MULHERES QUE PROTEGEM MULHERES: CONHEÇA HISTÓRIAS DAS GUARDAS MUNICIPAIS DA PATRULHA MARIA DA PENHA

                               Foto: Levy Ferreira/SECOM
Patrulha Maria da Penha a histórias de vida e o trabalho das mulheres que atuam no programa. Na imagem, Juliana Tozzi, Gislaine Seneiko, Jéssica Agostini e Giselly Tavares.

Texto: Mirela Maganini
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)

A Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal de Curitiba comemora 12 anos de atuação neste domingo (8/3), Dia Internacional da Mulher. Ela foi a primeira patrulha especializada criada no Brasil, no âmbito das guardas municipais, para coibir e prevenir os casos de violência doméstica contra mulheres.

Nesse período foram quase 86 mil atendimentos com monitoramento de medidas protetivas e 3.369 encaminhamentos de agressores para a delegacia da mulher. Em 2025, as equipes da Patrulha Maria da Penha realizaram 9431 atendimentos, com 369 prisões e monitoramento de 4560 medidas protetivas.

Dedicação


A guarda municipal Gislaine Aparecida Seneiko Szumski conhece de perto a realidade das mulheres que sofrem violência doméstica. Há 11 anos, dedica parte de sua vida para acolher e minimizar o sofrimento das vítimas, além de lutar para acabar com a violência.

'Estou há mais de 17 anos na corporação e de todas as funções em que atuei na GM essa é a área com a qual eu mais me identifiquei. Por isso, procuro sempre me capacitar para melhorar meu trabalho, porque entendo que esse tema é totalmente relevante e necessário para a sociedade. Nós somos mulheres e compreendemos o que elas enfrentam no dia a dia, em casa, no trabalho, na rua,” afirmou Seneiko.

Para atuar na Patrulha Maria da Penha a única exigência é que o guarda municipal seja voluntário e demonstre aptidão e vontade de integrar a equipe especializada no atendimento dos casos envolvendo violência doméstica.

A guarda municipal Juliana Tozzi atuava no núcleo da GM no Bairro Novo, mas em 2020 pediu para ingressar na Patrulha. Tozzi trabalha na atividade externa, na viatura que faz os atendimentos e o monitoramento das medidas protetivas.

“Eu me identifico com esse trabalho e acredito que precisamos nos fortalecer. Nós sofremos muito com vários tipos de violência, não só a violência que atendemos aqui. Temos que lutar muito para conseguir conquistar as coisas, por isso é importante a gente se proteger”, ressaltou Tozzi.

“Você mudou a minha vida”

Essa frase ficou marcada na memória da GM Giselly Tavares, que trabalha em uma das viaturas de atendimento externo dos casos de violência doméstica da Patrulha Maria da Penha. Ela considera esse trabalho como um aprendizado diário e gratificante, onde o mais importante é saber escutar o que a vítima precisa contar.

"Fiquei por mais de uma hora conversando com uma mulher que tinha sido vítima de cárcere privado, ela ali chorando e me contando tudo o que tinha passado. Naquele momento eu percebi que era um trabalho que não envolvia apenas a parte técnica e operacional, era humanizado, o saber ouvir, escutar, apoiar e acolher” relatou Tavares.

Alguns anos após esse atendimento, ela reencontrou a vítima, que acenou para ela e disse: “Giselly, você mudou a minha vida. Naquele dia eu criei coragem para não voltar mais a falar com ele, continuo com a medida protetiva e minha vida mudou completamente.”

Garantia de direitos

Para a GM Jéssica Agostini que faz os atendimentos e as orientações relacionadas às medidas protetivas sob responsabilidade da Patrulha Maria da Penha, a educação é o caminho para acabar com o machismo. Mãe de uma menina de 6 anos, ela acredita que nos próximos anos a sociedade possa extinguir a violência de gênero.

“Temos que romper essa cultura machista que infelizmente está enraizada no nosso País. Espero que nos próximos anos minha filha possa ser uma mulher com mais direitos, menos violência, mais empatia”, disse Agostini.

Palestras

O trabalho realizado pela Patrulha Maria da Penha inclui também a difusão de informações em palestras nas empresas, escolas e órgãos públicos para prevenção de casos de violência doméstica, explica a guarda Gislaine Seneiko.

“Essas palestras acabam sendo essenciais, principalmente quando é um público mais jovem, que está iniciando um namoro, um relacionamento, que também tem muitas dúvidas sobre limites, o que é permitido ou não”, esclarece Seneiko.

Para agendamento, os interessados podem encaminhar email para: patrulhamariadapenha@curitiba.pr.gov.br

Canais de denúncia

Patrulha Maria da Penha: 3221 2760
Central de Pré-Atendimento à Mulher: 180
Guarda Municipal Emergência: 153
Polícia Militar Emergência: 190
Casa da Mulher Brasileira: 3221 2701 ou 3221 2710
Delegacia da Mulher: 3219 8600
Defensoria Pública 3221 2731
Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher 3200 3252

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