CEMADEN ALERTA PARA PREVENÇÃO AO EL NIÑO

É difí­cil pre­ver em maio a força do fenô­meno, mas ações têm que ser coor­de­na­das, diz José Marengo



Valor Economico
Dani­ela Chi­a­retti

O El Niño, fenô­meno natu­ral que aquece as águas do Pací­fico na faixa equa­to­rial e que pro­voca impac­tos no Bra­sil e no mundo, estará pre­sente no segundo semes­tre de 2026 e em 2027. A dúvida que per­siste é sua força — não é pos­sí­vel ainda afir­mar se será um “Super El Niño” ou um “El Niño God­zilla”, como vem sendo cha­mado. Forte ou não, é pre­ciso uma coor­de­na­ção de ações nas esfe­ras de poder para logís­tica, infra­es­tru­tura e infor­mar a popu­la­ção sobre o que fazer ao rece­ber aler­tas de inun­da­ções, secas ou incên­dios.

Essas três men­sa­gens estão em uma nota téc­nica emi­tida por pes­qui­sa­do­res do Cen­tro Naci­o­nal de Moni­to­ra­mento e Aler­tas de Desas­tres Natu­rais, o Cema­den, órgão do Minis­té­rio da Ciên­cia, Tec­no­lo­gia e Ino­va­ção (MCTI). O tom da nota é de cau­tela quanto às pre­vi­sões e um cha­mado para ações de pre­ven­ção. “O Bra­sil é muito bom em rea­gir a desas­tres, mas não em se pre­ve­nir”, diz José Marengo, coor­de­na­dor-geral de pes­quisa e desen­vol­vi­mento do Cema­den/MCTI. “Pre­ve­nir não é custo, salva vidas”, diz. “A men­sa­gem­chave do rela­tó­rio é que, inde­pen­den­te­mente da inten­si­dade do El Niño, temos de estar pre­pa­ra­dos.”

“El Niño está pre­sente, o aque­ci­mento do Pací­fico está acon­te­cendo. O pro­blema é dizer, hoje, qual será a sua inten­si­dade”, escla­rece. “Se roda­mos um modelo em maio, olhar para o resul­tado em outu­bro é difí­cil. É o que cha­ma­mos de bar­reira de pre­vi­si­bi­li­dade”, explica. “É como per­gun­tar a um médico hoje como esta­re­mos ama­nhã e no Natal”, segue. “Acre­di­tar em uma pre­vi­são para outu­bro é um pouco peri­goso. Por­que os mode­los têm limi­ta­ções e a atmos­fera tam­bém é muito ativa e muda cons­tan­te­mente.”

“O moni­to­ra­mento oce­â­nico mais recente con­firma que o El Niño 2026/207 está se desen­vol­vendo abaixo da super­fí­cie do oce­ano”, diz a nota, citando cen­tros de clima da Europa (ECMWF), Esta­dos Uni­dos (NOOA) e Aus­trá­lia (BOM). “As simu­la­ções de mode­los con­ver­gem para uma tra­je­tó­ria de alto impacto, com várias pre­vi­sões suge­rindo que o evento poderá se tor­nar o El Niño mais forte da his­tó­ria moderna”, segue. “Porém, estas pre­vi­sões ainda têm baixa con­fi­a­bi­li­dade no longo prazo.”

Se é muito cedo para falar na inten­si­dade

“Não adi­anta man­dar aler­tas de chuva forte e ‘pro­cure lugar seguro’, e a popu­la­ção sem saber para onde cor­rer”

do fenô­meno que será um fator deter­mi­nante do clima glo­bal este ano e no iní­cio de 2027, está mais do que na hora de agir em medi­das de pre­ven­ção. “Se sabe­mos que as cida­des enfren­ta­rão mais tem­pes­ta­des, é pre­ciso lim­par gale­rias e buei­ros para evi­tar o risco de inun­da­ções urba­nas”, diz Marengo, um dos auto­res da nota téc­nica. O texto deta­lha os impac­tos no Bra­sil de El Niños ante­ri­o­res para poder ori­en­tar o que deve ser pri­o­ri­zado, moni­to­rado, e como se pre­pa­rar ante­ci­pa­da­mente.

A nota reco­menda refor­çar o moni­to­ra­mento hidro­me­te­o­ro­ló­gico com aten­ção a pre­vi­sões de chu­vas e secas, nível dos rios e vazões, cotas de trans­bor­da­mento, umi­dade do solo e con­di­ções das encos­tas. Pede para que se garanta o pleno fun­ci­o­na­mento de rada­res mete­o­ro­ló­gi­cos, plu­vi­ô­me­tros, sis­te­mas de trans­mis­são de dados e que se rea­va­liem áreas crí­ti­cas, inclu­indo encos­tas ocu­pa­das, mar­gens de rios, pon­tes, comu­ni­da­des iso­la­das, áreas urba­nas com dre­na­gem insu­fi­ci­ente.

Diz que é pre­ciso “for­ta­le­cer a inte­gra­ção ope­ra­ci­o­nal entre União, esta­dos e muni­cí­pios, conec­tando a pre­vi­são, o moni­to­ra­mento, a aná­lise de risco, o alerta, a comu­ni­ca­ção pública e a res­posta.” E que tem que se conec­tar os aler­tas de ris­cos de desas­tres do Cema­den a avi­sos do Inmet e do Inpe com os flu­xos das defe­sas civis esta­du­ais e muni­ci­pais, e ins­ti­tui­ções res­pon­sá­veis por infra­es­tru­tu­ras crí­ti­cas. Um ponto fun­da­men­tal é trei­nar a popu­la­ção ao que deve fazer, quais as rotas de fuga, onde ir, como se pre­ve­nir.

É pre­ciso trei­nar bom­bei­ros para incên­dios, dei­xar cami­nhões-pipa de sobre­a­viso, fazer simu­la­dos de desas­tres para edu­car a popu­la­ção. “Não adi­anta man­dar aler­tas de que vai cho­ver forte, que tem risco de inun­da­ção, pro­cure um lugar seguro, e a popu­la­ção sem saber pra onde cor­rer”, diz. Marengo lem­bra que os EUA usam gran­des avi­ões no com­bate a incên­dios. Diz que no Peru, a ame­aça de ter­re­mo­tos fez com que a popu­la­ção sou­besse que tem que dei­xar uma mochila pronta com água, lan­ter­nas, comida, docu­men­tos, por­que “a ajuda demora a vir”.

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