quinta-feira, 20 de setembro de 2018

GLOBO E FOLHA ABREM OFENSIVA PARA DERRUBAR HADDAD E INFLAR CIRO



A pesquisa do Datafolha, divulgada no exótico horário de meia-noite, apresentou a mesma tendência da pesquisa do Ibope da véspera: Bolsonaro cresce pouco, Haddad cresce aceleradamente e Ciro, Alckmin e Marina estão estagnados ou em queda; mas o fato de o número do Datafolha para Haddad ter sido menor, na margem de erro (19% a 16%), foi o suficiente para que a Globo e a Folha iniciassem uma campanha agressiva de ataques a Haddad e de estímulo a Ciro, com o objetivo de atacar seu inimigo jurado, o PT, e criar uma alternativa a ele -Ciro- com a vantagem extra de dividir o campo progressista


247 - A pesquisa do Datafolha, divulgada no exótico horário de meia-noite, na virada desta quarta para quinta (20), apresentou a mesma tendência da pesquisa do Ibope da véspera: Bolsonaro cresce pouco, Haddad cresce aceleradamente e Ciro, Alckmin e Marina estão estagnados ou em queda. Mas o fato de o número do Datafolha para Haddad ter sido menor, na margem de erro (19% a 16%), foi o suficiente para que a Globo e a Folha iniciassem uma campanha agressiva de ataques a Haddad e de estímulo a Ciro, com o objetivo de atacar seu inimigo jurado, o PT, e criar uma alternativa a ele -Ciro- com a vantagem extra de dividir o campo progressista.


A manobra foi explícita. A manchete da Folha de S.Paulo desta quinta rompe o padrão histórico do jornalismo do diário dos Frias de apresentar os números das pesquisas do Datafolha para um título interpretativo: "Bolsonaro vai a 28% e Haddad, a 16%; Ciro lidera no 2º turno, mostra Datafolha". A manchete é um fenômeno, observou Leonardo Attuch, editor do 247, no programa Bom Dia 247: "A Folha pescou o dado do terceiro colocado na pesquisa, que não vai ao segundo turno, para inventar uma eleição que não existe, com objetivo de atacar o Haddad".

O Globo levou a manobra ainda mais longe, ao lançar um título quase inacreditável na história das pesquisas: "Datafolha: Ciro Gomes lidera como segunda opção de voto". Os Marinho estão dispostos a tudo para evitar o PT no segundo turno, mesmo a custo, conforme observou o analista Breno Altman em entrevista na TV 247 na manhã desta quinta, "de encamparem Ciro, um candidato que não gostam, no qual não confiam".

Para Breno, a manobra tem pouca chance de sucesso, porque "segundo o próprio Datafolha, Ciro está estagnado e Haddad não chegou ainda ao auge do processo de transferência de votos". É uma manobra desesperada, para tentar evitar o segundo turno PT versus antipetismo, no qual o PSDB será substituído por Bolsonaro. 

Com este objetivo, a imprensa conservadora tem operado para criar conflitos entre Haddad e Ciro para dificultar o que é certo: uma aliança entre os dois no segundo turno, como aconeceu em 1989, quando Brizola apoiou Lula depois de um primeiro turno recheado de conflitos entre ambos. Além disso, o objetivo é criar confusão e dissensões no próprio campo petista, o que foi feito nos últimos dias ao inventar a história de que Haddad teria negado dar indulto a Lula como se fosse quase uma traição ao ex-presidente, quando esta é a posição do próprio Lula. 

O jornalista Fernando Brito observou um dos momentos mais cômicos da operação de distorção das pesquisas encenada na madrugada desta quinta pela jornalista Renata Lo Prete no Jornal da Globo:

"Disse ela que 'a principal diferença entre este Datafolha e o Ibope que nós mostramos ontem é a distância entre Haddad e Ciro, mais estreita na pesquisa de hoje' , seguida de uma penca de ressalvas sobre data do campo e metodologia. Mas, afirma ela, 'vale a pena observar'. 'Na de ontem, Haddad, já aparecia isolado em segundo lugar; na de hoje, Ciro Gomes aparece em empate com ele'.

Vejam que maravilha: usando-se a diferença de um dia entre pesquisas, sugere-se que o candidato que cresceu – segundo o próprio levantamento, 0,5% ao dia em seis dias e saiu de um empate numérico com outro (que não cresceu absolutamente nada) para uma vantagem de 3 pontos foi, pela narrativa, 'alcançado' em 24 horas pelo que ficou parado ao longo de três pesquisas!" (leia aqui).
247

ALVARO DIAS ATACA BOLSONARO EM ATO POLÍTICO NO INTERIOR DO PARANÁ


(Foto: Reprodução Youtube)

Redação Bem Paraná com informações do site O Antagonista


Em campanha pelo interior do Paraná, o candidado à Presidência da República, Alvaro Dias (Podemos), diz que seu oponente, Jair Bolsonaro (PSL), é vagabundo . “Deus me livre! Vocês querem destruir o Brasil? Isso [Bolsonaro] não sabe nada, isso é um bandido! Trinta anos [no Congresso], só fez pra ele e pra família. [Não fez] Nada! Isso é um vagabundo total! E ele tá quase morto. Tá quase morto. Não ganha [de] ninguém no segundo turno. Vocês estão enganados, vocês estão enganados. E eu tô bravo, eu tô bravo.”

A resposta de Dias foi dada a um eleitor que pediu para que ele apoiasse Bolsonaro. Dias estava em Toledo, no Oeste do Paraná, a 540 quilômetros de Curitiba, onde participava da Festa do Porco no Rolete. O vídeo foi publicado pelo portal O Antagonista.


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

EM UMA SEMANA, HADDAD CRESCE 137,5% ENTRE MULHERES, DIZ IBOPE



Detalhamento da pesquisa Ibope, divulgada nessa terça-feira, 18, mostra que o candidato do PT a presidente, Fernando Haddad, obteve um crescimento de 137,5% entre o eleitorado feminino em relação ao levantamento anterior, divulgado no dia 11; aumento na intenção de votos saltou de 8% para 19% entre as mulheres

247 - O detalhamento da pesquisa Ibope, divulgada nessa terça-feira, 18, mostra que o candidato do PT a presidente, Fernando Haddad, obteve um crescimento de 137,5% entre o eleitorado feminino em relação ao levantamento anterior, divulgado no dia 11. O aumento na intenção de votos saltou de 8% para 19% entre as mulheres.

O período coincide com o movimento nas redes sociais das mulheres contra o candidato de extrema-direita do PSL. A onda começou com um grupo no Facebook – que mesmo sob ataque de hackers chegou a mais de 2,5 milhões de seguidores – e segue com a hashtag #elenao. 

Fernando Haddad também cresceu entre os mais pobres, menos escolarizados, católicos, pretos e pardos e no Nordeste. Leia reportagem do 247 sobre o assunto.

TSE LIBERA LULA A APARECER NO PROGRAMA DE HADDAD




O ex-presidente Lula poderá aparecer como apoiador na propaganda eleitoral do candidato Fernando Haddad; por 7 votos a 0, o TSE negou pedido do candidato Jair Bolsonaro, que alegou que a imagem de Lula "causaria estados mentais e sentimentais nos telespectadores"; relator, ministro Sergio Banhos, foi incisivo em seu voto, seguido pelos demais ministros; "É inegável que imagem do Ex-Presidente Lula, um dos líderes do Partido dos Trabalhadores, é de suma importância para a campanha de Fernando Haddad. Limitar sua aparição enquanto apoiador imporia à Coligação e ao candidato restrição, ao meu entender, ilícita"; com Lula na TV e no rádio, vai ficar difícil conter a onda Haddad

247 - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por 7 votos a 0, autorizar a aparição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como apoiador na propaganda eleitoral do candidato do PT a presidente, Fernando Haddad. Decisão foi proferida na noite desta terça-feira (18).

A ação foi ajuizada pelo candidato Jair Messias Bolsonaro, sob alegação de que a imagem de Lula na propaganda de Fernando Haddad, supostamente, "causaria estados mentais e sentimentais nos telespectadores; desqualificaria o Poder Judiciário; manipularia situação fático-jurídica; e tentaria macular a ordem democrática do país".

O advogado da Coligação "O Povo Feliz de Novo", Angelo Longo Ferraro, sócio do escritório Aragão e Ferraro, ressaltou que a coligação cumpre as decisões do TSE. Entretanto, em seguida, denunciou uma prática que tem sido recorrente entre os demais candidatos à Presidência da República:

"O que se verifica com algumas representações que tem sido feitas em face da coligação é que há, na verdade, um receio da presença do Ex-presidente Lula como apoiador, justamente pela representatividade que ele tem. Então o que se tem como pano de fundo, na verdade, é uma tentativa de censurar a presença do Presidente Lula em todo e qualquer programa eleitoral."

Tal entendimento também foi parte central do voto do Relator da ação, Ministro Sérgio Banhos, que fundamentou seu voto na legalidade da propaganda veiculada pela coligação petista, inclusive no que diz respeito a aparição do Ex-Presidente Lula:

"A propaganda eleitoral impugnada é feita em linguagem compatível com o jogo eleitoral e são observadas as limitações impostas nos autos do Registro de Candidatura do Ex-Presidente Lula. É inegável que imagem do Ex-Presidente Lula, um dos líderes do Partido dos Trabalhadores, é de suma importância para a campanha de Fernando Haddad. Limitar sua aparição enquanto apoiador, além das balizas objetivamente previstas no art. 54 da Lei das Eleições, imporia à Coligação e ao candidato Fernando Haddad restrição, ao meu entender, ilícita. Com efeito, às expressões utilizadas por Lula e por Fernando Haddad, que no entendimento do parecer ministerial seriam traços auto exaltação, em especial quanto ao uso da locução "nós fizemos em que cabia todo mundo", a meu ver, pode ser entendida também como "nós, do Partido dos Trabalhadores, fizemos um país em que cabia todo mundo".

Em seguida, foi a vez do Ministro Luís Roberto Barroso, relator do registro de candidatura de Lula, que foi assertivo ao afirmar que o Ex-Presidente Lula é titular de seus direitos políticos e possui o direito de apoiar politicamente qualquer candidatura que desejar. "Como nós decidimos, o Ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não pôde registrar a sua candidatura e, consequentemente, não pôde fazer campanha, mas ele não teve os seus direitos políticos cassados e, consequentemente, possui o direito de participar da campanha apoiando quem a ele aprouver".

Dando seguimento ao julgamento, acompanharam o voto do Relator os Ministros Edson Fachin, Jorge Mussi, Og Fernandes e Tarcísio Vieira que, por sua vez, acresceu breves comentários ao julgamento dizendo que, para ele "acrescentar a proibição de aparição (de Lula) seria pena de banimento (...) o que agride a ordem jurídica constitucional vigente".

Fechando o julgamento como a última a votar, a Ministra Rosa Weber, Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, também acompanhou o entendimento de que a propaganda veiculada pela candidatura petista foi regular, de modo a proclamar o resultado unânime pela improcedência das pretensões de Jair Bolsonaro.

ENTREVISTA DE HADDAD NO JN FOI A QUE SOFREU MAIS INTERVENÇÃO, MOSTRA LEVANTAMENTO

Das 5 entrevistas realizadas pelo Jornal Nacional com os presidenciáveis, a que mais sofreu intervenção dos apresentadores Bonner e Renata foi a de Fernando Haddad



Eduardo Maretti, RBA

Levantamento do Manchetômetro sobre a participação dos candidatos à presidência da República no Jornal Nacional mostra que a atuação da bancada formada por William Bonner e Renata Vasconcellos está longe de ser imparcial. Segundo o site de análise de comunicação, vinculado ao Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), o candidato do PT, Fernando Haddad – cuja entrevista, na sexta-feira (14), encerrou a série – foi o mais interrompido pelos entrevistadores: foram 66 vezes.

Geraldo Alckmin (PSDB) teve o raciocínio “cortado” em 51 oportunidades, seguido por Marina Silva(Rede), 43, e Ciro Gomes (PDT), 36. O candidato que teve mais “sorte” no JN foi o líder nas pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL), com 34 interrupções, quase a metade do número registrado no caso de Haddad.

Segundo a análise, o petista (52%) e Ciro Gomes (51%) foram os que tiveram menos tempo para falar, do total de meia hora de entrevista, na comparação com o tempo ocupado pelos próprios entrevistadores. Marina foi a candidata que por mais tempo falou. Ela dispôs de 65% do tempo, enquanto Bonner e Renata falaram por apenas 35%. Alckmin (54%) e Bolsonaro (55%) foram os que tiveram o tempo mais equilibrado na comparação com os âncoras do telejornal global, de acordo com o estudo.

Além desses dados, Haddad foi o mais fustigado com o tema corrupção. No caso do petista, 63% da entrevista girou sobre essa pauta. No programa com Alckmin, o tempo dedicado a corrupção foi de 58%, seguindo-se Ciro Gomes (43%), Bolsonaro (16%) e Marina (14%).

“Com candidatos que não se alinham aos interesses da Globo, as entrevistas servem mais para dar publicidade a esses interesses do que para ouvir o entrevistado. Isso não é de hoje”, diz o professor Laurindo Lalo Leal Filho.

“Nas eleições de 2014, no mesmo Jornal Nacional, o publicitário que faz as vezes de apresentador e editor-chefe repetia seguidamente a palavra ‘corrupção’ ao entrevistar a presidenta Dilma Rousseff. Em quase todas as perguntas aparecia essa palavra. Não havia interesse em saber o que a presidenta dizia, mas em pregar a pecha de corrupta, uma ideia facilmente assimilada pelo telespectador.”

Para Lalo, na eleição de 2018 esta situação agravou-se, provavelmente pelo fato de o programa de governo do PT prever claramente a regulação da mídia, que será enviada ao Congresso Nacional. “Isso assusta a Globo e faz dos seus funcionários porta-vozes de uma campanha contrária, atuando como se fossem integrantes de um partido político.”

Em sua opinião, a diferença desta para outras eleições é que em 2018 os candidatos de oposição aos interesses da Globo “estão reagindo ao assédio dos apresentadores, o que os torna ainda mais agressivos”.

Porém, as interrupções sofridas por Fernando Haddad no Jornal Nacional “foram um tiro no pé” para a emissora, segundo interpreta Lalo Leal. “Demonstraram uma arrogância e uma grosseria incompatíveis com o senso de civilidade e de educação de grande parte da sociedade brasileira.”

Mais do que isso, essa interferência indevida dos âncoras mostrou incompetência e dificuldade de articularem as perguntas. “Isso demonstrou desconhecimento dos assuntos discutidos, provando claramente que eles apenas liam aquilo que os seus superiores, a mando dos patrões, escreveram“.
Haddad: “Quem censura no Brasil”?

Em entrevista coletiva em Santa Catarina no final da tarde de ontem (18), Haddad comentou a questão dos meios de comunicação em seu eventual futuro governo. Mencionou os Estados Unidos e a Europa, onde a legislação proíbe a concentração de TV e rádio de maior audiência e jornal de maior circulação, controlados por um mesmo grupo, num determinado estado, por exemplo.

“Aqui no Brasil ninguém toca nesse assunto. Ninguém aplicou a Constituição. Do mesmo jeito que vamos enfrentar o capital dos bancos, vamos enfrentar o cartel da mídia”, disse o candidato.

O petista, porém, afirmou que, além de impedir a propriedade cruzada, há outras formas de fortalecer a democracia e a diversidade. Por exemplo, apoiando as rádios comunitárias e cooperativas de notícias.

Para ele, as cooperativas poderiam receber recursos federais como recebem jornais e emissoras de grande audiência. “É o contrário do que a grande mídia quer fazer parecer. Eles querem fazer parecer censura. Mas quem de fato censura no Brasil? Eles censuram. Entraram no STF para tirar do ar os sites das agências internacionais em língua portuguesa, alegando que não são brasileiros natos”, disse, citando o espanhol El País, a americana Intercept, a britânica BBC a alemã Deutsche Welle. “Deixaremos claro numa lei que eles não poderão fazer isso.”

IBOPE: REJEIÇÃO A BOLSONARO TRANSFORMA HADDAD EM VOTO ÚTIL ATÉ A DIREITA.

Por Carlos Fernandes
Publicado por Larissa Bernardes


Fernando Haddad, candidato presidencial do PT. Foto: Divulgação/Twitter


A mais recente pesquisa Ibope divulgada na noite dessa terça (18) passou o recibo do crescimento vertiginoso da transferência de votos do ex-presidente Lula para Haddad.


O salto triplo carpado de 8 para 19% das intenções de votos não só consolida o candidato petista no segundo turno como demonstra um fenômeno já previsto aqui por ocasião da análise dos resultados das pesquisas BTG/FSP e CNT/MDA.


Confirmada a polarização entre as candidaturas de Haddad e Bolsonaro, o petista já começa a receber votos não apenas de Lula, mas também de setores conservadores que, a despeito de seu antipetismo, entendem a tragédia de uma nova ditadura no país.


Vamos aos números.


Se compararmos os dados da atual pesquisa Ibope com a sua última divulgada em 11 de setembro, é possível perceber que à exceção de Haddad que cresceu invejáveis 11%, Bolsonaro que oscilou 2% dentro da margem de erro e Ciro que estagnou em 11%, todos os principais concorrentes tiveram quedas ou oscilações negativas. Incluindo-se aí os votos brancos e nulos.


Ainda que tenhamos que considerar a margem de erro, a soma do crescimento de Haddad com a oscilação positiva de Bolsonaro dá, numericamente, 13%.


Dentro da margem de erro, esse é praticamente o somatório do decréscimo dos demais candidatos junto com os brancos e nulos, conforme segue:


Alckmin oscilou negativamente de 9% para 7%; Marina caiu de 9% para 6%, Álvaro Dias, João Amoêdo e Henrique Meirelles, cada um, de 3% para 2%; Vera oscilou de 1% para 0%, Brancos e Nulos caíram de 19% para 14%. Todos somados, temos 14% de queda*.


Para registro, Cabo Daciolo, Guilherme Boulos, João Goulart Filho e Eymael mantiveram suas intenções de votos entre 0% e 1%. O percentual dos eleitores que não souberam ou não quiseram opinar se manteve em 7%.


Numa análise fria podemos afirmar que uma parte dos eleitores que haviam desistido de votar em função do impedimento de Lula, já encontraram em Haddad o seu substituto. Essa é a queda de 5 pontos percentuais dos votos brancos e nulos.


Sozinhos, porém, não explicam a ascensão dos 11% de Haddad. É justamente aí que se descobre para onde estão indo a grande maioria dos votos de Marina, Alckmin, Meirelles e companhia.


Como se vê, Haddad já se apresenta como o voto útil contra a maior ameaça à democracia já vista desde os idos de 64.


Tanto é que foi o único a crescer nas intenções de votos no segundo turno. Nessa verificação o petista cresceu de 36% para 40% já se encontrando em empate numérico com Bolsonaro. Todos os demais candidatos testados ou caíram ou se mantiveram rigorosamente estagnados.


Outro dado importante é que para o segundo turno, segundo o Ibope, Haddad foi o único a impedir qualquer crescimento de Bolsonaro. Em todos os outros cenários, o capitão da reserva ou cresceu ou oscilou positivamente dentro da margem de erro.


Dissecados os números, já não existem mais dúvidas, ou o Brasil adere à democracia estampada na candidatura de Fernando Haddad ou entramos definitivamente em mais uma era de escuridão.


XXX


* O leitor mais atento já deve ter percebido que o somatório das intenções de votos divulgada pelo Ibope nessa última pesquisa totaliza 99%. Não é incomum que os resultados apresentados nesse tipo de pesquisa totalizem 99% ou 101%. Trata-se tão somente do sistema de arredondamento matemático para números não inteiros adotados pelos institutos.

O DESESPERO DE JAIR BOLSONARO



A democracia sofreu um profundo golpe em 2016 com a ascensão do governo ilegítimo e corrupto de Michel Temer ao Palácio do Planalto, mas o povo pode virar o jogo e resgatar sua soberania nas eleições de outubro.

Diante disto, as forças mais obscuras da extrema direita, lideradas por Jair Bolsonaro e seu vice, o general Hamilton Mourão (um “jumento de carga”, segundo Ciro Gomes), ameaçam não reconhecer os resultados das urnas e acenam com um golpe militar se a esquerda sair vitoriosa. Desesperado com os sinais, captados pelas pesquisas, de que perde o segundo turno para qualquer adversário, Bolsonaro disse que as urnas eletrônicas não são confiáveis, enquanto Morão fez referência a um “autogolpe” após o pleito e defendeu uma Constituinte ditada pelas elites e sem a participação do povo.

Os representantes da classe trabalhadora e das forças democráticas devem ficar em estado de alerta e denunciar com todo vigor os discursos golpistas, que traduzem o espírito profundamente antidemocrático, antipopular e antinacional das classes dominantes brasileiras. O pronunciamento do nosso povo nas urnas será em defesa da democracia e de rejeição aos golpistas e ao neoliberalismo.

Jornal CTB

EMPRESÁRIO QUE ESPANCOU A ESPOSA É MAIS UM ''CIDADÃO DE BEM''

Empresário que espancou a esposa e sorriu na foto da polícia é mais um “cidadão de bem”. A mulher está internada após as agressões. Nas redes sociais, todos os posts recentes do homem são sobre seu ídolo, Jair Bolsonaro e, claro, sobre as virtudes de ser “família”



Kiko Nogueira, DCM



Aconteceu em Sorriso, a 420 quilômetros de Cuiabá, no Mato Grosso.

Um homem foi preso suspeito de espancar a mulher na quinta-feira, dia 13.



Na delegacia, ao ser fotografado para o fichamento, ele sorriu. Sua vítima, de 33 anos, está internada em um hospital.

Marcelo Morelo vai responder criminalmente por violência doméstica e porte ilegal de arma.

Segundo a Polícia Civil, a equipe de investigadores, acompanhada por um oficial de justiça, o flagrou com uma pistola no bolso da calça.

A Beretta estava carregada com 6 balas, conta o G1.

A família dela relatou que Marcelo a deixou na porta da casa de parentes depois de tê-la agredido e ameaçada de morte.

O casal tem um filho de 11 anos e mora num bairro chamado Jardim Europa.

As autoridades informam que Morelo será encaminhado à Penitenciária Osvaldo Florentino Leite Ferreira, mais conhecida como “Ferrugem”, em Sinop, após passar por audiência de custódia.

Com 80 mil habitantes, Sorriso é conhecida como capital nacional do agronegócio.

Marcelo se define no Facebook como “sócio proprietário administrador” da MM Madeiras e dono da Milk Shake Mix.

O que chama atenção na página é a intensa militância bolsonarista.

Todas as postagens recentes são sobre seu ídolo e, claro, sobre as virtudes de ser “família”.

O pastor Malafaia também está lá, bem como críticas despirocadas ao petismo, ao MST, ao comunismo, à corrupção e ao uso de drogas, com uma foto de Freixo ao lado do ator Fábio Assunção.


O pacote completo.

Um vídeo compartilhado por ele mostra as palavras “Deus, família, Brasil” na mão de várias pessoas, como a cola que Bolsonaro levou a um debate e em seguida ao Jornal Nacional.

O perfil de Morelo é o mesmo de três casos recentes: o do Doutor Bumbum, o do professor do biologia acusado de jogar a esposa do quarto andar e o do empresário flagrado no motel com uma menina de 13 anos.

Leia também:

NOVO ESTUDO EXPLICA A LIGAÇÃO ENTRE CONSERVADORISMO, BAIXO QI E MUITA RELIGIOSIDADE



Uma pesquisa publicada na revista Journal of Cross-Cultural Psychology defende a existência de algo chamado Síndrome Conservadora, que pode acontecer tanto em indivíduos quanto em países de forma geral. Há três fatores importantes que são base para esta síndrome: religiosidade, dominância social e moralidade social.

O pesquisador da Universidade de Sidney (Austrália) Lazar Stankov conta que começou a estudar o assunto há dez anos, mas com a intenção de focar nas diferenças interculturais. “Muito do meu trabalho anterior foi sobre inteligência e eu queria expandir para o campo não-cognitivo. Estudar diferenças na personalidade, atitudes sociais, valores e doutrinas me pareceu interessante”, relembra ele.

“Aconteceu que o resultado dos meus estudos pode ser melhor interpretado a partir do conservadorismo social. Isso é a mistura de várias características psicológicas focadas em preservar o status quo. Eu escolhi o termo “síndrome” para enfatizar que pelo menos alguns componentes desse tipo de conservadorismo não tem alta correlação entre eles”. A palavra síndrome significa um conjunto de sinais que caracterizam determinada situação.
Como são essas pessoas?

Esta síndrome descreve pessoas que querem preservar os valores sociais atuais, e que têm personalidade com baixa abertura para novidades, que valorizam a autoridade, obediência, família, autodisciplina e crenças religiosas convencionais. Essas pessoas também mostram maior hostilidade contra pessoas de outros grupos.

A diferença entre a síndrome conservadora e outras definições de conservadorismo é que ela inclui fatores psicológicos, e não apenas crenças políticas.

“Pessoas com esta síndrome tendem a ser mais religiosas e duras contra aqueles que não são aceitos como membros de seu próprio grupo. A religião e moralidade parecem ser uma forma de manter o atual modo de vida, e a dureza contra pessoas de fora é uma defesa contra a ameaça da mudança”, explica o autor do estudo.

QI baixo

Ele aponta que uma observação interessante do trabalho foi que a média de QI de pessoas conservadoras tende a ser menor do que da população em geral. “Em outras palavras, pessoas conversadoras tendem a ser menos bem informadas sobre o mundo em que elas vivem e têm medo do desconhecido. Eles também parecem estar prontos para lutar contra intrusos de seu ambiente”, diz ele.

Este estudo utilizou dados de dois bancos, que incluíam informações sobre 11.208 pessoas em mais de 30 países. Stankov concluiu que a síndrome existe em todos os países estudados.

Conservadorismo econômico x social

“Uma questão importante é a ligação entre a síndrome conservadora e o conservadorismo político. A motivação das pessoas que votam em partidos conservadores nos países do ocidente pode ser mais por motivos fiscais do que por motivos sociais. A preocupação deles é a preservação do livre mercado e menos com os aspectos sociais e psicológicos da vida”, explica ele.
Alerta

Ele também alerta para a semelhança entre algumas características da síndrome com a mentalidade extremista militante (MEM). “Se alguns aspectos da MEM forem ativados, uma nova onda de terrorismo conservador pode emergir. Esses alvos podem não ser apenas membros de grupos de fora, mas também profissões que são percebidas como defensoras da tolerância de pontos de vista diferentes”, aponta ele, provavelmente referindo-se a cientistas e jornalistas, que têm sofrido ataque de grupos que não confiam neste tipo de fonte de informação.

 [PsyPost, Journal os Criss-Cultural Psychology]

https://hypescience.com/

Por Juliana Blume,

IBOPE ATESTA QUE LULA, PRESO POLÍTICO, COMANDA ELEIÇÃO DA CADEIA



O que é o Ibope desta terça? É a pesquisa da fulminante arrancada de Haddad de 8% para 19% das intenções de voto em uma semana? Não! Porque Fernando Haddad não teria pernas nem fôlego para uma arrancada destas. Nem ele nem ninguém. Esta pesquisa é a consagração de Lula e sua tática para as eleições. É a arrancada da chapa Lula-Haddad-Manuela num feito que já pode ser considerado histórico no Brasil. É mais que isso: é o atestado de que Lula comanda as eleições de 2018 mesmo encarcerado e amordaçado como preso político.

É a vitória de Lula e do povo brasileiro e a derrota do golpe. Uma lição para todo o país: só Getúlio aproximou-se de Lula em sua ligação visceral, racional e emotiva com o povo brasileiro; ambos geniais em sua intuição para saber a "direção do vento".

Perderam os que apostaram que a prisão levaria Lula ao ostracismo, como a direita cantou em prosa em verso em abril. Perderam os que apostaram que o lulismo estava em declínio, como alguns setores da própria esquerda anunciaram meses a fio. Perderam os que consideraram que Lula estava numa "egotrip" e conduzindo o PT para uma aventura tresloucada.

Lula esteve e está no comando. Sem ele, não há o candidato Haddad -com o próprio o reconhece, com humildade e admiração. 

Sem ele, a esperança fenece, a perspectiva de volta dos bons tempos fenece, as elites de agigantam.

Houve desprezo e desespero. "O timing!", gritavam, como se a tática do PT de esticar a corda ao limite para viabilizar a candidatura de Lula e deixar para fazer a passagem do bastão na undécima hora fosse rematada loucura.

Lula acertou, quem apostou contra ele está derrotado. 

Isso quer dizer que as eleições estão decididas,que Haddad pode considerar-se presidente? Longe disso. Bolsonaro, o candidato fascista, movimenta inseguranças e medos de amplas parcelas da população brasileira que serão manipuladas em larga escala pela mídia de massas conservadora sob a liderança da Globo; o mercado, mais uma vez, anunciará o armagedom, semeará o pânico para chantagear o povo brasileiro. Será uma batalha épica. 

Mas as forças democráticas têm seu grande comandante e ele de fato comanda, da prisão. A pesquisa do Ibope é uma enorme injeção de ânimo das pessoas que se levantam contra o fascismo e a destruição do país. Mas ela tem uma mensagem muito específica: confiem em Lula.

JAIR BOLSONARO DIZ QUE FOGE DO BRASIL SE PERDER A ELEIÇÃO PREIDENCIAL

Em entrevista à revista VEJA, Jair Bolsonaro faz uma revelação surpreendente para quem se vende como “macho” e “valentão”



Fernando Brito, Tijolaço


Em entrevista à Veja, além de um monte de bobagens, a cria indesejada da direita Brasileira, Jair Bolsonaro, faz uma revelação surpreendente para quem se vende como “macho”, “valentão”, ferrabrás.

Diz que vai “picar a mula” do Brasil caso não ganhe as eleições de 2018:


“No meu entender, se tivermos em 2019 um governo que seja do PT, do PSDB ou do PMDB, acho que vai ser difícil eu permanecer no Brasil, porque a questão ideológica é tão ou mais grave do que a corrupção”.

E para onde o senhor iria?


“Não tenho cidadania ainda, mas a minha origem é italiana. Não pensei com mais seriedade, mas, se você fizer uma pesquisa, verá que o número de pessoas que estão pedindo dupla cidadania europeia tem aumentado muito.”

Como é, seu Jair? Vai correr da raia se o povo, no seu entender, não escolher o senhor?

O senhor pulou a parte do hino nacional que diz que “verás que um filho teu não foge à luta”?

Seja quem for, se ganhar as eleições, não vai fazer como a ditadura que o senhor louva, que forçou brasileiros a saírem do país para não serem presos, torturados e até “passados nas armas”.

Que moral pode ter um militar que diz que, se as coisas não estiverem boas para ele, foge?

O senhor diria isso aos seus soldados?

A sua turma de “marombados” não põe medo em democratas e patriotas. O senhor é muito valente para xingar mulher, o tipico machão, porque precisa mostrar uma falsa valentia.

Mas sabe, como é comum neste tipo de sujeito, uma hora ele solta os segredos enrustidos e mostra o que é, no fundo.

Valente, “seu” Bolsonaro, não é o que diz não ter medo. Valente é o que enfrenta, seja lá o que for.

Enfrentar até o Bolsonaro.

Felizmente, não será necessário.

Arrivederci, Mito.

IBOPE: JAIR BOLSONARO VÊ APROXIMAÇÃO DE FERNANDO HADDAD

Nova pesquisa Ibope para a eleição presidencial de 2018 acaba de ser divulgada e revela elevado crescimento de Fernando Haddad. Confira os números



O instituto Ibope divulgou nesta terça-feira (18) a sua mais nova pesquisa para a eleição presidencial de 2018.

Os números revelam um forte crescimento de Fernando Haddad (PT), candidato de Lula. O ex-ministro da educação saltou impressionantes 11 pontos percentuais.

De acordo com a pesquisa, Jair Bolsonaro (PSL) oscilou positivamente dentro da margem de erro. Os demais candidatos ou amargaram quedas ou mantiveram o mesmo patamar da pesquisa anterior.


A pesquisa ouviu 2.506 eleitores entre domingo (16) e terça-feira (18). O número de registro da pesquisa é BR-09678/2018.

Veja os números abaixo.

1º TURNO – ESTIMULADA

Jair Bolsonaro (PSL) — 28% (+2% em relação à pesquisa anterior)
Fernando Haddad (PT) — 19% (+11%)
Ciro Gomes (PDT) — 11% (manteve o mesmo patamar)
Geraldo Alckmin (PSDB) — 7% (-2%)
Marina Silva (Rede) — 6% (-3%)
Álvaro Dias (Podemos) — 2% (-1%)
João Amoêdo (NOVO) — 2% (-1%)
Henrique Meirelles (MDB) — 2% (-1%)
Vera (PSTU) — 1% (manteve)
Cabo Daciolo (Patriota) — 1% (manteve)
Guilherme Boulos (PSOL) — 0%
João Goulart Filho (PPL) — 0%
Eymael (DC) — 0%
Branco/nulos — 14% (somavam 19%)
Não sabe/não respondeu — 7% (eram 7%)


REJEIÇÃO

Confira em quem o eleitor diz que não votaria sob hipótese alguma, de acordo com a pesquisa Ibope:

Bolsonaro: 42%
Haddad: 29%
Marina: 26%
Alckmin: 20%
Ciro: 19%
Meirelles: 12%
Cabo Daciolo: 11%
Eymael: 11%
Boulos: 10%
Alvaro Dias: 10%
Vera: 9%
Amoêdo: 9%
João Goulart Filho: 8%
Poderia votar em todos: 2%
Não sabe/não respondeu: 9%

SEGUNDO TURNO

Haddad 40% x 40% Bolsonaro (branco/nulo: 15%; não sabe: 5%)
Ciro 40% x 39% Bolsonaro (branco/nulo: 15%; não sabe: 6%)
Alckmin 38% x 38% Bolsonaro (branco/nulo: 18%; não sabe: 6%)
Bolsonaro 41% x 36% Marina (branco/nulo: 18%; não sabe: 5%)

CHOMKSY: UMA EMISSORA QUE DEFENDE A DERRUBADA DO GOVERNO ( COMO A GLOBO NO BRASIL ) NÃO SERIA TOLERADA NOS ESTADOS UNIDOS


O professor Laurindo Leal Filho cumprimenta Chomksy, na sede do Barão do Itararé; foto Luiz Carlos Azenha

por Luiz Carlos Azenha, viomundo -

Dentre os vários títulos informais concedidos ao linguista Noam Chomksy está o de Sócrates dos Estados Unidos, uma tarefa que desempenhou “nas sombras” por mais de meio século.

Aos 89 anos de idade, ele é também uma espécie de ombudsman da hipocrisia ocidental, região compreendida aqui como os EUA e seus aliados europeus.

Foi essa a tarefa que Chomsky desempenhou com prazer na noite da segunda-feira, 17, ao se encontrar com blogueiros, jornalistas e ativistas na sede do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, no centro de São Paulo.

Chomksy começou sua palestra com um resumo da perversa supressão de informações que testemunhou ao longo de décadas nos Estados Unidos, patrocinada pelas mega corporações que vendem notícias e produzem na população estadunidense o que chamou, citando Gramsci, de “senso comum hegemônico internalizado”.

Seriam limites invisíveis não só ao que as pessoas podem dizer, mas pensar — um gulag intelectual forjado pela censura e autocensura.

Deu dois exemplos, relativos à guerra do Vietnã e à invasão do Iraque.

No primeiro caso, a opinião mais à esquerda era a do jornalista Anthony Lewis, do New York Times, que atribuía o início do conflito à “tentativa desajeitada de fazer o bem” dos Estados Unidos.

Quando a tentativa colapsou, nos anos 70, Lewis dizia que o custo seria muito alto para que os norte-americanos “impusessem a democracia e a liberdade no Vietnã”.

Chomsky contrastou isso com as pesquisas de opinião segundo as quais 70% dos norte-americanos entrevistados consistentemente diziam que a guerra do Vietnã era “imoral”, não um erro como sustentava Lewis — pesquisas cujos resultados foram majoritariamente suprimidos da mídia e do debate sobre a guerra nos Estados Unidos.

No caso da ocupação do Iraque, a opinião mais à esquerda foi do próprio presidente Barack Obama, que descreveu o conflito como um “erro estratégico”.

Chomsky lembrou que era exatamente assim, como um “erro estratégico”, que generais de Hitler descreveram a desastrada tentativa de abrir duas frentes na Segunda Guerra Mundial, contra a Europa Ocidental e a União Soviética.

Não é preciso dizer que o paralelo entre o que diziam os generais nazistas e Obama nunca foi mencionado pela mídia nos Estados Unidos.

OUTRAS PESQUISAS DE OPINIÃO

Chomsky utilizou outros exemplos sobre a contradição entre o resultado de pesquisas de opinião e a opinião publicada — no caso, da mídia altamente concentrada e direitista da América Latina.

Relatou que, no Chile, estranhou o antichavismo de intelectuais locais, justamente quando pesquisas de opinião do Latinobarómetro, baseado em Santiago, registravam que os venezuelanos estavam entre os maiores apoiadores da democracia e de seu governo, ao lado dos uruguaios.

A oposição a Hugo Chávez havia, assim, penetrado no “senso comum” dos chilenos, mal informados pela imprensa local.

Exemplos de antichavismo epidérmico não faltam no Brasil.

Aqui, lembra o Viomundo, mesmo um doutor em Sociologia pela Universidade de Oxford, como Celso Rocha de Barros, ao atacar ideias bolsonaristas na Folha de S. Paulo, fez uma comparação bizarra.

O colunista, lembrando a proposta do vice de Bolsonaro, o general Hamilton Mourão, de fazer uma Constituinte de notáveis, escreveu:

Segundo o plano de Mourão, essa Constituição depois teria que ser aprovada por referendo. Nada contra referendos, mas, se você segue o noticiário sobre a Venezuela, já viu para onde isso vai.

Uma bobagem, já que a realização de referendos está prevista na Constituição da Venezuela, aprovada com amplo apoio popular: transcorrido metade do mandato, cumpridas determinadas regras, o governante pode enfrentar um referendo revogatório, uma medida eminentemente democrática.

Chávez, aliás, enfrentou um referendo revogatório, com o potencial de apeá-lo do poder — e venceu.

Outro exemplo de Chomsky refere-se à pesquisa Gallup feita em 2013, sobre qual país do mundo era a maior ameaça à paz mundial.

Nos Estados Unidos, os mais citados foram o Irã e a Coreia do Norte.

No resto do mundo, os Estados Unidos ganharam de lavada como “a maior ameaça à paz”.

Os resultados da pesquisa Gallup não foram divulgados na mídia corporativa dos Estados Unidos — e o instituto de pesquisas nunca mais incluiu a pergunta em seus levantamentos.

A GLOBO E O BRASIL

Em sua palestra, Chomsky disse que os governos de esquerda da América Latina nunca de fato suprimiram a imprensa, como quiseram fazer parecer os barões midiáticos da região.

Ele lembrou que foi convidado por um amigo a visitar a Nicarágua quando o governo sandinista era acusado de limitar a tinta de impressão disponível para o diário La Prensa, o de maior circulação.

Porem, em sua investigação, Chomksy constatou que o jornal defendia abertamente os contras,guerrilheiros que promoviam guerra civil contra o governo sandinista com apoio militar dos Estados Unidos.

Chomsky disse que, nas mesmas circunstâncias, nos Estados Unidos, os donos do La Prensaprovavelmente seriam colocados diante de um pelotão de fuzilamento, por apoiar a derrubada de um governo eleito instalado na Casa Branca.

Quando perguntando por que o presidente Lula não enfrentou a Globo no Brasil quando estava no poder, sem citar a emissora Chomsky disse que este é um padrão dos governos de esquerda em toda a América Latina: nunca de fato ameaçaram a mídia hegemônica.

Reafirmou que emissoras que promovessem ou tentassem promover a derrubada de governos jamais seriam toleradas nos Estados Unidos ou nos países aliados europeus — como o Reino Unido e a França.

Os donos destas emissoras, frisou, seriam no mínimo presos.

OS EUA E A AMÉRICA LATINA

Chomsky não acredita numa invasão militar da Venezuela pelos Estados Unidos, embora as tentativas de sabotagem e subversão sejam conhecidas desde o golpe contra o governo Hugo Chávez.

Segundo ele, uma invasão vai além da capacidade de Washington.
Para fazer uma comparação histórica, lembrou que o golpe de 64 no Brasil foi planejado nos Estados Unidos e descrito pelo então embaixador no Brasil, Lincoln Gordon, como a maior “vitória para a democracia” da metade do século passado.

Dois anos antes, em 1962, o presidente John Kennedy havia determinado que os exércitos da América Latina deveriam mudar de prioridade, da defesa do Hemisfério (herança da Segunda Guerra Mundial) para a doutrina de segurança nacional, ou seja, combater o próprio povo.

Tal era o grau de comando de Washington sobre seu “quintal”, frisou Chomksy.
Nos últimos 15 anos, no entanto, ele acredita que a América Latina esteve livre do “controle total direto” dos Estados Unidos, como se viu nos anos 60 e 70.

A ONU E LULA

Sobre a decisão do Brasil de desconhecer liminar do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que pediu a autoridades brasileiras que permitissem ao ex-presidente Lula concorrer ao Planalto, Chomsky disse acreditar que não haverá consequências internacionais.

Os Estados Unidos, lembrou, desprezam o Conselho e a própria ONU.

Destacando o “excepcionalismo” dos Estados Unidos quanto às regras internacionais, Chomsky apontou para a lei aprovada pelo Congresso norte-americano que permite aos Estados Unidos resgatar com uso de força militar qualquer soldado estadunidense que porventura for submetido à Corte Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda.

Na Europa, a lei é conhecida jocosamente como “Lei da Invasão da Holanda”.

GOVERNO SOCIALISTA NOS ESTADOS UNIDOS

Chomsky afirmou que não vê no horizonte a eleição de um governo socialista nos Estados Unidos, embora o democrata Bernie Sanders se defina como socialista.

Segundo ele, a opinião pública moveu-se tão à direita nos EUA que hoje um governo social democrata moderado provocaria arrepios nos conservadores.
Um governo como o do general Eisenhower, por exemplo, poderia muito bem ser taxado de “socialista”, ironizou Chomsky.

Ele afirmou, no entanto, acreditar na construção de instituições socialistas dentro da ordem capitalista — como cooperativas e empresas controladas por trabalhadores, o que vem acontecendo nos Estados Unidos.

PACTO SUICIDA

Chomsky falou em sua apresentação sobre a gravidade da crise ambiental.
Justamente no momento em que o aquecimento global ameaça, em duas gerações, provocar um aumento de dez metros de altura nas marés, a sociedade capitalista decidiu “maximizar o uso de combustíveis fósseis”.

Segundo ele, os bancos internacionais abriram os cofres para financiar a exploração petrolífera, mesmo diante da ameaça de extinção dos humanos.

O lucro acima de tudo, “sejam quais forem as consequências”, embala o que Chomsky chamou de “pacto suicida” do capitalismo.

BOLSONARO E A ECONOMIA

Um dos entrevistadores perguntou a Chomsky sobre os juizes e promotores brasileiros que foram treinados nos Estados Unidos e agora servem à Operação Lava Jato.

Ele traçou um paralelo com os economistas da região que foram treinados na Universidade de Chicago com as ideias de Milton Friedman — os “Chicago Boys”.
Coube a eles, por exemplo, implantar o plano econômico do governo Pinochet, no Chile, à base de torturas, assassinatos e desaparecimentos.

Foi um projeto piloto do neoliberalismo, que colapsou nos anos 80 e ganhou, então, o apelido irônico de “Chicago Road to Socialism”, estrada de Chicago rumo ao socialismo.

Chomsky encerrou a resposta com a lembrança de que o economista que mandará no Brasil, se Jair Bolsonaro for eleito, será um “Chicago Boy”, Paulo Guedes.

“Vocês podem imaginar o que viria por aí”.