COMO O BASIL PODE DERRUBAR TRUMP E AS BIG TECHS

Cory Doctorow diz que o domínio digital dos EUA virou risco geopolítico — e que países como o Brasil podem combatê-lo atacando sua base: propriedade intelectual e controle tecnológico



Escrevo esta edição da newsletter em Toronto, no Canadá, onde passei o mês de abril como pesquisador visitante na Universidade Metropolitana de Toronto. Meu trabalho foi investigar como a extrema direita brasileira tem importado o discurso anti-imigração para o país.

A proposta inicial era ficar mais restrita a temas ligados à política e relações internacionais. Mas, ao longo da investigação, ficou claro que há uma camada que não pode ser ignorada e que tem moldado todos os outros debates contemporâneos: o poder das big techs.

No Intercept Brasil, temos o privilégio de ter no nosso time a repórter Laís Martins, que está mergulhada nesse tema há anos. Mas a verdade é que, hoje, não há como cobrir política ou qualquer outro assunto sem também passar, inevitavelmente, pelas gigantes empresas de tecnologia.

Foi por isso que saí da programação oficial do meu programa de pesquisa para ir a uma conferência do ativista canadense Cory Doctorow, jornalista e autor de livros de ficção científica. Eu o conhecia pelas traduções de seus textos que publicamos no Intercept.

Nos últimos anos, Doctorow tem ganhado repercussão global por ter cunhado o conceito de merdificação (em inglês, enshittification), que virou livro e oferece uma explicação com aroma escatológico para a percepção generalizada de que a internet piorou.

O termo foi eleito como palavra do ano pela American Dialect Society em 2023 e também pelo Macquarie Dictionary em 2024, além de ter sido incorporado por vários dos maiores dicionários do idioma inglês no mundo, como Merriam-Webster e Dictionary.com.







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