EM MISSÃO CONTRA PLÁSTICO, PROJETO QUE LIMPA A MAIOR ILHA DE LIXO DO PLANETA BATE RECORDE DE COLETA

The Ocean Clean Up quer limpar 90% do plástico dos oceanos até 2040 e já retirou 45 milhões de quilos de lixo do mar

Boyan Slat The Ocean Cleanup


Inconformado com a poluição dos mares, o inventor holandês Boyan Slat, de 31 anos, estabeleceu a meta de retirar plásticos de oceanos e rios ao redor do mundo até 2040. A iniciativa ganhou escala após o empreendedor apresentar, em 2012, então com apenas 16 anos, um projeto para remover resíduos marinhos durante uma palestra no TED que se tornou viral e impulsionou uma campanha de financiamento coletivo.

Slat fundou a organização The Ocean Cleanup, que já arrecadou cerca de 40 milhões de euros e lhe rendeu o título de “Campeão da Terra”, concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU). A ideia surgiu após o jovem relatar frustração ao observar, durante mergulhos, a presença de mais plásticos do que peixes em áreas oceânicas.

                                                                                       Foto: Divulgação
Resíduos plásticos coletados dos mares pelo projeto The Ocean Cleanup. 

O principal laboratório da organização é a chamada Grande Mancha de Lixo do Pacífico, um aglomerado de resíduos plásticos com cerca de 1,6 milhão de km² localizado entre o Havaí e a Califórnia. Para enfrentar o problema, a iniciativa desenvolveu sistemas conhecidos como “interceptores”, que funcionam como barreiras capazes de capturar resíduos que variam de pequenos fragmentos, com poucos milímetros, a grandes detritos, como redes de pesca descartadas.

Os equipamentos utilizam modelagem matemática para prever a movimentação do lixo conforme as correntes marítimas, permitindo otimizar a coleta. Três sistemas de remoção já estão em operação e, segundo estimativas do fundador, a implantação de dez unidades poderia viabilizar a limpeza da mancha no Pacífico antes da expansão do projeto para outras regiões.
                                                                        Foto: Divulgação / The Ocean Cleanup
Sistema usado por ONG na Grande Mancha de Lixo do Pacífico utiliza redes e embarcações para remover plástico flutuante do oceano.

Os resultados recentes indicam avanço na operação. Em 2025, a The Ocean Cleanup retirou mais de 25 milhões de quilos de resíduos de ambientes aquáticos, elevando o total acumulado para mais de 45 milhões de quilos. Segundo a organização, o desempenho é resultado de anos de pesquisa, decisões orientadas por dados e da adaptação das tecnologias às realidades locais.


Para alcançar a meta de remover 90% do plástico flutuante nos oceanos até 2040, o projeto aposta em uma estratégia integrada. Além da retirada de resíduos já presentes no mar, a organização investe na interceptação de lixo em rios, em ações de limpeza em áreas costeiras e no uso de pesquisas sobre poluição marinha para embasar políticas públicas internacionais.
                                                                 Foto: Divulgação
Interceptador de lixo instalado pela The Ocean Cleanup em parceria com a ONG Marea Verde, no Panamá.

Entre as novas frentes, a The Ocean Cleanup lançou o programa 30 Cities, apresentado na Conferência dos Oceanos da ONU, em Nice, no ano passado. A iniciativa pretende atuar em áreas urbanas consideradas entre as maiores responsáveis pela entrada de plástico nos mares, com potencial de reduzir até um terço dessa poluição.

A organização também afirma trabalhar em parceria com autoridades locais, comunidades e empresas para estruturar soluções de gestão de resíduos que mantenham resultados de longo prazo. Graças à parceria com a ONG panamenha Marea Verde, por exemplo, a startup já atua no Rio Abajo, no Panamá. A parceria tem como objetivo atuar em sete bacias dentro da cidade para impedir que o lixo chegue ao Golfo do Panamá.
                                                            Foto: Divulgação
Ações de limpeza costeiras com parceiros locais e voluntários, responsáveis por remover o lixo acumulado no litoral. 

Para livrar o ambiente marinho do lixo, a organização afirma que não é suficiente apenas interromper a entrada de resíduos, sendo necessário também enfrentar o chamado "lixo legado, já presente no ambiente antes do início das operações. Por esse motivo, passaram a organizar limpezas costeiras com parceiros locais e voluntários, responsáveis por remover o lixo acumulado no litoral.

Para 2026, a expectativa é ampliar o número de equipamentos em operação em todas as frentes e intensificar a remoção de lixo, dando continuidade à missão de reduzir a poluição plástica nos ecossistemas aquáticos.

Em missão contra o plástico, projeto que limpa a maior ilha de lixo do planeta bate recorde de coleta
The Ocean Clean Up quer limpar 90% do plástico dos oceanos até 2040 e já retirou 45 milhões de quilos de lixo do mar


Por Redação do Um Só Planeta

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