Merkel e Sarkozy pensam em euro só para ricos

França e Alemanha terão discutido uma união monetária só para os países ‘core’.

A saída de um país do euro deixou de ser um tabu depois de na cimeira do G20 a chanceler alemã ter admitido que a Grécia poderia sair da união monetária. Mas as discussões terão ido mais longe. Segundo a Reuters, Berlim e Paris discutiram planos para uma reforma radical que leve a uma maior integração na zona euro e, potencialmente, a um menor número de membros na união monetária

Tanto Sarkozy e Merkel têm sugerido mudanças no euro. Ontem, a chanceler alemã defendeu uma alteração dos tratados do euro, argumentando que "o mundo não está a esperar pela Europa, por isso temos de tomar decisões para encontrar uma resposta para os desafios". Também o presidente francês referiu esta semana que o único modelo para o futuro é uma Europa a duas velocidades: uma zona euro que avance mais rápido que os outros países da União Europeia.

Um responsável referiu à Reuters que as conversações sobre a alteração da composição da zona euro aconteceram apenas a um nível "intelectual" e que não houve discussões operacionais e técnicas sobre o assunto. A agência dava ainda conta que o partido de Merkel quer legislação para facilitar eventuais saídas voluntárias do euro.

Mas a ideia tem a oposição do presidente da Comissão Europeia e do responsável pelo Eurogrupo. Durão Barroso avisou ontem num discurso em Berlim que uma zona euro restrita aos países ‘core' levaria a uma queda de 3% do PIB alemão e custaria um milhão de postos de trabalho. E referiu ainda que "uma união dividida não funcionará", apelando à Alemanha que adopte um espírito "comunitário". Barroso anunciou ainda que até final do mês Bruxelas apresentará mais um pacote de medidas para aprofundar a governação económica da zona euro e da União Europeia.
Rui Barroso com Reuters e Lusa
GAZETA SANTA CÂNDIDA,JORNAL QUE TÊM O QUE FALAR

Postar um comentário

0 Comentários