GLEISI ACIONA PGR CONTRA ATAQUES AOS VOTOS DAS MULHERES

Representação da Bancada Feminina na Câmara pede apuração de manifestações do influenciador Paulo Figueiredo e análise de uma cartilha do Partido Missão com ataques ao voto feminino

A deputada federal Gleisi Hoffmann acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a apuração de declarações que atacam o direito ao voto das mulheres e colocam em xeque princípios fundamentais da democracia brasileira. 

A iniciativa requer a investigação de manifestações feitas pelo influenciador Paulo Figueiredo, com possível participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A representação também inclui pedido de análise de uma cartilha do Partido Missão, que tem Renan Santos como pré-candidato à Presidência, que critica o voto universal e sugere a possibilidade de substituição pelo “voto familiar”, modelo que ataca o direito ao voto das mulheres.

O documento foi apresentado pela Bancada Feminina na Câmara dos Deputados e conta com assinatura de 14 deputadas. Elas argumentam que as manifestações configuram violência política de gênero, além de propaganda discriminatória vedada pelo Código Eleitoral.

Para Gleisi, pré-candidata ao Senado, as declarações representam um grave retrocesso e afrontam uma conquista histórica das mulheres brasileiras, garantida pela Constituição Federal de 1988.

"As mulheres conquistaram o direito de votar e de participar plenamente da vida política depois de muita luta. Não vamos aceitar que discursos machistas tentem nos levar de volta ao passado ou questionem a nossa capacidade de decidir os rumos do país. Essa gente não pode voltar a ter nenhum posto de comando. Essa página da história já foi virada e não pode ser reaberta. Nós já avançamos e não podemos permitir retrocessos", afirmou.

Segundo Gleisi, esse tipo de discurso fortalece uma cultura de ataques e submissão contra as mulheres, que ganhou força nos últimos anos, especialmente no governo Bolsonoaro. De acorco com a deputada, esse ambiente acabou estimulando manifestações machistas no debate público e até no comportamento de parte da sociedade, reforçando a violência política e o desrespeito às mulheres.

"Quando um presidente faz declarações ofensivas sobre mulheres, ele naturaliza esse comportamento, ele passa uma mensagem muito perigosa para a sociedade", afirmou. A representação lembra que as mulheres representam cerca de 52% do eleitorado brasileiro, somando mais de 81 milhões de eleitoras.

Para Gleisi, é necessário fortalecer políticas públicas que garantam igualdade de oportunidades e ampliem a participação feminina nos espaços de decisão. "Precisamos seguir em frente, ampliando as ações afirmativas e criando condições para que as mulheres possam exercer plenamente tudo aquilo que desejarem e tiverem capacidade de fazer."

O documento foi assinado pelas deputadas Jack Rocha (PT-ES), Dandara (PT-MG), Ana Pimentel (PT-MG), Carol Dartora (PT-PR), Natália Bonavides (PT-RN), Maria do Rosário (PT-RS), Camila Jara (PT-MS), Denise Pessoa (PT-RS), Benedita da Silva (PT-RJ), Adriana Accorsi (PT-GO), Erika Kokay (PT-DF), Ana Paula Lima (PT-SC) e Juliana Cardoso (PT-SP).

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