MASTER REPASSOU MAIS DE R$ 80 MILHÕES A POLÍTICOS


Foto: Mauro Pimentel/AFP

A lista de poderosos que se beneficiaram do crescimento meteórico do Banco Master cresce a cada dia. Dessa vez, documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado apontam repasses milionários da instituição controlada por Daniel Vorcaro a escritórios de advocacia e empresas ligadas a políticos, ex-ministros e um ex-presidente da República. Segundo dados da Receita, o banco pagou R$ 18,5 milhões a Henrique Meirelles e R$ 14 milhões à Pollaris Consultoria, de Guido Mantega. Também foram registrados R$ 10 milhões ao escritório do ex-presidente Michel Temer e R$ 6,4 milhões a escritórios ligados a Antônio Rueda, presidente do União Brasil. Os documentos também indicam repasses a empresas do Grupo Massa, da família do governador Ratinho Jr. (PSD), incluindo R$ 21 milhões à Massa Intermediação e R$ 3 milhões à Gralha Azul Empreendimentos. Há ainda pagamentos de R$ 12 milhões à BN Financeira, ligada à nora do senador Jaques Wagner (PT-BA). Procurados, os citados afirmaram que os serviços prestados foram regulares. (Folha)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu que o caso do Banco Master tem impacto negativo sobre a imagem do Supremo Tribunal Federal e relatou ter tratado do tema diretamente com o ministro Alexandre de Moraes. Em entrevista ao portal ICL Notícias, Lula disse ter alertado o magistrado sobre os riscos à sua trajetória, citando o papel de Moraes no julgamento dos atos de 8 de janeiro, e sugeriu que ele esclareça eventuais vínculos e se declare impedido em casos que envolvam interesses relacionados. A esposa de Moraes firmou um contrato milionário com o Master. (ICL)

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou em depoimento à CPI do Crime Organizado que não há auditoria ou sindicância da autoridade monetária que aponte responsabilidade de Roberto Campos Neto no caso do Banco Master. Segundo ele, não há evidências formais de irregularidades na atuação do ex-presidente do BC em relação ao banco. A declaração ocorre em meio a críticas do presidente Lula, que tem associado o episódio à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, responsável pela indicação de Campos Neto ao comando do Banco Central. (g1)

O ex-diretor de Fiscalização do BC Paulo Sérgio Neves de Souza não sai tão bem na foto. Segundo as investigações, ele simulou a venda de um sítio ao pastor Fabiano Zettel, cunhado e braço direito de Vorcaro, a fim de ocultar o recebimento de propina. Souza nega irregularidades, mas uma sindicância interna do BC já havia identificado sinais de enriquecimento ilícito. (Folha)

Enquanto isso, o ministro do STF André Mendonça disse a interlocutores que não pretende homologar automaticamente uma eventual delação premiada de Vorcaro no caso Master. Segundo relatos, o ministro planeja comparar o conteúdo da proposta com os achados da Polícia Federal nas investigações em curso e só validá-la caso traga elementos novos e relevantes. A expectativa é que tanto a proposta inicial de delação quanto a conclusão das apurações da PF sejam apresentadas até meados de maio. (CNN Brasil)

Já o ministro Alexandre de Moraes enviou ao plenário do STF uma ação do PT de 2021 que questiona os limites para acordos de delação premiada. Relator do caso, Moraes liberou o processo para julgamento, cabendo ao presidente do STF, Edson Fachin, definir a data da análise pelos demais ministros. A ação, apresentada em 2021, busca estabelecer parâmetros constitucionais para o uso do mecanismo, podendo resultar na fixação de regras ou restrições para acordos desse tipo. A decisão da ação pode impactar a delação premiada de Vorcaro. (g1)

Malu Gaspar: “Lula finalmente compreendeu que abafar o caso Master ou circunscrevê-lo à oposição não é uma possibilidade. As pesquisas vêm mostrando que o STF está com a imagem enlameada e, embora o escândalo não atinja diretamente o Palácio do Planalto, a sujeira pode respingar no governo”. (Globo)


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