UM SUS PARA UM PAÍS MAIS LONGEVO

A inversão da pirâmide etária chega ao Brasil, criando demandas por políticas que proporcionem uma longevidade saudável universal. Para Temporão, uma reformulação estrutural do SUS se faz necessária

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

No seminário Antonio Ivo de Carvalho – Perspectivas da Saúde no Brasil, o ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão defendeu uma reformulação estrutural do SUS, a fim de responder ao envelhecimento da população. Em sua exposição, sistematizada em documento, Temporão chama o processo de uma “Reforma Sanitária 2.0”, adjetivação que visa dimensionar a importância deste processo.

Isso porque já ao final desta década o país passará a contar, de forma inédita na história, com uma população idosa mais numerosa do que os menores de 15 anos. Tal mudança se acentuará ainda mais no decorrer do século.

Em resumo, é preciso pensar em “Uma estratégia nacional de longevidade saudável, equitativa e sustentável, tendo o SUS como eixo estruturante, articulada a financiamento público estável, regionalização efetiva, atenção primária forte, cuidados de longa duração, inovação tecnológica e enfrentamento dos determinantes sociais, ambientais e comerciais/econômicos da saúde”.

Como já retratado pelo Outra Saúde em algumas ocasiões, uma destas dimensões renovadas da concepção de direito à saúde envolve o cuidado e toda sua economia. Neste sentido, o Senado aprovou em março, na Comissão de Assuntos Econômicos, o reconhecimento da profissão de cuidador.

Portanto, tais objetivos exigirão a combinação da ação política de outros setores. Afinal, a mudança demográfica incidirá na população economicamente ativa, padrões de produtividade, previdência, meio ambiente etc. Em suma, um debate de tamanha envergadura exigirá uma discussão ampliada de sociedade.

Para Temporão, o SUS já possui as pré-condições para avançar rumo a esta produção do bem estar. Sua capilaridade territorial e conceito integral de saúde são virtudes construídas na Reforma Sanitária Brasileira. “A segunda geração deverá reorganizar o sistema. A tarefa central não é apenas ampliar a oferta de serviços, mas produzir mais anos de vida saudável, com autonomia, funcionalidade, proteção social e equidade”, defendeu.



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