sexta-feira, 1 de maio de 2015

12 LIVROS QUE PODEM FAZER O SEU MUNDO CAIR



Ademir Luiz, Revista Bula

"O lupino escritor Monteiro Lobato, inimigo público número um dos politicamente corretos de plantão, escreveu que “um país se faz com homens e livros”. É verdade. Também é bom lembrar que ocorre de às vezes algumas pessoas terem suas convicções mais profundas abaladas pela leitura de certos livros. Esse tipo de choque pode ser muito bom, principalmente nos casos citados abaixo. 

Nesse dia do livro e com esse espírito de Anjo Exterminador, a Revista Bula lista 12 livros que certos estereótipos ambulantes fecham a última página cantando no melhor estilo Maysa: “meu mundo caiu…”

Se você é um…

Homofóbico enrustido e ler “Morte em Veneza” (1912), de Thomas Mann
Poderia ser “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, mas como esses tipos dificilmente chegam perto de livros escritos por rosas, citamos o “Morte em Veneza”, de Thomas Mann. Com “morte” no título pode ser que o livro chame sua atenção e quando menos esperar nosso enrustido vai estar fisgado, refletindo se esta lendo uma história de amor trágica, que por ventura é homossexual, ou uma fábula sobre o perigo de se contemplar a suprema beleza.

Feminista queima-sutiã e ler “Os Homens que não Amavam as Mulheres” (2005), de Stieg Larsson

Parece perfeito: quase todos os homens da trama são canalhas, estupradores de fato ou estupradores em potencial. A mocinha se vinga brutalmente de um burocrata escroto que bem mereceu. A mocinha é mais inteligente e carismática que o mocinho. A mocinha usa sexualmente o mocinho. A mocinha engana o sistema patriarcalista que a oprime e dá um golpe milionário no final. Seria perfeito se não fossem… as continuações que você vai se sentir obrigada a ler e ver que estragaram tudo, mostrando que a mocinha não é invencível nem imune aos próprios sentimentos.



Intelectual pedante e ler “O Pequeno Príncipe” (1943), de Antoine de Saint-Exupéry
Sim, meu caro amigo de cachimbo e pulôver, “O Pequeno Príncipe”, é uma pequena pérola de sofisticação, beleza e sabedoria. Quem disse que misses não podem ser inteligentes?



Comunistinha de sandália de dedo e ler “O Arquipélago Gulag” (1973), de Alexander Soljenítsin
Sim, meu caro amigo de camisa do Che, eu sei que você sabe que, ao contrário do que aquele careca de suspensórios do seu condomínio grita por aí, o Holocausto aconteceu sim, mas lembre-se que as Gulags do companheiro Stálin também. Pergunte para Alexander Soljenítsin. E não vale dizer que todo dissidente mente, isso é uma rima, não é uma solução.



Estudante de terceiro período de Direito em fim de festa e ler “O Processo” (1925), de Franz Kafka
Você que sabe tudo de tudo, tente explicar as bases legais do que aconteceu nesse livro. Se errar sua punição será a morte. Não adianta reclamar, eu sei que não é justo nem faz sentido. Isso é kafkiano, meu caro. A opção é acordar transformado em um inseto. Escolha.



Estagiário de Beat e ler “Almoço Nu” (1959), de William S. Burroughs
Isso é o que pode te acontecer, se você se esforçar mais em seus hobbies. É, talvez não seja tão ruim. Afinal, Burroughs morreu velho, famoso e segurando uma arma, caso alguém aparecesse para reclamar.



Acadêmico sentado no trono de seu apartamento e ler “A Marca Humana” (2000), de Philip Roth
Você pode ser vítima de um monstro que não criou, mas que não se opôs a criação.



Ativista vegetariano e ler “A Vida dos Animais” (1999), de J. M. Coetzee
Sim, você se parece com a Elizabeth Costello quando fala.



Carola de pastoral da juventude e ler “Decamerão” (1351), de Boccaccio
Nossa! Que livro… grosso…



Ateu de internet e ler “A Inocência do Padre Brown” (a partir de 1910), de Chesterton
O incrédulo sacrílego vai ser obrigado a admitir que o bom padre Brown derrota fácil Sherlock Holmes, Poirot, Dupin & companhia.



Fã de Chico Buarque e ler “Estorvo” (1991), de Chico Buarque
Tudo bem, sem pânico, sempre tem o novo disco… ou os antigos.

Teórico da conspiração e ler “O Pêndulo de Foucault” (1988), de Umberto Eco

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