EUROPA OCIDENTAL TEVE MÊS DE JUNHO MAIS QUENTE JÁ REGISTRADO

NATUREZA E MEIO AMBIENTE


Redação DW

Temperatura na região no mês passado foi mais de 3 °C acima da média de junho no período de 1991 a 2020. Mês também foi segundo junho mais quente em nível global.

                                                                                                                    Foto: Alexandre Dimou/REUTERS

Avião combate incêndio florestal na França: calor intenso alimentou incêndios no continente

A Europa Ocidental acaba de registrar o mês de junho mais quente de que se tem notícia, confirmaram cientistas da UE nesta quinta-feira (09/07), após uma onda de calor extrema no final do mês ter quebrado recordes de temperatura, interrompido o fornecimento de energia e fechado escolas.

O mês passado também foi o segundo junho mais quente em nível global, e o planeta registrou as temperaturas da superfície do mar mais altas para um mês de junho desde o início dos registros, informou o Serviço Copernicus para Mudanças Climáticas (C3S) da UE em um boletim mensal.

A temperatura média na Europa Ocidental no mês passado foi de 20,74 graus Celsius, mais de 3°C acima da média de junho no período de 1991 a 2020, segundo os dados, superando o anterior recorde, estabelecido em junho de 2025.
"Junho ressaltou como o clima está mudando°

O Copernicus define a região como aquela que se estende da Espanha e do Reino Unido em direção ao leste, chegando à Itália, à Alemanha e a parte da Áustria. A Europa Ocidental já enfrentou três ondas de calor intensas em um intervalo de três meses, com países como Espanha e Portugal sob o impacto de mais uma nesta semana.

"Junho de 2026 ressaltou o quão profundamente o clima está mudando", disse Samantha Burgess, líder estratégica do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF, na sigla em inglês). "O resultado são ondas de calor cada vez mais intensas, um oceano persistentemente quente e riscos crescentes para pessoas, ecossistemas e infraestrutura em toda a Europa e além."

Autoridades nacionais relataram mais de 4.700 mortes em excesso na França, Bélgica, Espanha e Holanda durante a onda de calor de junho – sendo provável que o total em outros países seja maior –, ao mesmo tempo em que o calor intenso também alimentou incêndios florestais na Península Ibérica e na França e agravou as condições de seca. A Alemanha registrou 5.655 mortes a mais.

Aquecimento global

As emissões de gases de efeito estufa, provenientes principalmente da queima de carvão, petróleo e gás, elevaram a temperatura média do planeta para cerca de 1,4 °C acima dos níveis pré-industriais do século 19, segundo a Organização Meteorológica Mundial. Esse patamar base mais elevado significa que as temperaturas agora podem atingir picos mais altos durante as ondas de calor.

"A relação entre ondas de calor e aquecimento global é extremamente direta: em um planeta mais quente, haverá mais ondas de calor, e elas se tornarão mais intensas", disse Joeri Rogelj, cientista climático do Imperial College London.

Em nível global, o C3S afirmou que outros fatores contribuíram para elevar as temperaturas da superfície do mar a um recorde para junho – incluindo o desenvolvimento de um forte padrão climático El Niño no Oceano Pacífico.

O El Niño não contribuiu para a onda de calor de junho na Europa, enquanto as mudanças climáticas desempenharam um papel claro no agravamento das temperaturas extremas, segundo um estudo científico realizado após o evento. Os registros de temperatura do C3S remontam a 1940 e são confrontados com registros globais de temperatura que datam de 1850.

md (Reuters, Lusa)

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