O ''MOINHO DE GENTE'', DE TARCÍSIO


Ao contrário do que diz o governador Tarcísio de Freitas (PL-SP), centenas de famílias estão sendo expulsas do centro da cidade de São Paulo sem a garantia de uma moradia digna.

Isso faz parte de um projeto bilionário em parceria com o setor privado para transformar a área em um novo pólo administrativo e imobiliário – passando por cima da população pobre da capital paulista. O que está em jogo é a reeleição do governador.

Do outro lado da versão oficial, relatos de pressão para sair, violência policial e repressão de lideranças comunitárias que resistem ao processo.

Nas manchetes da grande mídia e na propaganda oficial do governo, a expulsão é tratada como solução. Mas o Intercept foi à comunidade do Moinho entrevistar os moradores, que nos contaram uma história bem diferente.

Teresa, de 60 anos, recebeu um ultimato para deixar a casa onde vive com o filho, que é uma pessoa cega e com TEA (Transtorno do Espectro Autista). “Para onde eu vou se me expulsarem?”, pergunta;

Sales, dono de uma barbearia na comunidade, foi excluído do programa habitacional por um detalhe burocrático. Se sair de lá, perderá a casa e o trabalho ao mesmo tempo.

E existem outras centenas de histórias como essas. Um ano após o início das remoções, três em cada quatro famílias da comunidade do Moinho ainda não têm uma moradia definitiva.

Muitas vivem de aluguel com auxílio temporário. Outras seguem em meio à casas demolidas, entulhos deixados para trás e à incerteza.

Ao longo de mais de um ano, fizemos o trabalho que a grande mídia não fez: entramos na comunidade, ouvimos moradores, pressionamos pela liberação de documentos via Lei de Acesso à Informação (LAI) e expusemos a farsa da versão oficial.

Agora, transformamos tudo isso em um documentário.

Um registro da crueldade que tomou forma quando o direito à moradia entrou em conflito com interesses de políticos e do setor imobiliário de São Paulo. Isso afeta não só a população do Moinho, mas o preço das moradias como um todo.

Sabendo que os grandes jornais atuam como papagaios dos poderosos, apenas repetindo a versão oficial, o Intercept Brasil surgiu para mostrar aquilo que eles não querem que venha à tona e defender os interesses de quem não tem dinheiro para bancar uma manchete.

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O material do documentário (vídeos, fotos, documentos e entrevistas) será uma arma de mobilização poderosa na mão dos moradores do Moinho que, em abril, possivelmente já sem o espaço físico da comunidade como forma de articulação, precisarão buscar outras maneiras de pressionar os poderosos pela garantia do acesso definitivo à moradia.

Também servirá como elemento mobilizador da campanha pela liberdade das lideranças comunitárias presas, que começa a articular ativistas, artistas, pesquisadores e professores das mais conhecidas universidades do país.

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