FUNDADA OIR 182 CASAIS AÇORIANOS EM 1750, ESTA CIDADE ABRIGA A ÚNICA ESCOLA DE OLARIA DA AMÉRICA LATINA

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Fundada por 182 casais açorianos em 1750, esta cidade abriga a única escola de olaria da América Latina

Ana Carolina


Situada a apenas 5 km de Florianópolis, São José é uma das cidades mais históricas de Santa Catarina. Fundada em 1750 por imigrantes açorianos e berço da primeira colonização alemã do estado em 1829, a cidade oferece um mergulho profundo nas tradições ibéricas e germânicas. Com seu centro histórico preservado e uma vibrante Beira-Mar, o município equilibra o legado de séculos com a modernidade de uma metrópole que pulsa na Grande Florianópolis.

1  O centro histórico é um testemunho vivo do passado. A Igreja Matriz, finalizada em 1848 e visitada pelo Imperador Dom Pedro II, mantém suas características coloniais originais. Nas proximidades, o pitoresco Beco do Carioca guarda a memória das primeiras fontes da cidade, enquanto a Escola de Oleiros mantém viva uma tradição açoriana única na América Latina, sendo um ponto de referência cultural para quem busca entender a essência do artesanato local.

Para o lazer, a Beira-Mar de São José é o grande ponto de encontro, com quase 3 km de infraestrutura dedicada ao esporte e à convivência, conectando a cidade ao cenário da Baía Sul. O bairro Ponta de Baixo complementa o roteiro, oferecendo um balneário urbano que preserva o charme dos pescadores tradicionais, ideal para saborear frutos do mar frescos e curtir o final de tarde à beira da água.

3  A gastronomia em São José celebra a safra da tainha na telha, um prato que une a história açoriana à fartura da Baía Sul. Aliado a isso, o florescente mercado de cervejas artesanais traz modernidade ao bairro Kobrasol, criando um contraste fascinante entre a tradição gastronômica de séculos e as novas tendências de consumo. Seja pelo peso histórico do seu centro ou pela qualidade de vida em sua orla, São José é a porta de entrada indispensável para o litoral catarinense.

A 5 km do continente de Florianópolis, na Grande Florianópolis, uma cidade de 295 mil habitantes é a quarta mais antiga de Santa Catarina e guarda um legado ímpar da colonização portuguesa e alemã no Sul do Brasil. São José foi colonizada em 26 de outubro de 1750 por 182 casais açorianos vindos das ilhas de Pico, Terceira, São Jorge, Faial, Graciosa e São Miguel. Em 1829, o município recebeu o primeiro núcleo de colonização alemã do estado, tornando-se o berço da imigração germânica em Santa Catarina.

Dos 182 casais açorianos ao primeiro núcleo alemão de 1829

A história de São José é uma das mais antigas do Sul brasileiro. Segundo divulgação do portal oficial da Prefeitura Municipal de São José, a colonização começou em 26 de outubro de 1750 com a chegada de 182 casais vindos das ilhas do arquipélago dos Açores. Os imigrantes traziam consigo tradições religiosas, gastronômicas e culturais que moldariam a identidade do sul catarinense. Eles vieram das ilhas do Pico, Terceira, São Jorge, Faial, Graciosa e São Miguel, e foram determinantes na formação do Litoral Central de Santa Catarina.


Em 1829, a cidade recebeu um segundo grupo colonizador que mudaria seu perfil cultural: o primeiro núcleo de colonização alemã de todo o estado. O rápido desenvolvimento levou o governo provincial, em 1º de março de 1833, a elevar São José da condição de freguesia a vila. Vinte e três anos depois, em 3 de maio de 1856, a Lei Provincial 415 transformou o município em cidade. O aniversário oficial é comemorado em 19 de março, dia dedicado a São José, padroeiro da cidade e da Igreja Católica. O centro histórico ainda preserva os traçados urbanos das primeiras décadas de ocupação.

São José, Santa Catarina // Créditos: Wikimedia Commons


O Beco do Carioca e a Igreja Matriz visitada por Dom Pedro II

A Igreja Matriz de São José é o marco mais importante do centro histórico. A primeira paróquia foi erguida em pau-a-pique em 1750, no mesmo ano da fundação, e demolida em 1765. A segunda construção recebeu a visita histórica de Dom Pedro II em 1845, e a terceira, atual, foi finalizada em 1848. A construção mantém os traços originais, com telhas coloniais, paredes em pedra e cal, e é patrimônio tombado no Centro Histórico. Ao lado fica a Praça Hercílio Luz, onde está o Monumento Plínio Verani, homenagem aos açorianos que fundaram a cidade.

Bem próximo dali, o Beco do Carioca é uma das ruas mais curiosas do centro histórico. Foi ali que os fundadores da cidade encontraram a primeira fonte de água natural do território, transformada em ponto de abastecimento para toda a comunidade. Segundo o Museu Histórico Municipal, no século XIX o local era frequentado por escravas lavadeiras que trabalhavam nos casarões vizinhos. A rua sem saída termina em uma pequena cachoeira que ainda escorre pela laje de pedra. Perto do beco fica a Praça Arnoldo de Souza, com o Monumento aos Açorianos erguido no provável local do desembarque dos primeiros colonos em 1750. O centro histórico é totalmente andável a pé.

São José, Santa Catarina // Créditos: Wikimedia Commons

O que fazer entre a Beira-Mar e a Escola de Oleiros

São José tem um roteiro turístico compacto e riquíssimo em história. Reserve pelo menos dois dias para o essencial e um extra se quiser combinar com o centro histórico de Florianópolis.Igreja Matriz de São José: templo de 1848 no Centro Histórico, com paredes em pedra e cal e telhas coloniais originais, patrimônio tombado.
Beco do Carioca: primeira fonte de água encontrada pelos fundadores em 1750, com pequena cachoeira ao fim da rua sem saída.
Praça Arnoldo de Souza: abriga o Monumento aos Açorianos no provável local do desembarque original.
Beira-Mar de São José: aterro com quase 3 km de ciclovia, pistas de caminhada, quadras poliesportivas, academia ao ar livre e pista de skate.
Museu Histórico Municipal e Museu da Família Koerich: preservam objetos e documentos da colonização açoriana e alemã.
Casa da Cultura: ocupa o prédio da antiga Casa da Câmara e Cadeia e concentra a agenda cultural do município.
Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros: única escola profissional específica em olaria de toda a América Latina.

Este vídeo do canal Acordei e Fui, que conta com mais de 10 mil visualizações, oferece um panorama geral sobre São José (SC), uma das principais cidades da região metropolitana de Florianópolis.


A tradição da olaria única na América Latina

São José é reconhecida no Brasil pela tradição da olaria, herança direta dos primeiros açorianos que se estabeleceram no bairro de Ponta de Baixo. Foi ali que surgiram os primeiros oleiros do Sul catarinense, e a tradição atravessou séculos. Segundo divulgação da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, o município abriga a Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros, considerada a única escola profissional específica em olaria de toda a América Latina. A instituição ensina técnicas ancestrais de modelagem em argila que remontam aos oleiros açorianos do século XVIII.

O bairro Ponta de Baixo, hoje transformado em balneário urbano badalado desde os anos 1970, guarda outros marcos culturais. Foi ali que os moradores rejeitaram, no fim dos anos 1980, uma tentativa oficial de mudança do nome para Balneário Guarema. O bairro reúne restaurantes e bares à beira-mar em uma paisagem em que o passado oleiro convive com a moderna vida costeira da Baía Sul. As Capelas de Nossa Senhora de Fátima e Santa Filomena, do Nosso Senhor dos Passos e do Nosso Senhor do Bonfim, esta última construída em 1854 no alto da Rua do Bonfim, completam o conjunto religioso do município.
Como é o clima e a melhor época para visitar

São José tem clima subtropical com estações bem definidas, típico do litoral catarinense. As temperaturas variam entre 9°C nas madrugadas de julho e 30°C nas tardes de janeiro. A umidade é alta o ano todo, com médias de 90 mm de chuva em julho e mais de 150 mm nos meses de verão. O inverno seco entre maio e setembro é ideal para o turismo histórico, e o verão concentra o movimento na Beira-Mar e no balneário Ponta de Baixo.

Para chegar a São José, a BR-101 corta todo o município e é a principal via de acesso. De Florianópolis, o centro fica a apenas 5 km do continente, com trajeto rápido pela Ponte Colombo Salles ou pela Pedro Ivo Campos. De Curitiba são 285 km e de Porto Alegre, 465 km. O Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis, é a principal porta aérea. Ônibus urbanos conectam a cidade a toda a Grande Florianópolis.

Cruze a BR-101 e conheça a 4ª cidade mais antiga de SC

São José guarda um pedaço raro do Sul do Brasil, onde 182 casais açorianos convivem com a primeira colonização alemã de Santa Catarina, o único centro profissional de olaria da América Latina e uma Igreja Matriz visitada por Dom Pedro II em 1845. Poucos destinos combinam quase 3 km de Beira-Mar revitalizada, um Beco do Carioca que era usado pelas lavadeiras no século XIX e uma cena gastronômica ligada à safra da tainha na Baía Sul.

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