GUERRA DE DRONES E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL FORÇA FUZILEIROS NAVAIS A MUDAR DOUTRINA E ACELERAR TRANSFORMAÇÃO MILITAR COM FOCO TOTAL NA GUERRA DO FUTURO

Avanço da guerra tecnológica com drones, inteligência artificial e sistemas autônomos leva o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil a revisar doutrinas, treinar novos operadores e incorporar capacidades modernas para atuar no litoral e em áreas estratégicas.

Drones, IA e novos mísseis levam Fuzileiros Navais a reformular doutrina, criar escola de drones e ampliar defesa da Amazônia Azul. (Imagem: Reprodução/MB)

Nos últimos anos, o campo de batalha passou por uma transformação silenciosa, impulsionada pelo avanço da tecnologia.

Se antes guerras eram dominadas por tanques, navios e aviões tripulados, agora sistemas autônomos, sensores inteligentes e inteligência artificial passaram a desempenhar papéis centrais nas operações militares.

Conflitos recentes mostraram que drones de baixo custo, combinados com sistemas de processamento de dados em tempo real, podem mudar completamente o equilíbrio de forças no combate moderno.

Esse novo cenário tecnológico começou a provocar mudanças profundas nas doutrinas militares em todo o mundo, incluindo nas Forças Armadas brasileiras.

Segundo informações divulgadas pelo portal Poder360, o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), da Marinha do Brasil, iniciou um processo de reestruturação para adaptar sua doutrina, equipamentos e formação de pessoal ao novo cenário de guerra dominado por drones e inteligência artificial.

Nova geração de conflitos influencia planejamento militar

A transformação do ambiente estratégico global tem sido impulsionada principalmente pelo uso crescente de sistemas não tripulados em conflitos recentes.

Na guerra entre Rússia e Ucrânia, por exemplo, drones passaram rapidamente de ferramentas auxiliares para elementos centrais das operações militares.


Esses sistemas são capazes de localizar alvos, transmitir informações em tempo real e realizar ataques com precisão em poucos minutos.

Outro exemplo vem das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, onde tecnologias de inteligência artificial começaram a integrar diretamente os sistemas de comando e controle.

Nesse modelo, dados provenientes de diferentes fontes de inteligência são analisados rapidamente, reduzindo o tempo necessário para planejar operações.

Processos que antes levavam horas ou até dias agora podem ocorrer em questão de minutos ou segundos.

Além disso, um fator decisivo nessa nova realidade é o custo relativamente baixo de muitos drones utilizados no campo de batalha.

Em alguns casos, drones que custam cerca de US$ 30 mil obrigam adversários a utilizar interceptadores que podem chegar a milhões de dólares por unidade, criando uma espécie de desgaste econômico nas operações militares.

Essa assimetria tem levado diversas forças armadas a rever suas estruturas e investir em tecnologias mais baratas, escaláveis e adaptáveis.
Escola de drones deve surgir em 2026

Dentro desse processo de adaptação, o Corpo de Fuzileiros Navais planeja dar um passo importante nos próximos anos.

Uma das iniciativas previstas é a criação de uma Escola de Drones, programada para entrar em funcionamento a partir de 2026.

A instituição deverá concentrar a formação de operadores e especialistas em sistemas não tripulados.

Esses profissionais serão responsáveis por operar drones em missões de vigilância, reconhecimento e apoio ao combate.

A escola também deverá contribuir para o desenvolvimento de novas doutrinas militares baseadas no uso intensivo de sistemas autônomos.

Segundo a Marinha, a medida faz parte de um esforço mais amplo para modernizar a estrutura da força sem aumentar significativamente o número de militares.
Novos equipamentos ampliam capacidade anfíbia

Além da criação da escola, a reestruturação dos Fuzileiros Navais envolve a incorporação de novos equipamentos e sistemas de combate.

Entre os marcos desse processo está a chegada do Navio de Desembarque Multipropósito (NDM) Oiapoque, anteriormente conhecido como HMS Bulwark, adquirido do Reino Unido.

O navio deverá ampliar significativamente a capacidade de transporte de tropas, veículos e equipamentos em operações anfíbias.

Isso permitirá que a Marinha projete forças com maior rapidez em áreas costeiras ou ribeirinhas estratégicas.

Outra novidade prevista é a introdução do Sistema de Mísseis Anticarro Expedicionário (SMACE), montado em viaturas blindadas de alta mobilidade.

O sistema será integrado a drones de vigilância e reconhecimento, permitindo ampliar a capacidade de ataque e monitoramento em campo.

No entanto, segundo informações da própria Marinha, essas aquisições ainda ocorreram em escala limitada, muitas vezes financiadas por recursos extraordinários, como emendas parlamentares.

Para que essas capacidades sejam ampliadas de forma plena, será necessário ampliar os investimentos em defesa nos próximos anos.
Avanços tecnológicos já começaram a aparecer

Apesar de algumas iniciativas ainda estarem em fase de implantação, parte dessa transformação já começou a se materializar.

Em 2025, foi ativado o Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque, ligado ao Batalhão de Combate Aéreo do Corpo de Fuzileiros Navais.

O grupo reúne equipamentos destinados a missões de vigilância, reconhecimento e também ataques de precisão.

Entre os sistemas utilizados estão drones kamikaze, capazes de atingir alvos específicos com grande precisão.

Outro avanço importante foi o desenvolvimento da Bateria Litorânea de Mísseis Antinavio, que integra o Míssil Antinavio Nacional de Superfície (Mansup) ao sistema de lançamento terrestre baseado no Astros.

Essa solução permite atacar navios diretamente a partir da costa brasileira, ampliando a capacidade de negação do uso do mar — um dos pilares da estratégia de dissuasão da Marinha.
Estratégia busca proteger áreas estratégicas do Brasil

A reestruturação dos Fuzileiros Navais também leva em consideração as características geográficas do Brasil.

O país possui aproximadamente 7.500 quilômetros de litoral, além de uma extensa rede de rios e águas jurisdicionais que concentram recursos estratégicos.

Entre essas áreas está a chamada Amazônia Azul, região marítima que abriga importantes reservas naturais e atividades econômicas.

Outra área que tem ganhado destaque é a Margem Equatorial, considerada uma nova fronteira para exploração de petróleo e gás.

Diante desse cenário, a Marinha busca manter uma capacidade expedicionária capaz de deslocar tropas rapidamente para diferentes regiões do território ou até para operações internacionais.

Essa lógica também explica o aumento da prioridade dada às operações litorâneas e ribeirinhas.
Novo modelo de treinamento militar

Para acompanhar essa transformação tecnológica, o Corpo de Fuzileiros Navais também promoveu mudanças em sua estrutura de formação.

Foi criado o Comando do Treinamento e do Desenvolvimento Doutrinário do Corpo de Fuzileiros Navais, responsável por integrar ensino, treinamento e desenvolvimento estratégico.

Além disso, o Curso de Aperfeiçoamento Avançado de Oficiais foi reformulado.

Agora, ele inclui linhas de pesquisa em áreas como inteligência artificial aplicada a sistemas militares.

O curso também passou a ampliar parcerias acadêmicas com instituições civis, incluindo a Fundação Getulio Vargas (FGV).


Escrito por
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 13 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com.


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