sexta-feira, 21 de julho de 2017

Governo anuncia aumento de impostos e pretende arrecadar R$ 10 bi

Michel Temer assina decreto que aumenta imposto sobre combustíveis. Governo espera arrecadar R$ 10,4 bilhões com reajuste da PIS/Cofins sobre gasolina, etanol e diesel.



O governo Temer anunciou nesta quinta-feira (20) o aumento de impostos sobre a gasolina para “ajudar a melhorar as receitas e garantir o cumprimento da meta fiscal neste ano”, em meio à recuperação econômica mais fraca do que esperada após dois anos seguidos de recessão.



O aumento de impostos foi aprovado pela equipe econômica comandada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

A alíquota do PIS/Cofins para a gasolina mais que dobrará, passando dos atuais R$ 0,3816 por litro para R$ 0,7925 por litro. Ou seja, o litro do combustível poderá ficar até R$ 0,41 mais caro nas refinarias. A estimativa de arrecadação com o aumento é de R$ 5,191 bilhões até o fim do ano.

Já a alíquota tributária para o diesel subirá de R$ 0,2480 por litro para R$ 0,4615 por litro do combustível, com reforço de receitas de R$ 3,962 bilhões ao Tesouro até o fim do ano. Com isso, o litro do diesel poderá ficar R$ 0,22 mais caro.

O aumento do PIS/Cofins para os produtores de etanol será menor, passando de R$ 0,1200 por litro para R$ 0,1309 por litro, com impacto de apenas R$ 114,90 milhões na arrecadação. Na distribuição do etanol, o PIS/Cofins estava zerado, mas voltará a ser cobrado em R$ 0,1964 por litro, com uma receita esperada de R$ 1,152 bilhão ainda este ano.

No total, o governo espera arrecadar R$ 10,4 bilhões com a medida, que já passa a valer a partir de amanhã, com a publicação do decreto no Diário Oficial.
Contradições

Analistas políticos e econômicos afirmam que alguém tem que pagar a conta pelos gastos excessivos do atual governo. Infelizmente, a corda sempre arrebenta do lado mais fraco.

“O governo que pretende arrecadar R$ 10 bilhões com o aumento de impostos é o mesmo que cortou os direitos trabalhistas e que liberou R$ 15 bilhões em emendas parlamentares para salvar Michel Temer na CCJ”, lembrou um articulista.

As tropas cibernéticas dos governos 'democráticos' e 'autoritários'

Governos utilizam 'tropas cibernéticas' para manipular redes sociais. Segundo estudo publicado pela Universidade de Oxford, estratégia de controlar opinião pública, por meio da internet, é adotada por governos democráticos e regimes autoritários



As redes sociais, como o Facebook e Twitter, são manipuladas por governos, por meio de tropas cibernéticas, para direcionar a opinião pública, disseminar desinformação e controlar críticas. A afirmação se baseia em um relatório produzido Universidade de Oxford.

Segundo o estudo, ao menos, 29 países utilizam a estratégia de influência política virtual, tanto em governos autoritários, quanto em eleitos democraticamente. Samantha Bradshaw, autora principal do relatório, afirma que as pessoas ainda não perceberam este método de atuação do Estado. “Nas redes sociais há campanhas de propaganda muito mais fortes e potencialmente mais efetivas do que no passado. Trata-se de algo muito mais escondido“, disse, em entrevista à Bloomberg.

O relatório também mostra que as tropas cibernéticas atuam desde a elaboração de postagens no Facebook e Twitter até ações focadas em pessoas, como por exemplo, o assédio a jornalistas no México e na Rússia. Outro país apontado pela Oxford é a Arábia Saudita, onde contas falsas interagem com mensagens negativas sobre o regime inserindo conteúdos não relacionados ao tema tratado e hashtags, tornando-as mais difíceis de serem encontradas pelos usuários.

Outros exemplos apontado pela Oxford de contas falsas utilizadas para fins políticos são a Argentina, México, Filipinas, Rússia, Turquia e Venezuela, que usam um software de automação – conhecido como bots – para espalhar mensagens de propaganda, imitando seres humanos.

Segundo Bradshaw, as ferramentas online, como o software de análise de dados, permitem que governos adaptem uma mensagem de maneira mais eficaz para diferentes grupos de pessoas, maximizando o seu impacto.

A autora do estudo também mostra que, apesar de regimes autoritários e a Rússia serem tidos como os maiores manipuladores de informação nas redes sociais, as democracias ocidentais também adotaram as mesmas práticas.

Um dos exemplos apontados por ela é o Reino Unido. O exército britânico criou a 77ª Brigada em 2015, uma força especial de soldados com habilidades em jornalismo e uso de redes sociais para realizar operações psicológicas em possíveis guerras cibernéticas.

“Eles (governos democráticos) estão usando as mesmas ferramentas e técnicas dos regimes autoritários”, conclui Samantha. “Talvez as motivações sejam diferentes, mas é difícil dizer.”

RBA

“Sergio Moro e Dallagnol ainda vestem fraldas na ciência do Direito”

“Moro e Dallagnol ainda vestem fraldas na ciência do Direito. São guiados por preconceitos e pela cegueira da política sobre o Jurídico”. Docente e pesquisador há 30 anos investigou a vida acadêmica de Moro e Dallagnol e encontrou inúmeras inconsistências

Deltan Dallagnol e Sérgio Moro (Imagem: Pragmatismo Político)


por Marcos César Danhoni Neves*



Sou professor titular de Física numa universidade pública (Universidade Estadual de Maringá-UEM) desde 2001 e docente e pesquisador há quase 30 anos. Sou especialista em história e epistemologia da ciência, educação científica, além de processos de ensino-aprendizagem e análise de discursos.

Orientei mais de 250 alunos de graduação, especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado, além de professores in-service. Conto tudo isso, como preâmbulo, não para me gabar, mas para salientar que li milhares de páginas de alunos brilhantes, medianos e regulares em suas argumentações de pesquisa.

Dito isso, passo a analisar duas pessoas que compõem o imaginário mítico-heróico de nossa contemporaneidade nacional: Sérgio Moro e Deltan Dallagnol.

Em relação ao primeiro, Moro, trabalhei ativamente para impedir, junto com um coletivo de outros colegas, para que não recebesse o título de Doutor honoris causa pela Universidade Estadual de Maringá.

Moro tem um currículo péssimo: uma página no sistema Lattes (do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico ligado ao extinto MCT – Ministério da Ciência e Tecnologia). Lista somente 4 livros e 5 artigos publicados.

Mesmo sua formação acadêmica é estranha: mestrado e doutorado obtidos em três anos. Isso precisaria ser investigado, pois a formação mínima regulada pela CAPES-MEC (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Ministério da Educação) é de 24 meses para Mestrado e 48 meses para o Doutorado.

Significa que “algo” ocorreu nessa formação apressada.. Que “algo” é esse, é necessário apurar com rigor jurídico.

Além de analisar a vida acadêmica de Moro para impedir que ele recebesse um título que não merecia, analisei também um trabalho seminal que ele traduziu: “O uso de um criminoso como testemunha: um problema especial”, de Stephen S. Trott.

Mostrei que Moro não entendeu nada do que traduziu sobre delação premiada e não seguiu nada das cautelas apresentadas pelos casos daquele artigo.

Se seguirmos o texto de mais de 200 páginas da condenação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e guiando-me pela minha experiência em pesquisa qualitativa, análise de discurso e fenomenologia, notamos claramente que parte significativa do texto consiste em Moro tentar apagar suas digitais, sem sucesso, ao desdizer que agiu com imparcialidade.

Nestas páginas robustas lemos uma declaração clara de culpa: Moro considera a parte da defesa de Lula em menos de 1% do texto total! E dos mais de 900 parágrafos, somente nos cinco finais alinhava sua denúncia e sentença sem provas baseada num misto frankensteiniano de “explanacionismo” (uma “doutrina” jurídica personalíssima criada por Deltan Dallagnol) e “teoria do domínio do fato”, ou seja, sentença exarada sobre ilações, somente.

Aqui uso a minha experiência como professor e pesquisador: quando um estudante escreve um texto (TCC, monografia, dissertação, tese, capítulo de livro, livro, ensaio, artigo), considero o trabalho muito bom quando a conclusão é robusta e costura de forma clara e argumentativa as premissas, a metodologia e as limitações do modelo adotado de investigação.

Dissertações e teses que finalizam com duas ou três páginas demonstram uma análise rápida, superficial e incompetente. Estas reprovo imediatamente. Não quero investigadores apressados, superficiais!

Se Moro fosse meu aluno, eu o teria reprovado com esta sentença ridícula e persecutória. Mal disfarçou sua pressa em liquidar sua vítima.

Em relação a outro personagem, o também vendedor de palestras Deltan Dallagnol, há muito o que se dizer. Angariou um título de doutor honoris causanuma faculdade privada cujo dono está sendo processado por falcatruas que o MP deveria investigar.

O promotor Dallagnol não seguiu uma única oitiva das testemunhas de defesa e acusação de Lula, além daquela do próprio ex-presidente.

Eu trabalho em pós-graduações stricto sensu de duas universidades públicas: uma em Maringá e outra em Ponta Grossa. Graças a isso fui contactado por meio de um coletivo para averiguar a dúvida sobre a compra por parte de Dallagnol de apartamentos do Programa Minha Casa Minha Vida em condomínio próximo à UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa).

Visitei os imóveis guiado por uma corretora e me dirigi ao Cartório de Registro de Imóveis da cidade. Após algumas semanas, a resposta: os dois apartamentos modestíssimos, destinados a gente pobre, tinham sido adquiridos pelo Promotor e estavam à venda com um lucro líquido em menos de um ano de aquisição de 135 mil reais.

Reuni o material e disponibilizei para a imprensa livre (aqui a matéria do DCM). O promotor teve que admitir que comprou os apartamentos para ganhar dinheiro na especulação imobiliária, sem resquícios de culpa ou de valores morais em ter adquirido imóveis destinados a famílias com renda de até R$ 6.500,00 (Deltan chegou a ganhar mais de R$ 80.000,00 de salários – além do teto constitucional, de cerca de R$ 35.000,00; e mais de R$ 220.000,00 em suas suspeitosas palestras).

Bom, analisando os discursos de Dallagnol, notamos claramente a carga de preconceito que o fez construir uma “doutrina” de nome exótico, o “explanacionismo”, para obter a condenação de um acusado sem prova de crime.

Chega a usar de forma cosmética uma teoria de probabilidade – o bayesianismo – que ele nem sequer conhece ao defender a relativização do conceito de prova: vale seu auto-de-fé a qualquer materialidade de prova, corrompendo os princípios basilares do Direito.

Como meu aluno, ou candidato a uma banca de defesa, eu também o teria reprovado: apressado, superficial e sem argumentação lógica.

Resumindo: Dallagnol e Moro ainda vestem fraldas na ciência do Direito. São guiados por preconceitos e pela cegueira da política sobre o Jurídico.

Quando tornei-me professor titular aos 38 anos, eu o fiz baseado numa obra maturada em dezenas e dezenas de artigos, livros, capítulos, orientações de estudantes e coordenações de projetos de pesquisa.

Infelizmente, estes dois personagens de nossa República contemporânea seriam reprovados em qualquer universidade séria por apresentar teses tão esdrúxulas, pouco argumentativas e vazias de provas. Mas a “Justiça” brasileira está arquitetada sobre o princípio da incompetência, da vilania e do desprezo à Democracia.

Neste contexto, Moro e Dallagnol se consagram como “heróis” de papel que ficariam muito bem sob a custódia de um Mussolini ou de Roland Freisler, que era o presidente do Volksgerichtshof, o Tribunal Popular da Alemanha nazista. Estamos sob o domínio do medo e do neo-integralismo brasileiro.

*Marcos César Danhoni Neves é professor titular da Universidade Estadual de Maringá e autor do livro “Do Infinito, do Mínimo e da Inquisição em Giordano Bruno”, entre outras obras.

O NOVO RECURSO ESCONDIDO NO WHATSAPP

WhatsApp tem novo recurso escondido no Android. Aplicativo permitirá que você converse com seus contatos mesmo durante videochamadas



O aplicativo de mensagens WhatsApp foi atualizado nesta semana em seu programa de testes. Parecia que não havia nada de novo além de pequenas melhorias corriqueiras, mas o site Android Police encontrou um novo recurso que funcionará em smartphones com o Android O, a próxima versão do sistema (ainda em fase de testes).


Os usuários do app poderão fazer videochamadas ao mesmo tempo em que veem as janelas de conversas. Com isso, será possível, por exemplo, continuar a conversar com seus amigos por texto quando estiver falando com alguém por vídeo.

Você poderá mover a janela de vídeo e também deixá-la do tamanho que você quiser. Claro, você poderá usar a videochamada em tela cheia, como já faz hoje. Veja imagens do novo recurso aqui.

O recurso deve ser exclusivo para o Android O por enquanto.

O sistema ganhou apenas nessa versão o suporte nativo para o modo de uso Picture-In-Picture, que permite a sobreposição de janelas em apps–apesar de outras interfaces personalizadas de Android, como a da Samsung, já terem isso há algum tempo.

Lucas Agrela, Exame

O VACILO MAIS GRAVE DE SERGIO MORO NA SENTENÇA DE LULA

Juiz Sergio Moro cometeu erro grave na sentença contra o ex-presidente Lula: avanço de semáforo não é furto de pão


Felipe Pena*, Extra

João foi acusado de furtar um pão. Ele tem alergia a glúten, mas, ainda assim, o ministério público vê indícios suficientes para apresentar uma denúncia de furto ao juiz da comarca, alegando que o pão poderia ser “desviado” para outra pessoa.

Vamos considerar que o MP tem razão. O que deve fazer o juiz? Ora, é simples: encaminhar o julgamento com base na denúncia de furto. Não há outra alternativa, é o que está na lei.

Entretanto, no meio do julgamento, uma testemunha diz que viu João atravessar o farol vermelho em frente à padaria. Caberia ao juiz abrir um novo processo, já que se trata de outra infração, mas, contrariando a lei, o magistrado condena João por avançar o sinal e ignora o furto do pão. Ou seja, a sentença não tem relação com a denúncia, o que a torna desprovida de qualquer valor jurídico.

Há vários erros na sentença em que Moro condenou o ex-presidente Lula. Poderíamos falar sobre a inobservância das provas apresentadas pela defesa, sobre o excesso de adversativas no texto e até sobre a nulidade da testemunha-chave. Mas vou me ater à reposta do juiz ao embargo de declaração. Daí a metáfora da história inicial.

No caso do tríplex atribuído a Lula, o MP apresentou denúncia dizendo que o apartamento foi recebido como pagamento de vantagem indevida ao ex-presidente, tendo como contrapartida a facilitação de três contratos da empreiteira OAS com a Petrobrás. Mas, em sua sentença, o juiz Sergio Moro ignora a denúncia e baseia a condenação no depoimento de Leo Pinheiro, cuja principal afirmação é a de que Lula tinha uma “conta corrente” de propinas na OAS. Esse foi um dos pilares do embargo de declaração da defesa do ex-presidente.

E qual foi a resposta de Moro? Reproduzo abaixo:

“Este juiz não afirmou em lugar nenhum que os valores conseguidos pela OAS nos contratos com a Petrobrás foram usados para pagamento de vantagens indevidas ao ex-presidente.”

Ou seja, o próprio Moro confessa que sua sentença não se baseou na denúncia. Portanto, de acordo com a lei, ele deveria abrir outro processo. Além disso, ao dizer que a vantagem indevida não tem relação com a Petrobrás, Moro retira o caso do âmbito da lava-jato e inviabiliza sua permanência como juiz do processo.

Não está em discussão se Lula é culpado ou inocente. Apenas fica claro que, com base no texto de Sergio Moro, o TRF da quarta região só terá uma alternativa: anular a sentença do juiz.

*Felipe Pena é jornalista, escritor e psicanalista. Doutor em literatura pela PUC, com pós-doutorado em semiologia da imagem pela Sorbonne III, foi visiting scholar da New York University e é autor de 15 livros, entre eles o ensaio “No jornalismo não há fibrose”.

Sergio Moro pede para interrogar Lula por videoconferência

Depois da aglomeração popular em decorrência do primeiro depoimento de Lula em Curitiba, Sergio Moro agora pede para interrogar o ex-presidente através de vídeo



Jornal GGN



O juiz Sergio Moro vai interrogar Lulanovamente, mas agora em processo que envolve suposto pagamento de propina feito pela Odebrecht em favor do ex-presidente. Depois de condenar o petista no caso triplex, Moro quer evitar um contato presencial e pediu à defesa de Lula para fazer a audiência por videoconferência, no dia 13 de setembro, às 14h.

A desculpa do magistrado, segundo despacho proferido nesta quinta (20), é que a presença de Lula em Curitiba geraria “gastos desnecessários” com segurança pública. Na audiência do triplex, todo um aparato foi montado com ajuda da Polícia Militar.

“Considerando o havido no interrogatório de Luiz Inácio Lula da Silva na ação penal 5046512-94.2016.4.04.7000, que acabou envolvendo gastos necessários, mas indesejáveis de recursos públicos com medidas de segurança, diga a Defesa respectiva, em cinco dias, se tem objeções à realização de novo interrogatório do acusado em questão por videoconferência com a Justiça Federal de São Paulo.”

No mesmo dia, Moro pretende ouvir Branislav Kontic, ex-assessor de Antonio Palocci, que será ouvido no dia 6 de setembro, assim como o advogado Roberto Teixeira. O depoimento de Marcelo Odebrecht foi agendado para 4 de setembro.

Nessa ação penal, Lula é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro novamente pelos procuradores de Curitiba, que alegam que a Odebrecht pagou propina através da compra de um imóvel nunca usado pelo Instituto Lula. Além disso, a Lava Jato questiona a compra de um apartamento vizinho ao de Lula, em São Bernardo do Campo. Somados, os valores chegam a aproximadamente R$ 13,5 milhões.

Moro também determinou que o depoimento de 5 horas que Lula prestou no caso triplex será usado nesse segundo processo.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

DEPUTADOS QUE DEVEM R$ 533 MILHÕES IRÃO VOTAR PERDÃO DE DÍVIDAS

Mais uma das contradições e injustiças dos nossos sistemas político, econômico e tributário. Deputados e senadores que votarão perdão de dívidas devem R$ 533 milhões. Companhias administradas pelos parlamentares respondem pela maior parte dos calotes à União que seguem em aberto



Deputados e senadores que devem à União R$ 532,9 milhões serão os responsáveis por aprovar o texto do novo Refis – programa de parcelamento de débitos tributários e previdenciários concedido com descontos generosos de juros e multas. O governo enviou uma proposta ao Congresso, em janeiro, com a expectativa de arrecadar R$ 13,3 bilhões este ano, mas a medida foi alterada pelos parlamentares, derrubando a arrecadação para R$ 420 milhões. A nova versão pretende perdoar 73% da dívida a ser negociada.



Os dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), responsável pela gestão da dívida ativa, foram obtidos pelo Estadão/Broadcast por meio da Lei de Acesso à Informação. O valor inclui dívidas inscritas nos CPFs dos parlamentares, débitos nos quais eles são corresponsáveis ou fiadores e o endividamento de empresas das quais são sócios ou diretores.

Os R$ 532,9 milhões em dívida dos parlamentares consideram apenas as dívidas em aberto, ou seja, o endividamento classificado como “irregular” pela PGFN. Isso porque deputados e senadores já foram beneficiados por parcelamentos passados. O total de débitos ligados a deputados e senadores inscritos em Refis anteriores – ou seja, que estão sendo pagos e se encontram em situação “regular” – é de R$ 299 milhões.

Companhias administradas por parlamentares respondem pela maior parte dos calotes à União que seguem em aberto. As empresas de 76 deputados federais devem R$ 218,7 milhões, enquanto as geridas por 17 senadores acumulam débitos de R$ 201,2 milhões. É nesse grupo que está incluído o deputado Newton Cardoso Jr. (PMDB-MG), relator da medida provisória do novo Refis e responsável por modificar totalmente o teor do texto original para ampliar as vantagens aos devedores.

A Receita Federal vai recomendar o veto do novo Refis se permanecerem as condições propostas pelo relator. Desde o início, a Receita queria que essa versão do parcelamento saísse com regras duras para desestimular os “viciados” em parcelar dívidas tributárias – contribuintes que pagam apenas as primeiras prestações e depois abandonam os pagamentos à espera de novo perdão. Desde 2000, já foram lançados 27 parcelamentos especiais.

A PGNF informou ainda que 11 deputados são corresponsáveis em dívidas que chegam a R$ 31,8 milhões, bem como 3 senadores estão arrolados em débitos de terceiros que somam R$ 62,2 milhões.

A lista do órgão de cobrança expõe ainda os débitos diretos dos parlamentares, inscritos nos próprios CPFs. Nesse grupo estão 29 deputados federais, com dívida total de R$ 18,9 milhões, e 4 senadores, que juntos devem R$ 6 milhões.

Agência Estado

FUNCIONÁRIA DE SALÃO DE BELEZA É HUMILHADA POR NÃO CELEBRAR CONDENAÇÃO DE LULA

Recepcionista de 'salão de beleza de madames' no Rio de Janeiro disse que “não acha nada” da condenação de Lula, foi chamada de “petista”, humilhada e quase perdeu o emprego. Estabelecimento é frequentado pela esposa e filhas de Eduardo Cunha, além de atrizes e socialites


Colorista que pediu a cabeça de recepcionista costuma tratar das madeixas de atrizes, socialites e filhas de políticos, como Barbara Cunha, herdeira do deputado Eduardo Cunha, preso da Lava Jato.

O veterano jornalista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, publicou em sua coluna nesta quarta-feira (19) que uma recepcionista de um salão de beleza em Ipanema, no Rio de Janeiro, foi demitida por não ter posicionamento claro a favor da condenação do ex-presidente Lula pelo juiz Sergio Moro.

Segundo Ancelmo, na última semana, logo após a divulgação da condenação do ex-metalúrgico, uma colorista/cabeleireira de um ‘salão de madames’ em Ipanema, na Zona Sul da cidade, perguntou à recepcionista o que ela achava da decisão do juiz da Lava Jato.

A funcionária, discreta, respondeu que “não achava nada”. Foi o suficiente para ser chamada de “petista”.

“Em seguida, a cabeleireira — que tem, entre seus clientes, as duas filhas de Eduardo Cunha — foi até o dono do salão: ‘Não quero ficar olhando para a cara dessa recepcionista petista'”, relatou o jornalista.
“Fui humilhada”

Por alguma razão, o colunista do Globo não divulgou os nomes das partes envolvidas em seu texto. Alguns leitores entraram em contato com a redação de Pragmatismo Político e enviaram informações adicionais sobre o episódio.

O nome do salão de beleza é o Crystal Hair. A recepcionista humilhada e que quase perdeu o emprego é Andressa. A colorista/cabeleireira que pediu a cabeça de Andressa por supor que ela é ‘petista’ chama-se Branca Lorenzo.

O caso já repercute nas redes sociais e a colorista Branca, que costuma divulgar imagens ao lado de sua cliente Barbara Cunha, filha de Eduardo Cunha (imagem acima), colou em ‘modo privado’ sua conta pessoal no Instagram

A página do Facebook do salão Crystal Hair tem recebido uma enxurrada de críticas e avaliações negativas.

Nas redes sociais, a recepcionista Andressa divulgou um depoimento sobre tudo o que aconteceu. Leia abaixo.

Boa noite. Meu nome é Andressa. Trabalho de recepcionista no salão Crystal Hair. Salão que atende a classe alta do Rio de Janeiro e o mesmo que é frequentado por vários personagens envolvidos na Operação Lava jato. Pois é, esse mesmo salão o qual o meu emprego está comprometido pelo simples fato de não ter uma opinião formada sobre a condenação do Lula. Escute a minha história. Nesta quarta feira, por volta das 15 horas, estava trabalhando na recepção do salão quando eu e meu colega de recepção fomos abordados por uma colega de trabalho, uma colorista muito conhecida que cuida das madeixas de várias socialites, atrizes e outras pessoas influentes. Ela nos perguntou sobre o que pensávamos sobre a condenação do Lula. Eu e meu colega respondemos que não achamos nada. No mesmo momento fomos ofendidos por essa mesma colega que nos chamou de ‘ignorantes e petistas’. Seria uma situação que passaria desapercebida se essa mesma colorista não tivesse como clientes vips as duas filhas do Eduardo Cunha e até a sua esposa, sem falar da esposa do Eduardo Paes, entre outras do mundo político, as quais frequentam o salão e são clientes fiéis dessa colorista. NÃO PARA POR AÍ. Essa colorista procurou o gerente e o dono do salão e simplesmente pediu a minha cabeça pelo simples fato de eu não concordar com a visão política dela. O termo usado foi “tira ela daqui porque eu não quero ficar olhando para a cara dessa recepcionista petista.” Concluindo, fui transferida de setor e orientada a evitar o encontro com ela pelos corredores do salão, porque a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Ela é um dos maiores faturamentos do salão e eu sou uma simples recepcionista. Passei por todo esse constrangimento, fui humilhada e nem votei no PT nas eleições. Recorro a você para me ajudar e divulgar a minha história. Desde já, agradeço.


XUXA FAZ CAMPANHA PARA VIRALIZAR IMAGEM DE MORO E RECEBE CRÍTICAS

A campanha de Xuxa para viralizar a imagem de Sergio Moro como ícone brasileiro não saiu exatamente como a apresentadora esperava



A apresentadora Xuxa Meneghel publicou na última segunda-feira (17) em sua página oficial no Facebook a foto de uma propaganda em um vagão de um trem em Portugal, na qual o juiz Sergio Moro aparece entre pessoas que estariam ‘mudando o mundo’.

Por causa da imagem, Xuxa afirma que Moro “é um personagem de importância internacional” e que, por isso, é preciso “fazer essa foto viralizar geral na internet”.

“Minha admiração e gratidão por este grande ser humano”, completa Xuxa.

A publicação viralizou. Mas, para a surpresa da apresentadora, que imaginava que Sergio Moro seria uma figura imune a críticas e impassível de rejeição, os comentários mais curtidos da postagem não refletiram exatamente o pensamento de Xuxa.

“Admiração de um cara que não condena Aécio, libera a mulher de Cunha, grande admiração. Veja seus conceitos, admire sua família e não esse cara”, dizia uma das respostas mais curtidas.

“Você é rainha, não caia nessa, por favor. Esse homem é um vexame”, escreveu uma seguidora.



THE GUARDIAN: '' BRASIL PODE VOLTAR AO MAPA DA FOME''

O jornal britânico The Guardian publicou um longo artigo sobre a situação econômica do Brasil e citou um relatório que está em posse da ONU que aponta que as 'medidas de austeridade' de Temer devem colocar o País novamente no mapa da fome



O jornal britânico The Guardian publicou nesta quarta-feira (19) um longo artigo sobre a situação econômica do Brasil.



O texto começa contanto a história de Miriam Gomes, que ás 5 da manhã se dirigia a um projeto social que ela coordena em Cidade Nova, no Rio de Janeiro, onde a fila para receber uma cesta básica semanal já tem mais de cem metros de comprimento. Alguns haviam dormido na rua- aqueles do crescente exército de pessoas sem-teto do Rio, ou que viviam muito longe para chegar lá às 6.30 da manhã, quando poderiam começar a pegar uma bolsa de vegetais, frutas, arroz, feijão, macarrão, leite e biscoitos, e um pouco de chocolate.

Estas são algumas das vítimas de um problema que só piora em um país, uma vez louvado pela redução da pobreza, mas onde o número de pobres está subindo novamente, destaca o Guardian. O Brasil caiu em sua pior recessão por décadas, com 14 milhões de pessoas desempregadas, acrescenta.

“Há muito mais pessoas na rua“, disse Gomes, 53, que vive da pensão militar do falecido pai.

Alguns desses Gomes se beneficiam um esquema de transferência de dinheiro chamado de subsídio familiar, mas ainda se esforçam para chegar ao fim do mês. Outros estão entre os 1,1 milhões de famílias que o governo retirou do programa no ano passado alegando “irregularidades“.

Entre estes últimos, Vera dos Santos, 43 anos, que perdeu seu emprego como funcionária do lar há dois anos e meio, tem três filhos adolescentes para alimentar, e recentemente teve seu benefício interrompido. “Minha situação financeira é difícil“, disse ela.

O Brasil celebrou sua remoção do mapa da fome das Nações Unidas em 2014. Agora está em perigo de ser reintegrado, adverte um novo relatório.

“Se não tomarmos as devidas providências, o Brasil voltará ao mapa de fome“, disse Francisco Menezes, economista e um dos autores de um relatório de progresso sobre a agenda de desenvolvimento sustentável de 2030, apresentado recentemente à ONU por um Grupo de duas dúzias de grupos não-governamentais e institutos de pesquisa, e divulgado na íntegra no final deste mês.

“As pessoas no Brasil estão ficando mais pobres“, disse Menezes.

Guardian salienta que isto deveria pertencer ao passado do Brasil. Quando o líder esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao poder em uma onda de apoio popular em 2002, prometeu três refeições por dia a todos os brasileiros. Durante seus oito anos de governo e mais quatro de sua sucessora Dilma Rousseff, 36 milhões de brasileiros escaparam da pobreza com a ajuda de políticas sociais aclamadas, como o “bolsa família“, um subsídio familiar.

O aumento dos preços das commodities e os gastos do consumidor de uma nova classe média baixa contribuíram para uma economia em expansão, avalia o Guardian. Aqueles que vivem abaixo da linha de pobreza caíram de 25% em 2004 para 8% em 2014, quando Dilma Rousseff foi reeleita, segundo dados do centro de política social da Fundação Getúlio Vargas.

Até então, a economia já estava começando a se retrair. Os preços das commodities caíram quando Dilma obteve uma vitória estreita, com preocupação crescente em relação à sua política econômica intervencionista e ao aumento dos gastos públicos.

Em 2015, o desemprego estava subindo e o Brasil mergulhara em sua mais profunda recessão desde a década de 1930. O país foi descendo seu grau de investimento. Em 2016, a ex-presidente foi acusada ostensivamente por infringir as regras de orçamento. Mas o processo foi impulsionado pela recessão e uma vasta crise de corrupção na Petrobras, na qual muitos do Partido dos Trabalhadores e seus aliados do Congresso estavam envolvidos, acrescenta o noticiário.

Até então, o número de brasileiros que viviam na pobreza aumentou para cerca de 11%. “Sem dúvida, é uma regressão“, disse Marcelo Neri, diretor do centro de política social da Fundação Vargas.

Michel Temer, o ex-vice-presidente de Dilma Rousseff, assumiu e começou a reduzir os custos. Em dezembro passado, foi introduzido um limite de 20 anos sobre os gastos públicos. O Congresso está debatendo reformas ao generoso sistema de pensões do Brasil. Os economistas liberais argumentam que, sem essas reformas, o Brasil não conseguirá superar seu déficit e voltar ao crescimento, observa o Guardian.

O relatório de progresso argumentou que essas medidas de austeridade aumentarão a pobreza no Brasil e afirmam que o país deve reduzir outros custos e adotar um sistema fiscal mais justo (a maior taxa de imposto neste país profundamente desigual é de 27,5%). Menezes calculou que, se o limite de gastos tivesse sido implantado em 2003, o Brasil teria gastado 68% menos em programas sociais entre 2003 e 2015, ressalta o editorial.

Enquanto isso, os pobres continuam ficando mais pobres. O que falta aos brasileiros é a fé de que seus políticos têm alguma habilidade para resolver a bagunça que o país está enfrentando e a crescente pobreza. À medida que os escândalos de corrupção aumentam a maioria está ocupada demais tentando se salvar. No início deste ano, as investigações foram autorizadas para oito dos ministros de Temer. Em 2 de agosto, o Congresso votará sobre se autoriza um julgamento do próprio presidente sobre acusações de corrupção.

O partido de Temer administrou o governo do estado do Rio desde 2007. Seu ex-governador Sérgio Cabral está preso, acusado de receber subornos substanciais, enquanto o governo do estado está quebrado e meses em atraso com os salários, lembra o periódico.

Tudo isso alimentado por um ambiente cada vez mais caótico, onde uma nova legislação ameaça os avanços na segurança alimentar, bem como prejudica os serviços de saúde, educação e segurança social, alertou o relatório de progresso.

“Existe uma falta generalizada de confiança em relação à classe política, ao sistema de justiça e aos poderes executivo e legislativo“, disseram os autores do relatório, acrescentando que “as populações mais vulneráveis” estavam entre os “mais prejudicados“.

Jornal do Brasil

EM RETALIAÇÃO, SERGIO MORO MANDA BLOQUEAR 600 MIL DE LULA

Depois de ter sua sentença contestada pela defesa de Lula e por uma série de juristas, Sergio Moro manda bloquear R$ 600 mil do ex-presidente, além de um terreno e de dois veículos



O juiz federal Sergio Moro, da Lava Jato, determinou nesta quarta-feira (19) o bloqueio de R$ 606 mil do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.



O dinheiro estava depositado em quatro contas bancárias do petista: R$ 397.636,09 (Banco do Brasil); R$ 123.831,05 (Caixa Econômica Federal); R$ 63.702,54 (Bradesco) e R$ 21.557,44 (Itaú). Moro também confiscou três apartamentos e um terreno, todos os imóveis em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e também dois veículos.

O bloqueio dos bens de Lula por Sergio Moro ocorre na sequência de sucessivas críticas que o magistrado tem recebido do meio jurídico por conta de sua sentença frágil e desprovida de provas.

“Lula foi condenado por receber o que não recebeu e por lavagem de dinheiro que não lhe foi dado. Vale dizer, não teve o seu patrimônio acrescido sequer de um centavo. Não recebeu nenhum benefício patrimonial e por isso não tinha mesmo o que ‘lavar’”, afirmou Afrânio Jardim, Livre-docente em processo penal pela UERJ.

Para Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a condenação de Lula é “viciada e muito frágil”.

“Vemos um processo penal de exceção com finalidade política, que tende a esvaziar de sentido a Constituição Federal e agredir de frente os direitos humanos. Tem um efeito contra Lula e contra a sociedade, pois os direitos de todos estão ameaçados. Não se trata do PT ou da esquerda. Não se trata da Lava Jato. Há uma jurisprudência de exceção sendo feita no Brasil”, pontuou.

Ao analisar a sentença de Moro que condena Lula, o professor da PUC Fernando Hideo destacou que o juiz citou matéria da Globo nove vezes como prova documental (veja aqui).

No último dia 12 de julho, Lula foi condenado por Moro a nove anos e seis meses de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção passiva no caso do tríplex do Guarujá.

Sergio Moro chegou a afirmar que condenou Lula sem ler diversos documentos da ação por “falta de tempo”.
“Decisão mesquinha”

Uma nota oficial do PT sobre o bloqueio dos bens de Lula classifica a decisão de Sergio Moro como “mesquinha”. Leia a íntegra abaixo.

Depois de condenar o ex-presidente Lula sem provas, de propagar mentiras e contradizer sua própria sentença, o juiz Sergio Moro decidiu agora vingar-se de um inocente. Ao bloquear os bens de Lula, em decisão revelada hoje (19), Moro decretou uma pena de asfixia econômica que priva o ex-presidente de sua casa, dos meios para subsistir e até para se defender das falsas acusações.

Foi uma decisão mesquinha, tramada em segredo ao longo de 9 meses com a Força Tarefa de Curitiba, e concluída após a forte reação da sociedade e do mundo jurídico à sentença injusta no caso do tríplex. É um caso típico de retaliação, de quem se vale da cumplicidade com a Rede Globo para cometer todo tipo de arbitrariedades contra o maior líder popular do País.

A cada decisão que profere, Moro escancara as contradições do processo do tríplex. Ele condenou Lula por ser o suposto dono do imóvel, mas fugiu à prova da inocência, argumentando que a propriedade não seria relevante para o caso.

Reconheceu que a construção do prédio foi financiada por um fundo gerido pela Caixa, mas, contraditoriamente, condenou Lula alegando que a obra teria sido paga por uma suposta conta de propinas. E, mesmo admitindo que Lula não recebeu recursos desviados da Petrobrás, condenou Lula a ressarcir a estatal em R$ 16 milhões.

A decisão revelada hoje é ainda mais grave porque os efeitos da pena de asfixia econômica são imediatos. A alegação de Moro para o bloqueio de bens é mais uma injúria assacada pelo juiz contra Lula, mais uma iniquidade como as que foram cometidas contra Dona Marisa e a família do ex-presidente. Moro mostrou mais uma vez que não tem equilíbrio, discernimento, nem a necessária imparcialidade para julgar ações relativas ao ex-presidente Lula.

Depois de três anos de investigação, de quebrar o sigilo fiscal e bancário de Lula, seus familiares e colaboradores, o juiz Sérgio Moro sabe que o ex-presidente não tem contas ocultas nem patrimônio inexplicável. Sabe também que o patrimônio e os bens de Lula são aqueles atingidos pelo bloqueio, compatíveis com o de uma pessoa de 71 anos que trabalha honestamente desde criança.

A cada ato de violência, como os praticados por Sergio Moro, fica mais claro para o povo brasileiro que Lula é vítima da mais avassaladora perseguição judicial, midiática e política que já se viu neste País. O PT repudia mais esta arbitrariedade e vai reagir, por todos os meios, para impedir que se consume essa violência inominável.

São Paulo, 19 de julho de 2017
PARTIDO DOS TRABALHADORES

quarta-feira, 19 de julho de 2017

MICHEL TEMER DIZ QUE É ''NORMAL'' GASTAR R$ 15 BILHÕES PARA SE SALVAR

Depois de abrir o cofre para se salvar, presidente Michel Temer diz ser “normal” gastar R$ 15 bilhões de dinheiro público para barrar denúncia na CCJ



Ana Pompeu, Congresso em Foco



O governo divulgou nota à imprensa (leia íntegra abaixo), por meio do Ministério do Planejamento, em que afirma que a liberação de verbas para garantir apoio na Câmara se trata “de procedimento absolutamente normal”. O texto foi divulgado em resposta à reportagem do jornal O Globo intitulada “Antes de votação, Temer distribuiu R$ 15 bilhões em programas e emendas”, publicada na edição deste domingo (16). Assinada pelos repórteres Leonardo Barretto, Letícia Fernandes, Cristiane Jungblut e Catarina Alencastro, a matéria informa que pacote de bondades do presidente Michel Temer, durante semana decisiva para sua permanência no Planalto, foi fruto de uma verdadeira operação de guerra no Congresso.

“Tais recursos serão utilizados obedecendo a critérios como seleção pública e avaliação de risco de crédito, entre outros. Trata-se, portanto, de recursos emprestados e não doados, como quer fazer crer a reportagem”, diz trecho do texto. A reportagem mostra que, além de acelerar a liberação de emendas parlamentares para a base governista, na última terça-feira, anunciou R$ 103 bilhões de recursos do Banco do Brasil para o Plano Safra 2017/2018, que já havia sido lançado oficialmente no início do mês, com o valor de R$ 190 bilhões.

Na quarta-feira, o presidente anunciou a quantia de R$ 11,7 bilhões em linhas de crédito para obras de infraestrutura como iluminação pública, saneamento e gestão de resíduos sólidos. Por fim, no dia seguinte, decidiu realocar R$ 1,7 bilhão em recursos para a Saúde, destinados para compra de ambulâncias e gastos na atenção básica em 1.787 municípios.

A nota do Ministério do Planejamento diz ainda que a proposta dos programas está sendo discutida há meses pelas áreas técnicas do governo. Quanto às emendas parlamentares, o texto se limita a argumentar que “trata-se de um procedimento obrigatório previsto na Constituição e na legislação orçamentária” e que “a execução dessas emendas é feita pelos ministérios setoriais obedecendo a critérios pré-determinados”, sem entrar na questão sobre a ampliação de valores para os parlamentares que votaram a favor do governo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, durante apreciação de relatórios sobre a denúncia contra Temer feita pela Procuradoria-Geral da República, por corrupção passiva.
Lupa

A oposição está de olhos abertos para a movimentação de recursos feita pelo governo. Em maio, segundo o mapeamento da Rede, foram R$ 89,4 milhões; em junho, R$ 1,8 bilhão, justamente no mês em que a situação política de Temer se agravou. O PSOL deve apresentar, nos próximos dias, uma representação ao Ministério Público por corrupção ativa, desvio de finalidade e obstrução à Justiça. O partido mapeia o volume de liberação de emendas recebidas pelos deputados que votaram a favor do governo para traçar uma relação direta entre o favorecimento e o voto.

De acordo com levantamento feito pelo jornal O Globo, que levou em consideração apenas verbas específicas anunciadas em cerimônias, no primeiro semestre de 2017 Temer ordenou investimentos de aproximadamente R$ 96 bilhões para aliados. Só em dois dias o presidente liberou quase um sexto do valor total dos últimos meses, sem considerar os R$ 190 bilhões do Plano Safra, cuja liberação é obrigatória.
Produção da vitória

Depois da liberação de bilhões em emendas parlamentares e da troca de mais de 20 deputados na CCJC da Câmara, o governo mobilizou a base e conseguiu, por 40 votos a 25, a rejeição do parecer do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) pela admissão da denúncia contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva. Uma vez rejeitado na CCJ, o relatório favorável à acusação, encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não mais será levado ao plenário para a votação definitiva, onde precisaria de pelo menos 342 votos para manter a acusação sob exame do STF.

Pouco mais de uma hora após rejeitar o relatório de Zveiter, o colegiado aprovou parecer do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que foi designado novo relator da denúncia, recomendando a rejeição do processo contra o presidente. O novo relatório foi aprovado por 41 fotos favoráveis a 24 contrários. Outras duas denúncias contra Temer, por obstrução de Justiça e organização criminosa, são preparadas pela PGR e devem ser encaminhadas ao Congresso nas próximas semanas.

Leia a íntegra da nota do Planejamento:

“Nota à imprensa

Em relação à matéria publicada hoje, 16/07, no jornal O Globo, sob o título ‘Temer usou R$ 15 bi para obter vitória’, o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão esclarece que a liberação de recursos para municípios trata-se de procedimento absolutamente normal. Tais recursos serão utilizados obedecendo a critérios como seleção pública e avaliação de risco de crédito, entre outros. Trata-se, portanto, de recursos emprestados e não doados, como quer fazer crer a reportagem.

A proposta inicial dos programas lançados está sendo discutida há vários meses pelas áreas técnicas do Governo, envolvendo vários Ministérios e havia sido anunciada previamente pelo Ministro.

Quanto às emendas parlamentares mencionadas, o Ministério esclarece que trata-se de um procedimento obrigatório previsto na Constituição e na legislação orçamentária. A execução dessas emendas é feita pelos ministérios setoriais obedecendo a critérios pré-determinados. São recursos destinados a diversos municípios para realização de obras essenciais, como projetos de saneamento, mobilidade urbana, iluminação pública etc.

Assessoria de Comunicação do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão”

AS INCRÍVEIS DESCOBERTAS DE UM JOVEM DOUTOR DA FÍSICA

Recém-doutor em física pela UFBA e pela Universidade de Rennes I, na França, faz descobertas fascinantes. Complexidade do trabalho do jovem Victor Mancir ganha reconhecimento mundial

Victor Mancir (à frente) e seus mentores franceses, ao lado do espectrômetro Specs Phoibos 100 (reprodução)

Ricardo Sangiovanni, EdgarDigital

Esconda grãos de feijão – ou de arroz, milho, ervilha, ou todos eles misturados – dentro de uma caixa de fósforos e imagine que alguém seja capaz de adivinhar o que você escondeu sem precisar abri-la, simplesmente decifrando os zigue-zagues de um gráfico produzido a partir do som que a caixinha emite, gravado quando ela é agitada.

Agora imagine que, como se já não bastasse adivinhar os tipos de grão que você escondeu, esse mago imaginário das caixinhas de fósforo fosse também capaz de descobrir o tamanho, o peso, a cor e o brilho de cada um dos caroços que você pôs dentro da caixa, e talvez até mesmo quanto tempo é preciso para que cada um deles cozinhe (ou, no caso do milho, virem pipoca).

Foi algo mais ou menos assim que Victor Mancir, recém-doutor em física – pela UFBA e simultaneamente pela Universidade de Rennes I, na França, graças a um acordo de cotutela –, descobriu em sua tese intitulada “Contribuição ao Estudo da Função Dielétrica de Superfície por Espectroscopia de Perda de Energia dos Fotoelétrons Induzidos por Raios X (XPS-PEELS)”. Pela originalidade, o trabalho tem grandes chances de resultar em uma patente e pode vir a ter grande aplicabilidade tanto na pesquisa básica quanto na indústria, na avaliação do professor do Instituto de Física (IF) da UFBA Denis David (coordenador do Laboratório de Materiais – LabMat, no IF, e do Laboratório de Certificação de Componentes para Energia Solar Fotovoltaica – LabSolar, no Parque Tecnológico, e integrante do Laboratório de Propriedades Óticas – LaPO), que orientou a tese.

Trata-se de algo mais ou menos como a “mágica” da caixinha de fósforos (analogia, por sinal, sugerida pelo próprio Victor), só que em uma dimensão microscópica. O trabalho de Victor Mancir mostrou que é possível descobrir propriedades físicas – como os coeficientes de reflexão e absorção de luz, ou as condutibilidades elétrica e térmica – dos elementos químicos presentes em praticamente qualquer material a partir da análise de seu “espectro”, um gráfico produzido a partir do bombardeio de minúsculas amostras de qualquer coisa com raios X.

Para chegar a isso, em vez de uma caixinha de fósforos, Victor utilizou um espectrômetro de raios X, uma complexíssima máquina normalmente utilizada para identificar quais elementos químicos estão presentes em amostras de algum material desejado. Em vez de grãos, ele “escondeu” dois materiais: o alumínio e o óxido de alumínio (materiais presentes, por exemplo, naquela folha de papel alumínio que qualquer pessoa tem em casa). E em vez de um gráfico do som, ele analisou o gráfico produzido a partir da exposição das amostras aos raios X – o chamado espectro fotoeletrônico –, por meio de uma técnica conhecida como “espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios X”, ou simplesmente XPS. Inseridas no espectrômetro e bombardeadas por raios X, as amostras liberam elétrons com diferentes quantidades de energia, e a contagem das quantidades e velocidades desses elétrons dá origem ao gráfico que os físicos chamam de “espectro”.

O trabalho de Victor mostrou que é possível ampliar significativamente as potencialidades da XPS. Duas características principais fazem dele um trabalho inovador. A primeira é o fato de ele ter desenvolvido uma maneira de aproveitar uma região do espectro – os chamados “plasmons” – que os programas de análise do XPS geralmente desprezam, mas que contém informações preciosas sobre os materiais estudados. Até o momento, a técnica XPS vem dando maior atenção aos “picos”, partes mais agudas dos gráficos, que servem para indicar a presença de tal ou qual elemento químico, mas não para indicar suas propriedades físicas. Além disso, Victor conseguiu determinar as propriedades físicas dos metais, elementos químicos condutores de energia, algo que até então a XPS não era capaz de fazer – ampliando assim a aplicação dessa técnica a todos os tipos de materiais (isolantes, semicondutores e metais).
Exemplo de espectro obtido através da técnica XPS

Dito assim, parece apenas mais uma daquelas tecnicalidades do mundo dos físicos. Mas o potencial de aplicabilidade da descoberta de Victor pode abrir vertentes de pesquisa e de desenvolvimento de uma diversidade inimaginável de produtos. A técnica estudada por Victor permite a análise da composição e das propriedades físicas de superfícies finíssimas, e foi batizada PEELS (photoelectron energy loss spectroscopy, ou espectroscopia de perda de energia de fotoelétrons). Num vislumbre do futuro, o professor Denis acredita que a técnica desenvolvida por seu pupilo poderá ajudar a ciência e a indústria a desenvolverem, por exemplo, películas invisíveis capazes de endurecer superfícies de aço ou reduzir o atrito, ou ainda novas tecnologias anti-reflexo e mesmo de mudança de cor de objetos – apenas para citar algumas possibilidades.
Da luz do sol aos raios X

Descobertas em torno do desenvolvimento da espectroscopia XPS já renderam o prêmio Nobel de física a pelo menos três cientistas europeus na primeira metade do século 20. É cedo, evidentemente, para imaginar que Victor possa vir a ganhar um prêmio dessa magnitude. “O trabalho do Mancir é inovador e tem seu mérito independentemente de eventuais premiações”, afirma o historiador da ciência e pró-reitor de Pesquisa, Criação e Inovação da UFBA, Olival Freire Jr. De fato, talvez bem mais importante do que qualquer prêmio seja o fato de um jovem baiano negro de 30 anos, filho de um comerciante de baterias automotivas e de uma dona de casa que originalmente moravam no bairro do Curuzu, antes de mudar para Brotas, estar dando uma contribuição para a ciência que pode vir a ter repercussão internacional.

Ao contar rapidamente sua história de vida, Victor não pesa em demasia os desafios que já enfrentou por vir de uma família sem privilégios. “Foram mais ou menos os mesmos desafios” de qualquer estudante talentoso que seguiu carreira acadêmica, avalia, otimista. Ele estudou em uma escola particular do bairro, quando criança, antes de entrar no antigo Cefet (atual Instituto Federal da Bahia – IFBA) na adolescência. “A entrada no Cefet foi um divisor de águas para mim. Ali tive bons professores, que me deram a base para que eu pudesse ser aprovado no vestibular da UFBA”, em 2005. Em 2012, Victor fez concurso para professor no IFBA. E passou, antes mesmo de concluir o mestrado, superando candidatos que até doutorado já tinham. “Fico feliz por hoje dar a minha contribuição na mesma escola que mudou minha trajetória”, diz ele.

Orientado desde a graduação em física pelo professor Denis – um francês que se radicou em Salvador em 2004 para pesquisar sobretudo tecnologias de energia solar, à luz do sol baiano –, Victor desenvolveu, ainda no curso de graduação em física, como bolsista de iniciação científica, um sistema de medição da qualidade da luz solar na cidade de Salvador. O objetivo era mapear os locais com maior potencial de geração de energia solar na cidade. Ele flertou com as engenharias mecânica e elétrica e também com a ciência da computação para conseguir fabricar seu próprio espectrorradiômetro – um equipamento que mede o espectro da luz solar, e que custa entre R$ 10 mil e R$ 500 mil no mercado.

No mestrado, Victor incrementou o espectrorradiômetro, acoplando-o a um seguidor solar, uma peça que permite acompanhar a trajetória do sol e fazer medições ao longo de todo o dia. E começou a trabalhar com espectroscopia da luz, identificando materiais suspensos no ar, como partículas e gases, que interferem no caminho da luminosidade solar, gerando perdas que alteram sua capacidade de geração de energia.

O pulo para a espectroscopia de raios X viria no doutorado. A lógica da técnica PEELS é, de certo modo, análoga à da espectroscopia da luz solar: tudo gira em torno de calcular as perdas de energia que os elétrons sofrem na interação com outros materiais que se interpõem em seu caminho. Victor e o professor Denis perceberam que as perdas de energia correspondentes a essas interações ficavam registradas em uma parte do espectro eletrônico, obtido via XPS, que a física até então praticamente desprezava, os chamados plasmons. E que cada uma dessas perdas correspondia à interação com um tipo de elemento químico específico. A partir daí, Victor trabalhou na criação de um algoritmo que permite decifrar os plasmons, depreendendo deles a chamada “função dielétrica” do material analisado – e, a partir dela, chegar às suas propriedades físicas.
Experiência internacional

O professor Denis não seria o único francês a participar da formação de Victor. Ainda na UFBA, ele conheceu o engenheiro Pascal Bargiela, responsável pelo Laboratório de Análise de Superfícies (LAS) do Instituto de Física, que o iniciou na espectroscopia XPS. Contratado graças a uma parceria da UFBA com a Petrobrás, Bargiela é quem zela pelo bom funcionamento do espectrômetro Specs Phoibos 100 na Universidade.

A cotutela com a Universidade de Rennes I foi possível graças à parceria com outro francês, o professor Christian Godet, diretor de pesquisa do CNRS no Instituto de Física de Rennes, que acolheu e orientou Victor ao longo do ano em que ele esteve na França. Graças à cotutela, Victor obteve dois títulos em um: tornou-se doutor pela UFBA e, ao mesmo tempo, por Rennes I. O acordo de cotutela é algo relativamente raro – em 2015, por exemplo, ano do último dado disponível, apenas 12 estudantes foram beneficiados – e a condição fundamental é que o estudante passe 25% do período de estudos na universidade estrangeira, sob orientação de um pesquisador local. “Esta circulação demanda o enfrentamento das barreiras linguísticas e culturais, mas ela é fundamental para a produção de conhecimento científico de qualidade, em particular em áreas como a física”, avalia o pró-reitor Olival Freire Jr. A estadia de Victor na França foi custeada através de uma bolsa de doutorado sanduíche do CNPq (edital Ciência Sem Fronteiras – linha 2), no âmbito de um projeto de pesquisa sobre a PEELS proposto pelos professores Denis David e Antônio Ferreira da Silva – coordenador do Laboratório de Propriedades Óticas do IF, e que teve papel fundamental na obtenção da bolsa – e de uma segunda bolsa, concedida pela Région Bretagne, da França.

Victor fala com entusiasmo do período que passou na França. Conheceu não apenas franceses, mas também indianos, senegaleses, russos, norte-americanos, gente, enfim, de todos os cantos. Encantou-se com a seriedade científica de todos e, mais do que isso, com a possibilidade de relativizar seus próprios paradigmas culturais, de “conhecer modos de pensar diferentes” – algo que acredita ser fundamental para a formação científica e humana de qualquer pessoa. Victor disse que sentiu menos o racismo lá do que em Salvador. Pois então, se você cruzar por aí com um rapaz franzino, de lábios grossos, cujos óculos espessos e aparelho nos dentes já prenunciam a voz rarefeita e meio hesitante típica desse pessoal meio genial, apenas cogite: ele pode ser doutor na “Oropa, França e Bahia”.