sábado, 14 de julho de 2018

POSSÍVEL FRAGMENTO MAIS ANTIGO DA ''´ODISSEIA '' DE HOMERO É DESCOBERTO NA GRÉCIA


Arqueólogos descobriram um tablete de argila que pode ser um dos mais antigos fragmentos escritos da “Odisseia” de Homero.

O achado ocorreu em Olímpia, lar de um dos mais importantes santuários religiosos da Grécia antiga, e local das Olimpíadas originais.

O Ministério da Cultura grego anunciou que a placa de terracota contém 13 versos do poema épico. Ela foi descoberta em uma pilha de telhas, tijolos, pedras e outros vestígios do período romano, não muito longe do Santuário de Olímpia.

Os pesquisadores ainda estão trabalhando em uma interpretação do tablete e seu propósito, embora acreditem que tenha sido criado antes do terceiro século dC.

Santuário

De 2015 a 2017, o Ministério da Cultura da Grécia ao lado de diversos pesquisadores alemães guiou um projeto de pesquisa geoarqueológica para investigar a área em torno dos templos religiosos e edifícios que compõem o Santuário de Olímpia.

“O tablete não pode ser diretamente conectado ao santuário, pelo menos por enquanto, pois não foi encontrado dentro de seus limites”, disse Erophili Kollia, arqueóloga do Ministério da Cultura e diretora do projeto, ao portal Live Science. “Além disso, não há paralelo de uma oferenda semelhante no santuário”.


A inscrição contém os primeiros 13 versos da 14ª rapsódia da “Odisseia”, e representa o mais antigo fragmento escrito conhecido com os versos de 1 a 8.

O texto recém-descoberto tem algumas pequenas diferenças em relação a versões posteriores, mas os cientistas não deram detalhes, uma vez que o estudo ainda está em andamento.

A 14ª rapsódia

Na 14º rapsódia da “Odisseia”, Ulisses chega à sua casa, Ítaca, após uma jornada de 10 anos depois de sua participação na Guerra de Tróia, e se dirige a seu fiel servo Eumaeus, que não o reconhece.

Uma das mais antigas obras existentes na literatura ocidental, acredita-se que a “Odisseia” foi composta por Homero no século VIII aC.

O poema épico foi transmitido através da tradição oral até que suas 12.000 linhas foram registradas por escrito. [LiveScience]

sexta-feira, 13 de julho de 2018

LULA ATINGE MAIOR PATAMAR NA PESQUISA XP/IPESPE EM 30% NAS INTENÇÕES DE VOTO

De Marcos Mortari no site InfoMoney.

No calor do imbróglio jurídico que quase culminou em sua soltura no último domingo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viu o nível de apoio à sua candidatura atingir o maior patamar em um mês. Segundo pesquisa feita pelo Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas) entre 9 e 11 de julho, a oitava por encomenda da XP Investimentos, o líder petista tem 30% das intenções de voto na única simulação de primeiro turno que considera sua candidatura. Condenado em segunda instância pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro e preso há mais de três meses, Lula corre risco de ver sua candidatura barrada pela Lei da Ficha Limpa.

O desempenho de Lula representa uma oscilação positiva de 2 pontos percentuais em relação ao levantamento da semana anterior, dentro da margem de erro máxima de 3,2 pontos percentuais para cima ou para baixo da pesquisa. Foi a terceira vez que Lula atingiu 30%, sua máxima na série XP/Ipespe, iniciada em maio. Logo atrás neste cenário, aparece o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), com 20% das intenções de voto, mesmo patamar da semana anterior. A ex-senadora Marina Silva (Rede) tem 10%, ao passo que os ex-governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e do Ceará, Ciro Gomes (PDT), aparecem com 7% cada. Brancos, nulos e indecisos somam 15%.

Como o movimento de Lula se deu dentro da margem de erro, é necessário monitorar o desempenho do petista nas próximas pesquisas para saber se, de fato, ele cresceu. Mesmo que sua candidatura seja avaliada como improvável no meio político, o desempenho do ex-presidente pode ser importante indicativo de seu poder de transferência de votos na disputa.

Bolsonaro lidera em todos os demais cenários de primeiro turno testados, com vantagem entre 9 e 10 pontos percentuais em relação ao segundo colocado. Com os resultados, se a eleição fosse hoje, não seria possível cravar quem seria seu adversário. No cenário mais indefinido e que possivelmente melhor projeta a largada da corrida presidencial, quatro candidatos aparecem tecnicamente empatados: Marina Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad (PT), mediante apoio de Lula. O ex-prefeito de São Paulo salta do patamar de 2% das intenções de voto para 12% com a simples inclusão da informação de que seria o nome apoiado por Lula, em um exercício que testa o poder de transferência de votos do ex-presidente. 

(…)

Lula. Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

MBL RECLAMA DE '' CENSURA NO FACEBOOK'' APÓS EXCLUSÃO DE PÁGINA

Página de apoio ao MBL é excluída do Facebook e movimento reclama de "censura" e "perseguição". Segundo o grupo extremista, fanpage foi derrubada por “expor a hipocrisia do ator Bruno Gagliasso”



Nesta quarta-feira (11), o Movimento Brasil Livre (MBL) divulgou uma nota para reclamar da derrubada de uma de suas principais páginas no Facebook, a “Corrupção Brasileira Memes”.

A fanpage “humorística” tentava passar a impressão de ser imparcial, mas era administrada por integrantes do grupo liderado por Kim Kataguiri e Fernando Holiday.

Na nota, o MBL fala em “operação cala-boca do Facebook”. Segundo o grupo, a rede social de Mark Zuckerberg protege canais de esquerda e persegue a direita.

“As redações de jornais, televisão e grande mídia em geral são dominadas pela patrulha da esquerda. O que poucos sabem é que essa gente também controla o Facebook”, reclama o MBL.

O MBL diz que a página “Corrupção Brasileira Memes” foi tirada do ar por “expor a hipocrisia do ator Bruno Gagliasso que defendia o linchamento público de YouTubers por discurso de ódio, mas praticava homofobia e machismo em posts antigos”.

Para reforçar a tese de que estão sendo perseguidos, os meninos de extrema-direita citam nominalmente, na nota, Olavo de Carvalho e Jair Bolsonaro.

“O filósofo Olavo de Carvalho tem se queixado do alcance da queda de suas publicações. O mesmo se aplica a Jair Bolsonaro. Nossa página do MBL sofreu um corte drástico de audiência nos últimos meses, com o alcance despencado”, assinala a nota.

Evidentemente, a teoria do MBL é falaciosa. Pragmatismo Político e outras páginas de cunho progressista também enfrentam a mesma perda de alcance no Facebook e, consequentemente, declínio de audiência oriundo daquela rede social.

Desde janeiro, uma mudança drástica anunciada oficialmente no algoritmo do Facebook reduziu o alcance orgânico de fanpages e passou a favorecer posts de amigos, familiares e grupos. Não foi a primeira vez e talvez não seja a última.

Ao comentar a reclamação do MBL, o senador Lindbergh Farias ironizou: “A piada do dia é a nota do MBL dizendo que o “movimento” é vítima de “perseguição” pelo Facebook! Ah, Zuckerberg, seu comunista disfarçado… é rir pra não chorar”.

DIAS TOFFOLI É ALVO DE 'FAKE NEWS' NAS VÉSPERAS DE ASSUMIR PRESIDÊNCIA DO STF


Os cães de aluguel de especuladores, travestidos de mídia, atacam “preventivamente” o ministro Dias Toffoli nas vésperas de assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF).


Michel Temer viajará na segunda quinzena de julho para Cabo Verde (17 e 18), México (23 e 24) e África do Sul (25 a 27). A presidência da República ficará a cargo de Cármen Lúcia, presidenta do STF, haja vista que os presidentes da Câmara e do Senado não podem substituir o Vampirão Neoliberalista em virtude da lei eleitoral (eles ficariam inelegíveis).

Pois bem, na condição de vice Dias Toffoli assumirá a presidência do STF. É dele a competência durante o recesso de decidir sobre novos recursos como, por exemplo, habeas corpus. E é aí que dá dor de barriga na cachorrada.

Os setores golpistas na mídia, no judiciário e na banca financeira teme que Toffoli repita o desembargador do TRF4, Rogério Favreto, libertando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há “plausibilidade” de sobra para a soltura do petista, bem como precedentes recentes. Vide os casos dos ex-ministros José Dirceu e Henrique Alves.
DO BLOG DO ESMAEL

COMO COMBATER A INFLUÊNCIA DE 'BOTS' E 'FAKE NEWS' NAS ELEIÇÕES?

Robôs e notícias falsas exploram divisões da sociedade para manipular opiniões e sufocar o debate de temas importantes nas redes sociais


Twitter e Facebook já agiram para combater notícias falsas, mas ainda podem fazer mais

Desde a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, no fim de 2016, o uso de notícias falsas em redes sociais para manipular a opinião pública tornou-se uma preocupação em diversos países, incluindo o Brasil. Com a proximidade do pleito presidencial de outubro, há no Congresso diversos projetos de lei para coibir essa prática.

Além das chamadas fake news, robôs ou bots também têm sido utilizados para tentar influenciar eleições. São programas de computador que realizam tarefas automatizadas, como seguir perfis de candidatos e compartilhar conteúdos em redes sociais para que pareçam mais populares.

Os principais líderes da disputa presidencial brasileira possuem entre seus seguidores no Twitter milhares de bots, segundo um levantamento da ONG InternetLab. Tanto notícias falsas quanto bots prosperam ao explorar a polarização social para fins eleitorais, destacam especialistas.

"Quando recebemos informações sobre as divisões da sociedade, isso alimenta nossos vieses de confirmação e crenças pré-existentes. Eles [bots e fake news] exploram essa parte da natureza humana", explica Samantha Bradshaw, pesquisadora do Projeto de Propaganda Computacional da Universidade de Oxford, grupo que investiga como algoritmos e automação são utilizados nas redes sociais para manipular a população.

De acordo com pesquisa da agência We Are Social, 87,7% dos brasileiros são usuários ativos de redes sociais no Brasil e podem ser expostos a notícias falsas e bots. Atores escusos apostam na frustração de parte da população com o establishment para ganhar terreno.

"Penso nessa batalha como uma luta global entre democracia e autocracia. A democracia é uma escolha melhor, mas em todos os países há elementos antidemocráticos com os quais as pessoas estão justificadamente irritadas. E isso pode ser explorado", afirma Nick Monaco, pesquisador em desinformação no Laboratório de Inteligência Digital do Instituto para o Futuro (EUA) e no Projeto de Propaganda Computacional, além de ex-integrante do Jigsaw, think tank do Google.

Combate a notícias falsas

Para combater as fake news, o Facebook fez parcerias com agências de checagem de fatos em 14 países, incluindo Brasil, Estados Unidos e México. Essas agências verificam conteúdo suspeito e são certificadas pela International Fact-Checking Network (IFCN), uma organização apartidária que garante imparcialidade e transparência dos verificadores.

A iniciativa do Facebook já ajudou a reduzir o alcance orgânico de fake news na plataforma em até 80%. O Brasil, contudo, foi o único país a registrar ação virulenta contra a medida. Grupos que se autodenominam liberais e de direita atacaram profissionais das agências Lupa e Aos Fatos, parceiros da rede social, acusando-os de serem "esquerdistas".

"Lidar com notícias falsas é complexo, porque é difícil dizer objetivamente o que é verdadeiro. É claro que existem fatos, mas quando se trata de política, as coisas são muito polarizadas, e muitos valores são usados para tomar decisões sobre a democracia", argumenta Bradshaw.

Há, entretanto, formas de combater a desinformação sem retirar conteúdos do ar, como educar usuários e fornecer mais informações sobre anunciantes.

"Tem ocorrido uma grande pressão para publicidade transparente em plataformas políticas, o que é simples de implementar. Se soubéssemos que um anúncio no Facebook foi pago por uma organização, isso faria com que questionássemos quem o financia e suas motivações", diz Monaco.

O impacto dos bots

No passado, políticos utilizavam bots para ganhar mais seguidores e espalhar seus conteúdos. Atualmente, os robôs têm funções mais manipuladoras.

"Bots podem amplificar algo para abafar certas vozes ou debates, além de espalhar mensagens para colocá-las entre as tendências e em melhor posição em buscas do Google. Eles ajudam a burlar o sistema", diz Bradshaw.

Bots têm ainda sido usados para atacar opositores ou jornalistas, com a intenção de silenciá-los e de criar a percepção de legitimidade pública às agressões.

"Vemos isso muito na Turquia, com campanhas de trolling patrocinadas/endossadas pelo Estado contra jornalistas, incluindo ameaças de morte e estupro feitas por bots", afirma Monaco.

O México é um exemplo de onde bots suprimem o debate. "A partir de 2012, trending hashtags foram empurradas para fora dos assuntos do momento por bots, para frustrar a organização política. Esse é um exemplo poderoso de supressão de dissenso, de protestos e de liberdade de expressão por meio da automação", aponta Monaco.

No contexto de eleições, os bots semeiam confusão e "envenenam" hashtags populares, tornando-as menos relevantes, por exemplo, ao tuitá-las com fotos de gatos.

Embora um estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT) indique que humanos divulgam notícias falsas no Twitter de forma muito mais rápida do que bots, esses robôs também espalham fake news.

"Alguns bots tentam entrar em redes de pessoas reais para serem vistos como usuários legítimos. Eles não vão retuitar algo 100 vezes, mas enviam estrategicamente notícias falsas que acabam compartilhadas por humanos. É quando os bots são realmente efetivos, pois conseguiram que uma pessoa lesse a história ao invés de apenas compartilhá-la em sua própria rede isolada de bots", conclui Bradshaw.

O Twitter já fez mudanças para limitar o impacto de notícias falsas e bots. A empresa proibiu a divulgação de conteúdo idêntico por várias contas do TweetDeck, um aplicativo para gerenciar tuítes, além de vir removendo contas suspeitas.

"Gostaria de ver o Twitter tornando bots transparentes, marcando-os com um pequeno bot emoji. Isso não seria difícil e teria benefícios tangíveis", afirma Monaco. "Se você visse que algo foi retuitado por 10 mil bots e três humanos, seria mais crítico.

por Deutsche Welle

quarta-feira, 11 de julho de 2018

MULHER QUE APANHA DO MARIDO HÁ 11 ANOS FAZ DESABAFO: ''CANSEI DE ME CALAR''

“Cansei de me calar. Estou aqui para quem quiser ver. Meu ex-marido acabou de quebrar meu nariz”. Espancada na frente dos filhos, mulher que sofre violência há 11 anos decide dar um basta. Mesmo assim, houve ainda quem culpasse a vítima


Agredida covardemente pelo ex-marido, a maquiadora Jackeline Mota publicou nas redes sociais uma imagem chocante da violência que sofreu.

A mulher teve o nariz quebrado após levar um soco. Tudo ocorreu diante dos filhos. A postagem com o relato das agressões recebeu milhares de curtidas e compartilhamentos.

“Cansei de me calar. Estou aqui na UBS para quem quiser ver. Meu ex-marido acabou de quebrar meu nariz”, escreveu Jackeline.

Com a repercussão do post, a mulher fez outra publicação em que contou mais detalhes sobre a relação com o ex-marido e disse que apanhou durante 11 anos.

“Vocês acham que eu gostava de apanhar? Vocês acham que eu era feliz sendo traída e ofendida com os piores nomes possíveis?”, questionou.

Ela disse que tentou por fim ao relacionamento antes, mas nunca conseguia.

“Por várias vezes tentei me separar, mas aí a perseguição era tanta, e não atingia só a mim, era meu trabalho, minha família… Diante das perseguições eu acabava voltando, até que depois de 11 anos encontrei forças em Deus pra criar coragem e sair daquela situação.”

Por fim, ela deixou um alerta para as mulheres que vivem em um relacionamento abusivo: “Mulheres, não se calem. Não tenham medo. Se o medo for da morte, entendam que vocês que vivem uma situação destas dentro de casa estão com a alma morta em um corpo que apenas existe, não vive.”

Jackeline registrou um boletim de ocorrência sobre a agressão. Após passar pela Unidade de Pronto Atendimento de Araçariguama ela aguarda vaga para fazer uma cirurgia no Centro Hospitalar de Sorocaba (CHS).

O agressor de Jackeline é Carlos Henrique Evangelista de Oliveira. Ele é assessor de um vereador da cidade de Araçariguama (SP).



O BATON NA CUECA QUE FALTAVA PARA DESMASCARAR SERGIO MORO

Quando tudo parecia perdido, Lula encarcerado e eleições à porta, eis que uma ação expôs de maneira cabal, inquestionável, a suspeição de Moro, seja por se comportar como inimigo de Lula ou como interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das partes



Miguel Enriquez, DCM

Ironia das ironias do circo que virou o Brasil.

O juiz Sergio Moro, da Lava Jato, está há mais de 4 anos a vasculhar vidas, as casas, as famílias, as contas, os celulares, os iPads de filhos e netos de Lula e de quem quer que um dia tenha gozado de sua amizade.

Tudo em busca de uma mísera prova para sepultá-lo.

Sem provas, mas com o apoio de setores conhecidos e outros nem tanto da sociedade, Moro tem desafiado quem quer que seja, atropelado instâncias, ignorado competências, desrespeitado a Constituição para alcançar o seu intento.

Suas ações enquanto representante da lei despertaram incredulidade em boa parcela da comunidade jurídica nacional e internacional.

Um novo direito, surgido das canetas do juiz de Curitiba, nasceu e os cidadãos condenados com base nessa doutrina nada podem fazer.

Ou quase nada. Tamanha dedicação e evidente arbítrio, ignorados por aqueles que tem o dever e poder de conter abusos de juízes de instâncias inferiores, como é o caso de Moro, levaram o juiz à sensação de intocável e irretocável.

Com sua suspeição arguida por dezenas de vezes nos autos dos processos, amplamente denunciada nas Cortes nacionais e internacionais, mas pouco noticiada pela imprensa parceira, virou quase piada entre os investigadores da operação.

Arguir a suspeição de Moro e expôr a parcialidade do juiz é obrigação da defesa de Lula e evidências não faltam, mas elas não tinham sido suficientes, até o último domingo, para que STJ ou STF tomassem alguma providência.

A suspeição é algo difícil de ser provada. Cabe, incialmente, ao próprio juiz acatar o pedido e declarar-se suspeito, ou a quem a denuncia, provar.

Segundo o art. 145 do novo CPC: “Há suspeição do juiz [quando] amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados”.

E por esse inciso pode-se alegar que a esposa de Moro, Rosângela Moro, foi sócia em escritório de advocacia de Carlos Zucolotto Júnior, o advogado acusado por Rodrigo Tacla Duran de cobrar US$ 5 milhões para intermediar um acordo com o MPF, reduzindo pena e multa para o operador da Odebrecht.

Moro já declarou que Zucolotto é seu íntimo. As provas não faltam, como as fotos da dupla curtindo um show de rock, indo a estréia no cinema ou compartilhando tragos e cantando ao lado de Fagner.

domingo, 8 de julho de 2018

'' EM 28 ANOS DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL JAMAIS VI COISA IGUAL''

DIZ, Flávio Dino sobre reação de Sérgio Moro ao TRF4: 

Do governador Flávio Dino, que é advogado, em sua fanpage no Facebook:

No tempo em que havia alguma consistência e coerência no Direito praticado no Brasil, somente órgão colegiado do TRF 4ª Região poderia revogar ordem de Habeas Corpus deferida por desembargador. Com a ultrapolitização da Justiça, aí temos esse vale-tudo deplorável.

Nesse mesmo tempo passado, um juiz de 1º grau não impedia cumprimento de decisão de Tribunal de 2º grau. Qualquer que fosse ela, certa ou errada. Em 28 anos de atuação profissional jamais vi coisa igual.

Nesse mesmo tempo passado, só havia um desembargador de plantão, previamente designado e mediante publicação antecipada. Agora vale-tudo e prevalece a lei do mais forte, mesmo que isso seja a morte do Direito.


Consequências políticas desse amontoado de casuísmos: baixa credibilidade nas instituições; quebra da legitimidade do poder do Estado; esvaziamento das eleições; acirramento dos conflitos sociais. Basta ler as pesquisas de opinião para constatar.

SERGIO MORO COMETE CRIME AO DESOBEDECER ORDEM DE DESEMBARGADOR

Sergio Moro não obedece ordem de desembargador do TRF-4 e mantém ex-presidente Lula preso. Para juristas, desobediência do juiz da Lava Jato é "crime institucional passível de prisão"



“Isso é um absurdo, nunca vi isso, em 30 anos de advocacia criminal. Desconheço em qualquer livro de Direito Processual Penal um juiz se recusar a cumprir uma decisão de um tribunal superior, um juiz de piso recusar, afrontar, desafiar a decisão de um desembargador federal.”

Essa é a avaliação do advogado criminalista e doutor em Ciências Penais pela UFMG, Leonardo Isaac Yarochewsky, sobre a decisão do juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, de não cumprir a decisão do desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, de soltar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O jurista Celso Antonio Bandeira de Mello considera a conduta do juiz de primeira instância passível de ordem de prisão: “O desembargador Rogério Favreto deve entrar com ordem judicial determinando a prisão do juiz Sérgio Moro, por desacato à decisão judicial de instância superior”, disse Bandeira de Mello à RBA.

Em despacho, Moro – que se encontra em férias e não poderia tomar essa decisão – afirmou que “o Desembargador Federal plantonista, com todo respeito, é autoridade absolutamente incompetente para sobrepor-se à decisão do Colegiado da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e ainda do Plenário do Supremo Tribunal Federal”, disse Moro, em seu despacho.” Após a manifestação de Moro, o desembargador Rogério Favreto, do TRF4, fez outro despacho reiterando a sua decisão para a soltura de Lula.

Segundo Yarochewsky, não cabe a Moro decidir se um juiz de instância superior tem competência processual para decidir a respeito do caso. “Se a decisão vai prevalecer ou não é uma questão do tribunal regional federal, de tribunais superiores, mas a um juiz de piso não cabe isso”, afirmou.

“Ele (Moro) não tem mais jurisdição sobre esse caso porque ele já julgou, condenou, a defesa (do ex-presidente Lula) interpôs recurso, o TRF 4 julgou esse recurso e há outros que serão interpostos a tribunais superiores. Moro já perdeu a jurisdição, isso é importante de ser dito.”

A postura do juiz da 13ª Vara Federal evidencia, para o jurista, a suspeição do magistrado para julgar casos relativos a Lula. “O Moro é extremamente suspeito para julgar qualquer caso referente ao ex-presidente. “Ele põe o caso embaixo do braço e leva para a vida inteira”, aponta. “Se um juiz se recusa a cumprir a decisão de um tribunal, o que dirá um cidadão comum? O juiz deveria dar o exemplo.”

“Vamos inverter a situação, o Moro mandar prender ou soltar uma pessoa e a polícia se recusa, o que iria acontecer com o policial? Aqui a questão não é política, é extremamente jurídica”, pontua Yarochewsky, para quem a postura exige a manifestação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a conduta de Moro.

“O CNJ tem que tomar um providência, isso é muito grave, pode causar uma crise na magistratura, um reflexo em todo o país, já imaginou se os juízes começam a se rebelar e parar de cumprir decisões de um tribunal? Espero que a presidenta do CNJ, Cármen Lúcia, se manifeste, isso é uma crise institucional.”
ENTENDA O CASO

O Desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), acatou recurso de deputados do Partido dos Trabalhadores e determinou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja libertado imediatamente, ainda hoje (8), por não haver fundamento jurídico para sua prisão.

Favreto concedeu Habeas Corpus ao pedido apresentado por Wadih Damous (PT-RJ), Paulo Pimenta(PT-RS) e Paulo Teixeira (PS-SP). Os parlamentares argumentam que Lula deveria ser libertado imediatamente por não haver fundamentos jurídicos para sua prisão.

Pimentel e Damous estão desde as 6 deste domingo na Polícia Federal de Curitiba, aguardando a saída. Em vídeo publicado no Facebook, eles explicaram os trâmites do processo e denunciaram que o juiz de primeira instância, Sergio Moro, está operando para tentar impedir o cumprimento da decisão judicial.

“Estamos aqui já há mais de quatro horas aguardando para que o alvará seja cumprindo. Isso é muito grave! O ex-presidente Lula está sendo mantido preso aqui ilegalmente. Essa decisão tem de ser cumprida imediatamente”, declarou Paulo Pimenta.

“É uma insubordinação comandada pelo juiz Sergio Moro e envolve o delegado da Polícia Federal que está se negando a cumprir decisão do desembargador. Descumprir ordem judicial é crime”, completou o deputado Wadih Damous.

O juiz Sérgio Moro, porém, afirma que o desembargador Favreto não tem competência para decidir no caso, “atropelando o STF e desconsiderando o relator Gebran Neto”.

A posição de Moro é condenada por juristas. “O desembargador deve entrar com ordem judicial determinando a prisão do juiz Sérgio Moro, por desacato à decisão judicial de instância superior”, disse o jurista Celso Antonio Bandeira de Mello.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, convocou toda a militância a ir para a sede da Polícia Federal, em Curitiba, para pressionar os delegados a cumprirem a determinação do desembargador.

“Todos a Curitiba. Lula é preso político e está sendo mantido sob cárcere de maneira irregular. Não há competência para Moro impedir a soltura. Moro descumpre decisão da Justiça”.

Rede Brasil Atual

POR TRÁS DO GLAMOUR DAS MISSÕES ROCAMBOLESCAS, A POLÍCIA FEDERAL TEM ROTINA DE ÓDIO, ASSÉDIO MORA E FALTA DE ESPIRITO DE CORPO, DIZ AGENTE

O elenco do filme da PF

Publicado no Jornal do Brasil

POR SANDRO ARAÚJO, agente da Polícia Federal e vereador de Niterói pelo PPS

Imagens de carros importados pretos com letras douradas com policiais federais uniformizados no mesmo padrão, cumprindo suas missões, seja na Lava Jato, seja na Calicute ou outra operação com nome pitoresco tornaram-se ícone no país. Isso é fato.

Por trás do glamour das missões rocambolescas, porém, o que não se mostra é a rotina de ódio, assédio moral e falta de espírito de corpo que atinge a esmagadora maioria dos policiais federais de todo o Brasil. Sob o manto de uma das instituições mais respeitadas, esconde-se outra realidade: o atraso, o anacronismo e a hostilidade. Não por acaso, um terço da corporação sofre de depressão e outros problemas psiquiátricos. Um ambiente emocionalmente insalubre.

Sonho de muitos, a carreira policial federal, ao contrário do que o imaginário midiático induz a acreditar, agoniza. De um lado, agentes, escrivães e papiloscopistas lutando por uma carreira única, que insira a Polícia Federal brasileira no rol das polícias investigativas do mundo desenvolvido.

De outro, delegados lutando de forma encarniçada para serem chamados de “Excelência” e para manterem o status quo como carreira jurídica que não existe em nenhuma outra polícia do mundo. Delegado de Polícia Judiciária dentro do Poder Executivo é uma aberração bem à brasileira.

As pirotecnias das operações com nomes chamativos envelopam os erros de investigação que chegam a nível preocupante. Um número superlativo de pessoas teve sua vida destruída por prisões preventivas ou temporárias sem nenhuma base legal. O caso mais notável foi a prisão, absolutamente sem provas, do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luís Carlos Cancellier de Olivo, que o levou ao suicídio dias após sua soltura.

O número de ações por dano moral, após prisões equivocadas, só aumenta e ninguém dentro da instituição é responsabilizado. No caso do reitor, a delegada que coordenou a investigação foi promovida a Superintendente Regional em Sergipe, após o erro crasso.

Em outro caso que virou referência dentro da própria PF, um agente foi preso, levado para um presídio de segurança máxima, deixado lá por três semanas.

Solto por habeas corpus, teve sua ação trancada por ausência de justa causa e, passados quase dois anos, jamais foi ouvido por alguma autoridade da Polícia Federal, do Ministério Público ou mesmo do Judiciário.

O fato é que um policial de campo, seja um agente, escrivão ou papiloscopista leva pouco tempo entre a alegria de ser aprovado em um dos concursos públicos mais difíceis e concorridos do país e a frustração de perceber que grande parte do glamour dessa polícia tão importante para a República não passa de mero marketing governamental.

QUATRO MENINOS JÁ FORAM RESGATADOS DE CAVERNA NA TAILÂNDIA

Seis meninos foram resgatados da caverna na Tailândia após 15 dias presos, segundo a agência Reuters, citando uma autoridade local. “Dois meninos saíram. Eles estão no hospital temporário criado próximo à caverna”, disse, mais cedo, Tossathep Boonthong, chefe do departamento médico e que faz parte da equipe de salvamento.

Ambulâncias foram vistas saindo do local e um helicóptero também já decolou, mas não há informações de que algum dos resgatados estivesse neles.

Algumas áreas tiveram os níveis de água esvaziados e aliviaram a caminhada dos meninos. Eles devem ser retirados em ordem de fraqueza, ou seja, os que estiverem mais fortes, como o técnico, serão os últimos a sair. Segundo a BBC, as famílias estão aguardando notícias no hospital.

As equipes de resgate entraram na caverna às 10h deste domingo (8) no horário da Tailândia (0h no Brasil). Segundo o site do jornal “The Guardian”, 13 mergulhadores estrangeiros e cinco da Marinha tailandesa estão envolvidos na missão.

Do UOL

PIONEIRO DO PLANTIO DIRETO

Vamos mostrar agora a história de um homem que revolucionou a agricultura. 

Ele descobriu que arar a terra não era bom negócio e é considerado um dos pioneiros do plantio direto no Brasil.



REDE MASSA

LETICIA SABATELLA GANHA AÇÃO CONTRA HATERS NA INTERNET

Brilhou

Marina Caruso, do O Globo:

A juíza Marcia Tessitore, da 14ª Vara Cível de São Paulo, deu decisão favorável a Leticia Sabatella, em processo iniciado pela atriz contra diversos ataques de internautas nas redes sociais. Após postar um comentário de cunho político, em 2016, Letícia passou a ser alvo de comentários agressivos por parte de internautas com posição contrária à sua. A juíza reconheceu que as publicações direcionadas à atriz se mostram como ilícitas e ofensivas à sua dignidade, honra ou moral, e determinou a remoção dos posts.

A INTRIGANTE CARREIRA JURÍDICA DA ESPOSA DE DIAS TOFFOLI


A mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta


A esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, advogada Roberta Rangel, recebeu pelo menos R$ 300 mil em 2008 e 2011 da construtora Queiróz Galvão, uma das empresas envolvidas no Petrolão, com mais de R$ 1 bilhão em contratos sem licitação.

O contrato da empreiteira com a Petrobras coincidentemente vigorou no período em que a advogada recebeu os pagamentos por supostos honorários advocatícios, ou seja, entre 2007 e 2011.

A Andrade Gutierrez, outra empresa envolvida no Petrolão, também pagou R$ 50 mil à Rangel Advocacia, em 2006.

Tais pagamentos poderiam, no mínimo, suscitar a suspeição do ministro em ações envolvendo as empresas.

Todavia, Toffoli parece não se importar muito com estas questões éticas.

Aliás, Toffoli está na 2ª Turma do STF, que está julgando a maioria dos casos da Lava Jato, porque pediu para ser transferido.

Em sua primeira decisão, logo após a transferência, libertou executivos de empreiteiras e converteu a detenção deles em prisão domiciliar com tornozeleiras. Mais tarde, soltou um dileto amigo, Paulo Bernardo.

Na semana passada, Toffoli liberou um amigo intimo e ex-chefe, Zé Dirceu.

Um absurdo lamentável e deprimente.


da Redação

https://www.jornaldacidadeonline.com.br/

MULHER DECLARADA MORTA É DESCOBERTA RESPIRANDO EM FREEZE DE NECROTÉRIO


Uma mulher que havia sido declarada morta na cena de um acidente de carro na África do Sul foi descoberta respirando dentro de um freezer de um necrotério por um funcionário do local.

O caso está agora sendo investigado pelo governo sul-africano.
O acidente

Quatro passageiros foram jogados do carro durante um acidente na estrada de Joanesburgo para Carletonville, no dia 24 de junho.

Quando os paramédicos chegaram no local, três vítimas estavam imóveis no meio da estrada, sendo que a quarta estava consciente e caminhando em volta do veículo batido.

Socorrer os indivíduos foi um desafio. “É uma estrada muito, muito ruim”, disse Gerrit Bradnick, gerente operacional da Distress Alert, um serviço privado de ambulância que respondeu à emergência, ao New York Times. “Muito escura. Temos muitos acidentes”.

Eventualmente, a equipe conseguiu recolher as vítimas. A sobrevivente foi levada para um hospital. As outras três foram declaradas mortas, cobertas com lençóis e levadas para um necrotério.

A surpresa

No necrotério, os três passageiros foram colocados dentro de freezers. Foi então que um agente forense notou que um dos “mortos”, uma mulher, estava na verdade respirando.

O caso abalou toda a África do Sul, particularmente o povo da província de Gauteng, onde o acidente aconteceu, e onde empreiteiros privados operam serviços de ambulância com a autoridade para declarar pessoas mortas.

Por enquanto, a identidade da vítima e sua condição atual não foram divulgadas pelo governo sul-africano. A família também recusou pedidos de entrevista.

Enquanto isso, as autoridades de saúde e os funcionários do Distress Alert estão tentando descobrir como o erro de diagnóstico aconteceu.
Negligência ou equívoco genuíno?

A Distress Alert afirmou que seus paramédicos estavam devastados. “Todas as verificações corretas foram feitas – respiração, pulso – para que a paciente fosse declarada morta”, argumentou Bradnick.

A ocorrência está sendo investigada, e o resultado será relatado a uma agência que regula os serviços de paramédicos privados na África do Sul.


Não é possível afirmar ainda que houve negligência. A morte nem sempre é uma equação fácil de ser desvendada, mesmo para profissionais com equipamentos sofisticados. Em casos raros, pessoas supostamente mortas sofrem de catalepsia, fenômeno no qual seus batimentos cardíacos e respiração alcançam níveis quase imperceptíveis.

Embora seja incomum, existem relatos ocasionais de pessoas vivas sendo declaradas mortas ao longo da história.
Casos históricos

Por exemplo, este ano mesmo, em janeiro, Gonzalo Montoya Jiménez, que havia sido preso na região das Astúrias, no norte da Espanha, foi declarado morto por três médicos, mas acordou horas depois imediatamente antes de uma autópsia ser realizada em seu corpo.

Em novembro passado, um bebê nascido prematuro e depois declarado morto começou a chorar no caminho para seu funeral. Os médicos envolvidos no seu tratamento não fizeram eletrocardiogramas que detectariam pequenos impulsos elétricos emitidos pelo seu coração, e foram demitidos.

Entre outros inesperados eventos de “falsa morte” da história, um dos mais arrepiantes é o de Maria de Jesus Arroyo. Em 2010, a avó de 80 anos foi declarada morta após um ataque cardíaco e colocada no freezer de um necrotério na Califórnia, nos EUA.

Poucos dias depois, foi encontrada dentro de um saco mortuário parcialmente aberto, com a face para baixo, contusões e um nariz quebrado. Sua família entrou na justiça com um processo de negligência médica, afirmando que Arroyo “lutou sem sucesso para escapar de seu túmulo congelado”. [ScienceAlert]

Por Natasha Romanzoti,

sábado, 7 de julho de 2018

ESTA É A MELHOR MANEIRA DE REDUZIR O IMPACTO NO PLANETA: ESTUDO, 01.06.2018



Segundo um novo estudo liderado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, evitar carne e produtos lácteos é a maneira mais eficaz de reduzirmos nosso impacto ambiental no planeta.

Os pesquisadores realizaram a análise mais abrangente dos danos que a agricultura causa no planeta e os resultados mostraram que, sem o consumo de carne e laticínios, o uso agrícola global poderia ser reduzido em mais de 75% – uma área equivalente aos EUA, China, União Europeia e Austrália juntos.

O estudo também mostrou que a perda de áreas selvagens para a agricultura é a principal causa da atual extinção em massa da vida selvagem.

Outra pesquisa compreensiva recente sobre a biomassa do planeta apontou ainda que 86% de todos os mamíferos terrestres existentes hoje são humanos ou animais de pastoreio (gado, aves e suínos criados para fornecer alimento a humanos).
Carne e laticínios: o pior custo-benefício

Os resultados provêm de um enorme conjunto de dados baseado em quase 40.000 fazendas em 119 países e cobrindo 40 produtos alimentícios que representam 90% de tudo o que é comido no mundo.

Os pesquisadores avaliaram o impacto total desses alimentos, do campo ao garfo, no uso da terra, nas emissões de gases que causam mudanças climáticas, no uso de água doce, na poluição da água (eutrofização) e na poluição do ar (acidificação).

A nova análise mostrou que, enquanto carne e laticínios fornecem apenas 18% das nossas calorias totais e representam 37% da nossa ingestão de proteína, seu cultivo usa a maior parte das terras agrícolas – 83% – e produz 60% das emissões de gases de efeito estufa provenientes da agricultura.

Os cientistas também descobriram que mesmo os produtos lácteos e de carne de menor impacto ainda causam muito mais danos ambientais do que o cultivo menos sustentável de vegetais e cereais.

O ideal

“Uma dieta vegana é provavelmente a melhor maneira de reduzir seu impacto no planeta Terra, não apenas nos gases de efeito estufa, mas na acidificação global, eutrofização, uso da terra e uso da água”, disse o principal autor do estudo, Joseph Poore, da Universidade de Oxford.

Essa mudança de estilo de vida tem um impacto muito maior do que voar menos ou comprar um carro elétrico, por exemplo, já que estas ações cortam apenas as emissões de gases do efeito estufa.

“A agricultura é um setor que abrange todos os problemas ambientais. Realmente são produtos animais que são responsáveis por muitos [desses problemas]”, completou.

Dito isso, está claro que toda a população se tornar vegana é algo bastante utópico neste momento. Isso não significa que não há nada que possamos fazer.

Subsídios

A análise também revelou uma enorme variabilidade entre diferentes formas de produzir o mesmo alimento. Por exemplo, bovinos criados em terras desmatadas resultam em 12 vezes mais gases de efeito estufa e usam 50 vezes mais terra do que aqueles que são criados em pastagens naturais.

Apesar disso, a comparação de carne bovina com proteína vegetal, como ervilha, é bem mais gritante: até mesmo a carne bovina de menor impacto é responsável por seis vezes mais gases de efeito estufa e 36 vezes mais uso de terra.

Essa grande variabilidade no impacto ambiental de diferentes fazendas apresenta uma oportunidade para reduzirmos os danos sem precisar que a população mundial inteira se torne vegana. Se a metade mais prejudicial da produção de carne e leite fosse substituída por alimentos à base de plantas, isso ainda levaria a cerca de dois terços dos benefícios de se livrar de toda a produção de carne e laticínios.

Obviamente, cortar o impacto ambiental da agricultura não é fácil. De acordo com Poore, existem mais de 570 milhões de fazendas no mundo todo, que precisam de maneiras ligeiramente diferentes para reduzir seu impacto. É um desafio ambiental como nenhum outro no setor da economia, mas, tendo em vista que pelo menos US$ 500 bilhões são gastos todos os anos em subsídios agrícolas, “há muito dinheiro para fazermos algo realmente bom”, alertou o pesquisador.
Medidas

Por exemplo, as autoridades poderiam exigir que os produtos tivessem etiquetas revelando o seu impacto no meio ambiente, de forma que os consumidores pudessem escolher as opções menos prejudiciais.

Subsídios para alimentos sustentáveis e saudáveis no setor de carne e laticínios provavelmente também seriam necessários.

Uma surpresa do estudo foi o grande impacto da criação de peixes de água doce, que fornece dois terços dos peixes na Ásia e 96% na Europa. Esse tipo de criação era considerado relativamente sustentável, mas, de acordo com Poore, muitos excrementos de peixes e alimentos não consumidos ficam no fundo das lagoas, onde quase não há oxigênio, o que o torna o ambiente perfeito para a produção de metano, um potente gás de efeito estufa.

A pesquisa também descobriu que a carne bovina alimentada com pasto, considerada de impacto relativamente baixo, ainda é responsável por impactos muito maiores do que os alimentos à base de plantas. “Converter grama em [carne] é como converter carvão em energia. Vem com um imenso custo em emissões ”, disse Poore.

Conclusão

Segundo o professor Tim Benton, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, este é um estudo extremamente útil. Ele reúne uma enorme quantidade de dados, o que torna suas conclusões muito robustas.

“A maneira como produzimos, consumimos e desperdiçamos alimentos é insustentável do ponto de vista planetário. Dada a crise global da obesidade, mudar nossas dietas – comer menos gado e mais verduras e frutas – tem o potencial de tornar tanto os humanos quanto o planeta mais saudáveis”, argumentou.

O professor Peter Alexander, da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, concorda. Ele também ficou impressionado com os resultados, mas observou: “Minha opinião pessoal é que devemos interpretar esses resultados não como a necessidade de nos tornarmos veganos do dia para a noite, mas sim de moderar nosso consumo [de carne]”.

Um artigo detalhando o estudo foi publicado na revista científica Science. [TheGuardian]

HypeScience

https://hypescience.com/

Por Natasha Romanzoti

quinta-feira, 5 de julho de 2018

BRASIL É CONDENADO POR NÃO INVESTIGAR MORTE DE VLADIMIR HERZOG

Brasil é condenado internacionalmente por falta de investigação, julgamento e punição aos responsáveis pela morte do jornalista Vladimir Herzog

Amanda Audi, Congresso em Foco

A Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou o Brasil por falta de investigação, julgamento e punição aos responsáveis pela morte do jornalista Vladimir Herzog, que foi torturado e assassinado nas dependências do DOI-Codi de São Paulo em 1975. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (4).

É a primeira vez que a corte internacional reconhece um assassinato cometido durante a ditadura do Brasil como crime contra a humanidade. O tribunal já condenou o Brasil em 2010 por não investigar os desaparecidos da Guerrilha do Araguaia.

Leia a íntegra da condenação

A Corte ordenou o Brasil a reiniciar, com a devida diligência, a investigação e o processo penal cabíveis pelos fatos. Também determinou que não haverá prescrição, por se tratar de crimes contra a humanidade e internacionais, e que o Estado deverá organizar um ato em memória de Herzog.

O tribunal internacional também considerou o Brasil responsável pela violação ao direito à verdade e à integridade pessoal, em prejuízo dos familiares de Herzog. Na época, militares simularam e esconderam a morte de Herzog e depois se recusaram a entregar documentos.

As violações contra Herozg foram “cometidas em um contexto sistemático e generalizado de ataques à população civil, assim como pela aplicação da Lei de Anistia e de outros excludentes de responsabilidade proibidos pelo Direito Internacional em casos de crimes contra a humanidade“, diz a sentença.

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro informou que irá encaminhar à Corte, no prazo de um ano, um relatório com as medidas que serão adotadas para reparar os danos e cumprir as determinações.

Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos informou que “dará cumprimento integral à sentença“. “Este ministério reafirma o seu compromisso com as políticas públicas de direito à memória, à verdade e à reparação, reconhecendo a sua importância para a não repetição, no presente, de violações ocorridas no passado, tais como as práticas de tortura e limitações à liberdade de expressão“, diz o texto.
Caso

Vladimir Herzog, 38, era diretor de jornalismo da TV Cultura, em São Paulo. Ele foi procurado por militares numa sexta-feira à noite, em 1975, no local de trabalho. Pela influência dos empregadores, Herzog recebeu a permissão de apresentar voluntariamente no dia seguinte à sede do DOI-Codi, em vez de ir imediatamente junto com os oficiais.

No dia seguinte, um sábado, ele compareceu ao local. Foi preso e torturado. Morreu no mesmo dia em decorrência da violência empregada no interrogatório.

Para esconder a morte, os oficiais amarraram uma tira de pano no pescoço do jornalista e disseram que ele havia se suicidado. Mas as fotos divulgadas mostram que ele estava com os pés no chão, o que torna impossível o enforcamento.

Parentes do jornalista apresentaram, em 1976, uma ação civil na Justiça Federal que desmentiu a versão do suicídio. Em 1992, o Ministério Público de São Paulo pediu a abertura de uma investigação policial, mas o Tribunal de Justiça considerou que a Lei de Anistia era um obstáculo para investigar. Após uma nova tentativa de investigação, em 2008, o caso foi arquivado por prescrição.

O GRITO, O SILÊNCIO, O CORPO

Não é desejável que o sujeito falante seja sempre o mesmo. É preciso fazer falar todas as espécies de experiências, dar ouvidos aos excluídos, aos moribundos, pois são eles que efetivamente enfrentam o aspecto sombrio e solitário das lutas.



Ramon T. Piretti Brandão*, Pragmatismo Político

Atualmente são desenhadas relações de poder que nos apontam para determinada verdade e que se constituem não pela força, mas pela inscrição de uma espécie de “caligrafia de morte” nos nossos corpos. Sob uma ordem do discurso, o silêncio rasga nossas vozes num gesto abrupto onde a palavra é desarticulada até se transformar em grito silencioso. Complexa, a realidade é um infinito jogo de relações de poder.

É no interior desse jogo que os indivíduos se reconhecem. Indivíduos que são colocados numa rede de práticas que evidenciam a relação e o envolvimento entre os corpos que agem, a produção de identidades e a linguagem. Isso, em outras palavras, significa dizer que os seres humanos ao falarem, o fazem sempre apoiados em algo que já está presente em seus corpos antes da fala.


Cada discurso ambiciona um corpo. Corpo que acolhe os usos, os costumes, a memória, a cultura e todos os outros códigos que permitem ao indivíduo reconhecer-se num outro. Discursos que pretendem fazer dos corpos um alfabeto dócil, que buscam marcar uma circunscrição territorial da palavra, onde as regras narrativas vinculam-se a si próprias como matrizes de legitimação, constituindo, assim, algo como uma forma narcísica. Essa composição discursiva entalha-se nos corpos sem qualquer possibilidade de interpretação.

Fechado em si mesmo, esse discurso nada oferece e tais questões confrontam-se diretamente com o problema pensado pelo filósofo francês Michel Foucault acerca da relação entre o saber e o poder. “Não é verdade que o conhecimento possa funcionar ou que se possa descobrir a verdade, a realidade, a objetividade das coisas, sem colocar em jogo um certo poder, certa forma de dominação, certa forma de submissão. Conhecer e dominar, saber e comandar, são coisas que estão intimamente ligadas”, dizia.

A partir de uma ligação íntima, esses regimes de poder desenvolvem formas de organização do espaço que se definem sob uma vontade de disciplinar e normalizar as relações entre os indivíduos. Ligado a uma noção de governamentalidade onde se desenham certas figuras de espacialização do poder, o processo de disciplinarização e normalização dos indivíduos realiza-se através de meticulosos processos de vigilância e controle sobre o corpo individual. Procura-se criar com isso, sob um mecanismo infinitesimal e microfísico, corpos dóceis.

Ora, nesse tecido de relações, o próprio corpo é um elemento fundamental, uma vez que a articulação entre o saber e o poder se define pela tecnologia política que, voltada aos corpos, torna-se “efeito-objeto” de um processo de racionalização instrumental. O corpo humano, nesses termos, existe no interior, através e para um sistema político.

Intrinsecamente articulada com certa ordem do discurso, a organização dos espaços se configuram apenas como possibilidade de dominar os corpos através de uma esquadria dos gestos e dos movimentos dos indivíduos. Se no século XVII o corpo do rei constituía o núcleo de um sistema político onde a presença física do soberano, necessária ao funcionamento da monarquia, possuía em si mesma uma realidade política, no século XVIII o poder foi além; foi exposto ao corpo, penetrando nele. Isso supõe a coexistência quase paradoxal entre, por um lado, o processo que neste século se inicia de libertação política dos indivíduos e das sociedades e, por outro, um processo de esquadrinhamento disciplinar dos corpos.

A ideia de um corpo social, constituído pela universalidade das vontades, surge como um fantasma que atravessa o sistema político do século XIX. Segundo Foucault, não é o consenso que faz surgir o corpo social, mas a materialidade de certo poder exercendo-se sobre os corpos individuais. Ora, criando uma forma biopolítica de poder, a modernidade implementa um complexo processo de localização espacial da ordem do discurso; ordem que, mais uma vez, se concretiza nos corpos: “nada é mais material, nada é mais físico, mais corporal do que o exercício do poder. Do século XVII ao início do século XX, acreditou-se que o investimento do corpo pelo poder devia ser denso, rígido, constante, meticuloso”, dizia Foucault.

A íntima articulação entre os mecanismos do saber e do poder dá origem a uma soma de sofrimentos e revoltas inaudíveis. A forma “grito” é tornada inacessível precisamente pelo filtro do saber instituído. No interior das instituições que definem a loucura, por exemplo, a ordem do discurso cria formas de sofrimento que rasgam, nos corpos insubmissos, a legitimidade da palavra ou do grito. No asilo, por sua vez, desenvolvem-se dispositivos através dos quais a palavra é desarticulada até não poder transformar-se em grito. O indizível, por fim, se enraíza no corpo, e um silêncio sem sombra se faz matéria.

É preciso que as vozes de um número incalculável de sujeitos falantes ecoem e se faça falar uma inumerável experiência. Não é desejável que o sujeito falante seja sempre o mesmo. É preciso fazer falar todas as espécies de experiências, dar ouvidos aos excluídos, aos moribundos, pois são eles que efetivamente enfrentam o aspecto sombrio e solitário das lutas. A tarefa da contemporaneidade é dar ouvidos a todas as vozes.

*Ramon T. Piretti Brandão é mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e colabora para Pragmatismo Político