A BYD NO BRASIL



A BYD, uma das maiores montadoras de carros elétricos do mundo, foi parar na lista suja do trabalho escravo do Ministério do Trabalho em abril. A passagem durou pouco. Menos de três dias depois, a empresa conseguiu uma liminar na Justiça e teve o nome retirado do cadastro. No meio de todo esse impasse, o secretário nacional de Inspeção do Trabalho acabou sendo demitido. Segundo o G1, fontes do ministério dizem que ele teria desobedecido a uma ordem do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, para não incluir a montadora na lista.

CONTEXTO
A raiz do problema está na construção da fábrica da BYD na Bahia. No fim de 2024, auditores resgataram 163 operários chineses vivendo em alojamentos superlotados, com passaportes retidos e sob vigilância de seguranças armados. A montadora se defende dizendo que a culpa foi da construtora terceirizada responsável pela obra. Para tentar virar a página, a BYD fechou um acordo na Justiça no valor de R$ 40 milhões para reparar os danos.

CENÁRIO
A entrada e saída rápida da lista gerou uma verdadeira crise nos bastidores. Fiscais do trabalho afirmam que o ministro do Trabalho pressionou para que o nome da BYD não fosse incluído no cadastro de jeito nenhum. Como a equipe técnica se recusou a quebrar o protocolo e publicou o documento com a montadora, o secretário da área foi exonerado. Já na Justiça, o juiz que tirou a BYD da lista argumentou que o negócio da empresa é fabricar carros, e não construir prédios, afastando o vínculo direto com os operários.

Estar na lista suja é uma punição severa que mancha a imagem da marca e corta o acesso a empréstimos em bancos públicos. Além disso, a demissão de um secretário por cumprir a lei levanta um alerta grave sobre a independência de quem fiscaliza o trabalho escravo no Brasil, indicando que o poder econômico de grandes empresas pode acabar influenciando punições que deveriam valer para todos.


Fonte: Diário do Porto

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