CAPITÃ DA PM CHEGA MORTA EM HOSPITAL, E MARIDO SARGENTO É PRESO EM BH

Luana Takahashi e Lorena Barros

Do UOL, em São Paulo

Um sargento da Polícia Militar foi preso ontem, suspeito pela morte da esposa, que é capitã na mesma corporação, em Belo Horizonte.

O que aconteceu

A capitã Michele Leão Azevedo foi levada ao Hospital Odilon Behrens pelo marido, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, por volta das 21h. Ele teria feito o socorro à unidade, que constatou a morte. Informações a respeito do caso foram repassadas pela Polícia Militar e Polícia Civil em coletiva de imprensa nesta manhã.

Primeira informação do sargento à equipe médica foi de que a companheira havia caído da escada. Médicos observaram, no entanto, sinais de violência pelo corpo dela e acionaram a polícia, que prendeu o suspeito ainda na unidade hospitalar.

Sargento alegou que a companheira recusou atendimento médico logo após a queda. Em depoimento, ele declarou que os dois dormiram e, depois de algumas horas, percebeu que Michele não respondia a estímulos — o que fez com que a levasse ao Odilon Behrens.

À polícia, os médicos relataram sinais de que a vítima tinha morrido de quatro a seis horas antes de ser levada ao hospital. Um vídeo obtido pela polícia mostra o sargento carregando o corpo da vítima no prédio em que eles moravam e levando até o carro que estava na garagem.

Capitã da PM Michele Leão AzevedoImagem: Obtido pelo UOL

Pedido de prisão do policial aconteceu pela "pluralidade de lesões no corpo da vítima", segundo a Polícia Civil. Entre elas traumatismo craniano, ferimentos nas pernas, marcas compatíveis com chicotadas e uma "lesão muito contundente na face da vítima".

O homem também alegou ter tido relação sexual consensual com prática de agressões físicas — que, segundo ele, era comum entre os dois. Em seu relato, ele disse que haviam participado, momentos antes, de uma confraternização com bebidas alcoólicas e ecstasy.

Ainda no hospital, sargento descartou uma cartela de 18 comprimidos de ecstasy na lixeira. O flagra foi feito por um tenente acionado para acompanhar a ocorrência, para quem o suspeito havia pedido permissão para ir ao banheiro.

Defesa do sargento diz que é imprescindível aguardar a conclusão das investigações e dos laudos periciais. Em nota, o advogado Gustavo Nepomuceno argumentou que se deve evitar "qualquer julgamento precipitado" e que todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes.

Relação conturbada

Testemunhas relataram uma relação conturbada entre os dois. Conforme a investigação, o relacionamento era marcado por términos e violência doméstica — o que contribuiu para que a polícia optasse pela detenção.

Síndico do condomínio confirmou brigas entre eles. "Constantemente tinham brigas, era normal, mais da parte dele do que dela. Ela parecia ter vergonha de qualquer tipo de conflito, de barulho, de briga. A gente percebia que ela falava bem baixinho, ele que era explosivo", contou o homem, identificado como Dirceu, à TV Globo.

Casal teria oficializado a relação em 2025. Uma amiga de Michele, que preferiu não se identificar, contou ao UOL que ela já tinha sido casada com outro homem antes, com quem teve um filho, de 10 anos atualmente.

Quem era Michele

Michele foi descrita pela amiga como uma pessoa "muito reservada". A mesma fonte relatou ainda que a mulher desativou seus perfis nas redes sociais após o casamento com Oliveira.

Capitã iniciou a vida na área militar ainda quando era adolescente. Ela estudou no Colégio Militar de Belo Horizonte do quinto ano do fundamental ao terceiro ano do ensino médio.

Casos de violência contra a mulher

Em caso de violência, denuncie

Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.

O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.

Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos.

Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).

Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.

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