quinta-feira, 23 de junho de 2016

Michel Temer comete deslize, admite golpe e elogia Eduardo Cunha

A entrevista de Michel Temer para Roberto D'Ávila, na GloboNews, foi marcada por gafes. Num ato falho, o interino admitiu a existência de um golpe contra Dilma Rousseff. Numa inconfidência, revelou que irá tomar medidas duras após a segunda votação no Senado. E, numa demonstração de receio, sinalizou que não irá processar Sergio Machado

(Imagem: Michel Temer e Roberto D’Ávila/divulgação)


O presidente interino Michel Temer concedeu uma entrevista ao jornalista Roberto D’Ávila, na noite de ontem, na Globonews.

Num ato falho, admitiu a existência de um golpe contra a presidente Dilma Rousseff.

Numa inconfidência, revelou que só tomará medidas duras, como aumentos de impostos e da idade mínima para a aposentadoria, após a segunda votação no Senado.

E, numa demonstração de certo receio, sinalizou que não irá processar Sergio Machado, o ex-presidente da Transpetro que o acusa de pedir doações oriundas de propina para a campanha de Gabriel Chalita, em 2012.

O ato falho ocorreu quando Temer explicou por que impede que a presidente Dilma Rousseff utilize o avião presidencial em seus deslocamentos. Ele afirmou que ela “utiliza o avião, ou utilizaria, para ir fazer campanha denunciando o golpe”, sem falar em “suposto golpe” ou “o que ela considera ser um golpe”.

“A senhora presidente tem o palácio da Alvorada, tem o palácio do Torto, tem avião para se locomover para o seu estado. Sim, porque, convenhamos, ela não está no exercício da presidência, portanto não tem atividades de natureza governamental”, disse ainda Temer, que também afirmou que “jamais faltou comida” para a presidente afastada – numa referência ao bloqueio dos cartões de crédito do Alvorada.

Temer também questionou a tese sobre novas eleições, defendida por setores do PT e pela própria presidente Dilma Rousseff.

“Eu não acho útil para a senhora presidente. Porque, no instante em que ela diz que aceita um plebiscito para eleições, é porque ela deseja voltar para depois não governar. Não é útil porque, se vai voltar para depois convocar eleições, então é porque não quer governar”, disse Temer.

Na verdade, o que se busca, com o plebiscito, é apenas uma saída democrática para o País, que devolva à população um governo com legitimidade. A tese de novas eleições também já é defendida pela maioria do povo brasileiro, como comprovam pesquisas de opinião já realizadas.

Na entrevista, Temer também explicitou a lógica de seu governo. Na interinidade, benesses para os aliados. Após o impeachment, medidas duras, como o aumento de impostos e da idade mínima para aposentadoria.

“Então certas questões que neste momento ainda não deu tempo de tratar, eu tratarei depois. A questão da reforma da Previdência. Acho que eu só poderei pleitear uma reforma da Previdência se tiver a efetivação”, afirmou. Ele também disse que não pensou em elevar impostos “ainda”.

Ao comentar a situação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado de manter diversas contas no exterior, Temer disse que o correligionário “está se defendendo como pode” e que é “batalhador no campo político e no campo jurídico.”

informações de 247

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