PLANALTO AMPLIA NEGOCIAÇÃO PARA 'MARGEM' DE SEGURANÇA A MESSIAS

Receio de trai­ções de última hora faz governo bus­car ade­sões de ao menos 12 sena­do­res para ter segu­rança de apro­va­ção do indi­cado de Lula para o Supremo

Valor Economico

Murillo Cama­rotto, Sofia Aguiar e Gabri­ela Guido
28 abril 2026

O governo con­ta­bi­liza até o momento 44 votos favo­rá­veis à indi­ca­ção do minis­tro da Advo­ca­cia-Geral da União (AGU), Jorge Mes­sias, ao Supremo Tri­bu­nal Fede­ral (STF), mas o receio de trai­ções de última hora movi­men­tou o fim de semana no Palá­cio do Pla­nalto. A saba­tina na Comis­são de Cons­ti­tui­ção e Jus­tiça (CCJ) do Senado está con­fir­mada para esta quarta-feira (29).

Na semana pas­sada, o governo pro­mo­veu tro­cas na com­po­si­ção do cole­gi­ado para refor­çar a posi­ção Mes­sias. A prin­ci­pal mudança foi a saída de Ser­gio Moro (PL-PR), crí­tico da indi­ca­ção, subs­ti­tu­ído por Renan Filho (MDB-AL). Tam­bém entrou Ana Paula Lobato (PSB-MA) no lugar de Cid Gomes (PSB-CE), enquanto Mar­celo Cas­tro (MDB-PI) pas­sou à pri­meira suplên­cia, des­lo­cando Ales­san­dro Vieira (MDBSE). Com a nova con­fi­gu­ra­ção, ali­a­dos do Pla­nalto esti­mam cerca de 16 votos favo­rá­veis a Mes­sias na CCJ, dois acima do mínimo neces­sá­rio para apro­va­ção.

Mes­sias pre­cisa dos votos de 41 sena­do­res no ple­ná­rio para carim­bar o pas­sa­porte. Ape­sar de ter supos­ta­mente atin­gido a meta, o governo tra­ba­lhou para garan­tir uma mar­gem de segu­rança maior e, assim, evi­tar uma iné­dita rejei­ção. Segundo apu­rou o

Valor, as nego­ci­a­ções do fim de semana envol­ve­ram ao menos 12 sena­do­res que ainda não se com­pro­me­te­ram a votar con­tra ou a favor do minis­tro da AGU.

As tra­ta­ti­vas com o minis­tro das Rela­ções Ins­ti­tu­ci­o­nais, José Gui­ma­rães, abran­ge­ram, inclu­sive, dis­cus­sões sobre a libe­ra­ção de emen­das par­la­men­ta­res. Pro­cu­rada, a asses­so­ria da pasta infor­mou que o minis­tro se dedi­cou ao Con­gresso do PT no fim de semana e que a expec­ta­tiva é de uma apro­va­ção “com boa mar­gem” para o nome

de Mes­sias no ple­ná­rio.

Na segunda-feira, o líder do PT no Senado, Jaques Wag­ner (BA), esti­mou algo entre 44 e 50 votos a favor da indi­ca­ção do titu­lar da AGU.

A saba­tina será o pri­meiro teste de Gui­ma­rães à frente da arti­cu­la­ção polí­tica do governo. Ele assu­miu o cargo em 14 de abril. Por conta disso, na semana pas­sada, o novo minis­tro fez uma força-tarefa para rece­ber diver­sos sena­do­res em seu gabi­nete para anga­riar votos a Mes­sias.

O Palá­cio do Pla­nalto tam­bém deci­diu “ceder” na arti­cu­la­ção pela manu­ten­ção dos vetos do pre­si­dente Luiz Iná­cio Lula da Silva ao pro­jeto de lei que reduz penas dos con­de­na­dos por ten­ta­tiva de golpe de Estado, conhe­cido como “PL da dosi­me­tria”.

Nos bas­ti­do­res, Gui­ma­rães tem dito que seu foco é a apro­va­ção de Mes­sias, e que só se debru­çará sobre outros assun­tos após quarta-feira (29). A ses­são con­junta do Con­gresso que vai ava­liar os vetos foi mar­cada para a

pró­xima quinta-feira (30) e a der­ru­bada é tida como certa.

A indi­ca­ção de Mes­sias foi o esto­pim de um rom­pi­mento polí­tico entre Lula e o pre­si­dente do Senado, Davi Alco­lum­bre (União-AP), que defen­dia o nome do sena­dor Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga. Con­tra­ri­ado, Alco­lum­bre tra­ba­lhou con­tra e levou o governo a adiar o envio da men­sa­gem pre­si­den­cial con­fir­mando a indi­ca­ção. Até hoje Lula e ele não ajus­ta­ram com­ple­ta­mente a rela­ção.

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