ÁRVORE QUE SOBREVIVEU À BOMBA DE HIROSHIMA É DESCOBERTA EM SC

Ginkgo biloba, espécie antiquíssima de origem asiática, conhecida mundialmente como “fóssil vivo” foi encontrada em Blumenau, no Vale do Itajaí

           Foto: Michele Lamin/PMB/ND Mais
Ginkgo biloba em Blumenau

Uma árvore com uma das histórias mais impressionantes da humanidade foi identificada em Blumenau, no Vale do Itajaí. Trata-se do Ginkgo biloba, espécie antiquíssima de origem asiática, conhecida mundialmente como “fóssil vivo” e famosa por ter sido a primeira planta a germinar após a explosão da bomba atômica em Hiroshima, no Japão.

De acordo com registros científicos da National Library of Medicine, após a detonação nuclear ocorrida em 1946, exemplares de Ginkgo biloba surpreenderam pesquisadores ao rebrotar em meio ao cenário de devastação.
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A capacidade de resistir à radiação, ao calor extremo e a condições ambientais severas transformou a espécie em um símbolo de resiliência e esperança no pós-guerra

A identificação da espécie integra a primeira etapa do projeto de mapeamento das árvores presente no Horto Botânico Edith Gaertner, localizado junto ao tradicional Cemitério dos Gatos.

Ao todo, 49 árvores foram catalogadas, sendo que 43 já receberam placas de identificação, com destaque para palmeiras e espécies de alto valor histórico, científico e paisagístico.

Árvore que sobreviveu a bomba atômica é encontrada em Blumenau

O Ginkgo biloba chama atenção não apenas pela raridade, mas também por sua impressionante trajetória evolutiva. Conforme estudos divulgados pelo Considerada uma das espécies arbóreas mais antigas do planeta, ela sobreviveu a milhões de anos praticamente sem alterações, atravessando períodos como a Era dos Dinossauros.

Por essa razão, é frequentemente chamada de “fóssil vivo”. Além disso, a árvore é reconhecida por sua elevada resistência à poluição urbana, o que a torna comum em grandes cidades ao redor do mundo embora rara em espaços históricos no Brasil.

                               Foto: Reprodução/ND Mais
                               Ginkgo biloba encontrado em Luxemburgo

Segundo registros históricos, o exemplar existente no horto foi plantado ainda no século 19 pelo próprio fundador de Blumenau, Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau, que utilizava a área às margens do Ribeirão Garcia para experimentos botânicos. A espécie é por vezes descrita como um “presente da China ao mundo” e também recebe nomes populares como nogueira-do-japão ou árvore-avenca.

Além do ginkgo, o levantamento identificou outras árvores de valor simbólico, como um Cipreste Alemão plantado em 24 de dezembro de 1864, durante uma ceia de Natal que reuniu figuras históricas da cidade, e exemplares de bambu e palmeiras imperiais, algumas trazidas diretamente pelo Dr. Blumenau, que idealizava o cultivo de bambuzais ao longo do Rio Itajaí-Açu.

“É incrível imaginar que personagens centrais da história de Blumenau não apenas caminharam por este bosque, mas também plantaram árvores aqui a partir da metade do século 19”, afirma o secretário municipal de Cultura, Sylvio Zimmermann.
Horto botânico no Centro de Blumenau

O horto ocupa um terreno que pertenceu à família Gaertner e leva o nome de Edith Gaertner (1882–1967), sobrinha-neta do Dr. Blumenau. Atriz e fotógrafa, Edith dedicou os últimos anos de vida ao cuidado do jardim e de seus gatos de estimação. Após sua morte, a área foi deixada ao município com o objetivo de preservar o patrimônio histórico e ambiental.

Hoje, além das árvores centenárias, o espaço reúne elementos que reforçam sua singularidade, como o preservado Cemitério dos Gatos, esculturas artísticas, um busto de Edith Gaertner e uma réplica em bronze do famoso Manneken Pis, símbolo de Bruxelas.

Para a diretora do Arquivo Histórico José Ferreira da Silva, professora Sueli Petry, a identificação das espécies raras reforça a importância do horto como um dos últimos exemplos preservados do modelo urbano colonial do século 19.

Mais do que um atrativo turístico curioso, a presença do ginkgo transforma o Horto Botânico Edith Gaertner em um verdadeiro museu a céu aberto, onde natureza, ciência e história se encontram em silêncio, resistindo ao tempo, assim como a árvore que sobreviveu a eras inteiras do planeta.

Brenda Bittencourt
Blumenau

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