IRÃ DIZ QUE MANTERÁ ORMUZ FECHADO; BRASIL TENTA BLINDAR PREÇO DO DIESEL

Foto: Stringer / Anadolu via AFP

Em sua primeira declaração oficial, o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado como “instrumento de pressão”. A mensagem foi lida por um apresentador na televisão estatal iraniana, pois a localização de Khamenei segue desconhecida. O líder também advertiu que todas as bases americanas na região precisam ser fechadas ou serão atacadas. E a Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) ameaçou colocar “fogo” em toda a infraestrutura de petróleo e gás da região caso portos e instalações energéticas iranianas sejam atacados. Ormuz — passagem estratégica para o comércio global de energia — já vem sendo alvo de mísseis e drones iranianos contra navios de carga internacionais. (CNN)

Poucas horas depois, o embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, declarou: “Não vamos fechar o Estreito de Ormuz, mas é nosso direito intrínseco preservar a paz e a segurança nesta via navegável”. Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que navios seguem autorizados a cruzar a rota, desde que mantenham coordenação com a Marinha iraniana. (Exame)

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que o “caminho único” para a paz depende de três condições: o reconhecimento dos “direitos legítimos” do Irã, o pagamento de reparações por danos provocados por ataques dos EUA e de Israel, e a criação de garantias internacionais contra novas agressões. (g1)

Enquanto isso, o clima de tensão internacional voltou a se refletir em solo americano. Ao abrir um evento na Casa Branca, o presidente Donald Trump lamentou o ataque contra a sinagoga Temple Israel, na região de Detroit. Segundo a polícia, o suspeito avançou com o próprio carro contra o prédio do templo, entrou armado e abriu fogo. Ele morreu após troca de tiros com seguranças. Trump também comentou o conflito com o Irã e disse que as operações militares americanas estão indo “muito bem”. (CBN)

A reação do mercado às ameaças sobre o Estreito de Ormuz foi imediata. O preço do barril de petróleo tipo Brent disparou mais de 9%, encerrando o dia acima dos US$ 100, acima dos três dígitos pela primeira vez desde agosto de 2022. O WTI, referência americana, subiu 9,7%, fechando a US$ 95,73. Em reação à alta dos preços, o governo Trump autorizou temporariamente países a comprarem petróleo da Rússia. (Financial Times)

No Brasil, para tentar blindar o preço do diesel, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) detalhou um plano que consiste em zerar o PIS e a Cofins sobre o combustível e oferecer uma subvenção a produtores e importadores, mirando uma redução de R$ 0,64 por litro. Para viabilizar a medida sem ferir o orçamento, o ministro Fernando Haddad instituiu um imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto, estimando que a arrecadação compense os R$ 30 bilhões de custo total do pacote, divididos entre a renúncia fiscal e o subsídio direto. (g1 e InfoMoney)

A decisão do governo veio depois de o Palácio do Planalto ser informado sobre o risco de paralisações de caminhoneiros em todo o país. Há preocupação de que o cenário atual possa ser usado para a prática de preços abusivos e que isso leve a greve em pleno ano eleitoral. Entidades de caminhoneiros autônomos negam a convocação de uma greve. (Folha e UOL)

O setor de combustíveis recebeu com ceticismo o pacote, classificando o desconto de R$ 0,64 no diesel como insuficiente. Enquanto a defasagem entre o preço da Petrobras e a cotação internacional já ultrapassa R$ 1,60 por litro, importadores alertam que o subsídio federal não cobre o prejuízo das empresas privadas, o que coloca em risco o abastecimento, já que o país importa cerca de 25% do que consome. Além disso, lideranças dos caminhoneiros pressionam pela inclusão dos governadores no debate para reduzir também o ICMS estadual, que hoje pesa R$ 1,17 no preço final. (Folha)

Lu Aiko Otta: “Em 2018, o então presidente Michel Temer zerou o PIS/Cofins sobre diesel para acabar com a greve dos caminhoneiros que paralisou o país. (...) O impacto do diesel sobre os preços nos supermercados foi a justificativa de Jair Bolsonaro para novamente zerar as alíquotas do PIS e Cofins sobre o diesel, em 2021. (...) Agora, o que levou o governo a agir foi o barril de petróleo cotado nas proximidades dos US$ 100,00 e a perspectiva de o conflito no Oriente Médio se alongar. Se as medidas vão render dividendos eleitorais, é incerto. Mas a falta delas certamente traria desgaste para o governo”. (Valor)

Celso Ming: “A principal motivação do governo para fazer o que fez é eleitoral. Quer aparecer como quem impôs mão de ferro sobre os que não fazem diretamente o jogo do consumidor. O risco é o de que essa intervenção dê com os burros n’água, até mesmo em relação ao que o governo pretende eleitoralmente”. (Estadão)

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