quinta-feira, 21 de março de 2019

SEJU E FOMENTO PARANÁ FECHAM PARCERIAS PARA OFERECER CRÉDITO A JURO BAIXO AOS PARANAENSES

Convênios facilitarão a tomada de empréstimos nas Agências do Trabalhador e possibilitarão a retomada do programa Paraná Juro Zero

A Secretaria da Justiça, Família e Trabalho e a Fomento Paraná vão atuar em conjunto para oferecer crédito a juro baixo para os paranaenses. A intenção foi oficializada na noite desta quarta-feira (20), durante visita do presidente da instituição financeira, Heraldo Neves, ao secretário Ney Leprevost.

Um convênio importante entre os dois órgãos será assinado em breve e permitirá a utilização da Agência do Trabalhador de Curitiba, que é gerenciada pela Sejuf, a oferecer crédito para os trabalhadores no momento do atendimento. “Vamos trabalhar em conjunto para facilitar a vida do paranaense, e fazer com que o crédito chegue de forma mais fácil e rápida aos empreendedores”, disse Leprevost.

Com o suporte da Agência do Trabalhador, o alcance dos programas de crédito do governo do estado aumenta bastante. “A capilaridade das agências é extremamente importante para que possamos continuar a oferecer linhas de crédito a juro baixo”, destacou Neves.

O presidente da Fomento Paraná sugeriu também que o microcrédito possa ser ofertado online por meio do Paraná Serviços, aplicativo recém-lançado pela Sejuf – o que foi de pronto aceito pelo secretário. “Será uma importante parceria para beneficiar todos os cidadãos paranaenses a conseguir empreender, e o uso da tecnologia por meio do aplicativo será algo inédito, inovador e vai facilitar bastante a concessão de crédito”, disse Ney Leprevost.

Participaram da reunião também assessora de planejamento e Gestão Estratégica da Fomento, Mayara Puchalski, indicada para a Diretoria Administrativo-Financeira da instituição, e o diretor-geral da Sejuf, Adayr Cabral.

A HISTÓRIA COMPLETA DO GOLPE DO SÉCULO CONTRA A PETROBRAS

Sede da Petrobras (Imagem: Tânia Rêgo | ABr)

Luis Nassif, Jornal GGN

A Procuradora Geral da República tem defeitos e virtudes. Os defeitos, dizem, são de temperamento; as virtudes são de caráter. É fechada, centralizadora, discretíssima e tem pouca visão de estratégias políticas. Por outro lado, é técnica, correta, ciosa do interesse público e, especialmente, do papel institucional do Ministério Público.

Em nome dessa defesa do MP, varreu para baixo do tapete os erros gigantescos cometidos pelo antecessor Rodrigo Janot e pela Lava Jato. E deixou para o último instante o questionamento da excrescência da fundação de direito privado financiada pela Petrobras, em cima de um acordo com autoridades norte-americanas. Só a questionou quando começaram a brotar críticas na imprensa, em uma demonstração da falta de timming sobre o momento de demonstrar sua coragem.

Nessa fundação está a chave da questão, para entender uma série de ações nebulosas de Janot e da Lava Jato nos Estados Unidos.

Ouça a explicação de Deltan Dallagnol. Segundo ele, não se está tirando dinheiro da Petrobras, mas apenas impedindo que o valor da multa fique nos Estados Unidos.

Diz também que, como a União é controladora da Petrobras, as autoridades americanas não permitiriam que ficasse com os recursos das multas. Trata a Lava Jato como se fosse a legítima representante, no Brasil, dos interesses das autoridades judiciais americanas, que não confiariam sequer no estado brasileiro.

Há outras fakenews no discurso. Por exemplo, o acordo não está condicionado à criação de uma fundação. Fala em reparação de direitos difusos. E não aponta qual o direito difuso a ser reparado. Além disso, há um Fundo dos Direitos Difusos Lesados, que impede que o Tesouro se aproprie dos recursos.

Falsifica os fatos, também, quando minimiza a influência da Lava Jato na fundação. Caberá aos procuradores e ao juiz escolher as organizações que farão parte do Conselho, assim como colocar representantes em cada área e dar um enorme impulso à indústria do compliance, que terá nos procuradores da Lava Jato os consultores especializados.

Não é a parte mais grave da história.

Vamos entender melhor a partilha do que pode ser chamado de “o golpe do século”, em relação a Petrobras.

A montagem do golpe do século

Coube a Ellen Gracie, ex-Ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) traçar a estratégia do acordo da Petrobras com a SEC (a CVM americana) e com o Departamento de Justiça (DoJ). Ao mesmo tempo em que se iniciavam as tratativas, Janot e o grupo da Lava Jato foram pessoalmente aos Estados Unidos compartilhar provas e delatores contra a Petrobras. Com essa estratégia, a Petrobras deixou de ser tratada como vítima para se tornar ré: esta foi a chave do golpe. Por aí se entende, também, o desmonte implacável da imagem da Petrobras pela Lava Jato.

Foram dois os motivos das quedas nas cotações da Petrobras:

1. A queda nas cotações internacionais de petróleo, que afetou todas as petroleiras.

2. A expectativa das multas a serem aplicadas pela SEC e pelo DoJ à Petrobras, em função da estratégia de acordo delineada. Ou seja, parte da queda no valor das ações da Petrobras tem relação direta com a estratégia encampada pela PGR de Janot somada à campanha para apresentar a Petrobras como a empresa mais corrupta do planeta.

As propinas não tiveram peso algum nos resultados da Petrobras, porque embutidas nos preços dos contratos e irrisórias perto do faturamento da empresa. Tudo isso poderia ter sido demonstrado para rebater as pretensões dos escritórios que decidiram processar a Petrobras.

Além disso, aqui mesmo, nosso colunista André Araújo mostrou caminhos alternativos que poderiam ter sido trilhados para evitar essas multas, passando pelos acordos diplomáticos governo a governo.

O acordo abriu espaço para um enorme butim, acertado entre três partes: a Petrobras, através de seu presidente Pedro Parente, as autoridades norte-americanas, e a Lava Jato.

O butim foi dividido da seguinte maneira:

1. US$ 2,95 bilhões para um acordo extrajudicial com os acionistas nos EUA, o triplo das previsões mais otimistas de seus advogados. Parte relevante de honorários para escritórios de advocacia. Tudo isso sem que a Lava Jato esboçasse uma reação sequer.

2. US$ 400 milhões para contratação de escritórios para atender às demandas do DoJ na Petrobras. Depois da Petrobras, Ellen Gracie aplicou a mesma estratégia na Eletrobras, alvo da Lava Jato em cima de informações trazidas por Janot na sua visita ao DoJ. E graças às mudanças ocorridas na presidência e no Conselho da empresa, ampliando enormemente o escopo de trabalho dos escritórios contratados.

3. R$ 2,45 bilhões para serem administrados por uma fundação montada e controlada pela República do Paraná.

Reza o acordo firmado:

“A cooperação da Petrobras incluiu a realização de uma investigação interna minuciosa, compartilhamento proativo em tempo real de fatos descobertos durante a investigação interna e compartilhamento de informações que não estariam disponíveis ao Departamento, fazendo apresentações regulares ao Departamento, facilitando entrevistas e informações de testemunhas estrangeiras e coletando, analisando e organizando voluntariamente volumosos evidências e informações para o Departamento em resposta a solicitações, incluindo a tradução de documentos-chave”.

Por aí se entende as inúmeras homenagens recebidas pelos bravos integrantes da Lava Jato nos principais centros de lobby dos Estados Unidos e do mundo.

Agora se chegou a um ponto de não retorno, que exigirá da PGR e dos Ministros do STF uma determinação que até agora não demonstraram, em defesa da institucionalidade brasileira, e para impedir a desmoralização final das instituições e a intimidação pelo uso das milícias paraestatais.

REFLEXÕES SOBRE AS FADE NEWS


Ramon T. Piretti Brandão*, Pragmatismo Político

O advento das fake news – notícias falsas que circulam expressivamente na internet – é central no debate público contemporâneo. Um tema antigo, mas ainda pouco esclarecido e explorado. Sabemos, no entanto, que elas sempre existiram. Quando, em 20 de julho de 1969, Armstrong pisou na lua, houve uma forte onda de boatos (os boatos são os antepassados diretos das fake news) espalhando a “notícia” de que as imagens haviam sido forjadas em algum estúdio secreto localizado nos EUA.

No Brasil, a morte de Tancredo Neves (vítima de uma septicemia fruto de provável falha médica) também foi associada a algumas justificativas escusas – dentre as quais a que dizia que o mesmo havia sido vítima de um atentado. Durante o regime Vargas, Carlos Lacerda (jornalista e político ligado à direita) forjou um atentando contra si mesmo para poder acusar o então presidente de perseguição. Durante o regime militar, dois militares foram descobertos após tentarem explodir uma bomba em evento público para, depois, acusarem de terrorismo movimentos ligados à esquerda (evento que ficou conhecido como “Rio Centro”). Mesma esquerda que seria responsabilizada, em 1989, pelo sequestro do empresário Abílio Diniz (especialistas em processo eleitoral dizem que o fato foi estratégico para a derrota do então candidato Lula e consequente vitória do candidato Fernando Collor nas eleições presidenciais) quando, na realidade, o atentado teria sido orquestrado por integrantes do PCC.

Poderíamos citar infinitos casos para concluir que, de um lado, historicamente, a manipulação da informação sempre foi usada para interesses políticos de viés eticamente desprezíveis. De outro lado, grande parte das pessoas têm vivido e explorado um conhecimento precário, incipiente, alimentado com preconceitos, crendices e superstições. É certo que o iluminismo ajudou a formar sujeitos que, sob influência de um certo racionalismo, tendem a se posicionar mais criteriosamente frente às informações disponíveis. No entanto, infelizmente, eles são uma minoria cada vez maior.

Dito isso, podemos afirmar com alguma razão que as fake news não são uma novidade histórica. O seu problema, tal como afirma Evgeny Morozov no livro Big Tech: a ascensão dos dados e a morte da política (publicado pela Editora Ubu), “é a velocidade e a facilidade de sua disseminação”. Basta um click. Segundo Morozov, “isso acontece principalmente porque o capitalismo digital de hoje faz com que seja altamente rentável produzir e compartilhar narrativas falsas que atraem cliques”. A novidade, portanto, não está nas fake news, mas na aparição desse instrumento que as reproduz e as dissemina com amplitude e velocidade jamais vistas.

Um segundo ponto que merece atenção é aquele que se refere ao próprio significado de fake news. Não é raro ver o termo sendo utilizado com efeitos retóricos, ou seja, para desqualificar um discurso que se coloque em oposição ao daquele que o emprega. Nesse sentido, o termo passa de simples informação mentirosa a tudo aquilo que desagrada – não apenas aos fatos que desagrada, mas também as interpretações das quais se discorda com veemência. Em outras palavras, o que é fake news para um fanático, é verdade absoluta e inquestionável para o fanático da vertente oposta.

A questão é: podem as fake news colocar em risco a democracia ou a liberdade de expressão?

As ideias e ideologias formam um tecido contínuo, de modo que fica difícil estabelecer uma linha separadora entre o que se coloca como legítimo e o que se coloca como indevido, proibido de ser expressado. A livre manifestação e circulação dessas ideias permite à sociedade dispor de uma ampla gama de opções cuja utilização – as vezes seletiva, as vezes não – compõe a própria linha de evolução dos costumes e da história. Assim, o que hoje nos parece inaceitável, amanhã poderá se tornar status quo.

Ora, quanto mais vigorosa é a prática da liberdade de expressão, quanto mais densa e variada, mais livres e conscientes serão as decisões que a sociedade deverá tomar… em tese. Na prática, além da diversidade de ideias razoáveis, a internet e a suposta liberdade que traz consigo deu espaço (mais do que isso, deu visibilidade) para teorias conspiratórias, opiniões detestáveis, versões distorcidas e sentimentos odiosos. Por alguma razão, elas dão mais ibope. Assim, cabe a necessidade de tipificar o termo. Fake news deveria compreender toda informação que, comprovadamente falsa, prejudique terceiros, tendo sido forjada e/ou posta em circulação por má fé ou simplesmente por negligência.

Um último aspecto que merece nota. O monopólio que exerce a Google na internet não significa que ela seja – ou deva ser – a responsável pela delicada tarefa de selecionar e/ou censurar informações. Ela não tem qualquer interesse em fazê-lo. Ela sequer se interessa em sustentar a liberdade de expressão. Essa ideia de terceirizar a responsabilidade é bastante comum por aqui. A Google, o Facebook e seus anexos estão interessados em você por duas razões: primeiro como consumidor e, segundo, pela informação que você gera a partir de suas buscas pessoais que, por sua vez, geram os dados necessários para te transformar em consumidor, pouco importando quem você é ou o que você pensa. Seus anúncios estão tanto em páginas que disseminam fake news quanto em páginas que combatem as fake news. Elas buscam, mais do que qualquer outra coisa, os focos de audiência. Nada mais.

Diz Morozov: “as eleições brasileiras de 2018 mostraram o alto custo a ser cobrado de sociedades que, dependentes de plataformas digitais e pouco cientes do poder que elas exercem, relutam em pensar as redes como agentes políticos. O modelo de negócios da Big Tech funciona de tal maneira que deixa de ser relevante se as mensagens disseminadas são verdadeiras ou falsas. Tudo o que importa é se elas viralizam, uma vez que é pela análise de nossos cliques e curtidas, depurados em retratos sintéticos de nossa personalidade, que essas empresas produzem seus enormes lucros. Verdade [para elas] é o que gera mais visualizações. Sob a ótica das plataformas digitais, as fake news são apenas as notícias mais lucrativas”.

Mas isso traz consigo um preço:

“Caso não encontremos formas de controlar essa infraestrutura, as democracias se afogarão em um tsunami de demagogia digital; esta, a fonte mais provável de conteúdos virais: o ódio, infelizmente, vende bem mais do que a solidariedade. É difícil, portanto, que exista uma tarefa mais urgente do que a de imaginar um mundo altamente tecnológico, mas, ao mesmo tempo, livre da influência perniciosa da Big Tech. Uma tarefa intimidadora que, se deixada de lado, ainda causará muitos danos à cultura democrática”.

O que fazer, portanto? Faria sentido exigir que os monopólios tecnológicos fossem compelidos a adotar uma política radical de transparência que permitisse, por sua vez, a absoluta supervisão sobre suas atividades – hoje totalmente inexistente? Faria sentido que a Justiça buscasse mecanismos que possibilitassem punir os responsáveis por divulgações mal-intencionadas, mesmo que para tanto houvesse monitoramento das atividades individuais? Em que medida nos seria garantido que tal monitoramento apenas não deslocaria o foco do problema – hoje na geração de dados para fins comerciais e, depois, nas mãos do Estado, como instrumento político?

Em última análise – e antes mesmo que possamos elaborar qualquer resposta aos questionamentos acima –, o mais eficiente instrumento contra as fake news, sua maior barreira, continua sendo a educação. Uma educação que esteja apta a estimular o discernimento nas escolhas, o questionamento permanente e o saudável ceticismo na forma de absorver informações. É o caminho mais longo, sem dúvidas, mas o único possível.

*Ramon T. Piretti Brandão é mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e colabora para Pragmatismo Político

BRASIL É O 32º PAÍS MAIS FELIZ DO MUNDO, REVELA RANKING

Avenida Paulista, São Paulo (Imagem: Débora Costa e Silva | Papetes)

A Finlândia é o país mais feliz do mundo em 2019. O título foi concedido pelo World Happiness Report 2019, pesquisa produzida por especialistas de diferentes instituições, com apoio dos dados da consultoria Gallup e da Organização das Nações Unidas (ONU), e que monitora o estado da felicidade no mundo.

A mais nova edição do estudo, divulgada nesta quarta-feira, compilou dados de 156 países entre os anos de 2016 e 2018.

Para chegar aos países mais felizes, uma série de indicadores são avaliados, como a expectativa de vida (considerando os anos em que uma pessoa se mantém saudável), o apoio social que as pessoas têm do governo, confiança nas instituições públicas, a percepção de liberdade e a generosidade.

Assim como em anos anteriores, o topo do ranking dos países mais felizes do mundo é ocupado majoritariamente por países ricos, como Dinamarca, Noruega, Nova Zelândia e Canadá. Veja:

1º Finlândia
Nota geral: 7,769
2º Dinamarca
Nota geral: 7,600
3º Noruega
Nota geral: 7,554
4º Islândia
Nota geral: 7,494
5º Holanda
Nota geral: 7,488
6º Suíça
Nota geral: 7,480
7º Suécia
Nota geral: 7,343
8º Nova Zelândia
Nota geral: 7,307
9º Canadá
Nota geral: 7,278
10º Áustria
Nota geral: 7,246
Os países mais felizes da América Latina

Entre os países da América Latina, a Costa Rica é o país que obteve a melhor pontuação no nível de felicidade da sua população e está situado no 12º lugar. O México aparece um pouco mais embaixo, em 23º, e o Chile mais adiante, 26º. O Brasil aparece em 32º e está melhor posicionado que o Uruguai (33º) e a Colômbia (43º). Abaixo, os países mais felizes da região, listados de acordo com suas colocações no World Happiness Report.

1º Costa Rica
Colocação geral: 12º
Nota geral: 7,167
2º México
Colocação geral: 23º
Nota geral: 6,595
3º Chile
Colocação geral: 26º
Nota geral: 6,444
4º Guatemala
Colocação geral: 27º
Nota geral: 6,436
5º Panamá
Colocação geral: 31º
Nota geral: 6,321
6º Brasil
Colocação geral: 33º
Nota geral: 6,300
7º Uruguai
Colocação geral: 33º
Nota geral: 6,293
8º El Salvador
Colocação geral: 35º
Nota geral: 6,253
9º Trindade e Tobago
Colocação geral: 39º
Nota geral: 6,192
10º Colômbia
Colocação geral: 43º
Nota geral: 6,125
Os brasileiros estão mais infelizes

Apesar de o Brasil aparecer na 32ª colocação no ranking do estudo, a verdade é que o nível de felicidade por aqui está caindo ano a ano. A avaliação é do economista Marcelo Neri, diretor da FGV Social, laboratório da FGV que estuda desenvolvimento social e que tem acesso aos dados da Gallup usados como base para o relatório.

“Em 2013, o brasileiro avaliava a sua satisfação na vida com nota de 7,1 (escala de 0 a 10). A partir de 2015, começamos a observar uma queda grande nessa pontuação e hoje estamos no menor nível da série histórica”, notou o especialista. A má notícia ? “Não há sinais de que voltaremos aos níveis anteriores”, lamentou o especialista. As informações são da revista Exame.

Gabriela Ruic, Exame

RICOS PAGAM MENOS POR LITRO DE ÁGUA DO QUE POBRES, AFIRMA ONU


A ONU divulgou nesta terça-feira (19/03) seu relatório mundial sobre o desenvolvimento dos recursos hídricos, que destacou que mais de 2 bilhões de pessoas não têm acesso a uma fonte adequada de água potável e que um número ainda maior, 4,3 bilhões, não têm saneamento básico.

“Melhorar a gestão dos recursos hídricos e fornecer a todos o acesso a água potável e saneamento seguros e acessíveis financeiramente são ações essenciais para erradicar a pobreza, construir sociedades pacíficas e prósperas e garantir que ‘ninguém seja deixado para trás’ no caminho rumo ao desenvolvimento sustentável“, afirma o texto divulgado pela Unesco e intitulado Não deixar ninguém para trás.

De acordo com o documento, estudos internacionais mostram bons retornos sociais e econômicos de investimentos em serviços de água, saneamento e higiene.

O relatório alerta que um futuro de crescente escassez é previsível, o que trará efeitos negativos para a economia global. Até o ano 2050, 45% do Produto Interno Bruto (PIB) global e 40% da produção mundial de grãos serão ameaçados por danos ambientais e falta de recursos hídricos.

O uso de água tem aumentado cerca de 1% ao ano em todo o mundo. A taxa deve se manter estável até 2050, quando a demanda representará um acréscimo de entre 20% e 30% em comparação aos níveis atuais, puxada pelos setores industrial e doméstico. Hoje mais da metade da população mundial não tem acesso a água limpa e saneamento.

Perspectiva regional

Na América Latina e Caribe, afirma o relatório, milhões ainda vivem sem fonte adequada de água potável, enquanto um número ainda maior não dispõe de saneamento. Esses grupos estão concentrados nos cinturões de pobreza das periferias de muitas cidades.

Segundo a Unesco, em muitos países da região, a descentralização deixou o setor de abastecimento e saneamento fragmentado, “composto por inúmeros prestadores de serviço, sem reais possibilidades de alcançar economias de escala ou viabilidade econômica” e sob a responsabilidade de municípios sem recursos e incentivos necessários para abordar a complexidade do problema de forma efetiva.

Mesmo na Europa e nos Estados Unidos, 57 milhões de pessoas não têm encanamento em casa e 36 milhões não têm saneamento básico, afirmou a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, na apresentação do estudo. Entre outros, comunidades do Canadá e da Índia têm desvantagens severas, já que 40% delas possuem apenas água potável de qualidade baixa, o que acarreta consequências para a saúde.

Além disso, mais de 2 bilhões de pessoas vivem em países com “alto estresse hídrico” – onde mais de um quarto da água disponível é consumida. Estudos recentes apontam que mais de 50 países são afetados por estresse hídrico e que em alguns deles cerca de 70% dos recursos já estão sendo usados.

Assim, grandes reservas são consumidas e a disponibilidade de água chega ao limite. Mais de 20 países são afetados, incluindo Egito e Paquistão.
Um fardo maior para os pobres

O título do relatório da Unesco se refere a um aspecto chave do levantamento: a desigualdade do acesso. Pessoas que são pobres ou sofrem discriminação social têm maior probabilidade de ter acesso limitado a água e saneamento adequados, observou o relatório.

Como exemplo de grupos desfavorecidos e que experimentam desigualdades “na garantia de seus direitos humanos a água potável e saneamento seguro“, o documento cita pessoas que sofrem discriminação por causa do sexo, idade, etnia, religião, além de minorias de outra natureza, como indígenas, migrantes e refugiados. No entanto, a pobreza é o fator de destaque.

Segundo o editor-chefe do relatório, Rick Connor, casas urbanas ricas com água encanada tendem a pagar muito menos por litro de água, enquanto pessoas pobres que moram em favelas muitas vezes precisam comprar água de caminhões, quiosques e outros fornecedores, gastando cerca de 10 a 20 vezes mais.

“A percepção errada é que eles não têm água porque não podem pagar por ela — e isso está completamente errado“, disse Connor à Fundação Thomson Reuters.

Quase metade da população que consome água potável de fontes desprotegidas no mundo vive na África Subsaariana, onde apenas 24% dos habitantes têm acesso a água potável segura.
Alemanha pode fazer mais

Diante dos resultados do relatório, Ulla Burchardt, do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e membro da comissão alemã na Unesco, afirmou que a Alemanha pode fazer mais.

Embora o país esteja no caminho certo no âmbito da garantia dos direitos à água, “somos parcialmente responsáveis pelos grandes problemas em outras regiões do mundo, como a importação de algodão ou de carne bovina, cuja produção pode demandar uso intensivo de água“, declarou Burchardt.

“A garantia de acesso à água e ao saneamento são direitos humanos“, disse ela. “Mas bilhões de pessoas não têm esses diretos concretizados“, completou.

Deutsche Welle

A NOVA PESQUISA IBOPE SOBRE A POPULARIDADE DO GOVERNO BOLSONARO


A avaliação positiva do governo do presidente Jair Bolsonaro sofreu uma queda de 15 pontos percentuais em relação a janeiro e agora soma 34 por cento, apontou a nova pesquisa Ibope divulgada pelo instituto nesta quarta-feira, que também mostrou que a aprovação pessoal do presidente caiu 16 pontos no período.

De acordo com o levantamento, a avaliação regular do governo Bolsonaro é de 34 por cento, ao passo que 24 por cento avaliam o governo como ruim ou péssimo.

Em fevereiro, a avaliação positiva do governo era de 39 por cento, enquanto em janeiro esse número era de 49 por cento. No mês passado, 30 por cento consideravam o governo regular, contra 26 por cento em janeiro. Já o percentual dos que viam o governo de forma negativa era de 19 por cento em fevereiro e de 11 por cento em janeiro.

De acordo com o Ibope, 8 por cento não souberam responder quando indagados sobre a avaliação do governo, percentual que era de 12 por cento em fevereiro e de 14 por cento em janeiro.

O Ibope também pesquisou a confiança em Bolsonaro, e 49 por cento afirmaram confiar no presidente, contra 55 por cento em fevereiro e 62 por cento em janeiro. Ao mesmo tempo, 44 por cento afirmaram não confiar em Bolsonaro, ante 38 por cento em fevereiro e 30 por cento em janeiro.

AVALIAÇÃO DO GOVERNO BOLSONARO:

Ótimo/bom: 34%
Regular: 34%
Ruim/péssimo: 24%
Não sabe/não respondeu: 8%

O Ibope fez uma comparação entre os resultados de pesquisas de avaliação da administração dos últimos presidentes eleitos, realizadas no mesmo período de governo.

A avaliação positiva de Jair Bolsonaro é inferior àquelas registradas para Fernando Henrique Cardoso (1º mandato), Lula (1º e 2º mandatos) e Dilma Rousseff (1º mandato).

FHC tinha 41% de ótimo/bom, Lula 51% e Dilma Rousseff 56% no terceiro mês de seus respectivos mandatos.
Rejeição explode em periferias

A queda na popularidade de Jair Bolsonaro, aferida pela pesquisa do Ibope divulgada nesta quarta 20, foi mais vertiginosa nos centros urbanos do Brasil. Nos municípios com mais de 500 mil habitantes, o percentual dos que avaliam o governo como ruim ou péssimo cresceu 18 pontos percentuais — de 14% em janeiro para 32% em março.

A rejeição ao governo também cresceu significativamente entre os brasileiros que têm entre 45 e 54 anos. Em janeiro, apenas 9% consideravam ruim ou péssima a gestão do militar. Agora, são 26%.

Desde a posse, a aprovação a Bolsonaro caiu mais de 20 pontos percentuais entre os seguintes grupos: população de 45 a 54 anos (de 70% para 45%), moradores de cidades periféricas (de 63% para 42%) e entre os que só completaram o ensino fundamental (de 69% a 49%).

Já a região Nordeste dá ao governo a maior rejeição: 49%, um aumento de 19 pontos percentuais em relação a janeiro.

Ricos e evangélicos

Os mais ricos ainda são os que melhor avaliam Bolsonaro (49%), mas esse número também caiu: era de 57% em janeiro. O apoio também é alto entre os que se autodeclaram brancos (42%).

Entre os evangélicos, outra base importante do presidente, a avaliação positiva é de 61%. O segmento também é o que mais confia no presidente (56%).

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre 16 e 19 de março. O nível de confiança da pesquisa é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem a realidade, considerando a margem de erro, que é de 2 pontos, para mais ou para menos.

com CartaCapital

quarta-feira, 20 de março de 2019

CABEÇA DE MARIELLE FOI ENCOMENDADA POR R$ 200 MIL, DIZ JUIZ


(Imagem de Ronnie Lessa praticando tiro / divulgação)

O juiz Gustavo Gomes Kalil, da 4ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, aceitou denúncia do Ministério Público e colocou no banco dos réus os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Elcio Vieira de Queiroz, suspeitos de assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL). Em decisão, o magistrado considera o modus operandi da dupla como “sofisticado” e pensado para “garantir a impunidade” no crime.

Em relatório, Kalil descreve que as investigações sobre Lessa começaram após a Divisão de Homicídios da Polícia Civil receber uma denúncia anônima informando que o policial reformado era o autor dos disparos contra Marielle. O crime teria sido encomendado por R$ 200 mil.

O magistrado também relata informações apresentadas pelo Ministério Público, nos quais constam pesquisas feitas por Lessa envolvendo políticos e partidos de esquerda. Os termos incluem “Morte ao PSOL”, “Marcelo Freixo”, “Morte de Marcelo Freixo”, “Lula Enforcado” e “Dilma Rousseff Morta”. Há também pesquisas por “ditadura militar” e “Estado Islâmico”.

Em fevereiro de 2018, Lessa teria pesquisado sobre parlamentares que votaram contra a intervenção militar decretada pelo então presidente Michel Temer no Rio de Janeiro. À época, Marielle Franco era relatora da comissão instalada na Câmara de Vereadores para acompanhar a ação das Forças Armadas.

A partir disso, Lessa teria pesquisado sobre a vereadora e também mulheres negras “com o similar engajamento político”, incluindo “Kenia Maria” e “Iza Cantora”.

“De acordo com as autoridades de investigação, as pesquisas realizadas pelo acusado revelariam, pois, que ele, em tese, monitorava de perto a vítima Marielle”, afirma Kalil. “Além disso, segundo a autoridade policial e o MP, o acusado Ronnie, poucos meses antes do crime, teria realizado pesquisas ‘online’ acerca de acessórios para submetralhadora HK MP, especialmente ‘silenciadores’, entre os dias 10/11/2017 e 26/02/2018.”

Após o dia 14 de março de 2018, data do assassinato de Marielle, Lessa parou de buscar sobre a vereadora na internet. Durante as investigações, policiais descobriram que câmeras de segurança e sinais de GPS no local do crime foram neutralizadas.

“O ‘modus operandi’, como informado pelo MP e indiciado nas investigações, revela sofisticação, devendo o Poder Judiciário agir com rigor a fim de garantir a ordem pública”, anotou Kalil. “O próprio planejamento do crime, conforme alegado pelas autoridades da persecução, revela que os acusados atuariam de forma a garantir a impunidade, neutralizando sinais de GPS, escondendo/destruindo elementos de convicção”

O juiz ressalta se tratar de “suposto cometimento de três crimes de natureza hedionda”, sendo dois homicídios triplamente qualificados contra Marielle e o motorista Anderson Gomes e um homicídio tentado duplamente qualificado contra a assessora Fernanda Chaves.

“Segundo a denúncia, eles teriam ceifado a vida de uma vereadora no exercício do mandato e seu motorista, mediante execução sumária, fatos imputados estes que, segundo a versão ministerial, apresentam uma gravidade concreta, considerando, em especial, o ‘modus operandi’ empregado nos delitos”, afirma Kalil.

Ao aceitar a denúncia, o magistrado destaca “ligações com suposta organização miliciana composta por policiais militares da ativa” para garantir a transferência de Lessa e Queiroz para unidade prisional federal de segurança máxima. O presídio deverá ser indicado pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

Kalil também determinou a perda de bens após constar que Lessa teria tentado ocultar o próprio patrimônio, incluindo diversas armas, dois automóveis, um deles no valor de R$ 150 mil. “Seu local de residência,um condomínio luxuoso na Barra da Tijuca, seria incompatível com seus proventos de policial militar reformado”, afirma o juiz.

Ele também destaca o relatório do Coaf que aponta movimentação financeira suspeita de R$ 100 mil na conta de Lessa.

Agência Estado

CUIDADO, A BETTINA DE R$ 1 MILHÃO ESTÁ ENGANANDO VOCÊ


Bettina, da Empiricus (reprodução)

O “comercial da Bettina” infestou os vídeos da plataforma Youtube nas últimas semanas. Na peça publicitária, uma moça de cabelos loiros longos e blusa cor de vinho conta o sucesso obtido como investidora ao usar uma tática que “não é nenhum segredo”.

“Oi. Meu nome é Bettina, eu tenho 22 anos e 1 milhão e 42 mil reais de patrimônio acumulado”, diz a moça. O teor da propaganda é tão apelativo que a peça acabou virando meme nas redes sociais.

“Eu comprei ações na bolsa de valores”, continua a moça de forma enfática. Depois, complementa dizendo sua trajetória no mundo das finanças, que começou com R$ 1.520 e chegou ao patrimônio atual após apenas três anos.

(o texto continua depois das mensagens)


Oi. Meu nome é Rithely, tenho 22 anos e já tenho R$1,42…#betina

— .xls (@rrithely) 14 de março de 2019


– oi, meu nome é betina, tenho 22 anos e já tenho um milhão.
– oi, meu nome é Luana, falo que tô esperando os 3 anos de prática jurídica pra poder passar no concurso, mas tenho total ciência que vai demorar uns 50 anos. #fato #segueavida #betina #concurso https://t.co/kl65NHGhrB

— Luana Gonçalves (@luanag1983) 15 de março de 2019



Bettina Rudolph é o nome verdadeiro da jovem que aparece no vídeo. Ela trabalha na equipe publicitária da consultoria de investimentos Empiricus Research. Segundo Felipe Miranda, CEO da consultoria, a história que ela relata no vídeo é real. Mas um levantamento revela que não é bem assim.

“Não fazia ideia de quem era essa Bettina de 1 milhão até aparecer na timeline. Mas vocês são muito incompetentes como ‘stalkers’ e eu tô presa no táxi numa São Paulo chuvosa então fiz o trabalho que já deveriam ter feito. A empresa que Bettina que tem com maior capital tem como sócios o pai, Joachim, a mãe, Diana e o irmão Thomas. Coisa de R$ 535 mil. A outra empresa dela tem capital social de R$ 100 mil”, revelou a escritora e roteirista Daniela Abade.


Nome dela é Bettina Dick Rudolph. A empresa que ela tem com maior capital tem como sócios o pai, Joachim, a mãe, Diana e o irmão Thomas. Coisa de 535 mil reais. A outra empresa dela tem capital social de 100 mil reais. pic.twitter.com/9cN7g7CRoP

— Daniela Abade (@danielaabade) 15 de março de 2019


É possível?

“O ganho entre R$ 1,4 milhão e R$1,5 mil equivale a um retorno de 69.367% no período de três anos. Isso significa que ela teria ganhado em média 19,93% ao mês”, observa Michael Viriato, professor de finanças do Insper.

“Se ela investisse em títulos que remuneram a taxa DI de 6,4% ao ano, teria levado mais de 105 anos para obter o mesmo valor. Já no mercado de ações, o Ibovespa deu retorno de 123% nos últimos três anos. Pela Bolsa de Valores, portanto, ela teria demorado quase 25 anos para chegar à fortuna atual”, segue o professor.

“Mesmo que ela tivesse acertado exatamente os dias em que o Ibovespa subiu e não estivesse aplicada em ações nos dias que o índice caiu, ainda assim, sua rentabilidade no período teria sido dez vezes menor”, afirma Viriato.

O professor explica ainda que mesmo os investidores que conseguem ganhar dos índices no mercado de ações, como Warren Buffet, sequer chegaram próximos ao resultado prometido por Bettina.

“Warren Buffet é mundialmente reconhecido por sua fortuna construída a partir de investimento em empresas fechadas e no mercado de ações. Sua média de retorno ao longo dos anos foi de 20,5% ao ano. Investindo como o bilionário, Bettina teria levado mais de 35 anos para alcançar seu patrimônio atual. Logo, ela precisaria ter uma estratégia ainda melhor que a do mais famoso investidor do mundo”, calcula o professor.

“Em seu histórico de mais de meio século, o período de três anos mais favorável de Warren Buffet não lhe rendeu nem 300%. Portanto, não parece que, mesmo quando um gênio como Buffet está no comando, seja simples atingir o resultado”, conclui Viriato.

Empiricus

A Empiricus Research, onde Bettina trabalha, é uma empresa que lucra basicamente vendendo pacotes de relatórios e cursos com base em propaganda sensacionalista.

A assinatura anual mais barata no site da empresa para carteira de ações custa mais de R$150. O vídeo de Bettina foi assistido por milhões de pessoas. Por isso, basta que um pequeno percentual assine um pacote de relatórios e a empresa já terá lucro garantido.

Especialistas afirmam que as pessoas físicas e jurídicas que mais ganham neste mercado não são aquelas que operam na Bolsa, mas os que vendem planos para enriquecimento “rápido, fácil e seguro”.

O Pragmatismo Político tratou da Empiricus Research pela primeira vez em 2014, quando a empresa entrou na campanha presidencial daquele ano com o objetivo de influenciar o resultado eleitoral a favor do então candidato Aécio Neves (PSDB). Relembre:

— O que está por trás da campanha da Empiricus contra Dilma Rousseff?

Alguns anos depois, em 2017, a Empiricus usou uma estratégia semelhante para alertar sobre os riscos para os investimentos com o “retorno de Lula à Presidência da República”. Na época, o ex-presidente ainda estava em liberdade e era considerado um dos nomes favoritos para a disputa de 2018. Veja:

— Empiriucs Research faz terrorismo com a imagem de Lula

Samy Dana, comentarista de economia da Globo, também usou as redes sociais para comentar o “fenômeno Bettina”:


Daqui a 15 anos, nossa heroína terá 37 anos de idade e um patrimônio de 157 quintilhões de reais: 2 milhões de vezes o PIB americano de 2018 e 316 milhões de vezes a fortuna Jeff Bezzos – homem mais rico do mundo segundo a Forbes. pic.twitter.com/7NOCZy6tur

— Samy Dana (@samydana) 17 de março de 2019

SERVIDORES DO MEC DEIXAM O TRABALHO E VÃO PARA OS EUA VISITAR OLAVO DE CARVALHO


Servidores do MEC viajaram para curso com Olavo sem autorização (reprodução/instagram)

Dois servidores do Ministério da Educação (MEC) nomeados pelo ministro Ricardo Vélez Rodríguez deixaram o trabalho na pasta após o Carnaval para participar de um curso com o escritor Olavo de Carvalho nos Estados Unidos. As informações foram reveladas pelo jornal Folha de S.Paulo.

Os dois servidores que foram para os EUA são do chamado grupo olavista, que protagoniza uma disputa por cargos e influência no MEC.

A ausência no trabalho e a viagem oficial de Daniel Emer e Silvio Grimaldo de Camargo não foram autorizadas oficialmente. A atitude contraria a legislação e pode resultar em demissão. Por enquanto, não há evidências de que eles tenham viajado com dinheiro público.

Emer é casado com a deputada federal Caroline de Toni (PSL-SC), do mesmo partido do presidente Jair Bolsonaro. A parlamentar também se ausentou da Câmara na semana passada para fazer o curso com Olavo de Carvalho no estado de Virgínia, nos EUA.

Já Grimaldo era assessor de Vélez e não aceitou mudar de cargo, tendo sido exonerado na última segunda-feira (11). Quando se ausentou de suas atribuições para participar do curso, o rapaza ainda trabalhava no ministério. Há dez dias, Grimaldo publicou nas redes sociais que o MEC promovia o expurgo de olavistas.

Os servidores do MEC participaram do curso “Ser e Poder”. Há fotos nas redes sociais em que aparecem lá desde o dia 5, terça-feira de Carnaval. Emer, a deputada Caroline de Toni, Grimaldo e outras duas alunas do escritor aparecem em foto, na noite de sexta (7), durante um brinde em um bar.

“Friday Night olavética”, diz a legenda da publicação do assessor. No dia anterior, Emer brinda com Olavo enquanto come pizza.

A informação repercutiu nas redes sociais. “Ministro @ricardovelez. A viagem não autorizada, em dia de trabalho, de servidores do MEC para os EUA para curso do Olavo de Carvalho, é um bom tema para começar a ‘Lava Jato da Educação”, escreveu o deputado Paulo Teixeira.

BRASIL É CITADO EM MANIFESTO DO AUTOR DO MASSACRE NA NOVA ZELÂNDIA


Autor do massacre na Nova Zelândia passa por primeira audiência judicial (imagem: reprodução/internacional/stuff)

O principal responsável pelo ataque a tiros que matou 50 pessoas em duas mesquitas na cidade de Christchurch, na Nova Zelândia, citou o Brasil em seu manifesto de 74 páginas

O texto, intitulado The Great Replacement (A Grande Substituição), está repleto de teorias da conspiração populares da extrema direita sobre como europeus brancos supostamente estariam sendo substituídos por imigrantes não brancos.

O Brasil é mencionado na metade do documento, na seção em que Brenton Tarrant faz críticas à diversidade racial. “O Brasil com toda a sua diversidade racial está completamente fraturado como nação, onde as pessoas não se dão umas com as outras e sempre que possível se separam e se segregam”, destaca.

No manifesto, o atirador se autodescreve como um “etnonacionalista” que se inspirou em ataques cometidos por extremistas de direita, como o norueguês Anders Behring Breivik, que matou 77 pessoas em 2011 motivado pelo ódio ao multiculturalismo.

O terrorista afirma ainda que apoia o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “como um símbolo da identidade branca renovada e pelo objetivo comum”.

O autor do texto escreve que planejou o ataque por dois anos e que escolheu a cidade alvo há três meses. A ideia para o massacre teria surgido numa viagem que fez à Europa entre abril e maio de 2017, que o teria deixado chocado com a “invasão de imigrantes”.

O título do manifesto faz referência a um livro escrito pelo francês Renaud Camus, que popularizou a ideia de “genocídio branco”, um termo tipicamente usado por grupos racistas para se referir à imigração e ao crescimento de populações minoritárias.

Rosto distorcido

Brenton Harrison Tarrant, de 28 anos, será enviado ao Supremo Tribunal em Christchurch em 5 de abril e até lá ficará detido, sem direito à fiança.

Durante a primeira audiência no último sábado (16) ele permaneceu em silêncio, mas olhou diversas vezes para os poucos jornalistas que receberam autorização para acompanhar o procedimento, e sorriu ao ser fotografado e filmado.


Segundo o jornal “New Zealand Herald”, o assassino fez um gesto conhecido como símbolo de supremacistas brancos com as mãos enquanto era fotografado. O juiz determinou que todas as imagens mostrem seu rosto distorcido, para que ele não possa ser visualmente identificado.

HOMEM CONDENADO POR ATIRAR CONTRA SEGURANÇA DE SHOPPING RECEBE PENA DE SETE ANOS E CINCO MESES DE RECLUSÃO

O Tribunal do Júri de Curitiba condenou na sexta-feira, 15 de março, um homem que atirou contra seguranças de um shopping da capital em junho de 2014. A pena atribuída foi de sete anos e cinco meses de reclusão em regime fechado.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná, o réu e mais duas pessoas que o acompanhavam teriam sido expulsos do shopping após desligarem uma escada rolante e serem por isso advertidos pelos seguranças, o que gerou discussão entre eles. Os três voltaram depois, e um deles (o réu condenado) atirou contra os seguranças, no momento em que estes saíam do prédio. Um cliente do shopping foi atingido, sendo hospitalizado em estado grave. O homem que atirou e seus acompanhantes foram presos logo após o ocorrido.

O réu foi condenado por tentativa de homicídio, agravado pelo uso de meio que possa resultar perigo comum (uma vez que outras pessoas saíam do shopping no momento e poderiam ter sido atingidas), além de lesão corporal grave.

(Autos: 0000655-45.2014.8.16.0006)

SCANIA ENTRA NO QUINTAL DO VIZINHO E INVADE O TRANSPORTE URBANO DE CURITIBA

A Scania entrega seus seis primeiros biarticulados no Brasil, quebra a exclusividade da Volvo em Curitiba e inicia testes de ônibus a GNV

Ônibus biarticulados Scania
 Divulgação

A Scania aproveitou as comemorações dos 326 anos de Curitiba para entregar seis unidades de ônibus biarticulados. Os modelos medem 27 metros, têm capacidade para 250 passageiros cada e fazem parte da renovação da frota da capital paranaense. São os primeiros biarticulados vendidos pela marca no país, e foram adquiridos pela Viação Cidade Sorriso, uma das operadoras do sistema de transporte urbano de Curitiba. A frota completa começa a rodar ainda no primeiro semestre deste ano. 
A responsável pela negociação e atendimento ao cliente é a Casa Scania Cotrasa, que conseguiu um feito histórico para a marca – é a primeira vez que alguma operadora do sistema urbano curitibano adquire ônibus que não sejam da marca Volvo. Sueca como a Scania, a Volvo tem uma fábrica na capital paranaense. “Quebramos a hegemonia e a exclusividade de um concorrente. 
Após uma demonstração real durante sete meses, nas mesmas linhas que os seis modelos rodarão, comprovou-se uma redução no consumo de combustível de 3% em comparação ao outro competidor, em condições idênticas. Estamos satisfeitos que os resultados operacionais surpreenderam a Viação Cidade Sorriso. Curitiba é referência em mobilidade urbana”, comemora Silvio Munhoz, diretor comercial da Scania no Brasil.

“As demonstrações que fizemos com o biarticulado da Scania apresentaram ótimos resultados. Estamos confiantes na parceria com essa empresa de indiscutível credibilidade. Além disso, acreditamos que a concorrência entre fabricantes de biarticulados vai ao encontro do nosso objetivo, que é oferecer ao nosso cliente, o passageiro do ônibus, o melhor produto pelo menor custo”, explica Mauricio Gulin, presidente da Viação Cidade Sorriso.
 O biarticulado Scania foi devidamente homologado em conformidade com as normas da Urbs (Urbanização de Curitiba S/A), o órgão gestor que gerencia o sistema de transportes urbanos da capital paranaense. “A Urbs é uma das mais exigentes em termos de homologação no Brasil. 
Queremos continuar participando da renovação de frota curitibana”, salienta Munhoz. De acordo com o diretor da Scania, o biarticulado da fabricante sueca é mais competitivo em função de seu menor custo operacional e traz a vantagem do motor dianteiro, de menor ruído e maior facilidade de acesso, e que ainda reduz os custos de manutenção.


Os seis biarticulados Scania rodarão no Eixo Norte-Sul (Linha Santa Cândida – Capão Raso). O potencial de passageiros transportados deverá chegar a 90 mil/dia útil. O perfil dos passageiros que utilizam esse itinerário é bem diversificado, sendo em sua maioria estudantes e trabalhadores. Conforme Gulin, os seis novos veículos substituirão outros com vida útil vencida. Em média, por dia, os ônibus rodarão 10 horas. Já na previsão de rodagem mensal, cada biarticulado deverá atingir, em média 5.500 mil quilômetros.

Destinado ao uso em corredores exclusivos do sistema BRT (Bus Rapid Transit), o biarticulado Scania F 360 HA segue o padrão exigente da Urbs. Tem carroceria Caio, motor de 360 cavalos e desenvolve torque máximo de 188,6 kgfm, já em baixas rotações, para economizar combustível. Por estar localizado na parte frontal do veículo, o motor privilegia o salão de passageiros, de forma a permitir melhor acessibilidade entre os três vagões do veículo. 
O câmbio automático é o B 516R de 6 marchas, da Allison, com retardador, compatível com o alto torque do motor, de fácil manutenção e baixos custos operacionais. Sua arquitetura inteligente se adequa para economizar combustível – reduzindo a carga no motor, quando o veículo estiver parado –, faz a seleção dos momentos ideais de troca de marcha e garante maiores velocidades médias e tempos menores de percurso. O veículo tem configuração 8x2 de 43,5 toneladas de capacidade de carga.

O F 360 HA 8x2 sai de fábrica com suspensão a ar com quatro bolsões nos eixos traseiros, freios a tambor com sistema eletrônico EBS, que diminui o tempo e a distância de frenagem, ABS, controle de tração e o freio auxiliar Scania Retarder. A Viação Cidade Sorriso adquiriu também o PMS Fleet Care e se tornou a primeira empresa de ônibus urbano a utilizar o serviço. A conectividade é a base do Fleet Care, que funciona por meio de um gestor de frota coordenado pela rede de concessionárias da Scania.

Além de comemorar a venda dos seus primeiros biarticulados no país, a Scania acertou um programa de demonstrações para apresentar às empresas operadoras e aos órgãos gestores do transporte público de passageiros da capital paranaense o seu ônibus movido a gás natural veicular e biometano. O modelo chega a Curitiba ainda neste mês de março. “Em comparação com um veículo similar a diesel, o ônibus a gás emite 85% menos gases se abastecido com biometano, 70% menos se estiver com GNV, diminui a poluição sonora e reduz em torno de 28% o custo operacional por quilômetro rodado. Fazer uma demonstração em Curitiba é muito emblemático para nós por se tratar de uma capital que valoriza as alternativas ao diesel. 
A população sentirá uma grande diferença em comparação ao tradicional”, detalha Munhoz. O primeiro ônibus movido a GNV, e também a biometano ou mistura de ambos, da América Latina atuará nas linhas da Viação Cidade Sorriso.

A linha Scania com motor a gás veicular natural (GNV/biometano) oferece três modelos. O K 280 4x2, que pode receber carrocerias de 12,5 a 13,20 metros de comprimento, e capacidade para levar de 86 a 100 passageiros. O K 280 6x2, de 15 metros de comprimento, com terceiro eixo direcional e capacidade para até 130 passageiros. Ambos equipados com motor de 280 cavalos. E o articulado K 320 6x2/2, de 18,6 metros de comprimento e capacidade para 160 ocupantes, com propulsor de 320 cavalos. 
Para os ônibus movidos a GNV e biometano não são necessárias alterações significativas nos projetos das carrocerias. Apenas a instalação dos cilindros de gás, que no caso dos veículos com piso normal, são colocados nos espaços disponíveis entre as longarinas do chassi (abaixo do assoalho), e em opções com entrada baixa, a implantação é sobre o teto. Os veículos Scania a gás recebem um trem de força que supera as especificações da mais avançada legislação de emissões da Europa, a Euro 6.

Ônibus biarticulados Scania
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