terça-feira, 20 de novembro de 2018

DOCUMENTÁRIO SOBRE ASSALTO AO BANESTADO ESTREIA NESTA QUARTA - FEIRA EM LONDIRNA

Dez de dezembro de 1987, aniversário de Londrina. Sete homens invadem a agência central do maior banco da cidade e fazem mais de 300 pessoas de reféns ao longo de sete horas. Como resgate, a quadrilha exige 30 milhões de cruzados (cerca de R$ 10 milhões, atualmente). Os funcionários correm para conseguir o valor em várias agências bancárias da cidade. O enredo poderia muito bem ser de um filme de ficção, mas a história ocorreu de fato há 30 anos e foi transformada em um documentário que estreia na próxima quarta-feira (21). 

Produzido pela Kinopus Audiovisual, "Isto (não) é um Assalto" tem direção, roteiro e montagem de Rodrigo Grota (Leste Oeste). Com patrocínio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura), da Prefeitura de Londrina, o documentário apresenta o mais longo sequestro de um grande número de pessoas na história criminal brasileira. O episódio foi repercutido por todo o País e diversos jornalistas acompanharam o desenrolar da situação. Além dos profissionais da imprensa, cerca de mais de cinco mil pessoas estavam do lado de fora e gritaram a favor dos assaltantes contra o governo Sarney. Após horas de negociação, a quadrilha fugiu com um valor aproximado do exigido, levando 14 reféns. Depois de uma semana de fuga, seis dos sete assaltantes foram presos: apenas "Barba" nunca foi localizado. 

A ideia para a realização do filme surgiu em 2012, dois anos após a morte do jornalista Paulo Ubiratan, como revela o diretor Rodrigo Grota. "Ele foi repórter de polícia da Folha de Londrina nos anos 1980 - no dia do Assalto, entrou na agência e fez a mediação com os assaltantes para a liberação de alguns reféns, incluindo pessoas idosas, crianças. Foi o Paulo que me contou essa história em 1998, há 20 anos, quando eu era estudante de jornalismo na UEL e ele já era uma espécie de lenda do jornalismo londrinense. Ao saber que eu queria fazer cinema, ele me disse: "Guri, um dia você tem que fazer um filme sobre essa história". Inicialmente, a ideia era fazer um filme de ficção. Como teríamos de fazer uma extensa pesquisa, tivemos a ideia de fazer dois filmes sobre o episódio: o primeiro é o documentário "Isto (não) é um Assalto"; o segundo será um longa de ficção". 

A produção começou em 2016, logo após a aprovação do projeto no Promic, da Prefeitura de Londrina. A equipe do longa começou a buscar pelas pessoas envolvidas no episódio e pode também dar continuidade à pesquisa de imagens de arquivo. Para essa etapa foram consultados os acervos da Folha de Londrina, da RPC TV Londrina e da rádio CBN. 


Reprodução/Arquivo Folha de Londrina

Segundo Grota, a parte mais complicada do processo inicial foi encontrar "Moreno", o líder dos assaltantes, que foi preso uma semana após o assalto, cumpriu pena de 1987 a 2006, e hoje se dedica aos trabalhos em uma igreja. "Levou seis meses para ele confiar em nossa proposta e conceder uma longa entrevista. É importante lembrar que o filme não apresenta o Moreno como herói - queríamos apenas contar essa história com um mosaico bem amplo de pontos de vista". 

Entre os entrevistados, Grota destaca o escritor Domingos Pellegrini e o historiador Rogério Ivano, que apresentaram o assalto dentro do contexto histórico da cidade, e os policiais Pedro Marcondes e Wanderci Corral Fernandes, que revelaram momentos vividos durante o episódio e a fuga pela estrada noite adentro. "Há também os arquivos de áudio da CBN Londrina, em que o Paulo Ubiratan relembra o assalto sob o seu ponto de vista muito particular; e há a entrevista com o Moreno, em que ele dá o seu testemunho de maneira mais misteriosa, revelando a estratégia de um assaltante para realizar um crime de proporções tão grandiosas como esse". 


Reprodução/Renata Cabrera

Ao todo, dos 300 envolvidos no Assalto, foram entrevistadas 50 pessoas, entre policiais, assaltantes, profissionais da imprensa, clientes do Banestado, e parte da população de forma geral. "Com o filme pronto e disponível nos cinemas, uma parte da história de Londrina se torna mais acessível aos londrinenses - isto porque para contar a história do Assalto ao Banestado, inserimos imagens de arquivos dos anos 1950, 1960, 1970 e 1980. O músico Rodrigo Guedes criou 13 músicas originais para a trilha sonora do filme, o que imprimiu uma pegada mais pop e deixou a narrativa mais leve, já que temos 100 minutos com informações e relatos variados e havia o risco de cansar o público com muita informação em pouco tempo. Estamos felizes com o filme, e agora daremos continuidade com o desenvolvimento do roteiro para um longa de ficção que já está sendo escrito desde o primeiro semestre desse ano", acrescenta o diretor. 



Divulgação


Reprodução/Renata Cabrera

"Isto (não) é um Assalto" estreia nesta quarta-feira (21), às 20h, no Cinemas Lumière, do Royal Plaza Shopping em Londrina. A produção será o primeiro longa londrinense a entrar em cartaz no circuito comercial local. De 22 a 28 de novembro, o documentário terá quatro sessões no Cinemas Lumière, e duas sessões noturnas no Cinesystem, no Londrina Norte Shopping. 


*Sob supervisão do editor on-line, Rafael Fantin

Mariana Sanches - Estagiária*

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

10 OBJETOS INCRÍVEIS E ESTRANHOS QUE PODEM EXISTIR NO UNIVERSO

O universo é muito grande. Inimaginavelmente grande. Mesmo assim, a humanidade tem um conhecimento relativamente vasto sobre o espaço sideral. Já encontramos coisas incríveis, como buracos negros, matéria e energia escuras, planetas com características extremas, etc. Porém, é improvável que algum dia consigamos explorar completamente o espaço sideral. Nos resta, então, tentar adivinhar – baseados na ciência, é claro – o que existe lá fora.


Os cientistas acreditam que existem alguns corpos espaciais incríveis e bem bizarros, incluindo um enorme em nosso próprio sistema solar. A lista abaixo, criada pelo site Listverse, mostra algumas destas possíveis maravilhas da natureza que podemos ou não encontrar em nossas descobertas espaciais.

10. Planetas em forma de rosquinha



Os cientistas acreditam que existem planetas em forma de anel, embora nunca tenham encontrado um. Tais objetos são chamados de planetas toroidais – toro ou toróide é o nome matemático da forma de uma rosca. Os planetas são geralmente esféricos por causa da gravidade, mas poderiam se tornar toróides se uma quantidade igual de força proveniente de seus centros se equivalesse a essa força gravitacional.

Se existirem, os planetas toróides teriam condições peculiares. Primeiro, um planeta toroidal giraria tão rápido que um dia duraria apenas algumas horas. A gravidade também seria notoriamente fraca no equador e extremamente forte nos pólos, de modo que seria possível perder muito peso apenas tirando férias no equador.


O clima também seria terrível: fortes ventos, tempestades desastrosas e uma temperatura bastante variada em diferentes áreas do planeta.

9. Luas com suas próprias luas


Os cientistas acreditam que algumas luas têm suas próprias luas. As luas menores girariam em torno das maiores, que girariam, por sua vez, em torno dos planetas.

Os cientistas acreditam que é mais provável encontrarmos uma lua assim fora do nosso sistema solar, porque tal objeto parece ser muito complicado do ponto de vista da física para existir aqui. Se esperamos encontrar um aqui, precisaremos olhar além de Netuno.

Esses objetos teriam uma complexidade grande. Primeiro, um corpo espacial maior, talvez outro planeta, precisaria impulsionar a lua lunar em direção à sua lua., e essa lua lunar teria que ser pequena o suficiente para ser capturada pela lua. Ela também precisa estar perto da lua, mas não perto o suficiente a ponto de colidir.

Para o resto de sua vida, a sub-lua ficaria presa entre as forças gravitacionais de sua lua, do planeta de sua lua e da estrela do sistema. Isso provavelmente teria resultados desastrosos – é por causa dessa junção de forças gravitacionais que todos os satélites que enviamos para orbitar a Lua acabam caindo no nosso satélite depois de alguns anos. No entanto, uma lua lunar poderia existir muito além de Netuno, por exemplo, onde a força gravitacional do Sol é consideravelmente mais fraca.

8. Um Cometa Sem Cauda


Quando imaginamos um cometa, a cauda é a primeira coisa que vêm à mente. Uma longa cauda é a característica definidora de um cometa. E se encontrássemos um cometa sem cauda? Os cientistas já encontraram um, mas não têm certeza se é de fato um cometa, um asteroide ou um híbrido de ambos.

O corpo espacial, encontrado em 2016 e chamado de cometa Manx, é único. Os asteroides são feitos de rocha, enquanto os cometas são feitos de gelo. Tecnicamente, o cometa Manx não é considerado um cometa porque contém rocha, mas também não é considerado um asteroide, pois é coberto de gelo – ele não tem rabo porque o gelo não é suficiente para fazer um.

“Isso é super emocionante, porque pode ser um pedaço do que formou a Terra”, disse na época da descoberta ao portal Gizmodo Olivier Hainaut, astrônomo do European Southern Observatory e co-autor estudo que descreve o achado.

Os cientistas acreditam que o cometa Manx veio da nuvem de Oort, que é conhecida por conter os cometas mais distantes do nosso sistema solar. No entanto, alguns cientistas acreditam que o cometa Manx é na verdade um asteroide que de alguma forma acabou nas franjas frias do sistema solar. Se isso for verdade, isso tornaria o cometa Manx o primeiro asteroide gelado. Se não for verdade, então este objeto seria o primeiro cometa rochoso.

7. Um planeta enorme e oculto em nosso Sistema Solar



Os cientistas preveem a existência de um nono planeta em nosso sistema solar – Plutão perdeu essa condição desde 2006. Este hipotético nono planeta pode ter 10 vezes a massa da Terra e ter uma órbita aproximadamente vinte vezes mais distante do Sol do que Netuno.

Os pesquisadores deduziram a existência, tamanho e distância do planeta depois de observar que um corpo massivo em algum lugar estava puxando e rompendo a órbita de pequenos corpos do sistema solar e planetas anões no Cinturão de Kuiper, que fica logo além de Netuno. No entanto, se o nono planeta não existir, os cientistas suspeitam que as rupturas poderiam ter sido causadas por vários corpos não descobertos no cinturão.

“Só foram descobertos dois planetas verdadeiros (no Sistema Solar) desde os tempos antigos, e este seria um terceiro. É um pedaço considerável do nosso sistema solar que ainda está por ser encontrado, o que é muito excitante”, disseram os astrônomos que encontraram evidências da existência do nono planeta em um comunicado.

6. Buracos brancos


Estamos todos familiarizados com os buracos negros, pontos no espaço de onde nem a luz pode escapar. Mas e quanto aos buracos brancos, que são o oposto dos buracos negros?

Um buraco negro é uma região massiva do espaço que atrai objetos próximos. Qualquer coisa sugada para um buraco negro não pode sair. O buraco branco faz, teoricamente, o oposto: libera os objetos, mas nunca deixa nada entrar.

Como os buracos negros, os buracos brancos podem atrair objetos ao redor deles, embora eles não permitam que esses objetos entrem. Qualquer coisa que chegue perto demais será destruída pela energia massiva ao redor do buraco branco. Assumindo que o objeto sobreviva de alguma forma, ele se aproximará até que o tempo comece a diminuir. À medida que o objeto se aproxima, o tempo continuará diminuindo – por toda a eternidade.

Embora ainda não tenhamos encontrado buracos brancos, os cientistas têm certeza de que eles existem. A teoria da relatividade geral também afirma que, se existem buracos negros, buracos brancos também devem existir.

Alguns cientistas acreditam que os buracos brancos são as extremidades opostas dos buracos negros. O buraco negro suga alguma coisa e o buraco branco a empurra para fora, enquanto outros defendem a hipótese de que buracos brancos são formados quando buracos negros morrem.

Os cientistas que estão estudando estes buracos acreditam inclusive que alguns deles podem ser anteriores ao Big Bang. Pesquisas futuras irão explorar como esses buracos brancos de um universo anterior ao Big Bang podem ajudar a explicar por que o tempo flui apenas para frente no nosso universo atual e não também no sentido inverso.

5. Vulcanoides



Os vulcanoides são pequenos asteroides hipotéticos e quentes que existiriam entre Mercúrio e o Sol. Os cientistas acreditam que os vulcanoides existem porque o espaço entre Mercúrio e o Sol é estável. Regiões estáveis ​​geralmente contêm muitos asteroides, assim como o cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter e o Cinturão de Kuiper, pouco além de Netuno.

Pesquisadores acreditam que esses asteroides costumam colidir com Mercúrio, causando muitas das crateras que vemos hoje no planeta.

É difícil encontrar os vulcanoides porque a luz do Sol atrapalha a ótica dos telescópios. Os pesquisadores tentam encontrar vulcanoides durante eclipses, no início da manhã e no final da tarde. Eles também passaram a usar telescópios montados em jatos de alta altitude para esta tarefa, mas ainda não obtiveram sucesso.

4. Uma massa giratória feita de pedra quente e poeira


Alguns cientistas acreditam que os planetas e suas luas foram formados por massas de rocha quente e pó chamadas de sinestias. Pesquisadores dizem que nossa Terra e Lua foram formadas depois que uma versão anterior da Terra atingiu um corpo espacial do tamanho de Marte chamado Theia. Após o resfriamento, a massa quente da rocha se dividiu entre a Terra e a Lua.

Toda sinestia é formada quando dois planetas ou enormes corpos espaciais se chocam. Se as sinestias realmente existirem, a busca por elas deve ser bastante precisa, uma vez que estes objetos geralmente esfriam e se tornam planetas e luas dentro de 100 anos, um espaço curtíssimo de tempo em valores universais.

3. Gigantes gasosos que se tornam planetas terrestres


Os planetas terrestres, como o nosso, consistem são feitos de rochas duras ou metais. Eles têm uma superfície sólida e é possível pousar neles no caso de uma viagem espacial. Mercúrio, Vênus, Terra e Marte são planetas terrestres. Em contraste, os gigantes gasosos são feitos, bem, de gás. Eles não têm uma superfície sólida, e é muito improvável que possamos pousar neles. Júpiter, Saturno, Urano e Netuno são gigantes gasosos.

A questão é que os cientistas acreditam que alguns gigantes gasosos podem se transformar em planetas terrestres. Embora não tenham confirmado a existência de tais corpos celestes, eles já têm um nome: planetas Chtônicos. Um planeta Chthônico seria criado quando um gigante gasoso se aproximasse demais do Sol. A atmosfera do planeta se evaporaria e deixaria apenas o núcleo rochoso.

Os cientistas já encontraram um planeta, chamado Corot 7b, que eles suspeitam ser um planeta Chtônico. Corot 7b é coberto de lava derretida. Não é exatamente um paraíso: suas temperaturas chegam a 2.500 graus Celsius.

2. Chuva de vidro


Os cientistas descobriram o planeta HD 189733b, a 63 anos-luz de distância de nós e azul como a Terra. Mas ao invés de ter seu azul originado na água, como o nosso planeta, o HD 189733b tem seu azul causado por nuvens de silicato. Embora os pesquisadores não tenham confirmação real, eles supõem que chove vidro quente em HD 189733b, já que o vidro é feito de sílica ou dióxido de silício. As terríveis chuvas de vidro seriam agravadas pelos fortes ventos que sopram a 8.700 quilômetros por hora, sete vezes a velocidade do som.


Uma visita a este planeta renderia um belo passeio na chuva – só que em uma chuva mortal de vidro fundido que cairia lateralmente, já que seria levada por ventos supersônicos. Que tal?

1. Planetas sem núcleo


Uma coisa em comum entre a maioria dos planetas é um núcleo de ferro sólido ou fundido. No entanto, parece que alguns planetas são estranhas exceções a essa regra. Os cientistas acreditam que esses planetas são formados em áreas geladas e desoladas do universo, onde a luz do sol é muito fraca para evaporar o líquido e o gelo na superfície de um novo planeta.

Quando isso acontece, o ferro que se moveria para o centro do planeta para formar o núcleo reagiria com o excesso de água para formar óxido de ferro. Os cientistas não podem detectar se um planeta fora do nosso sistema solar tem um núcleo. Mas eles podem adivinhar analisando a relação ferro-silicato do planeta e a estrela em torno da qual o planeta gira. Um planeta sem um núcleo não teria campos magnéticos e seria vulnerável aos raios cósmicos. [Listverse]

Por Jéssica Maes
https://hypescience.com/

OS MAIS MÉDICOS E UMA HISTÓRIA REAL


João Elter Borges Miranda*, Pragmatismo Político

— Vamos falar com aquela senhora — ela disse, apontando com o dedo. — Agora — completou, com a voz mais forte, tocando-lhe o braço, porque, com apenas uma hora de caminhada, ela já pôde perceber que ele é um homem distraído.

Sim, distraído, quem sabe? Alguém provisório, talvez; alguém que, aos 26 anos, não tem nada, exceto por um leque de ansiedades e não é ainda exatamente nada. E essa magreza semovente de olhar de cachorro faminto, viu-se diante de Dona Zefa, catadora, moradora de um bairro periférico da Capital da Reaçolândia.

A mulher que o acompanhava é uma militante do MST. Sou das antigas, ela disse para mim — e riu. Seguíamos juntos com um grupo de camaradas fazendo o trabalho de formiguinha, decisivo no segundo turno das eleições presidenciais de 2018. Acenamos para a senhora, que com o olhar firme veio até nós. Um cartum: a figura dos militantes de esquerda aguardando serem recebidos por uma trabalhadora. Sim, há algo de belo nesta imagem. É um papel que representamos, os militantes apreensivos numa conjuntura em que os vermelhos correm risco de vida; a vida dura diante de nós, crianças chorando, cachorros latindo, porcos roçando o esgoto, o sol quente, o cheiro forte e a senhora que caminha em nossa direção com o passo firme de quem sabe aonde está pisando.

Era Dona Zefa, que mais perto nos presenteava com um sorriso e um olhar de curiosidade. Testemunhas de jeová?, deve ter se perguntado. Enquanto tirava as luvas, deu um bom dia exitante. Era feriado, o sol estava escaldante e tinha muito o que fazer até o fim do dia.

A camarada do MST começou o repertório de sempre. A fala é o seu território, de onde, percebi, só sai – e só quer sair, às vezes a contragosto – para tarefas específicas bem marcadas pelo movimento. Quando termina, Dona Zefa começa a falar, compartilhando conosco que é trabalhadora, é mãe, é avó, é aposentada e trabalha como catadora de recicláveis para complementar a renda. Tem as mãos marcadas por anos de trabalho duro. Ela repensa e repisa os anos passados, tentando entender o que aconteceu após os últimos 13 anos, enquanto o seu olhar migra das mãos para os nossos olhos, e vice-versa.

Para ela, ainda tudo é incerto, provisório, a semana paga com algumas notas e moedas miúdas, ninguém assina nada em lugar algum – mas cada dia de graça é uma desgraça, a cozinha deixa de fornecer alimentação. Emocionada, ela lembra do postinho de saúde do seu bairro, que nem remédio para todo mundo não tem mais. Agora eles até repartem as cartelas de remédio, ela lamenta. Como vou cuidar do meu neto que acabou de nascer? Do meu velho que é hipertenso?, ela completa.

Durante o instante de uma respiração, ficamos emocionados com uma tristeza que é paralisante e profundamente dolorosa. A camarada do MST, como sempre, toma a iniciativa e abraça Dona Zefa. Queria abraça-la também, mas sentia o meu corpo relutar como uma locomotiva saindo da estação, puxando atrás de si as toneladas de vagões; não conseguia fazer nada além de pequenos movimentos hesitantes.

Lembrei da Dona Zefa quando soube que, por conta das declarações ameaçadoras do nosso novo presidente, o ignóbil Jair Bolsonaro, Cuba decidi deixar o programa “Mais Médicos”. Na campanha, Bolsonaro afirmou que expulsaria os médicos cubanos. Na última quarta (14), afirmou que a “ditadura cubana” demonstra “irresponsabilidade” e explora os seus cidadãos.

Os ataques de Bolsonaro à Cuba está, como é de se esperar de alguém sem independência política e ideológica, na mesma linha do que tem feito e dito o presidente dos EUA, Donald Trump. Bom, já que Trump e Bolsonaro defendem tanto o rompimento com a “ditadura cubana”, poderíamos romper também com ditaduras como a da Arábia Saudita, né? Ditadura que proíbe mulheres de dirigir, que apedreja adúlteras até a morte, que é rica em petróleo…

Com a saída de Cuba do programa, são aproximadamente oito mil e quatrocentos médicas e médicos que deixarão de atender nos rincões e sertões do país. Algumas estimativas apontam que 367 cidades no país podem ficar sem nenhum médico na atenção básica. Segundo a Confederação dos Municípios, a saída de Cuba dos Mais Médicos afeta 28 milhões de pessoas.  

Ou seja, Bolsonaro ainda nem subiu a rampa do planalto e já está fazendo estrago, o que evidencia que o seu governo começou logo após o resultado do segundo turno. O Brasil de Bolsonaro é um país que persegue professoras e professores e expulsa médicas e médicos. Enquanto isso, a elite aplaude o seu herói. Fico me perguntando: o que Bolsonaro está pensando? Esse play boy acha que poderá mandar e desmandar no país sem receber resistência? Engana-se! É bom que esse militar medíocre e frustado trate de colocar a cabeça no lugar, ou ela vai rolar….

Na Capital da Reaçolândia, dos oitenta médicos que atendem na cidade, sessenta são cubanos. Quem será mais prejudicado, não seria necessária uma lupa, são pessoas como Dona Zefa, precarizadas. Bolsonaro diz que serão abertos novos editais para contratação de médicos brasileiros. Ela não pode esperar tanto. No fim das contas, a verdade é que, para o “mito”, plano de saúde de pobre é não ficar doente.

Enquanto os ricos recebem todos os holofotes, pessoas como Dona Zefa são tratadas como “desacontecimento”. Não estão nos jornais, nos telejornais, nas revistas. Não estão nos projetos messianicos daqueles que de fato mandam no país, os corruptores, o grande capital, os lobbies que, a todo momento, gestam a privatização não-oficial do Estado. As pessoas que mais sofrerão com o governo desse louco que alguns chamam de “mito”, não tem espaço no antiquário dos acontecimentos diários. Quando aparecem, são tratados como inimigos, estatísticas, desacontecimentos. Quando tratados e narrados, é sempre pela visão do letrado urbano euro-brasileiro. Quando tratados, são sempre o “outro” da sociedade brasileira. Ou, melhor, são os outros: o sertanejo, o retirante, o negro, o favelado.

Sonho com o dia em que o morro descerá e não será carnaval. Está por vir esse dia em que não haverá mais nós, sem nós. Como captou muito bem Emicida, “Favela ainda é senzala jão/Bomba relógio prestes a estourar”. As trabalhadoras e trabalhadores sabem que Bolsonaro, aplaudido pela elite, solta muitos fogos de artifício para esconder as suas garras que avançam contra a saúde pública, contra a educação pública. Dona Zefa compartilhou comigo que, quando jovem, ouviu pelo rádio do vizinho rico o golpe de 1964. E, agora, sabe que algo está acontecendo, novamente; sabe que a movimentação não será para melhorar, mas sim para piorar a vida dela e de sua família.

São pessoas como ela, com consciência de classe, que não se deixam enganar com o discurso fácil do político do patrão, que irão decompor o instituído. Essa energia destituinte se tornará revolucionária se cuidarmos para organizá-la, tirar do estado bruto e lhe dar plasticidade.

Ao contrário do que dizem, é no trabalho decisivo de organização das massas “de baixo para cima” que teremos a força motriz necessária para construir um admirável mundo novo que opere em outra lógica, mais justo, mais democrático, mais humano.

Viva Dona Zefa!

*João Elter Borges Miranda é professor de história formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, trabalha na rede pública do Estado do Paraná e milita na Frente Povo Sem Medo, Frente Ampla Antifascista e Intersindical. Email: recapiari636@gmail.com

A TERRA ESTÁ DEVORANDO SEUS PRÓPRIOS MARES



De acordo com um novo estudo da Universidade de Washington em St Louis (EUA), à medida que as placas tectônicas da Terra se chocam e mergulham uma na outra, arrastam três vezes mais água para o interior do planeta do que pensávamos anteriormente.

Usando os rumores sísmicos naturais da zona de subducção da Fossa das Marianas, onde a placa do Pacífico está deslizando sob a placa das Filipinas, os pesquisadores foram capazes de estimar a quantidade de água que é incorporada nas rochas que mergulham profundamente abaixo da superfície.

A descoberta tem grandes ramificações para a nossa compreensão do ciclo das águas profundas da Terra. A água abaixo da superfície pode contribuir para o desenvolvimento do magma e pode lubrificar as falhas tectônicas, aumentando a probabilidade de terremotos.

O estudo

A água é incorporada à crosta terrestre quando placas se formam, ou quando se dobram e racham. Este último processo, chamado de subducção, é a única forma pela qual a água penetra profundamente na crosta e no manto, mas pouco se sabe sobre a quantidade de líquido que se move durante o fenômeno.

Para tentar descobrir, os pesquisadores usaram dados coletados por uma rede de sensores sísmicos posicionados ao redor da fossa central das Marianas no oeste do Oceano Pacífico. A parte mais profunda fica a quase 11 quilômetros abaixo do nível do mar.

Os sensores detectam terremotos, e os ecos desses terremotos soam pela crosta terrestre como sinos.


Chen Cai, principal autor do estudo, e sua equipe rastrearam a rapidez com que esses ecos viajavam: uma desaceleração na velocidade indicaria fraturas cheias de água que fica presa em rochas e minerais.

Resultado

De fato, os pesquisadores observaram uma desaceleração profunda na crosta, cerca de 30 quilômetros abaixo da superfície.

Usando essas medidas de velocidade, junto com medidas conhecidas de temperatura e pressão, a equipe calculou que as zonas de subducção puxam 3 bilhões de teragramas de água para a crosta a cada um milhão de anos (um teragrama é um bilhão de quilos).

A água do mar é pesada; um cubo de um metro de comprimento em cada lado pesaria 1.024 kg. A quantidade puxada por zonas de subducção não é apenas gigantesca; também é três vezes mais do que se estimava.

E isso levanta algumas questões: essa quantidade de água deveria retornar à suficiente, geralmente no conteúdo de erupções vulcânicas. A nova estimativa de quanta água desce é maior do que a estimativa do quanto está sendo emitido por vulcões, o que significa que tem alguma coisa faltando nessa equação.

Mistério

Segundo Cai, não há falta de água nos oceanos. Isso significa que a quantidade de água arrastada para dentro da crosta e a quantidade de água expelida deveriam ser aproximadamente iguais.


O fato de que não são sugere que há algo sobre como a água se move através do interior da Terra que os cientistas ainda não entendem. “Muitos outros estudos precisam ser focados neste aspecto”, disse.

Um artigo com as descobertas do estudo foi publicado na revista científica Nature. [LiveScience]

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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

BOLSONARO DIZ QUE MANTERÁ TRABALHO COM STATUS DE MINISTÉRIO

Por Agência Brasil 



Bolsonaro fala à imprensa após encontro com o presidente do Superior Tribunal Militar, José Coelho Ferreira, em Brasília
Valter Campanato / Agência BrasiL

O presidente eleito Jair Bolsonaro disse hoje (13) que a pasta do Trabalho será mantido com o status de ministério. A afirmação ocorre depois de ele ter anunciado que a pasta seria extinta. "Vai continuar com o status de ministério, não vai ser secretaria", disse o presidente eleito depois de visitar o Superior Tribunal Militar (STM).

Mais cedo durante visita ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), Bolsonaro afirmou que a estrutura do ministério será absorvida por outra pasta, mas não indicou qual.

"Eu não sei como vai ser, está tudo com Onyx Lorenzoni [ministro extraordinário da transição] e mais algumas pessoas que trabalham nessa área, e temos tempo para definir”, disse o presidente eleito. “A princípio é o enxugamento do ministério, ninguém está menosprezando o Ministério do Trabalho, está apenas sendo absorvido por outra pasta."

Bolsonaro negou que o Ministério do Trabalho será agregado à Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) no futuro Ministério da Economia. “Indústria e comércio está lá no superministério do Paulo Guedes, botar mais o Trabalho lá acho que fica muito pesado."

O presidente eleito deixou o STF e seguiu de helicóptero até o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, onde está a equipe de transição para o novo governo. De acordo com assessores, ele ficou apenas alguns minutos no local e foi para o apartamento funcional na Asa Norte.

COMEÇOU A CENSURA, CAÇA ÀS BRUXAS FOI DECLARADA

'' FLEXITARIANISMO'' PODE SER UMA BOA PARA QUEM NÃO GOSTA TANTO ASSIM DE CARNES




A definição de flexitarianismo é “uma pessoa que normalmente não come carne, mas que ocasionalmente inclui carnes ou peixe”. O termo foi registrado pela primeira vez em 1998, e descreve pessoas que são “quase vegetarianas”.

Quem é flexitariano?



Os flexitarianos são aqueles que planejam refeições vegetarianas ao invés de pular o prato com carne de uma refeição convencional. Eles eliminam o consumo de carnes de forma consciente em pelo menos três dias da semana.


Já os semi-vegetarianos são pessoas que reduzem o consumo de carne, mas em dois dias ou apenas um dia da semana.


Os pesco-vegetarianos são aqueles que comem peixes e frutos do mar, mas não as outras carnes.

Ovo-lacto vegetarianos comem ovos e laticíneos, mas não comem carne de animais.

Veganos são aqueles que comem apenas alimentos que não têm origem animal. Eles estendem estes hábitos para outras áreas da vida, como vestimentas e cosméticos, que não podem ter origem animal ou ter sido testado neles.

Os Frutarianos comem apenas frutas e grãos.

Benefícios


Uma revisão de 25 estudos mostrou que há benefícios para a saúde associados a ser flexitariano. O peso fica mais controlado, assim como a pressão sanguínea. O metabolismo fica mais equilibrado e há menos risco de desenvolver diabetes tipo 2.



Perda de peso


Um experimento analisou o impacto de cinco dietas diferentes colocadas em prática por seis meses. Os pesquisadores dividiram os participantes em quatro grupos: veganos, vegetarianos, semi-vegetarianos e onívoros.

Aqueles com dieta vegana perderam mais peso (7,5% do peso inicial), seguidos pelos vegetarianos 6,3%). Todos os participantes dos outros grupos perderam 3% do peso.

Menos risco de morte


Um estudo que acompanhou por cinco anos 73 mil Adventistas do Sétimo Dia, que são frequentemente vegetarianos, concluiu que qualquer tipo de vegetarianismo está associado com um menor risco de morte por todas as causas, quando comparado com não-vegetarianos. Suas chances de ter câncer era menor do que os não-vegetarianos.

É importante lembrar que membros desta religião também não fumam e não bebem, o que tem como consequência uma melhor saúde.

O curioso é que em estudos que comparam os diferentes tipos de dietas, os pesco-vegetarianos foram os que tiveram menor risco de morte geral, seguidos pelos veganos e depois pelos ovo-lacto vegetarianos. Já os flexitarianos e semi-vegetarianos tiveram o mesmo risco que os não-vegetarianos.

Risco de câncer


Os pesquisadores observaram mais dados interessantes sobre este enorme grupo de Adventistas.

Os grupos vegetarianos têm uma menor chance de ter câncer do que os não-vegetarianos, mas as dietas diferentes trazem resultados diferentes: os ovo-lacto vegetarianos têm menos risco de câncer no sistema digestivo, enquanto os pesco-vegetarianos têm menos chance de ter câncer de intestino.

As mulheres veganas têm menor risco de câncer de mama e ginecológicos. Mesmo assim, todos os tipos de vegetarianos têm menos câncer de mama. Já quanto ao câncer de próstata, os veganos caucasianos tinham menor risco quando comparado com outros vegetarianos e não-vegetarianos.

Diabetes


Aqueles que comem mais vegetais, grãos e nozes e que bebem menos suco de frutas, bebidas açucaradas e comem menos grãos refinados, batatas, doces e derivados de animais tiveram 66% menos risco de diabetes.

Este é um lembrete de que tirar a carne do seu cardápio até pode ser bom, mas melhor ainda é cuidar da dieta como um todo, deixando os grãos refinados e doces de lado. [SBS]

Por Juliana Blume,
https://hypescience.com/

BRASIL VIRA MOTIVO DE PIADA NA IMPRENSA INTERNACIONAL APÓS ESCOLHA DE CHANCELER

Jornal “The Guardian” publicou reportagem, cujo título é: “Novo ministro das Relações Exteriores do Brasil acredita que mudança climática é uma trama marxista”

Por Redação


Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Ainda nem assumiu a presidência e Jair Bolsonaro e sua turma já fizeram o Brasil virar motivo de piadas na imprensa internacional. A “bola da vez” agora foi a escolha do diplomata Ernesto Araújo para ocupar o cargo de ministro das Relações Exteriores.


O tradicional jornal “The Guardian”, um dos mais respeitados da mídia britânica, divulgou, nesta quinta-feira (15), uma reportagem intitulada: “Novo ministro das Relações Exteriores do Brasil acredita que mudança climática é uma trama marxista”.

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“Ernesto Araújo – até recentemente um funcionário de nível médio que escreve sobre a ‘criminalização’ da carne vermelha, petróleo e sexo heterossexual – se tornará o principal diplomata do maior país da América do Sul, representando 200 milhões de pessoas e a maior e mais biodiversa floresta da Terra, a Amazônia. Sua nomeação, confirmada por Bolsonaro na quarta-feira, deve causar um arrepio no movimento climático global”, afirma o “The Guardian”.

O periódico inglês destaca que o Brasil recebeu a comunidade internacional pela primeira vez, em 1992, para debater reduções nas emissões de gases de efeito estufa. Além disso, os diplomatas brasileiros têm desempenhado um papel crucial na redução do fosso entre nações ricas e pobres, especialmente durante a construção do acordo de Paris em 2015.


“Mas quando o novo governo tomar o poder em janeiro, o Ministério das Relações Exteriores que lidera esse trabalho será encabeçado por um homem que afirma que a ciência do clima é meramente ‘dogma’”, acrescenta a matéria.

Jonathan Watts, autor da reportagem e editor de Meio Ambiente Global do jornal, compartilhou o texto em seu Twitter:


Brazil’s new foreign minister believes climate change is a Marxist plot https://t.co/MffT11y1XP

— The Guardian (@guardian) 15 de novembro de 2018

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PRESIDENTE DO TRF4 ASSINA EXONERAÇÃO DE SÉRGIO MORO

O pedido foi encaminhado por Moro, convidado para assumir o Ministério da Justiça no governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro
Por Agência Brasil


Sérgio Moro: Juiz argumentou que pretende “organizar a transição e as futuras ações do Ministério da Justiça” (Adriano Machado/Reuters)

O presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), desembargador Thompson Flores, assinou hoje (16) a exoneração do juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em 1º grau. O pedido foi encaminhado por Moro, convidado para assumir o Ministério da Justiça no governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

Thompson Flores recebeu na manhã desta sexta-feira (16) o pedido de exoneração. O prazo de vigência da medida é a partir de segunda-feira (19).

Moro argumentou que pretende “organizar a transição e as futuras ações do Ministério da Justiça”. “Houve quem reclamasse que eu, mesmo em férias, afastado da jurisdição e sem assumir cargo executivo, não poderia sequer participar do planejamento de ações do futuro governo”, diz o juiz no pedido.

O juiz federal citou seu orgulho por ter exercido a magistratura por mais de duas décadas. “Destaco meu orgulho pessoal de ter exercido durante 22 anos o cargo de juiz federal e de ter integrado os quadros da Justiça Federal brasileira, verdadeira instituição republicana.”


Sérgio Moro foi convidado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, para assumir o Ministério da Justiça, cujo foco será concentrado em duas frentes: o combate à corrupção e ao crime organizado. A pasta deverá agregar o Ministério da Segurança Pública e parte do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

DEPRESSÃO: CIENTISTAS DIZEM TER ENCONTRADO NOVA FORMA DE TRATAMENTO


SAÚDE


O Cientistas da Northwestern Medicine mostraram ser possível manipular um novo alvo no cérebro utilizando uma terapia genética que poderá, potencialmente, levar a novos tratamentos para depressão.

Eles afirmaram ter conseguido realizar a diminuição de um conjunto de proteínas-canal HCN que está associada ao comportamento depressivo em ratos. Agora, se replicada em humanos, as descobertas poderão ter efeitos benéficos em milhões de pacientes que não são capazes de responder aos tratamentos existentes para depressão.

“As drogas atualmente disponíveis para o tratamento ajudam a maioria dos pacientes, mas eles param de funcionar eventualmente em alguns deles e chegam a não fazer qualquer efeito em outros”, disse o autor sênior do estudo Dr. Dane Chetkovich, professor de neurologia e fisiologia no Northwestern University Feinberg School of Medicine. “Há uma necessidade real de novas terapias para ajudar esses pacientes desesperados por opções terapêuticas alternativas e disponíveis”.

A maioria dos antidepressivos existentes no mercado afetam o humor e as emoções das pessoas, aumentando os níveis de neurotransmissores, chamados monoaminas – ou seja, a serotonina, dopamina e norepinefrina. O fato de que essas drogas não são eficazes para muitos dos pacientes sugere que há mecanismos adicionais subjacentes da depressão que ainda precisam ser descobertos.

Em uma pesquisa anterior, o laboratório de Chetkovich, e outros, mostraram que esses mecanismos podem envolver uma região do cérebro chamada hipocampo, responsável pela aprendizagem, memória e regulação emocional. Logo, eles viram nela mudanças nas proteínas-canais HCN, normalmente envolvidas em controlar a atividade elétrica das células do coração e do cérebro, mas que também desempenham um papel crítico em comportamentos ligados à depressão.

No novo estudo, publicado este mês na revista Molecular Psychiatry, Chetkovich e sua equipe tomaram medidas para traduzir essa ideia em uma terapia genética em potencial a partir de ratos. Assim, eles injetaram cirurgicamente vírus não tóxicos nos animais, manipulados para expressar um gene que desliga a função da proteína-canal HCN, diretamente nos neurônios do hipocampo. Segundo ele, quando ela parou de funcionar, os ratos passaram a se comportar como se tivessem sido medicados com antidepressivos.

Para medir esse comportamento depressivo, os cientistas analisaram como os ratos tentavam escapar de um ambiente antes de desistir – um teste comumente utilizado pela indústria farmacêutica para testar a eficácia de medicamentos depressivos. Em pesquisas futuras, os cientistas planejam se concentrar na abordagem da terapia genética viral em seres humanos e no momento já têm subsídio do Instituto Nacional de Saúde Mental, dos EUA, para fazê-lo.

de Merelyn Cerqueira 

[ Bio Science Technology ] [ Foto: Reprodução / Pixabay ]

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

EXTINÇÃO DO PROGRAMA MAIS MÉDICO GERARÁ UM DESASTRE AO PAÍS

O ex-ministro Alexandre Padilha, criador do Mais Médicos, fala do desastre da extinção do programa

Publicado por Pedro Zambarda de Araujo

terça-feira, 13 de novembro de 2018

CRISE ECONÔMICA NÃO ACABARÁ PARA OS MAIS POBRES

O Brasil voltou a praticar uma política econômica que baseia o crescimento econômico na diminuição de custos através da redução dos gastos das empresas com os trabalhadores



Wallison Ulisses Silva dos Santos*,

Seja na sala de aula, seja na mesa de bar ou no ônibus a caminho do trabalho todos querem a resposta para a seguinte pergunta: Quando acabará essa crise econômica do Brasil?

Baseados nas políticas econômicas do governo brasileiro podemos concluir que a resposta será extremamente positiva para alguns e muito ruim para outros.

O Brasil voltou a praticar uma política econômica que baseia o crescimento econômico na diminuição de custos através da redução dos gastos das empresas com os trabalhadores. Em outras palavras com a terceirização e a reforma trabalhista o trabalhador ganhará menos e isso resultará em redução dos custos das empresas.

Alguém atento a cenários econômicos poderia pensar: Mas isso não afeta o mercado interno? A resposta é sim. De fato esses mesmos trabalhadores que recebem menos são os consumidores que por esse mesmo motivo compram menos. Todavia devemos lembrar que esse modelo que está sendo implantado no Brasil é um modelo de crescimento exógeno e por isso não existe essa preocupação com o mercado interno.

As empresas terão custos reduzidos e suas vendas internas reduzidas, porém poderão vender seus produtos no mercado internacional a um preço menor. Essa estratégia é usada atualmente na China e em muitos países da América Latina, Ásia e África.

Um país que queira crescer com base no mercado interno deve preocupar-se em desconcentrar renda e aumentar a disponibilidade de crédito, mas se a escolha for pelo mercado externo, basta reduzir os custos das empresas e nesse caso o trabalhador será o que pagará o pato.

Some a isso as reduções nos gastos com políticas sociais, a reforma da previdência, o congelamento dos gastos com saúde e educação e a reforma do ensino médio que ficará fácil perceber que o Brasil voltou a crescer para os ricos a base do suor dos mais pobres.

*Wallison Ulisses Silva dos Santos é graduado em Economia pela UFMT e em Administração pela UNIP, mestre em Economia pela UFMT, coordenador e Professor da Faculdade INVEST Cuiabá e colabora para Pragmatismo Político

Fernando Bittar reafirma que é dono do sítio de Atibaia e diz que obras foram “superdimensionadas” na denúncia

Fernando Bittar reafirmou em depoimento à juíza Gabriela Hardt nesta segunda-feira que o sítio de Atibaia é de sua família e que foi emprestado a Lula e à mulher dele, Marisa Letícia, falecida.

Negou ser laranja de Lula e disse que as obras feitas na propriedade eram para abrigar o acervo presidencial trazido de Brasília.

– Na minha cabeça, eles iam pagar, afirmou Bittar, ao ser perguntado se tinha ideia do valor das reformas.

Segundo Bittar, Jonas Suassuna comprou a outra parte do sítio apenas para ajudá-los, já que o antigo proprietário só vendia as duas partes juntas.

Bittar, que chama a ex-primeira dama de “tia”, afirmou que as duas famílias são amigas há 40 anos e que Lula e Marisa levaram o pai dele, Jacó Bittar, para morar em Brasília quando foi diagnosticado com mal de Parkinson.

Achou normal quando o pai, que havia lhe pedido para comprar o sítio, decidiu emprestá-lo a Lula.

Segundo ele, as obras foram “superdimensionadas” na denúncia.

“São quartos simples, feitos com material de segunda. A adega não é uma adega; é um quarto de empregada. Não foi uma adega de cinema, nada disso; foi um quarto adaptado”, relatou.

Fernando Bittar em depoimento à juíza Gabriela Hardt