quarta-feira, 8 de junho de 2016

PAPEL DOS PARTIDOS


Não é difícil perceber que os partidos políticos brasileiros sofrem uma grande rejeição por parte da população. A culpa recai aos próprios políticos que integram as legendas, que muitas vezes não representam a população do jeito que deveriam e tampouco buscam incentivar a participação dos brasileiros no debate. Essa rejeição chegou ao ponto de existir movimentos que pedem a extinção das legendas.

Apesar de compreensível a crítica, dada a crise que o país atravessa, é importante lembrar que os partidos surgiram com o objetivo de representar uma identidade coletiva e promover espaços para debates e organização das demandas da população. Esse papel acabou diluído com o tempo devido ao esvaziamento da participação popular nas legendas.

As novas tecnologias, em especial as redes sociais, permitiram a criação de debate político e manifestação que acontecem pelos meios de comunicação de massa, longe dos partidos. Agregar essas novas ferramentas é essencial para aproximar e fazer com que a população se aproprie dos partidos e renovem seu interesse pela coisa pública.

A reforma política realizada em 2015 trouxe alguns avanços neste sentido, mas para mudar o cenário e fazer os partidos voltarem a desempenhar o papel que lhes cabe é preciso ações mais profundas. O país sofre com um número excessivo de legendas, o que dificulta a governabilidade e não permite estabelecer uma diferenciação clara entre elas, o que elimina a identidade partidária.

Quando a distinção ideológica de um partido fica nublada, talvez seja o momento de rever a obrigatoriedade de todos os candidatos estarem filiados a um partido e liberar a candidatura independente como forma de incentivar a participação da população que não se sente representada pelas legendas. 

Dados da Rede de Informações Eleitorais ACE mostram que nove em cada dez países democráticos permitem candidaturas avulsas em algum tipo de eleição. O mais importante para a democracia é o debate e participação para a construção de um país melhor e não podemos fechar a porta para novas alternativas que incentivem isso. Somado a isso, os partido precisam reforçar seus esforços para buscar novamente a participação popular.

Quando comecei a participar da política, em 2002, me filiei ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) por considerar que representava ideologicamente aquilo que acredito ser o melhor para nossa sociedade. Uma vez no partido, senti que faltava uma maior participação do segmento jovem e trabalhei para trazê-los ao debate político.

Essa iniciativa me levou a ser o presidente da Juventude do PSDB (JPSDB) em Curitiba, no Estado e Nacional. Não foi um trabalho rápido ou fácil, pois é preciso superar barreiras e quebrar velhos preconceitos, inclusive da própria população em relação à política, para finalmente termos pessoas engajadas, interessadas e que apresentem uma pluralidade de opiniões.

O papel dos partidos é ser um espaço de discussão que naturalmente irá revelar novas lideranças, focar em temáticas relevantes, incentivar a cidadania e amadurecer a nossa democracia. Fazer com que assumam esse papel depende das lideranças conseguirem despertar a participação popular e, assim como realizamos com a juventude do PSDB, trazê-los para o debate e construção das políticas públicas.

Marcello Richa

Marcello Richa é presidente do Instituto Teotônio Vilela do Paraná (ITV-PR)

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