MORADORES DE SANTA TERESA NÃO QUEREM VLT. ELES PREFEREM BONDES TRADICIONAIS E ÔNIBUS

Bonde de Santa Teresa. Apesar dos acidentes, os moradores e técnicos de transportes defenderam em encontro com o interventor do sistema, a permanência dos bondes. Para eles, as causas dos acidentes, como o que provocou a morte de 06 pessoas no dia 27 de agosto, não são os bondes em si, mas a falta de conservação e manutenção do sistema. Técnicos em transportes e a Associação dos Moradores rejeitaram a proposta de implantação de um VLT- Veículo Leve sobre Trilhos – no bairro, que apesar de não deixar de ser um bonde, ocupa espaço maior e precisa de mais estrutura nas estreitas vias da região, o que é encarado como sinal de perigo. Os moradores e técnicos defenderam a permanência dos ônibus, mas sugerem que as linhas sejam alteradas para que os itinerários dos dois meios de transportes não coincidam em longos trechos. O Ministério Público vai cobrar o cumprimento das obrigações imposta ao estado e à Central, gerenciadora do sistema, de melhorias e conservação, determinadas em sentença judicial de 2008. A Central admite que nem todas as obrigações foram cumpridas pela quebra de contrato com a TTRANS, empresa que faria parte das modernizações, depois de parecer do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro.

A proposta de implementação de um sistema de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, não agradou os moradores da região.

Eles acreditam que o VLT dos moldes atuais (O VLT não deixa de ser um bonde, porém modernizado e maior) poderia ser até mais perigoso. Isso porque, mesmo tendo tecnologia superior, ocuparia mais espaço das estreitas ruas do local.

Os tradicionais bondinhos de Santa Teresa não circulam desde o dia 27 de agosto de 2011, quando um dos veículos descarrilou e provocou a morte de 06 pessoas e ferimentos em outras 57.

A representante da Asmat – Associação dos Moradores e Amigos de Santa Teresa, Débora Lerrer, disse a Agência Brasil que a população local quer de volta os bondes tradicionais com melhorias na manutenção e nas condições de tráfego:

“A gente quer que os 14 bondes tradicionais voltem a circular e não os VLTs, que são perigosos. A gente não quer que o serviço de bondes seja privatizado, pois é essencial para os moradores”.

Débora também propôs que as linhas de ônibus que servem o bairro e região permaneçam, mas que sejam alteradas para que seus trajetos não coincidam em grandes trechos com o itinerário percorrido pelos bondinhos.

As sugestões dos moradores foram recebidas nesta terça-feira em reunião com o interventor dos bondes de Santa Teresa e presidente do Detro, Rogério Onofre.

Na reunião estiveram representantes dos trabalhadores dos setores ferroviário e rodoviário.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Valdmir Lemos, disse que ao visitar o pátio onde ficam guardados os bondes, é notória a falta de investimentos no sistema.

“Estivemos na oficina e percebemos que não havia investimentos. Lá estão 6 bondinhos que foram recuperados e estão em cima de cavaletes porque estão sem condições de operar. Percebemos que falta peça de reposição e ferramentas. Faltam, também, investimentos na via permanente e na via aérea”, disse

MINISTÉRIO PÚBLICO ANALISA RELATÓRIO PARA MELHORIAS DO SISTEMA:

O promotor da Terceira Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva e Defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural da Capital, Marcus Leal, analisa o relatório do subsecretário de Transporte e presidente da Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central), Sebastião Rodrigues, sobre as ações de modernização do sistema de bondes de Santa Teresa.

O relatório traz informações sobre o cumprimento parcial das obrigações para modernização que fazem parte do contrato do Programa Especial de Trabalho (PET), da Secretaria de Transportes, para deixar os serviços de bondes mais seguros.

Em 2008, a Justiça determinou motivada por ação civil pública do Ministério Público, uma série de ações para melhoria dos bondes, linhas de transmissão, via férrea e oficinas, em condenação contra o Estado e a Central.

O subsecretário de Transporte e presidente da Central, Sebastião Rodrigues, admitiu atraso nas reformas e modernização dos bondes. Ele atribui o atraso principalmente ao fato de o Tribunal de Contas do Estado ter declarado nulo um contrato firmado com a empresa TTRANS, responsável por algumas intervenções.

Relatório preliminar de técnicos que analisam as linhas detectou desnivelamento dos trilhos, o que pode ser a causa de vários acidentes, ainda segundo o documento.

Os funcionários da Central – Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística – foram recadastrados e repassaram outras informações sobre eventuais problemas no bondes de Santa Teresa.

Com base nestes dados, é possível ter uma noção mais próxima da real sobre os custos de operação e manutenção do sistema.

informações de Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes e, blogpontodoonibus

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