terça-feira, 15 de janeiro de 2019

QUEM PODERÁ OBTER E QUANTO VAI CUSTAR UMA ARMA DE FOGO NO BRASIL?

Enquanto Bolsonaro prepara decreto para a liberação da posse, levantamento revela custará ter uma arma de fogo hoje em dia no Brasil e como será possível obtê-la


A facilitação da posse das armas de fogo deve ser publicada em um decreto do governo ainda nesta semana. O tema polêmico foi promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e divide a opinião de brasileiros.

Afinal, quanto custaria ter uma arma hoje em dia no Brasil? Segundo levantamento realizado pelo jornal O Globo, o gasto para comprar uma arma legalmente pode variar entre R$ 3,5 mil e R$ 8 mil, considerando três capitais brasileiras. Mas há gastos adicionais.

O valor é bem mais do que a renda média da população brasileira, estimada em R$ 1.268 no levantamento de 2017.

Além do gasto com a arma de fogo, será preciso entrar com um pedido na Polícia Federal e pagar uma taxa de R$ 88. O teste psicológico custa R$ 250. O teste técnico custa outros R$ 200 e a realização de um curso básico de tiro pode variar entre R$ 50 e R$ 600. Finalmente, o cidadão gastará entre R$ 4 mil e R$ 10 mil para ter a posse da arma.

A proposta de Bolsonaro é flexibilizar o acesso ao porte de armas de fogo. Cidadãos que morem em regiões violentas, por exemplo, “poderão ter acesso ao equipamento para se protegerem”, diz o presidente.

Algumas coisas, no entanto, não mudaram. É preciso ter mais de 25 anos e nenhum antecedente criminal, além de apresentar um atestado de capacidade técnica para o manuseio e de um laudo psicológico.
Cinco passos

Essas são as etapas necessárias para obter a arma de fogo:

(1) Em primeiro lugar, é preciso obter uma autorização da PF para possuir uma arma. Para isso, o cidadão deverá apresentar seus antecedentes criminais.

(2) Somente um profissional credenciado pela PF poderá emitir um laudo atestando a capacidade psicológica do cidadão. O documento tem validade de um ano.

(3) Caso possua capacidade de manusear armas, o cidadão deve realizar um teste, feito por um instrutor credenciado. Caso não possua, deverá realizar um curso básico de tiro. Esse atestado também tem validade de um ano.

(4) Ao adquirir o item, o comprador deve levar a nota fiscal à PF para registrar a arma. Esse documento tem validade de cinco anos. Depois disso, o cidadão deve voltar à loja para retirar a arma. Ele receberá uma autorização para o transporte até o local onde ficará.

(5) O processo todo leva entre três e quatro meses.

MORADOR DE HIGIENÓPOLIS DEFENDE MOVIMENTO QUE QUER A LIMPEZA DE MENDIGOS: '' PAGAMOS IMPOSTO MUITO ALTO''

Publicado em 15 janeiro, 2019 10:09 
DCM


Da Veja SP:

Uma página do Facebook chamada “Me devolva Higienópolis” foi retirada do ar nesta segunda-feira (14) após a repercussão negativa provocada nas redes sociais, com acusações de ser “higienista”. O perfil, criado por moradores do bairro nobre de São Paulo, protestava contra a proliferação de mendigos e pedia uma “limpeza” na região.

“A gente quer uma solução para não ter moradores de rua, assaltantes, e zumbis da Cracolândia acampando e sujando o nosso bairro”, diz o psicólogo Isidoro Boris Eizenman, de 68 anos, que fazia parte do grupo.

O movimento viralizou nas redes sociais com a acusação de ser preconceituoso. “As madames resolveram criar um grupo pra destilar o chorume do higienismo chamado ‘Me Devolva Higienópolis’, escreveu o perfil Nitonff, no Twitter.

Eizenman, por seu lado, afirma que o movimento é higienista mesmo.

(…)

VEJA QUEM É QUEM NO PRIMEIRO E SEGUNDO ESCALÃO DO GOVERNO BOLSONARO

Folhapress
 A maior parte dos ministérios do governo de Jair Bolsonaro (PSL) já definiram os nomes que vão ocupar os cargos de segundo escalão.

Três pastas —Minas e Energia, Defesa e Meio Ambiente— ainda não concluíram suas nomeações. Já o ministério de Relações Exteriores divulgou um novo organograma nesta segunda (14) e deve anunciar seu secretariado em até 30 dias.

Já as indicações para o Banco Central, que ainda possui status de ministério, dependem ainda de aprovação do Senado.


O segundo escalão do governo Bolsonaro:

Casa Civil - Onyx Lorenzoni

Secretário-Executivo: Abraham Weintraub

Subchefe para Assuntos Jurídicos: Jorge Oliveira

Subchefe de Análise e Acompanhamento de Assuntos Governamentais: Pablo Tatim

Subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil: José Vicente Santini



Secretaria-Geral - Gustavo Bebianno

Secretário-Executivo: Floriano Peixoto Vieira Neto

Secretário Especial de Assuntos Estratégicos: Maynard Marques de Santa Rosa

Secretário Especial-Adjunto: Lauro Luís Pires da Silva

Assessor Especial: Walter Felix Cardoso



Secretaria de Governo - Carlos Alberto dos Santos Cruz

Secretário-Executivo da Secretaria de Governo: Mauro Biancamano Guimarães

Secretário Especial de Comunicação Social da Secretaria de Governo: Floriano Barbosa de Amorim Neto



Defesa (demais secretarias não foram definidas) - general Fernando de Azevedo e Silva

Secretário-geral: Almirante Garnier



AGU - André Luiz de Almeida Mendonça

Advogado-Geral da União Substituto/Secretário-Geral de Consultoria: Renato de Lima França

Procurador-Geral da União: Vinícius Torquetti Domingos Rocha

Procurador-Geral da Fazenda Nacional: José Levi Mello do Amaral Júnior

Consultor-Geral da União: Arthur Cerqueira Valério

Procurador-Geral Federal: Leonardo Silva Lima Fernandes

Secretária-Geral de Contencioso: Izabel Vinchon Nogueira de Andrade

Corregedora-Geral da Advocacia da União: Vládia Pompeu da Silva

Procurador-Geral do Banco Central: Cristiano de Oliveira Lopes Cozer

Secretário-Geral de Administração: Márcio Bastos Medeiros

Chefe de Gabinete do Advogado-Geral da União: Rodrigo Sorrenti Hauer Vieira



CGU - Wagner de Campos Rosário

Secretário-Executivo: José Marcelo Castro de Carvalho

Secretário Federal de Controle Interno: Antônio Carlos Bezerra Leonel

Secretária de Transparência e Prevenção da Corrupção: Cláudia Taya

Corregedor-Geral da União: Gilberto Waller Junior

Ouvidor-Geral da União: Valmir Gomes Dias

Secretário de Combate à Corrupção: João Carlos Figueiredo Cardoso



Justiça e Segurança Pública - Sergio Moro

Assessor especial de assuntos legislativos: Valdimir Passos de Freitas

Chefe de gabinete: Flávia Blanco

Secretário executivo: Luiz Pontel

Assessoria especial de assuntos federativos e parlamentares: Lucas Goes

Secretário nacional de políticas sobre drogas: Luiz Roberto Peggiora

Secretário nacional do consumidor: Luciano Timm

Secretário de operações policiais integradas: Rosalvo Ferreira

Presidente do Coaf: Roberto Leonel

Chefe do DRCI (departamento de recuperação de ativos e cooperação jurídica internacional): Erika Marena

Diretor do departamento penitenciário nacional: Fabiano Bordignon

Secretária nacional de justiça: Maria Hilda Marsiaj

Secretário nacional de segurança pública: Guilherme Theophilo



Itamaraty (novo organograma foi publicado hoje. Nomeações em até 30 dias) - Ernesto Araújo

Secretário-geral das Relações Exteriores do Ministério das Relações Exteriores - Otávio Brandelli



Economia - Paulo Guedes

Secretário-executivo: Marcelo Guaranys

Secretário especial da Receita Federal: Marcos Cintra

Secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade: Carlos da Costa

Secretário especial de Previdência e Trabalho: Rogério Marinho

Secretário especial de Desestatização e Desenvolvimento: Salim Mattar

Secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital: Paulo Uebel

Secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais: Marcos Troyjo

Secretário especial de Fazenda: Waldery Rodrigues



Banco Central (indicações precisam ser aprovadas pelo Senado) - Roberto Campos Neto



Infraestrutura - Tarcísio Gomes de Freitas

Secretário-executivo: Marcelo Sampaio

Secretária-executiva adjunta: Viviane Esse

Secretária de Fomento, Planejamento e Parcerias: Natália Marcassa

Secretário de Transportes Terrestres: general Jamil Megid Junior

Secretário de Portos e Transportes Aquaviários: Diogo Piloni

Secretário de Aviação Civil: Ronei Glanzmann



Minas e Energia (os demais cargos indefinidos) - Almirante Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Jr.

Marizeth Pereira: secretária-executiva



Agricultura - Tereza Cristina

Secretário-Executivo: Marcos Montes (PSD-MG)

Secretaria Especial de Assuntos Fundiários: Nabhan Garcia

Política Agrícola: Eduardo Sampaio Marques

Defesa Sanitária: José Guilherme Tollstadius Leal

Aquicultura e Pesca: Jorge Seif Júnior

Agricultura Familiar e Cooperativismo: Fernando Henrique Kohlmann Schwanke

Comércio e Relações Internacionais do Agronegócio: embaixador Orlando Leite Ribeiro



Desenvolvimento Regional - Gustavo Henrique Rigodanzo Canuto

Secretário-Executivo: Antônio Carlos Futuro

Secretário Nacional de Segurança Hídrica: Marcelo Pereira Borges

Secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil: Alexandre Lucas Alves

Secretário Nacional de Mobilidade Urbana: Jean Carlos Pejo

Secretário Nacional de Saneamento Ambiental: Jônathas Assunção Nery de Castro

Secretária Nacional de Desenvolvimento Regional e Urbano: Adriana Melo Alves

Secretário Nacional de Habitação: Celso Toshito Matsuda



Ciência e Tecnologia - Marcos Pontes

Secretário executivo: Júlio Semeghini Neto

Chefe de gabinete: Celestino Todesco

Secretário de pesquisa e formação: Marcelo Marcos Morales

Secretário de empreendedorismo e inovação: Paulo César Rezende de Carvalho Alvim

Secretário de planejamento e cooperação de projetos e controle:Antonio Franciscangelis Neto

Secretário de radiodifusão: Elifas Gurgel Chaves do Amaral

Secretário de telecomunicações: Vitor Elisio Góes de Oliveira Menezes



Meio Ambiente (nomeações não foram definidas) - Ricardo Salles



Mulher, Família e Direitos Humanos - Damares Alves

Secretário-executivo: Sérgio Carazza

Secretaria de Proteção Global: Sérgio Augusto de Queiroz

Secretaria da Família: Angela Vidal Gandra da Silva Martins

Secretaria da Criança e Adolescente: Petrúcia de Melo Andrade

Secretaria da Juventude: Jayana Nicaretta da Silva

Secretaria da Pessoa Idosa: Antônio Fernandes Toninho Costa

Secretaria da Mulher: Tia Eron

Secretaria da Pessoa com Deficiência: Priscilla Roberta Gaspar de Oliveira

Secretaria da Igualdade Racial: Sandra Terena



Cidadania - Osmar Terra

Secretária-Executiva: Tatiana Alvarenga

Secretário especial de Desenvolvimento Social: Lelo Coimbra

Secretário especial de Cultura: Henrique Medeiros Pires

Secretário especial de Esporte: Marco Aurélio Vieira

Secretário de Comunicação Social: Klécio Santos



Saúde - Luiz Henrique Mandetta

Secretário-executivo: João Gabbardo —ex-secretário de saúde do Rio Grande do Sul, ex-presidente do Conass

Secretário da atenção básica (nova pasta): será nomeado, deve ser o Erno Harmzhein, secretário de Saúde de Porto Alegre, que assume primeiro a Sgep, que será extinta

Secretário de atenção hospitalar: Francisco de Assis (mantido da gestão Temer)

Secretário de tecnologia e insumos estratégicos: Denizar Vianna

Secretário de vigilância em saúde: Wanderson Kleber

Secretária de gestão do trabalho e educação em saúde: Mayra Pinheiro

Sesai (saúde indígena): Marco Antônio Toccolini - (mantido da gestão Temer)



Educação - Ricardo Vélez Rodríguez

Chefe de Gabinete: Tiago Tondinelli

Secretário-executivo: Luiz Antonio Tozi

Secretária de Educação Básica: Tania Leme de Almeida

Secretário de Alfabetização: Carlos Francisco de Paula Nadalin

Secretário de Educação Superior: Mauro Luiz Rabelo

Secretário de Educação Profissional e Tecnológica: Alexandro Ferreira de Souza

Secretário de Regulação e Supervisão e Educação Superior: Marco Antonio Barroso Faria

Secretário de Modalidades Especializadas de Educação: Bernardo Goytacazes de Araújo

Presidente da CAPES: Anderson Ribeiro Correia

Presidente do FNDE: Carlos Alberto Decotelli da Silva

Presidente do Inep: Marcos Vinícius Rodrigues

Presidente EBSERH: General Oswaldo de Jesus Ferreira



Turismo - Marcelo Álvaro Antônio

Secretário-Executivo: Alberto Alves

Secretário Nacional de Estruturação do Turismo: José Antônio "Totó" Parente

Secretário Nacional de Qualificação e Promoção do Turismo: Babington "Bob" dos Santos

Chefe de Gabinete do Ministro: Maurício Almeida do Nascimento

OLAVO DE CARVALHO FALA DE EDIR MACEDO

Olavo de Carvalho e a “imensa p. de fogo que vem do fundo do inferno e entra pelo c. do Edir Macedo”
Publicado por Kiko Nogueira
- 15 de janeiro de 2019

EM DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO



Olavo de Carvalho e a "imensa piroca de fogo que vem do fundo do inferno e entra pelo cu" do Bispo Edir Macedo.

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DE OLHO NA CADEIRA DE BOLSONARO, DORIA DIZ QUE '' BANDIDO VAI PARA O CEMITÉRIO''

Por Donato
Publicado por Kiko Nogueira
- 15 de janeiro de 2019


Doria e Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Na solenidade de inauguração do programa “Rodovias mais seguras”, o governador João Doria deu sua contribuição ao bangue-bangue que cresce a cada dia no país.

Com sua pompa costumeira, Doria enfatizou a entrega de 5 mil espingardas calibre 12 para uso nas estradas e nas cidades.

“Diante de qualquer ameaça à população, risco de morte e reagir, ele vai para o cemitério. Portanto em São Paulo a partir de agora: imobilização do bandido que estiver armado, e se ele ainda assim reagir, ele não vai para a delegacia nem para a prisão, ele vai pro cemitério”, declarou.

Está autorizado o uso dessas máquinas mortíferas nas 24 horas do dia (antes a polícia só podia utilizar esse tipo de arma durante a noite nas ocorrências chamadas pelo serviço 190).

A ‘12’, como é popularmente conhecida, é “Uma arma com maior chance de produzir uma desgraça”, como afirmou o coronel da reserva Adilson Paes de Souza.

“Todos os policiais do estado estão aptos para utilizar essa arma? O balote [tipo de munição], se atingir uma pessoa, pode até mutilar e atravessar uma lataria de carro. De todas as armas que conheci na polícia, a calibre 12 é a que mais me inspirava medo”, disse o coronel em entrevista.

Sem nada para apresentar como resultado de sua ‘gestão’ relâmpago na prefeitura, Doria começa seu governo com discurso – e práticas – à la Maluf ou Fleury.

Diante de uma população amedrontada, faz afirmações sobre tomada de medidas que nem mesmo são de sua alçada, como a redução da maioridade penal.

Esteja certo, leitor, Doria já está em campanha presidencial. Bolsonaro também deu o start quatro anos antes (viajando ‘despretensiosamente’ pelo país com as despesas pagas com verba de gabinete, sempre bom lembrar).

Essa corrida armamentista entre Jair Bolsonaro (que hoje irá assinar o decreto que afrouxa as regras para a posse de armas), Wilson Witzel (o governador do Rio que estava ao lado dos milicianos que rasgaram a placa com o nome de Marielle Franco e ontem ganhou de presente um quadro com seu rosto feito com balas de fuzil durante a posse do novo comandante do Bope) e João Doria não tem como proporcionar um país mais justo, menos desigual, menos violento.

O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo (727 mil detentos segundo o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias) e a solução proposta por esse pessoal é: se prender não está resolvendo, vamos matar.

Talvez a ideia seja a de manter o país na liderança de outro ranking.

Somos o país com o maior número de mortes por arma de fogo no mundo (43.200 em 2018, dados da Pesquisa Global de Mortalidade por Armas de Fogo do Institute for Health Metrics and Evaluation).

Estamos na frente dos Estados Unidos. Chupa, Trump.

As ‘regras’ para a matança que irá se avolumar nos próximos anos serão, sem sombra de dúvidas, as mesmas que valem para prender: majoritariamente voltadas contra os mais pobres, os negros, os ‘suspeitos’ de sempre. Com direito a maior probabilidade de atingidos por ‘balas perdidas’ (nunca entendi essa expressão).

Seja com Doria, Bolsonaro ou qualquer outro populista terrorista, torcer para dar certo significa aprofundar um cenário já sombrio o suficiente.

Em vez de apostar em educação e distribuição de renda, entregam armas. Agora vai, hein.
DIÁRIO CENTRO DO MUNDO

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

RECUOS DE BOLSONARO, ALÉM DE DESPREPARO, DEMONSTRAM FRAQUEZA POLÍTICA.



Jair Bolsonaro. Foto: Evaristo Sá/AFP

No exato momento em que escrevo esse artigo ­- e é preciso que isso seja dito dada a profusão e velocidade com que o governo volta atrás nas suas decisões – o último recuo de Bolsonaro é sobre a saída do Brasil no Acordo de Paris.

A informação foi dada nesta segunda (14) pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o sujeito que ocupa um cargo que por si próprio deve a sua atual existência a outro recuo.

Mais do que indiferente à pauta ambiental justamente no país que detêm a maior reserva biológica do planeta, a subserviência às práticas predatórias do agronegócio o levaram a trombetear aos quatro ventos a saída do país de um acordo climático referendado por praticamente todas as nações do mundo.

A reação global foi equivalente ao despautério.

Antes mesmo de Bolsonaro tomar posse, o presidente da França, Emmanuel Macron, mostrou ao então presidente eleito numa única declaração que ele não pode falar com o mundo como quem fala com a horda de ignorantes que o elegeu.

Incisivo e mostrando suas armas (bem mais poderosas que as bate buchas que seus eleitores desejam comprar com um salário mínimo de R$ 998,00), Macron declarou que a possibilidade de seu governo apoiar o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul dependia diretamente da posição do iniciante sobre o Acordo Climático de Paris.

Não deu outra. Sua valentia sobre o tema não passou do início da segunda semana de governo. Como em tantas outras matérias em tão pouco tempo, o jeito foi dar meia volta e conceder de bandeja mais uma prova que não tem preparo nenhum para o cargo.

Vergonha passada, “por ora, a participação do Brasil está mantida”, confirmou Salles.

No seu já extenso cardápio de recuos, o até agora recordista em velocidade veio do Ministério da Educação através do desastroso edital que autorizava erros, propagandas, reimpressões e ausências de referências bibliográficas nos livros didáticos a serem distribuídos aos alunos do 6º ao 9º ano.

Em menos de 24 horas, dada a estrondosa repercussão em toda a sociedade civil, viu-se uma correria insana para apontar culpados e desfazer a lambança.

Não que as alterações ali propostas fossem estranhas aos atuais ocupantes do Palácio do Planalto e da Esplanada dos Ministérios, pelo contrário. O que ali foi exposto estava em plena observância ao que se espera de adoradores de Olavo de Carvalho.

Se voltaram atrás, portanto, é porque não possuem capital político e apoio popular suficientes para bancar absurdos dessa magnitude.

E aqui chegamos ao cerne da questão.

O governo Bolsonaro, diante tantos vacilos, práticas de nepotismo e casos de corrupção, derrete perante a opinião pública numa rapidez que nenhum outro presidente pós-redemocratização jamais experimentou.

Não são poucos os brasileiros que já demonstram arrependimento pelo voto que deram.

A continuar nesse ritmo, o que ainda sobra de respaldo no seu eleitorado menos fanático será rapidamente extinto ao ponto de não sobrar mais do que pequenos feudos de apoio nos setores mais conservadores e retrógrados da sociedade.

Base do que acima está exposto, é preciso lembrar que conforme demonstrado pela pesquisa Datafolha, a maioria da população é contra medidas caras ao governo Bolsonaro como a reforma trabalhista e as privatizações.

Sabedor que a sua vitória no pleito não representa de nenhuma forma a maioria do povo brasileiro, Bolsonaro recua porque tudo que fez até agora agride frontalmente até aqueles que lhe deram o mandato.

Trata-se de um paiol à espera de sua explosão.

Diante tudo, ironia das ironias, fica claro que as únicas medidas louváveis que fez até agora foi justamente voltar atrás daquilo que um dia pretendeu fazer.

Bolsonaro, por assim dizer, em apenas 14 dias de governo chegou à impressionante situação política em que se pode afirmar que é um presidente que faz mais e melhor justamente quando não faz nada e deixa tudo como já estava.

É realmente um mito.

DCM
Por Carlos Fernandes
14 de janeiro de 2019

BBC EXIBE DOCUMENTÁRIO QUE NARRA VIDA POLÍTICA DO BRASIL DE 2013 A 2018

por Esmael Morais


A rede de televisão pública inglesa BBC começou a exibir no sábado (12) o documentário “What Happened to Brazil…”, “O Que Aconteceu Com o Brasil…” -, que aborda a vida política no país entre os anos de 2013 a 2018.

A exibição da obra foi dividida em três episódios: “The Dream Dies (“O Fim do Sonho”), “Carwash and ‘the coup’” (A Lava Jato e “o golpe”) e “Divided Nation” (“Nação Dividida”).

O ex-presidente Lula foi entrevistado para o documentário por carta pelo jornalista Kennedy Alencar. Além do ex-presidente, são personagens importantes na narrativa da BBC a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-juiz Sergio Moro e atual presidente Jair Bolsonaro, entre outros.

3 NÍVEIS DE ACEITAÇÃO QUE PRECISAMOS SENTIR

A aceitação é um movimento simples de se apegar. As contingências nos mostram, desde sempre, que não temos controle sobre nada. Elas nos encontram e lidamos com elas da melhor forma possível e a melhor das formas é a aceitação de que nada podemos fazer. Somos sempre, já diziam muitos, aquilo que podemos ser

Getty Images/Reprodução

Eduardo Bonzatto* e Luis Gustavo Reis*, Pragmatismo Político

Estar frágil, se sentir frágil, ocupar um lugar frágil.

O momento do agora quase sempre nos convida à dureza, às defesas, às resistências, ao desempenho dos melhores papéis para que sejamos aceitos pelo nosso próximo. Esse próximo que é também nosso algoz, a testemunha da iminência sempre presente de nosso fracasso. Esse próximo que queremos impressionar.

Por isso, o lugar frágil está sempre disponível. É um lugar desprezado no conjunto dos papéis sociais. A fragilidade, contudo, pode ser extraordinária, pois perdemos rapidamente nosso estado original, esse estado a que fomos direcionados sem consulta.

A fragilidade que é o oposto à tenacidade e que nos faz absorver relativamente pouca energia. Nesse tempo de energias densas, absorver de modo limitado é uma habilidade importante.

O lugar da fragilidade é o lugar do imponderável e da dúvida, de onde não se faz prognósticos ou planejamentos.

Também é o lugar da imprevisibilidade e da aceitação das contingências. Aquele que se assume como frágil também não tem poder algum. E não tendo poder, pouco ou nada é notado. Passa desapercebido quase sempre, não emite negatividade, não admite estereótipos nem de si nem de outrem. A fragilidade é oposta a fraqueza, não confundamos os termos.

A fragilidade nos abre, nos coloca num momento disponível, sem reservas em que a aceitação flui sem defesas numa interação generosa.

A aceitação é um movimento simples de se apegar. As contingências nos mostram, desde sempre, que não temos controle sobre nada. Elas nos encontram e lidamos com elas da melhor forma possível e a melhor das formas é a aceitação de que nada podemos fazer. Somos sempre, já diziam muitos, aquilo que podemos ser.

Há três níveis de aceitação que precisamos sentir. O primeiro nível corresponde à manifestação política. Começa a partir das decisões institucionais que pretendem definir nosso presente e nosso futuro. O aumento do salário mínimo, o modelo neoliberal, o efeito danoso das exportações, a desindustrialização da nação.

Nesse nível acreditamos que participando pelo voto poderemos interferir de alguma forma nos destinos dessa disposição política. É uma ilusão isso, já que, parafraseando José Saramago, o povo tem apenas a faculdade de eleger e retirar governos, mas não participa das decisões dos grandes organismos internacionais que estão acima dos próprios governos. Aceitação de que façam o que fizerem e que não podemos reagir é também uma forma política de participação, só que não nos afeta em nenhum nível além daquele que essa carga de realidade significa. A política vai além da institucional, dada como única em nosso tempo e facultada aos partidos. Para os filósofos antigos, política é a transformação do meio onde vivo, do lugar onde opero, da realidade onde estou inserido e das conexões que estabeleço.

O segundo nível de aceitação é aquele que se manifesta no nosso mundo do trabalho. Nossos chefes, nosso desempenho, nossos concorrentes. Cremos que podemos controlar com os papéis sociais apropriados nessa zona de conflitos.

O grau de exigência que nos impomos é gigantesco. Queremos reconhecimento. As motivações são inúmeras, mas só o que importa é a exibição de nossa performance num microuniverso do qual imaginamos carecer. E pertencer.

Os benefícios da aceitação nesse lugar são inúmeros e vamos migrando nosso movimento do servir ao poder para servir ao humano que nos cercam. Então, ao aceitar sem reivindicar, aceitar plenamente os movimentos dessa zona, vamos integrando todos em nosso movimento. Passando do papel daquele que se submete para agradar, àquele que gerencia o sentimento geral da seção. Alteramos o parâmetro energético com a aceitação incondicional de estarmos ali, presentes, com nossa fragilidade exposta. Com isso, imunizamos contra os papéis representativos que nos levam sempre para o lugar da exaustão. Um professor, por exemplo, pode abdicar dos mecanismos do poder que detém, tais como lista de chamada, provas, trabalhos, notas, em suma, todos os dispositivos do chamado currículo oculto.

O terceiro nível da aceitação é o íntimo. Aquele que tecemos com nossos afetos. Aqui a recusa à aceitação é fonte de inúmeros sofrimentos, pois queremos as pessoas não do jeito que elas são, mas como gostaríamos que fossem.

Somos exigentes nesse aspecto. Nunca amamos incondicionalmente o nosso afeto mais próximo. E, no entanto, as pessoas são muitas coisas, expressam suas idiossincrasias de uma forma ou de outra, por mais que tentem se submeter às nossas exigências, nos agradar, conceder pra que a relação prossiga, sempre expõem suas formas e jeitos.

Aceitá-las incondicionalmente é libertador e nos emancipa de inúmeros caminhos de dor e sofrimento. Não podemos controlar os outros, nem a nós mesmos podemos controlar. O controle é uma mera ilusão, então abdicar dele e aceitar as conexões que a vida nos presenteia é um caminho de alegria e felicidade contínua. A aceitação altera a realidade completamente.

A realidade que expressa unicamente felicidade também pode ser acessada sem perigos. É uma escolha política essa. Decidimos viver numa realidade em que os valores que podemos nutrir são de afeto, colaboração, amorosidade e que vamos moldando nossa mente para também participar dessas escolhas.

Aceitação é a palavra-chave para uma vida feliz. Aceitar a realidade sem resistência é, portanto, fundamental. A aceitação faz emergir um estado contemplativo em nós.

A primeira coisa que cai por terra quando aceitamos plenamente tudo que se apresenta é o julgamento. Deixamos imediatamente de julgar as pessoas e de avaliar as situações de modo a conferir se concordamos ou não com o que testemunhamos. Abdicando do concordo ou discordo, podemos receber como dádiva um estado de suspensão que se traduz em compreensão.

Quando compreendemos é como se estivéssemos contendo em nós mesmos a situação, nos incluindo e assim abrangemos uma quase totalidade sem julgamentos. Abarcando em si, abrangemos, pois estamos integralmente incluídos naquilo que recebemos. O contrário de compreender é rejeitar.

Incluir é o segredo para que a realidade que nos acolhe também seja fonte de nossa felicidade e alegria. Esse movimento de invasão e de acolhimento é surpreendente, pois impede que possamos nos ver separadamente de tudo que geramos e que nos inclui. A fluidez evita resistências e movimenta da forma e do jeito que é, não da forma que gostaríamos que fosse.

Então deixamos de assistir a tudo de uma distância confortável e mergulhamos no magma da realidade conturbada pelas ondas generosas. Ser parte de tudo que acontece é grandioso e simples ao mesmo tempo. Grandioso porque nos responsabilizamos pelos eventos que testemunhamos e partilhamos e simples porque compreendemos que não somos especiais ou diferentes ou desiguais.

A realidade é frágil, nós somos frágeis.

*Eduardo Bonzatto é professor da Universidade do Sul da Bahia (UFSB), permacultor e escritor ; *Luis Gustavo Reis é professor, editor de livros didáticos. Ambos colaboram para Pragmatismo Político