PF DIZ QUE BANCO DIGIMAIS ADOTOU 'PRÁTICAS ANÁLOGAS' ÀS DO MASTER AO INFLAR PATRIMÔNIO SEM LASTRO FINANCEIRO E PEDEM O BLOQUEIO DE R$ 670 MILHÕES

Investigadores cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços de dirigentes da instituição financeira

Digimais, banco de Edir Macedo, vendido ao BTG Pactual — Foto: Paulo Renato Nepomuceno / Agência O Globo

A Polícia Federal afirmou que o Banco Digimais adotou práticas semelhantes às do Banco Master ao inflar ativos sem lastro e manipular balanços para driblar os órgãos de controle. De acordo com as investigações, em um dos casos verificados, o banco elevou o valor de um ativo adquirido em 2023 por R$ 31 milhões para R$ 230 milhões, o que gerou um patrimônio fictício de R$ 199 milhões.

"O BANCO DIGIMAIS, sob o controle de EDIR MACEDO, adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às do extinto BANCO MASTER", diz trecho do relatório da PF. O banco é controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.

Em outro episódio, dois ativos que somavam R$ 71 milhões foram reavaliados em seguida em R$ 174,5 milhões, inflando de forma artificial o bem.

A PF ressalta no relatório que o Digimais replicou irregularidades praticadas pelo Banco Master no segmento financeiro, como o uso do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para emitir títulos com "rentabilidade desproporcionais" à praticada no mercado. O FGC funciona como uma garantia a investidores que aportam até R$ 250 mil em instituições financeiras.

"Como será adiante demonstrado, aproveitando a assimetria de informação e a confiança dos depositantes na proteção institucional, a diretoria do BANCO DIGIMAIS replicou a prática de superavaliar ativos mediante a emissão de títulos com rentabilidades desproporcionais aos indicadores de mercado, efetuando manipulações nos balanços com o objetivo de ocultar dos órgãos de controle a deterioração da sua carteira de crédito", diz a PF.

Dirigentes do Digimais foram alvos de nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça federal de São Paulo, nesta terça-feira. A decisão judicial também determinou o bloqueio de R$ 670 milhões em bens e valores dos investigados, que devem responder pelos supostos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em balanços e realização de operações de crédito vedadas.

Em nota, o Banco Digimais afirmou que está à disposição das autoridades para dar explicações e colaborar com a Justiça.

“Em relação à operação da Polícia Federal desta manhã o Banco Digimais informa que permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso. A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes", afirmou o banco, no texto.

Segundo a PF, a investigação teve origem em relatórios produzidos pelo Banco Central que apontaram indícios de irregularidades na condução dos negócios da instituição.
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