VEREADORA VOLTA A CAUSAR POLÊMICA AO ASSOCIAR POPULAÇÃO DE RUA E CRIMINALIDADE: 'NÃO DÁ PRA ROMANTIZAR

Talita Galhardo fez as declarações durante sessão plenária na Câmara nesta quinta-feira (26) e diz que está sendo mal interpretada; jovem lutador rebate declarações


Por O Globo

A vereadora Talita Galhardo — Foto: Reprodução/YouTube TV Câmara

A vereadora Talita Galhardo foi vaiada na sessão plenária do dia 26 de fevereiro na Câmara dos Vereadores do Rio ao voltar a associar a população de rua à taxa de criminalidade. Enquanto ela falava, populares presentes à sessão gritavam também que ela teria aparofobia, aversão a pessoas pobres. "Vocês adoram um nome", devolveu a vereadora.

Em sua fala, Talita, ex-subprefeita de Jacarepaguá, comentava as críticas que têm recebido pelas postagens que publica em seu perfil no Instagram, algumas com declarações em tom semelhante, e as acusações de que trabalha para os ricos.

— Fui acusada de algumas coisas nas minhas redes, inclusive, "Talita não gosta de pobre", "Talita não trabalha para o pobre". Tem gente que fala de mim que eu trabalho para rico, mas não sabe nem a diferença da fila do Sisreg para a fila do SER — disse, referindo-se ao sistema de saúde pública.

Vereadora é vaiada ao associar população de rua à taxa de criminalidade

Vereadora é vaiada ao associar população de rua à taxa de criminalidade


Após enumerar ações que tem feito, ela tentou explicar suas falas sobre a população de rua.

—Não é questão de a população de rua ser do mal, a questão é que isso influencia, sim, na violência da cidade — afirmou, provocando a reação imediata da plateia.


Quimono e medalhas

Talita disse ainda que 90% da pessoas em situação de rua têm armas brancas, "para defender o cachorrinho que tá com elas, a bebida que tá com elas, a latinha que elas catam" e que o tráfico põe jovens nas ruas vestidos de quimonos e com medalhas para pedir dinheiro:

— Essas crianças que vão para a rua, esses jovens, eles são levados pelo crime organizado com quimono, com medalha, para pedir dinheiro na rua. São levados de van e deixados nas praias.

Ao tomar conhecimento desta declaração, o jovem atleta de jiu-jítsu Wilian Rocha, morador da comunidade Vila da Paz que ficou conhecido por ir para as ruas da Barra de quimono e exibindo suas medalhas, a fim de conseguir dinheiro para novas competições, criticou a fala.

— Muitos atletas vão para o sinal para arrecadar recursos para mudar de vida através do esporte, e eu fui uma dessas pessoas. Fui para o sinal para mudar minha vida e minha carreira como atleta — diz ele, que vem conquistando vitórias e ficou em segundo lugar num campeonato em Austin, no Texas, no último fim de semana. — E ano passado fiquei em terceiro em Las Vegas, num campeonato da principal confederação do jiu-jítsu, a IBJJF, em que só os atletas de altíssimo nível competem. E isso tudo começou buscando recursos no sinal.

Ameaça

Em outro momento da fala na Câmara, Talita Galhardo citou a extensa ficha criminal de um morador de rua que abordou na Barra da Tijuca e, segundo ela, a ameaçou. A fala da vereadora foi interrompida diversas vezes pelas vaias e os comentários do público presente à sessão, apesar dos pedidos de silêncio feitos pelo vereador Carlo Caiado, presidente da Casa, que comandava a sessão.

Num vídeo postado em 5 de fevereiro, a vereadora discute com um homem em situação de rua no viaduto próximo ao shopping Downtown, na Barra da Tijuca, que recusa sua oferta de abrigo, reclama por ela chamar moradores de rua de cracudos e diz que a parlamentar deveria fiscalizar as irregularidades existentes em outros pontos do bairro, como a orla.

No final do ano passado, Talita já havia causado grande polêmica ao associar população de rua e aumento da criminalidade no Rio. "Parem de distribuir quentinhas", pediu na época.

O que diz a vereadora

Procurada para comentar o ocorrido na sessão de hoje e as críticas que têm recebido, Talita disse que é uma "inverdade" dizer que associa a população de rua à criminalidade:

— Entre as pessoas que vivem nas ruas tem muita gente do bem. Eu acho que não dá para romantizar o que está acontecendo na cidade. Não dá para achar normal a quantidade de drogas, de pessoas na rua. Mas também cobro cozinhas comunitárias, pontos fixos de distribuição de alimentos. A maioria das vezes (elas) não querem ir para abrigo, fazer tratamento para dependência química, no caso de usuários de crack. Eu ofereço emprego, abrigo. Eu ouço “recebo auxílio e que prefiro vender as coisas na rua, assim ganho mais” — disse Talita.

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