quinta-feira, 7 de julho de 2016

Conservadores ironizam assassinato de estudante gay da UFRJ

Enquanto a polícia afirma que a principal linha de investigação sobre a morte de Diego Machado aponta para assassinato por homofobia, grupo conservador ironiza que morte brutal do estudante da UFRJ tenha motivação homofóbica

(Imagem: Foto de capa do grupo UFRJ da Opressão)


Enquanto a polícia afirma que a principal linha de investigação sobre a morte de Diego Vieira Machado aponta para assassinato por homofobia, um dos grupos conservadores da UFRJ ironizou e questionou na internet se o homicídio teria essa motivação.

No Facebook, integrantes do “UFRJ da Opressão” chegaram a afirmar que haveria quem tentasse capitalizar em cima do crime.

“O camarada foi achado morto, no Fundão, com sinais de espancamento. Trata-se de um crime, um homicídio […] A escumalha se prendeu só ao fato da vítima ser um gay. Pronta e morbidamente começaram a capitalizar o crime em prol da agenda viadista que defendem”, publicou o grupo no último domingo.

Com uma imagem do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) como sua foto de capa, o grupo descreve que seu objetivo é “promover o direitismo na UFRJ zoando e oprimindo esquerdiotas”.

Em nova publicação ontem, o “UFRJ da Opressão” voltou a questionar a causa da morte de Diego, reproduzindo um tuíte com a mensagem “Morreu um gay: suspeita de homofobia. Morre um negro: suspeita de racismo. Um cara se explode gritando allahu akbar: não vamos nos precipitar”.
Vulnerabilidade

“Todas as minorias estão vulneráveis na UFRJ, especialmente quem estuda à noite e quem mora no alojamento universitário”, disse a professora Georgina Martins, da Faculdade de Letras, onde Machado estudava.

“Os gays são ainda mais vulneráveis, assim como os negros, os cotistas, os pobres e as pessoas de esquerda. O Diego se enquadrava em tudo isso. É como se essas pessoas dissessem: ‘voltem para a senzala, esse lugar não é seu’”. A professora tem um filho homossexual e teme pela sua segurança.


Aluno desde 2012 e morador do alojamento, por não ter residência no Rio e vir de família pobre, o estudante morto é descrito como militante pelos amigos. Posicionava-se abertamente sobre sua orientação sexual e travava embates com quem o discriminava. Mantinha amizades na Escola de Belas Artes, fazia performances, escrevia poesia e participava de atos políticos, como os que tomaram a reitoria da UFRJ ano passado, por melhores condições de ensino e moradia. Os mais próximos o ajudavam com alimentação e roupas.

ENTENDA O CASO:

com informações de Agência Estado e O Globo

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