ENTENDA A HISTÓRIA DE DONALD TRUMP COM JEFFREY EPSTEIN

Confira a linha do tempo que explica o envolvimento do presidente dos EUA com o bilionário acusado de tráfico sexual que se suicidou em 2019


Sara Dorn

      Andrew Harnik/Getty Images; Davidoff Studios/Getty Images
      O presidente dos EUA, Donald Trump, e o empresário Jeffrey Epstein

O presidente americano, Donald Trump, “sabia sobre as garotas” e “passou horas” com uma das vítimas de Jeffrey Epstein na casa do empresário, segundo o próprio Epstein afirmou em um dos muitos e-mails recentemente divulgados (datados entre 2011 e 2019).

A Casa Branca rebateu as mensagens, classificando tudo como parte da “farsa Epstein”. Os e-mails são o registro mais recente de uma relação que remonta a décadas. Abaixo, confira a linha do tempo que explica o envolvimento de Trump com Epstein, bilionário acusado de tráfico sexual que se suicidou em 2019.

Trump e Epstein se conheceram quando Trump comprou o resort Mar-a-Lago, em 1985, enquanto Epstein também vivia em Palm Beach. Em 2002, Trump disse à New York Magazine que conhecia Epstein havia “15 anos”, chamou-o de “cara sensacional” e acrescentou: “dizem até que ele gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu, e muitas delas são bem jovens”.

1992

No mesmo ano, em uma festa no hotel – para a qual Trump convidou apenas dois outros convidados: o empresário George Houraney e Epstein –, Jill Harth, então namorada de Houraney, afirmou que Trump a beijou e a apalpou à força, impedindo-a de sair de um quarto. Harth também disse que Trump se deitou com outra mulher de 22 anos durante o evento, segundo um processo movido por ela em 1997 e posteriormente encerrado com um acordo (Trump negou as acusações), conforme reportou o New York Times.

1993

De acordo com registros de voo divulgados durante o julgamento de Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Epstein e condenada por tráfico sexual infantil e outros crimes relacionados ao falecido empresário, Trump viajou quatro vezes nos jatos particulares de Epstein em 1993.

Fotos divulgadas pela CNN mostram Epstein na cerimônia de casamento de Trump com Marla Maples – sua segunda esposa –, realizada no Plaza Hotel, em Nova York. Meses antes, outra imagem publicada pela CNN mostrava os dois juntos na inauguração do café Harley Davidson, também em Nova York.

No mesmo ano, a modelo Stacey Williams afirmou ao New York Times, em uma entrevista de 2024, que Trump a apalpou quando Epstein a levou à Trump Tower. A campanha eleitoral de Trump em 2024 negou as alegações, chamando-as de “totalmente falsas” e politicamente motivadas.

1994–1997

Trump continuou a usar os jatos de Epstein em diversas ocasiões, segundo os registros de voo. Em 1995, Maria Farmer – que acusa Epstein e Maxwell de agressão sexual – disse ao FBI que Epstein a chamou para seu escritório em Nova York tarde da noite, onde Trump apareceu e ficou observando suas pernas nuas, até que Epstein disse: “Não, não. Ela não está aqui por você.”

Em 1997, Trump escreveu uma dedicatória para Epstein em seu livro “Trump: The Art of the Comeback” (“Trump: A Arte da Negociação”): “Para Jeff – você é o maior!”, segundo o New York Times.

No mesmo ano, fotos mostram Trump e Epstein próximos em uma festa da Victoria’s Secret, com Epstein ao fundo de uma imagem em que Trump posa com a modelo Ingrid Seynhaeve.

1999–2000

Um vídeo divulgado pela CNN mostra os dois rindo e conversando em outro evento da Victoria’s Secret.
Em 2000, Virginia Giuffre – que mais tarde se tornou uma das principais acusadoras de Epstein – trabalhava no resort Mar-a-Lago quando foi recrutada por Ghislaine Maxwell para ser “massagista pessoal” de Epstein. Segundo seu depoimento, ela foi aliciada para prestar serviços sexuais a ele e a seus amigos ricos.

2003–2004

De acordo com o Wall Street Journal, Trump teria dado a Epstein um cartão de aniversário que dizia “que cada dia seja outro maravilhoso segredo” – algo que Trump negou, chegando a processar o jornal. O New York Times informou depois que o nome de Trump estava em uma lista de contribuintes para um livro coletivo de cartões de aniversário onde a mensagem teria aparecido.

Em 2004, os dois romperam relações depois que Trump superou a oferta de Epstein pela compra de uma mansão em Palm Beach, segundo o Washington Post.

Anos 2000–2010

Há registros fotográficos (sem data) de Trump e Epstein ao lado do cantor James Brown, que morreu em 2006.
Em 2010, um vídeo que ressurgiu nas redes sociais, publicado pelo canal progressista MeidasTouch, mostra Epstein confirmando que socializava com Trump, mas se recusando a responder se já haviam se encontrado “na presença de menores de 18 anos”.

2011–2017

Em e-mails trocados com Maxwell em 2011, Epstein afirmou que Trump “passou horas na minha casa” com uma das vítimas e o descreveu como “o cachorro que não latiu”, observando que ele “nunca foi mencionado” nas polêmicas sobre Epstein.

O nome de Trump apareceu circulado no “pequeno livro preto” de Epstein – com 1.571 contatos pessoais, incluindo figuras de alto poder, como o príncipe Andrew e Ehud Barak –, divulgado pelo site Gawker em 2015.

O escritor Michael Wolff sugeriu, em um e-mail a Epstein, que ele poderia expor Trump caso o político mentisse sobre sua relação com o financista, ou “protegê-lo” para “gerar uma dívida” se a ligação viesse à tona.

Em 2017, Epstein escreveu ao ex-secretário do Tesouro Larry Summers que “o mundo de vocês não entende o quão burro [Trump] realmente é”, e chamou-o de “nojento” em uma troca de mensagens com a ex-conselheira da Casa Branca Kathy Ruemmler.

2019

Em janeiro, Epstein disse a Wolff que Trump “sabia das garotas, já que pediu para Ghislaine parar”, sugerindo que o então presidente tinha conhecimento dos abusos, mas sem afirmar que participou deles. Epstein também alegou que “Trump pediu que eu me demitisse de Mar-a-Lago, mas nunca fui membro.”


Mais tarde, e-mails mostram Epstein e o ex-assessor de Trump Steve Bannon comentando a aparição de Trump com o príncipe Andrew no Reino Unido. Epstein achou “hilário” que ninguém estivesse fazendo “a conexão” entre eles.
Quando Epstein foi preso, Trump declarou à imprensa: “Eu o conhecia como todo mundo em Palm Beach o conhecia. Não era fã dele, posso garantir isso.”

Por que os e-mails vieram a público agora?

Os e-mails foram divulgados por democratas do Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados, fornecidos pelo espólio de Epstein. A divulgação ocorreu horas antes da deputada Adelita Grijalva assumir o cargo e se tornar a assinatura final necessária para forçar uma votação sobre a liberação dos arquivos federais do caso Epstein. A votação deve ocorrer na próxima semana. Para que os documentos sejam liberados, o projeto ainda precisa ser aprovado pelo Senado e assinado pelo próprio Trump.

O que ainda não se sabe

A veracidade de várias alegações de Epstein. Em e-mails, ele dizia ter informações comprometedoras sobre Trump que nunca vieram a público. Em um deles, mencionou que Virginia Giuffre teria passado “horas” com Trump em sua casa; no entanto, em um depoimento de 2016, Giuffre afirmou ter visto Trump “apenas algumas vezes” enquanto trabalhava em Mar-a-Lago, e nunca na presença de Epstein.

Em outros e-mails, Epstein afirmava ter “fotos de Donald com garotas de biquíni na minha cozinha”, mas não há provas de que essas imagens existam. Ele também zombava de Trump, chamando-o de “Dopey Donald” (Donald Bobalhão) e “Demented Donald” (Donald Demente), e dizia que “tudo era uma farsa” em relação aos negócios e à fortuna declarada por Trump.

Em 2018, escreveu: “Sou o único capaz de derrubá-lo”, em resposta a uma mensagem sobre a mídia tentar “derrubar Trump”.

Críticas

A porta-voz de Trump, Karoline Leavitt, acusou os democratas de “vazar seletivamente” os e-mails para a “mídia liberal” a fim de criar “uma narrativa falsa para difamar o presidente”.


Trump afirmou que os democratas estão “tentando ressuscitar a farsa Jeffrey Epstein” para desviar o foco do “péssimo desempenho” deles durante a paralisação do governo, que durou 43 dias.

Ele também alegou ter banido Epstein de Mar-a-Lago porque ele “roubou” funcionárias do spa e “contratou Giuffre”.

Contexto

Jeffrey Epstein morreu por suicídio em 2019, em uma cela de prisão em Manhattan, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores para seus amigos poderosos. Trump é um entre vários nomes de peso ligados a Epstein, junto com o bilionário Les Wexner, o príncipe Andrew e o ex-presidente Bill Clinton.

Aliados de Trump no movimento MAGA (Make America Great Again) vêm, há anos, propagando teorias da conspiração de que Epstein teria sido assassinado e mantinha uma lista de clientes poderosos, algo que o Departamento de Justiça já negou, reafirmando que ele morreu por suicídio.

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