVOR DA JBS

O caso é mais sério do que o rombo na Petrobras



A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) calculou em R$ 711,3 milhões o prejuízo que o BNDES teve com operações de compra de ações e debêntures (títulos de dívida) do grupo JBS. Os auditores chegam a afirmar que houve “cessão graciosa de dinheiro público” para a empresa. O material é um dos elementos que levaram à Operação Bullish da Polícia Federal, deflagrada na semana passada. O GLOBO teve acesso com exclusividade ao material.

CRIMES PRATICADOS DENTRO DO BNDES


Os técnicos do TCU avaliam que o BNDES deixou de cobrar recursos a que tinha direito, não fiscalizou a aplicação do dinheiro aportado e nem levou em conta o alcance social do resultado das operações realizadas com o grupo.
Fraude para favorecer a JBS

Na avaliação dos auditores, uma das que gerou prejuízo foi a subscrição de cerca de R$ 1 bilhão em ações da unidade norte-americana da JBS a fim de viabilizar a aquisição da National Beef. Após a sinalização de autoridades antitruste dos Estados Unidos de que a operação não seria aprovada, a JBS desistiu da compra. O BNDES, porém, não pegou os recursos de volta e assinou sucessivos aditivos alterando o objetivo do aporte, permitindo o uso dos recursos posteriormente no processo de fusão com a Bertin. O contrato original previa que o banco de fomento tinha o direito de vender as ações de volta aos controladores da JBS se o negócio não fosse fechado.

A DESCULPA

Em documento enviado ao TCU, o banco de fomento explicou que não exerceu o direito de venda por ser também acionista da JBS e, portanto, também seria prejudicado de forma indireta com a desvalorização das ações do grupo. Destacou ainda que esta decisão foi tomada em 2009, no meio da crise econômica internacional deflagrada um ano antes, o que justificaria a posição adotada.
por Equipe Juntos Pelo Brasil

quarta-feira, 24 de maio de 2017

AÉCIO DIVULGA VÍDEO COM JUSTIFICATIVA E INTERNAUTAS FAZEM PIADAS

Pela primeira vez desde que foi pego nos grampos da Polícia Federal, Aécio Neves aparece em vídeo tentando desmentir o que está gravado. As justificativas do senador afastado acabaram virando motivo de deboche



O senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) divulgou nesta terça-feira (23) seu primeiro vídeo após ser alvo de abertura de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) para investigação de crimes de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à Justiça.

No vídeo, publicado na página de Aécio no Facebook, o senador aparecendo lendo um teleprompter e se declara inocente diante das acusações da PGR (Procuradoria-Geral da República), que solicitou a abertura de inquérito com base nas delações premiadas de sete executivos da empresa JBS.

Andrea Neves, irmã de Aécio, foi presa na última quinta-feira, durante operação da PF, acusada de pedir dinheiro a Joesley Batista em nome do irmão Aécio. No mesmo dia, Frederico, primo do senador, também foi detido por ter sido filmado recebendo os R$ 2 milhões acordados entre o empresário e o político.


O conteúdo já recebeu mais de 30 mil comentários no Facebook, a maioria deles em tom de indignação e deboche. Confira algumas da reações mais curtidas:

— Um colunista de O Globo soltou uma nota dizendo que o digníssimo senador nos últimos dias só ‘bebia e chorava’. Noto que entre uma crise e outra de choro, passou a contar ‘causos’ também.

— Deu vontade de chorar. Um homem tão sério, tão inocente, tão ingênuo. Pobrezinho. Quanta maldade com ele.

— Não tem imobiliária nem corretores em Minas? Senador, o senhor conhece ao menos a OLX? Em 30 anos de vida pública não aprendeu a negociar um apartamento?

— É por isso que esse país não vai pra frente. Essa população injusta que fica acusando políticos injustamente…

— Por que o senador precisa fazer essa cara de cachorrinho pedindo comida? De onde tira toda essa criatividade para inventar histórias?

— Aproveita a amizade com o Luciano Huck e descola um papel numa novela da Globo! Afinal, sua atuação tá nota 10.

— Eu queria só mandar um abraço pra minha mãe, meu pai, e especialmente pra você! Você que está lendo isso e acredita no coelhinho da Páscoa!

— Meu presidente Aécio Neves, eu acredito em você e na sua inocência. Mas agora vem cá. To precisando de uma grana ai, tem como dar um suporte? Chama no inbox.

— Aécio, tu tá precisando contratar mais gente pra trabalhar pra você na internet. Quase ninguém te defendendo aqui, na sua própria página. O negócio tá tão cômico que se alguém começa falando que acredita em você, a gente já sabe que é ironia

— Apesar de ter votado em você nos dois turnos da última eleição, acredito em você atualmente tanto quanto em papai noel e saci pererê.

OS DETALHES DE COMO A LAVA JATO PROTEGEU AÉCIO NEVES

Jornalista revela detalhes de como o senador Aécio Neves (PSDB-MG) estava sendo protegido pela Força Tarefa da Lava Jato diante de tantas acusações ao longo dos últimos anos. Mesmo delegados da Polícia Federal não escondiam seu apoio ao tucano nas redes sociais

Aécio Neves (reprodução)


Marcelo Auler



Em 18 de outubro de 2014, no Facebook, acima de diversas fotos do candidato à presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, rodeado de vistosas mulheres, o delegado de Polícia Federal, Igor Romário de Paulo, chefe da Delegacia Regional do Combate ao Crime Organizado (DRCOR) no Paraná, apontado pelo agente Dalmey Fernando Werlang como autor da ordem para instalar um grampo ilegal na cela que receberia o doleiro Alberto Yousseff, postou em um grupo fechado:

“Este é o cara!”.

Dias depois, às vésperas do segundo turno que reelegeu Dilma Rousseff, do PT, o delegado federal encarregado das investigações da Operação Lava Jato, Márcio Anselmo Adriano, comentou a notícia na qual Luiz Inácio Lula da Silva dizia que Aécio não era “homem sério e de respeito”. Márcio Anselmo escreveu:

“O que é ser homem sério e de respeito? Depende da concepção de cada um. Para Lula realmente Aécio não deve ser”.

Não demorou muito e o delegado Mauricio Moscardi Grillo, que em sindicância concluiu que o grampo na cela de Alberto Yousseff era inoperante, apesar de ele ter registrado 263 horas e 41 minutos de conversas – leia em Armação Federal II: “indisciplinas” do DPF Moscardi -, também deixou sua digital na campanha de Aécio. Abaixo do comentário de Márcio Anselmo, postou uma propaganda eleitoral do tucano segundo a qual Lula e Dilma sabiam de toda a corrupção do esquema da Petrobras, acrescentando:

“Acorda!”.

As postagens vieram a público em 13 de novembro daquele ano, já com a eleição definida. Foram reveladas na reportagem de Júlia Duailibi, em O Estado de S. Paulo: 

Elas, mais do que possíveis transgressões disciplinares previstas na Lei 4878-65 (regime jurídico dos funcionários policiais civis da União e do Distrito Federal), demonstraram que os responsáveis pela Operação Lava Jato tinham um lado político definido. Não apenas torciam por um candidato. Faziam propaganda do mesmo.

Muito provavelmente, por conta desta falta de isenção a Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba jamais descobriu os pedidos de dinheiro, via caixa dois, feitos a empresários por Aécio Neves e/ou pela sua irmã, Andréa Cunha Neves, atualmente presa.

Não foram apenas os delegados que se denunciaram a simpatia pelo senador tucano. O próprio juiz do caso, Sérgio Moro, como registraram os fotógrafos, não se furtou em demonstrar intimidades ao cochichar com Aécio, no evento festivo em que a revista Isto É – que faz questão de se intitular Independente -, premiou o presidente golpista como “Brasileiro do Ano”, em dezembro de 2016, no Citibank Hall, na Zona Sul de São Paulo.
Sérgio Moro em companhia de Aécio Neves e Michel Temer (Imagem: Pragmatismo Político)

A foto, queiram ou não os retratados, não revela um simples diálogo protocolar de um juiz com um senador no exercício de seu mandato. Deixa transparecer algo parecido com uma conversa entre amigos. Ou prováveis mexericos que outrora se dizia serem da “Candinha”.

Da mesma forma como não pareceu mero cumprimento protocolar o aperto de mão com largo sorriso no rosto com que Moro cumprimentou o presidente golpista Temer.

Foi em 19 de abril passado, na solenidade no Quartel General do Exército, em Brasília, ao receber uma condecoração militar. Ao que parece, o juiz, há muito apontado como símbolo da moralidade e honestidade no país, pouco se importou com o fato de exatamente uma semana antes, em 11 de abril, Temer ter aparecido em dois pedidos de inquérito encaminhados pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF). Foram gerados a partir das delações dos executivos da Odebrecht.

É certo que, na época, não houve pedido de investigação contra o presidente por conta da imunidade que o cargo lhe reserva para possíveis crimes cometidos antes do exercício do mandato. Mas, desde que as delações dos executivos da Odebrecht começaram a circular, todos ficaram sabendo que o presidente golpista aparecia em episódios cujas conversas giravam em torno de Caixa 2 ou pedidos de propina, puro e simplesmente.

O presidente que Moro cumprimentou com largo sorriso no rosto é ainda o mesmo que levou ao cargo de ministro – portanto, garantiu o foro especial que o juiz condena -, oito políticos envolvidos em possíveis casos de corrupção, como demonstram investigações e/ou processos em curso no STF e também na Vara Federal de Curitiba presidida por Moro.

Apesar de todas estas evidências, a Força Tarefa da Lava Jato, que durante os últimos três anos fez e desfez, não se importou com estes casos. Esteve mais preocupada em criar teses mirabolantes, baseadas não em provas, mas em convicções, através das quais acusam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “estruturar, orientar e comandar esquema ilícito de pagamento de propina em benefício de partidos políticos, políticos e funcionários públicos com a nomeação, enquanto presidente da República, de diretores da Petrobras orientados para a prática de crimes em benefício das empreiteiras Odebrecht e OAS”.

Provas? Não foram encontradas, mas está ai um apartamento que um dia a família pode ter pensado em comprar. Na prática, jamais houve registro de mudança na escritura, tampouco foi usado por Lula e seus familiares. Isto, porém, não importa.

Restou ainda o sítio em Atibaia, pertencente à família de Jacó Bittar, velho companheiro de sindicalismo do ex-presidente,. Este sim, frequentado pela família Lula da Silva. Ali, a corrupção que tentam impor ao ex-presidente consiste “em obras e benfeitorias (…) custeadas ocultamente pelas empresas Schahin, Odebrecht e OAS”. Ou seja, as empreiteiras que se beneficiaram de contratos na gestão de Lula, retribuíram-lhe os favores com reformas no sítio.

Obras estas, lembre-se, que foram realizadas após a saída de Lula do cargo de presidente e que, como diz a denúncia apresentada na segunda-feira (22/05) pelo Ministério Público Federal do Paraná, foram avaliadas, ao final, em R$ 1.020.500,00, incluindo os gastos das duas construtoras e do amigo de Lula, José Carlos Bumlai. Nestes benefícios estão, é claro, os pedalinhos…

Ao contrário do que se tem visto com outros políticos, incluindo Aécio e Temer, não há dinheiro em conta, não há político recebendo mala com notas de R$ 50,00, como ocorreu com o deputado Rodrigo Loures (PMDB-PR), tampouco algum primo de Lula levando dinheiro para a empresa de algum suplente de senador que ficou conhecido por conta de um helicóptero apreendido com cocaína.
O que há são convicções.

Certamente alegarão que nos casos de Aécio e Temer os envolvidos têm direito a foro especial, junto aos ministros do STF. É uma escapatória, mas foi a um deles que os delegados da Lava Jato deram apoio na disputa pela presidência da República. Sem falar no cumprimento, aparentemente efusivo, do juiz, bastião da moralidade. Isto, talvez, eles queiram esquecer.

Afinal, como justificar o apoio a um candidato e os cochichos com um senador que, hoje, é acusado pelos seus próprios parentes de falta de caráter, como a postagem no Facebook atribuída – e até o momento não desmentida – pelo desembargador aposentado de Minas, Lauro Pacheco de Menezes Filho? Trata-se do pai de Frederico Pacheco de Menezes, o primo de Aécio preso após intermediar o dinheiro que a JBS deu ao senador, levando-o para o assessor do suplente de senador Zezé Perella.

Basta ler o texto que reproduzimos ao lado após recebê-lo de um juiz federal, para se verificar a quem os delegados apoiaram e quem foi o interlocutor dos cochichos do juiz, apontado por muitos como símbolo da moralidade.

terça-feira, 23 de maio de 2017

MÁFIA DAS LOTERIAS NO BRASIL

Eles ganharam 1802 vezes. O Brasil não vai aguentar



Investigação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão do Ministério da Fazenda, descobriu um esquema de compra de bilhetes premiados de loterias federais para lavar dinheiro. Numa reedição do golpe aplicado pelo ex-deputado João Alves, que em 1993 atribuiu à sorte ter ganhado 221 vezes na loteria, o Coaf identificou 30 pessoas que, juntas, ganharam 1.802 vezes em jogos de loteria. O grupo abocanhou R$ 13,9 milhões. A maior parte do dinheiro foi paga em prêmios sorteados entre 1999 e 2000. Salta aos olhos o desempenho de José Eugênio da Silva. Ele alega ter ganhado 211 prêmios em dez meses, entre 17 de novembro de 1999 e 14 de setembro de 2000. Sozinho, recebeu R$ 1,9 milhão. O Coaf afirma que há indícios de lavagem de dinheiro.

O presidente do Coaf, Marcos Caramuru de Paiva, mandou a lista dos ganhadores ao Ministério Público Federal, que tem agora a missão de investigar o caso. Dos 30 ganhadores, 29 moram em São Paulo. Apenas um, Fábio José Felice Pajaro, vive em Minas. Ele ganhou 23 vezes em sete jogos entre dezembro de 1998 e julho de 2000.
Prêmios de até R$ 800 são pagos ao portador do bilhete

A Caixa explicou que paga o prêmio ao portador do bilhete premiado. No caso de ganhadores de mais de R$ 800, é necessária a apresentação de identidade e CPF, além da assinatura no verso do bilhete. Para a Caixa, a fraude deve ter ocorrido no momento da compra do bilhete por laranjas participantes de esquemas de lavagem de dinheiro. Não conseguiu explicar, no entanto, como essas pessoas sabem o nome do ganhador.

Segundo a lista do Coaf, foi agraciada até uma família inteira. Amauri Gouveia ganhou 189 prêmios de nove loterias entre novembro de 98 e dezembro de 99. Embolsou R$ 1,43 milhão. Seu irmão Adilson Gouveia ganhou R$ 916 mil, também de nove loterias, totalizando 157 prêmios em um ano, a partir de novembro de 1998. O terceiro irmão, Alécio Pedro Gouveia, acertou na Loto 179 vezes no mesmo período e levou R$ 1,42 milhão.

Marcos Surjan Trofo Filho ganhou R$ 264.473,84. Acertou três vezes — duas na Loteria Federal e outra na Mega-Sena. Um dos prêmios da federal e o da Mega-Sena foram pagos no mesmo dia.

O Coaf apurou que Marcos é parente de Marco Antônio Surjan Trofo, investigado por ter recebido prêmios de loteria em 48 datas, numa média de 6,8 prêmios por dia entre abril de 2000 e outubro de 2001. Foram 327 prêmios e R$ 1,58 milhões.

O GLOBO conseguiu falar com três dos 30 sortudos.


O senhor não está falando a verdade. Além disso não interessa ao senhor saber de uma coisa tão íntima — disse Elie Nasser Kattan ao receber telefonema do jornal perguntando sobre os prêmios. Antes de desligar, Kattan disse que nunca jogou na loteria. Segundo o Coaf, ele foi premiado 87 vezes e recebeu R$ 786 mil.


Entre 1999 e 2000, Relly Juliana Dumitresco foi sorteada em 65 concursos e recebeu mais de R$ 252 mil. Também por telefone, ela disse se lembrar que ganhou uma única vez. Diante da insistência do repórter, foi enfática:


Se ganhei ou não ganhei, não interessa — disse ela, desligando o telefone.

Outro que se mostrou surpreso com a notícia foi Marcos Agostinho Paioli Cardoso. Ele disse que foi premiado apenas uma vez, ano passado. Segundo a Caixa, porém, Cardoso acertou 25 vezes na loteria, ganhando R$ 149.700. Após perguntar o objetivo da reportagem, Cardoso disse que um único fator poderia explicar a coincidência.

(com informações de O Globo)
Equipe Juntos Pelo Brasil

6 MAIORES MENTIRAS DA HISTÓRIA DO BRASIL QUE O POVO COMEMORA E ACREDITA

6 maiores mentiras da história do Brasil que todo mundo sempre acreditou
A maior parte de nós conhece bem pontos chave da história do Brasil.



A maior parte de nós conhece bem pontos chave da história do Brasil. Seja pelo aprendizado da escola, conhecimentos espalhados em épocas comemorativas ou obras de ficção que se misturam à realidade, aprendemos sobre nossos heróis ou momentos que definiram o rumo de nosso país, cultural e politicamente. A história porém, pode ser moldada de acordo com interesses ao longo do tempo, distorcendo a versão final que acabamos conhecendo.

Mentiras bem estruturadas podem gerar fama, dinheiro e poder. Às vezes podem até motivar lutas e decisões políticas ou sociais. Por causa disso, a história está repleta de fraudes e mentiras que continuam sendo propagadas com frequência. Apesar disso, a pesquisa de historiadores tem ajudado, cada vez mais, a desenhar os verdadeiros acontecimentos do passado e redefinir certos conhecimentos que absorvemos ao longo da vida.

Confira algumas das mentiras mais contadas à respeito da história do Brasil. É bem provável que você tenha acreditado na maior parte delas ao longo de sua história.

1 – A independência sempre foi comemorada em 7 de setembro


Atualmente, a comemoração da independência do Brasil acontece no dia 7 de setembro, mas nem sempre foi assim. De acordo com o jornalista Laurentino Gomes, no passado houve muito debate sobre qual deveria ser a data correta da comemoração. Apesar do grito de independência ter sido dado no dia 7, a aclamação de Dom Pedro só se deu em 12 de outubro e sua coração dias mais tarde, em 1º de dezembro. Todas as datas foram consideradas, mas o 7 de setembro passou a ser exaltado a partir do segundo reinado, com Dom Pedro II.

2 – Zumbi defendia o fim da escravidão


Quando se fala de escravos e abolição da escravatura no Brasil, Zumbi dos Palmares é uma das maiores referências em heroísmo no assunto. Apesar disso, historiadores apontam o personagem como escravocrata. Por mais que estivesse submetido a um senhor, também tinha servos que eram obrigados a realizar trabalhos forçados e seguir suas ordens. É claro que, naquele contexto social, ter escravos era visto com outros olhos, mas ainda assim o historiador Leandro Narloch defende que Zumbi mais lutou por seus próprios direitos do que pela liberdade de todos os escravos.

3 – Princesa Isabel lutou pela libertação dos escravos


Da mesma forma que Zumbi não foi tão herói para os escravos, a responsável por assinar o documento que aboliu a escravatura oficialmente no Brasil também não representou tanto para a luta dos trabalhadores forçados. A Princesa Isabel, apesar de ter assinado a Lei Áurea, não fez por motivações políticas ou ideológicas, e sim por pressão da Inglaterra. Os ingleses se mostravam preocupados com o baixo preço do açúcar e a princesa assinou a lei sobre pressão.

4 – As cores da bandeira do Brasil representam recursos naturais



A maioria das pessoas aprende que a bandeira de nosso país é formada de verde e amarelo para representar a natureza brasileira. O verde representaria as florestas; o amarelo, as riquezas e o ouro. Apesar disso, a verdadeira escolha das cores não partiu daí. Verde e amarelo eram as coras das casas reais de Bragança, à qual pertencia Dom Pedro I, e Habsburg, da imperatriz Dona Leopoldina.

5 – Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil


Em 1500, Pedro Álvares Cabral assumiu o comando de uma expedição que chegou à costa brasileira em 22 de abril daquele mesmo ano. A data é até hoje celebrada como o dia em que os portugueses descobriram o Brasil, mas historiadores já tem evidências suficientes para afirmar que as coisas não aconteceram bem assim. Dois anos antes, o português Duarte Pereira Pacheco já teria explorado a foz do Rio Amazonas. No entanto, a coroa portuguesa quis evitar conflitos com a Espanha e manteve a história em segredo, só oficializando a descoberta com a chegada de Cabral por aqui.

6 – Tiradentes foi herói da Inconfidência Mineira


Pesquisas mais recentes de historiadores focados na análise da Inconfidência Mineira mostram que Tiradentes não foi o verdadeiro herói nacional narrado em diversos relatos. De acordo com a Professora Josi Brandão, o homem era considerado um vilão até 15 de novembro de 1889, data da Proclamação da República. Tiradentes teria sido utilizado como bode expiatório num movimento mais focado com a riqueza de Minas Gerais do que com a liberdade do país. Além disso, a imagem do inconfidente barbado e de cabelos compridos nunca foi real, já que o visual não era utilizado por militares, presos ou executados, posições que Tiradentes ocupou ao longo da revolução.

Você já conhecia as verdades por trás desses fatos apresentados? Nem sempre a primeira versão que ouvidos ou a mais propagada entre os povos é a verdadeira. Por trás do conhecimento histórico é possível compreender melhor o passado e desvendar os mistérios que ajudaram a construir a nação.

(fonte: Uol Educação)
por Equipe Juntos Pelo Brasil

segunda-feira, 22 de maio de 2017

AS DIFERENÇAS ENTRE A OPERAÇÃO GREENFIELD E A LAVA JATO

Advogado fala da importância das operações Greenfield e Lava Jato, comenta a diferença de modus operandi entre uma e outra e analisa o racha na direita brasileira desde as revelações contra Temer e Aécio



Camila Rodrigues da Silva, Brasil de Fato

A Operação Greenfield, que investiga fraudes em fundos de pensão e que denunciou o presidente golpista, Michel Temer (PMDB), e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) na última quarta (17/05), evidencia uma divisão no campo das “forças golpistas”, avalia o advogado e militante da Consulta Popular, Ronaldo Pagotto:

“Uma parte é defensora da Lava Jato acima de qualquer coisa. É da linha de que é preciso punir e que os agentes do Estado conduzirão mudanças na política. O outro campo é o do Parlamento, que é o que podemos chamar de “velha política” ou, em termos técnicos, do fisiologismo, que é o PMDB e as forças que são a base de sustentação do governo Temer”.

Entre as acusações está a de que Temer teria autorizado a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na prisão por parte de Joesley Batista e o seu irmão Wesley, donos do frigorífico JBS, e de que Neves teria pedido R$ 2 milhões a Joesley. Na tarde desta quinta (18/05), Temer afirmou em pronunciamento que “não comprou o silêncio de ninguém” e que não teme as delações. O sigilo dos áudios foi quebrado logo em seguida, e eles podem ser ouvidos aqui.

Ele também comparou a operação com a Lava Jato, enfatizando as ilegalidades cometidas pelo juiz Sérgio Moro.

“Não teve prisão arbitrária, não teve condução coercitiva. Teve apuração, depois levantamento de provas, só então os fatos vieram à tona [pela mídia]. Você percebe a diferença desse caso com a condução coercitiva do Lula?“, comparou.
Confira a íntegra da entrevista:

Qual a diferença entre a operação desta quarta (17/05) e as da Lava Lato?

É uma outra forma de fazer, sem aqueles vícios tradicionais [da Lava Jato]. Não teve prisão arbitrária, não teve condução coercitiva. Teve apuração, depois levantamento de provas, só então os fatos vieram à tona [pela mídia]. Você percebe a diferença desse caso com a condução coercitiva do Lula? Ontem, as notas foram controladas, foi filmado o recebimento do dinheiro, foi visto onde o dinheiro foi depositado. Não tem como dizer que a operação foi ilegal.

A operação de ontem era parte do mesmo processo. Como são figuras do Parlamento, eles têm um foro especial. O foro especial exige que a operação seja determinada pelo Supremo e não pelo juiz de primeira instância.

A delação premiada dos executivos da JBS, que comprometeu Michel Temer (PMDB) e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), explicita as divisões dentro do campo da direita. Que forças são essas que disputam entre si?

A operação de ontem evidencia uma divisão no campo das forças que conduziram o impeachment, que a gente vai chamar aqui de “forças golpistas”. Uma parte é defensora da Lava Jato acima de qualquer coisa. É da linha de que é preciso é punir e que os agentes do Estado conduzirão mudanças na política.

O outro campo é o do Parlamento, que é o que podemos chamar de “velha política” ou, em termos técnicos, do fisiologismo, que é o PMDB e as forças que são a base de sustentação do governo Temer.

Após consumado o impeachment, eles passaram a disputar. A gravação do Sérgio Machado [ex-presidente da Transpetro] com o senador Romero Jucá é uma evidência disso: uma parte do Parlamento está preocupada em frear a Lava Jato.

Depois disso, você teve as disputas em torno das “Dez medidas contra a corrupção” versus a lei Contra o Abuso de Autoridade. Essas duas propostas de lei também evidenciam essa disputa anterior. E, para finalizar, a posição de Gilmar Mendes [ministro do Tribunal Superior Eleitoral] em relação ao que Moro e [Rodrigo] Janot [Procurador-geral da República] propõem.

Além de Gilmar Mendes, outras figuras da direita brasileira, como Reinaldo Azevedo [colunista da revista Veja], têm expressado uma linha contrária ao Moro e ao Janot. Isso evidencia que há uma divisão, e a operação de ontem afeta esse campo do fisiologismo, dessa direita tradicional, parlamentar, que vive de concessões e negociatas.

Essa denúncia existe desde março e foi a público somente após dois meses. Existe alguma avaliação sobre o porquê isso veio à tona agora? As manifestações populares que ocorreram nos últimos dois meses podem ter influenciado?

Várias análises que estão sendo feitas sobre essa delação de ontem. Há um certo consenso de que ela surpreendeu, porque o alvo dela foi o presidente ilegal, Temer, e uma figura importante da direita tradicional, que é o Aécio Neves. Foi uma surpresa tanto para o campo progressista e democrático, quanto para o campo conservador que articulou o impeachment.

Há interpretações de que isso seria uma resposta às manifestações contrárias às reformas e pelas “Diretas Já”, no 15 de março e no 28 de abril. Foram dois atos importantes, gigantescos na nossa conjuntura, com presença de forças de várias matizes, do campo sindical, movimentos populares, juventude, movimento de mulheres, enfim, uma infinidade de campos.

A partir disso, há uma tese de que Temer não teria condições de aprovar as reformas necessárias, estaria se “desidratando” (esse é o termo político que se usa), e que, portanto, ele já não daria mais respostas ao campo golpista, já que não conseguiria cumprir as tarefas.

Outra interpretação é de que isso ocorreu por conta de contradições no interior da direita em disputa e uma certa autonomia das operações em torno da Lava Jato, que não é totalmente controlada pela forças que impulsionaram o impeachment.

Diante disso e da avaliação que você tem da Lava Jato, é possível dizer que ela é boa para o Brasil?

Essa é uma grande questão. A corrupção no Brasil é uma condição que está quase associada à atividade política, e isso vem da nossa cultura de afirmar que tudo o que vem da política tem associação com corrupção. Não é verdade isso.

A atividade política é importante, não pode ser tratada como associada à corrupção, mas a corrupção no Brasil é um problema histórico. Nos últimos anos, especialmente na última década, as medidas de combate à corrupção se amplificaram muito com a aprovação de leis como a lei da Delação Premiada, a lei que permite acordos de leniência das empresas para punir os corruptores e não prejudicar a atividade econômica como um todo. A própria reestruturação da Polícia Federal nos últimos dez anos foi algo bem significativo. Isso gera uma sensação de que a corrupção aumentou, mas ela mudou de qualidade, mudou a forma de ser feita.

A corrupção antiga, aquela de desvio de verbas do caixas das prefeituras, dos governos, está mais sofisticada. Por isso, exige operações mais complexas [para serem descobertas]. A Lava Jato, obviamente, é uma dessas operações, é uma das operações de combate à corrupção no Brasil.

A Lava Jato, que está tratando da corrupção associada às estatais, tem revelado um esquema de corrupção bastante grande. O problema é que ela também tem atentado contra as garantias da Constituição e, por isso, tem sido alvo de muitas críticas.

As críticas não são feitas por ser uma operação de combate à corrupção, porque combater a corrupção é um compromisso do conjunto da sociedade – sobretudo dos setores democráticos do Brasil. Agora, não se pode combater a corrupção abrindo mão do conjunto de garantias que a Constituição brasileira estabelece.

Se, por exemplo, em nome do combate à corrupção, você divulgar informações de forma seletiva de algumas figuras públicas para que isso sirva de informação no debate político e na ação política, isso é uma ilegalidade. E isso vem acontecendo.

Os próprios procuradores da operação admitiram que seu foco é apurar os problemas e possíveis desvios nos governos Lula e Dilma. Ou seja, ela não vai investigar parlamentares que eram da oposição, nem de partidos que eram da oposição.

Tanto é que uma das figuras mais denunciadas, mais delatadas da Lava Jato é o próprio Aécio. Só ontem, a partir de uma prova produzida com autorização judicial, uma prova que, ao tudo indica, é bastante cabal, é que as investigações e as apurações se voltarão para ele. Até então, ele estava passando incólume nesse processo.

Outra coisa é que uma condução coercitiva só se justifica se houver resistência. Quer dizer, a primeira medida é convocar aquela testemunha ou aquele depoente, aquele réu a comparecer à Justiça. Se ele se negar ou silenciar, aí sim, a segunda medida é uma condução coercitiva. É uma medida de força, então, não se pode abusar dela.

A terceira ilegalidade é que a Lava Jato abusa das prisões cautelares que são as prisões preventivas, sem julgamento. É verdade que isso é uma situação da Justiça brasileira como um todo.

A Lava Jato só faz o mesmo que acontece Brasil afora, só que em todo lugar é preciso denunciar, porque são críticas que visam defender a democracia e a Constituição, não privilégios ou defender interesses de setores que estão envolvidos em corrupção.

Se a operação apresenta essas ilegalidades mas tem exposto casos de corrupção que não eram expostos anteriormente, como o campo democrático deve lidar com uma operação como a Lava Jato?

O campo democrático está em pleno debate sobre isso. A primeira coisa é denunciar todo tipo de arbítrio que essa operação comete. Então, o abuso das prisões preventivas tem que ser denunciado; os vazamentos seletivos para fins de atividade política, para prejudicar determinados campos políticos e favorecer outros, devem ser denunciados.

Ao mesmo tempo, nós temos que afirmar que combater a corrupção é uma bandeira progressista e democrática, que nós temos que defender sempre. E denunciar as ilegalidades não tem nada associado à ideia de defender privilégios ou defender corruptores e corruptos.

Até porque essa crise do governo ilegal do Temer tem a ver com esse processo golpista. Eles não tiraram a Dilma para enfrentar problema algum, mas para facilitar a corrupção, a retirada de direitos e a negociata, como temos dito, da Casa Grande para retirada de direitos, para a entrega do patrimônio nacional e para o aumento da corrupção.

Essas operações, com toda a cautela que a gente tem que observá-las, só têm demonstrado que a corrupção não foi interrompida, mas amplificada. Essa Casa Grande achava que a Lava Jato teria cumprido só o papel de animar as forças conservadoras para o impeachment, e acreditaram que poderiam controlá-la. Não podem. A Lava Jato tem uma certa autonomia em relação a essas forças.

Após o golpe, essas mesmas forças conduziram o processo achando que seria um passeio. Os atos de março e de abril demonstram que não será um passeio. Os golpistas não terão vida fácil: o ato agora do fim de semana que vem e o do 24 de maio, em Brasília, também prometem ser grandes atos contra as reformas – e agora também pela Diretas Já.

Esse processo, sobretudo essa denúncia de ontem, só deixa para nós uma saída: devolver ao povo a oportunidade de definir quem vai conduzir a República – não tem meio termo. É fim do golpe e “Diretas Já”.

10 PONTOS PARA ENTENDER COMO FUNCIONA A MÍDIA BRASILEIRA

10 parágrafos para entender como funciona a imprensa brasileira, que teve — e tem — um relevante papel nesta tragédia que se abateu sobre o Brasil


Carlos Motta, GGN

Uns poucos parágrafos para entender como funciona a imprensa brasileira, que teve – e tem – um relevante papel nesta tragédia que se abateu sobre a nação:

1 – Não existe jornalismo imparcial. Todos os jornalistas, sem exceção, têm lado, têm time, têm preferências, têm preconceitos, porque são humanos, não robôs;

2 – Todos os jornalistas que cobrem política sabem, há muito tempo, que esse bando que tirou a presidenta Dilma do Palácio do Planalto é formado por escroques da pior espécie. Se ninguém nunca fez uma mísera reportagem, escreveu uma linha sequer sobre as negociatas desses parlamentares é porque, de certa forma, estiverem aliados a eles, e não porque desconhecessem os crimes;

3 – O mercado financeiro pauta o noticiário econômico, “sugerindo” pautas, colocando profissionais 24 horas à disposição dos repórteres, divulgando “análises” e convidando a moçada para cafés da manhã, almoços e jantares nos lugares mais em moda;

4 – O mercado empresarial de comunicação é oligopolizado. Poucas empresas, familiares, controlam a informação, ou seja, dezenas de milhões de brasileiros leem, escutam e veem aquilo que algumas dezenas de pessoas permitem e querem;

5 – Não existe, nunca existiu, e provavelmente nunca existirá, no Brasil, liberdade de imprensa. Nenhum jornalista apura e publica a notícia que deseja, a reportagem dos seus sonhos, apenas aquela que o seu chefe ordena que saia;

6 – Embora os jornalões tenham páginas exclusivas para seus editoriais, a opinião do dono se espalha por quantas notícias forem necessárias, às vezes de maneira sutil, às vezes abertamente;

7 – A imprensa brasileira é comercial, ou seja, os grandes – e até mesmo médios e pequenos – anunciantes têm voz forte naquilo que é publicado;

8 – Conheci poucos jornalistas com formação intelectual sólida ou mesmo que dominassem medianamente a língua portuguesa. Em geral tinham pouca leitura, quase nenhum interesse por artes e ciências, e exibiam, quando muito, uma cultura de almanaque. Vários adoravam um “jabá” (presentes de empresas e corporações) e se iludiam com a proximidade exibida por suas fontes – eram ingenuamente usados por elas;

9 – O jornalismo brasileiro é tecnicamente indigente, não por escassez de recursos, mas por ter chefias incompetentes e patronais;

10 – É improvável que exista lugar menos democrático que uma redação. Reuniões de pauta são apenas uma formalidade. Os repórteres são obrigados a cumprir ordens, mesmo que absurdas ou aéticas. Se não obedecerem, serão demitidos sem dó nem piedade.

MARCELO MADUREIRA DIZ QUE FOI 'ILUDIDO' E 'ENGANADO' POR AÉCIO NEVES

Marcelo Madureira, um dos mais ferrenhos apoiadores de Aécio Neves, foi cobrado por seguidores após a revelação dos crimes cometidos pelo tucano. Em resposta, o humorista se disse vítima da lábia do mineiro



Diante da repercussão do escândalo político envolvendo as delações dos irmãos Batista, donos da empresa JBS, que resultou na abertura de um inquérito contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), o comediante Marcelo Madureira, um dos criadores do extinto programa “Casseta & Planeta”, gravou um vídeo divulgado nas redes sociais no qual diz que foi “iludido e enganado” pelo tucano.

Madureira apoiou Aécio nas eleições de 2014. Em resposta às críticas, ele desabafou: “vocês não imaginam o tamanho da minha decepção, da minha desilusão política. Eu fui iludido, fui enganado, eu gostaria de estar completamente equivocado, pra mim é chocante ver o candidato que eu apoiei estar envolvido nessas negociatas em plena vigência das investigações.”

“Podem me criticar, mas eu jamais tirarei o corpo fora de participar da vida política do meu país”, afirma Madureira.

Madureira concluiu afirmando que “participar da vida política, seja na direita ou na esquerda, é dever de qualquer cidadão”.

Aécio foi flagrado em áudios com Joesley Batista tentando articular o fim da operação Lava Jato e pedindo milhões de reais para pagar despesas.

Em delação ao Ministério Público, o diretor de Relações Institucionais e de Governo da JBS, Ricardo Saud, relatou, no último dia 7, que o grupo pagou R$ 80 milhões em propina para a campanha do então candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves.

Principal interlocutor de Joesley Batista nas negociações com políticos do governo ou da oposição, Saud disse que as “questões” eram na maioria das vezes “ilícitas”. O delator contou que o dono da JBS sempre “correu” do candidato.

“Ele (Aécio) continuou pedindo mais dinheiro após a campanha”, relatou. Saud ainda contou que um homem de prenome Fred era o interlocutor de Aécio para receber o dinheiro, sempre em shopping center movimentado. O dinheiro era guardado por Fred numa mochila de cor preta.

Fred é o primo de Aécio e está preso. Ele foi fotografado com mochilas pretas lotadas de dinheiro.

com informações de O Tempo

ARTISTAS PRÓ-AÉCIO SÃO COBRADOS E SE MANIFESTAM NAS REDES SOCIAIS

Ronaldo, Luciano Huck, Neymar, Alexandre Frota, Susana Vieira, Latino, Marcelo Serrado, Marcio Garcia e outros foram cobrados sobre os crimes de Aécio comprovados em gravações. Muitos se manifestaram, mas nem todos


Além do humorista Marcelo Madureira, outros nomes conhecidos do entretenimento e do esporte no Brasil foram forçados a se posicionar sobre os crimes cometidos pelo senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG).

Marcio Garcia, que apresenta um programa na TV Globo, lamentou a situação do país, afirmou que se sente enganado e clamou por justiça em postagem no Instagram.

“Fomos todos enganados, iludidos por falsos discursos, apertos de ‘mãos grandes’, promessas vazias. A única coisa que nos resta é clamar por Justiça. Que ela faça sua parte e prenda todos os corruptos deste país. Sem exceção”, escreveu.

O ator Marcelo Serrado, que apoiou Aécio e protestou publicamente contra o governo Dilma, afirmou: “Não me arrependo de forma alguma de ter ido para as ruas pedir o impeachment da Dilma. Não me iludo achando que o problema era ela. Não sou a favor do Temer, mas sim a favor das diretas já”.

O cantor Latino, por sua vez, preferiu não atacar Aécio e tentou elaborar uma espécie de justificativa pela bomba que explodiu no colo do tucano.

“Aécio é meu amigo pessoal! Se ele errou, terá que pagar . Vivemos num país de hipocrisia, muitos sonegam, quem nunca levou vantagem de alguma coisa? Sou contra a corrupção e torço pra um país melhor, porém não posso julgar quem ainda não teve direito de resposta”, disse o cantor.

A atriz Susana Vieira se limitou a dizer que “o Brasil foi saqueado de tudo que é lado. Não há inocentes até o momento ou até que se prove o contrário”.

Para a atriz Irene Ravache, “os meio não justificam o fim. Não é porque nossa economia está começando a crescer que temos que acobertar. Acho que esse é um momento que não podemos deixar, é um momento de cobrança, de pressão”.

O ex-ator pornô Alexandre Frota disse que “não suporta mais essa pilantragem, esse assalto que fizeram aos cofres públicos. Preteriram os brasileiros. Políticos vagabundos, charlatões. Não importa o partido, não importa o político. Tem que ir preso”.

Apagaram imagens

Embora não tenha publicado nenhum texto, Luciano Huck, amigo de longa data do senador, cometeu um gesto simbólico: apagou as imagens ao lado de Aécio Neves em suas redes sociais.

Quem seguiu o mesmo caminho foi o futebolista mais famoso do Brasil na atualidade: Neymar Jr. O garoto, que gravou um vídeo de apoio à Aécio nas eleições de 2014, deletou todas as fotos que tinha com o tucano.
Não se posicionaram

A cantora Wanessa Camargo, o cantor Zezé di Camargo e o ex-atleta Oscar Schmidt gravaram um vídeo de apoio a candidatura de Aécio em 2014 e agora foram questionados se continuam no lado do político.

“Vai postar foto com o Aécio Neves não?”, perguntou uma internauta para o ex-jogador. Outro ironizou Wanessa: “Não vai cantar hj pro Aécio Wã?? Vai lá consolar seu amiguinho!”.

Eles não se manifestaram.

O ex-jogador e empresário Ronaldo, que usou uma camisa com a inscrição “A culpa não foi minha. Votei no Aécio”, durante os movimentos contra a presidente afastada Dilma Rousseff (PT), também foi alvo de críticas no seu perfil no Instagram.

“E aí Ronaldão, continua não tendo culpa?”, “Ronaldo é vc quem vai pagar nosso pato agora? Vamos falar sobre o #aecioneves?” e “Ei e agora a culpa é de quem mesmo?”, questionam os internautas.

Até o momento, diferente de Huck e Neymar, Ronaldo mantém as fotos ao lado de Aécio em suas redes sociais.

A CONVERSA ENTRE AÉCIO NEVES E GILMAR MENDES INTERCEPTADA PELA POLÍCIA FEDERAL

Polícia Federal interceptou conversas entre Aécio Neves (PSDB) e Gilmar Mendes, ministro do STF. O conteúdo é corrosivo e revela a já sabida relação promíscua de um membro da mais alta corte do Brasil com um senador da República que pretendia barrar investigações contra si próprio

Aécio Neves e Gilmar Mendes.


Gravações autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Patmos, deflagrada na quinta-feira 18 contra o presidente Michel Temer (PMDB) e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), colocam o ministro Gilmar Mendes, do próprio STF, em uma situação delicada.

Gilmar foi gravado em uma conversa ao celular com Aécio na qual prometia a ele ajudar a aprovar o projeto de lei do abuso de autoridade. Esse projeto, de acordo com a Procuradoria-Geral da República, era um dos estratagemas usados pelo senador tucano para barrar as investigações da Operação Lava Jato. Joesley Batista, dono da JBS e delator cujo depoimento é a base da Patmos, afirmou que tratou com Aécio a respeito deste projeto no bojo das negociações entre os dois para barrar da Lava Jato.

Entre os crimes imputados a Aécio está o de obstrução de Justiça. O PGR, Rodrigo Janot, chegou a pedir a prisão do tucano, mas o ministro Luiz Edson Fachin, do STF, não autorizou, determinando o afastamento de Aécio de seu cargo.

A conversa entre Gilmar e Aécio se deu em 26 de abril. O celular grampeado era do senador tucano que, segundo o relatório da Polícia Federal, “pediu ao ministro para que telefonasse para o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA)”. No diálogo, diz a PF, “o senador investigado pede que o magistrado converse com Flexa Ribeiro para que este siga a orientação de voto proposta por Aécio”.

Em resposta ao pedido de Aécio, Gilmar Mendes respondeu: “O Flexa, tá bom, eu falo com ele”. Aécio explica na sequência que Flexa “é o outro titular da comissão, somos três, sabe?”

Aécio pede que Gilmar Mendes fale com Flexa Ribeiro sobre “a importância disso” e orienta o que Gilmar deveria dizer ao senador. O ministro deveria afirmar a Flexa para “acompanhar a posição do Aécio porque eu acho que é mais serena”. Gilmar respondeu: “Eu falo com ele… eu ligo pra ele… eu ligo para ele agora”, disse.

No mesmo dia da conversa entre Gilmar e Aécio, foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado o projeto de abuso de autoridade. Tratou-se de um texto considerado um meio termo entre as propostas apresentadas pelos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), fruto de um conjunto de sugestões de procuradores, e Renan Calheiros (PMDB-AL), entendido como muito rígido contra as autoridades.

O texto, um substitutivo do senador Roberto Requião (PMDB-PR), só foi aprovado após a retirada de um dos trechos mais criticados por integrantes do Ministério Público e do Judiciário. Diante do ataque de juízes, procuradores e senadores de diversas siglas, Requião recuou de sua proposta original e aceitou alterar o artigo que poderia abrir caminho para a punição de magistrados devido a divergências na interpretação das leis.

A chamada começou às 9h29 e durou um minuto e 36 segundos. Leia a transcrição completa feita pela Polícia Federal:

Aécio Neves: Oi, Gilmar. Alô.

Gilmar Mendes: Oi, tudo bem?

Aécio: Você sabe um telefone que você poderia dar que me ajudaria na condução lá. Não sei como é sua relação com ele, mas ponderando… Enfim, ao final dizendo que me acompanhe lá, que era importante… Era o Flexa, viu? [Aécio se referia ao senador Flexa Ribeiro]

Gilmar: O Flexa, tá bom, eu falo com ele.

Aécio: Porque ele é o outro titular da comissão, somos três, sabe?… Né…

Gilmar: Tá bom, tá bom. Eu vou falar com ele. Eu falei… Eu falei com o Anastasia e falei com o Tasso… Tasso não é da comissão, mas o Anastasia… O Anastasia disse “Ah, tô tentando… [incompreensível]…” e…

Aécio: Dá uma palavrinha com o Flexa… A importância disso e no final dá sinal para ele porque ele não é muito assim… De entender a profundidade da coisa… Fala ó… Acompanha a posição do Aécio porque eu acho que é mais serena. Porque o que a gente pode fazer no limite? Apresenta um destaque para dar uma satisfação para a bancada e vota o texto… Que vota antes, entendeu?

Gilmar: Unhum.

Aécio: Destaque é destaque é destaque… Depois não vai ter voto, entendeu?

Gilmar: Unhum. Unhum.

Aécio: Pelo menos vota o texto e dá uma…

Gilmar: Unhum.

Aécio: Uma satisfação para a ban… Para não parecer que a bancada foi toda ela contrariada, entendeu?

Gilmar: Unhum.

Aécio: Se pudesse ligar para o Flexa aí e fala…

Gilmar: Eu falo pra com ele… E falo com ele… Eu ligo pra ele… Eu ligo pra ele agora.

Aécio: …[incompreensível]… importante

Gilmar: Ligo pra ele agora.

Aécio: Um abraço.

Logo em seguida, às 9h31, Aécio liga para o senador Flexa Ribeiro e mantém a seguinte conversa, que durou 45 segundos:

AécioNeves: Um amigo nosso em comum que você vai ver quem é… Está tentando te ligar… Aí você atende ele, tá? Um cara importante aí que você vai ver que é.

Flexa Ribeiro: Tá bom.

Aécio Neves: …[incompreensível]… no seu gabinete para fazer umas ponderações, aí você encontra comigo, tá bom?

Flexa Ribeiro: Tá ok então, um abraço.

Aécio Neves: …[incompreensível]… na CCJ.

Flexa Ribeiro: Então tá.

A proposta foi aprovada por 54 votos a 19, sendo que Aécio e Flexa Ribeiro (PSDB/PA), ambos membros titulares do PSDB da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, votaram a favor do texto.

Antonio Anastasia (PSDB/MG) é o terceiro tucano titular da Comissão. O texto tinha sido aprovado na CCJ dois dias antes.

Antonio Anastasia (PSDB/MG) é o terceiro tucano titular da Comissão. O texto tinha sido aprovado na CCJ dois dias antes.
informações de CartaCapital e Agência Estado