MASTER FIGURA EM 77 MIL PROCESSOS; MULHER DE MORAES FOI CADASTRADA EM SÓ UM.

Amanda Rossi e Thiago Herdy
Do UOL e colunista



O Banco Master, de Daniel Vorcaro, está envolvido em 77 mil processos judiciais, de acordo com dados do Escavador — plataforma que reúne dados de todos os tribunais do país, em todas as instâncias.

Dentre todos esses processos, Viviane de Moraes — mulher do ministro Alexandre de Moraes, do STF — aparece como advogada do banco em apenas um.

É possível que Viviane atue em outros processos do Master, mas seu nome não tenha sido cadastrado nos registros dos tribunais. Além disso, os dados não incluem processos sigilosos.

Segundo reportagem do jornal O Globo, o escritório de Viviane de Moraes assinou contrato com o Banco Master no valor de R$ 3,6 milhões mensais, no início de 2024, válido por três anos. Os pagamentos teriam sido interrompidos neste ano, diante da liquidação do banco.

Trechos do contrato divulgados pelo jornal mencionam a previsão de atuação "estratégica, consultiva e contenciosa" junto ao Judiciário.

O documento também prevê a mesma atuação junto ao "Ministério Público, polícia judiciária, órgãos do Executivo e do Legislativo".

O UOL perguntou ao Banco Master e ao escritório da advogada a razão de não haver registro público da atuação prevista junto ao Judiciário, mas eles não se manifestaram. Perguntou também quais eram as causas envolvidas, mas não houve retorno.

Além de processos judiciais, advogados podem ser contratados para dar consultorias e pareceres jurídicos e atuar em composições extra-judiciais.
Processos de Viviane de Moraes

Viviane de Moraes advoga em cerca de 1.600 processos, segundo dados do Escavador.

Seu principal cliente é o Hopi Hari, com mais de 600 ações. Esta semana, o parque saiu da recuperação judicial em que entrou em 2016.

No único caso que envolve o Master, Viviane de Moraes defende o banco e seu proprietário, Daniel Vorcaro, em um processo de calúnia, injúria e difamação movido contra Vladimir Joelsas Timerman, gestor da Esh Capital.

O processo corre em segredo de Justiça. Foi iniciado no final do ano passado, no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Viviane também está registrada como advogada em uma ação que envolve o Master, mas ela foi habilitada como representante de outra parte no mesmo processo, a Cooperativa de Crédito Mútuo dos Servidores da Segurança Pública de São Paulo.

Trata-se de ação em que uma mulher superendividada que busca repactuar dívidas com a cooperativa e outros seis bancos, entre eles o Master.

De acordo com o site do TJSP, o processo foi extinto antes que o Master cadastrasse um defensor no caso.

Processos do Banco Master

O Master está sendo processado em seis de cada sete ações que envolvem o banco. São casos, sobretudo, envolvendo direito do consumidor, como contratos bancários e superendividamento.

O restante dos casos são ações propostas pelo Master contra terceiros.

Os principais advogados que defendem o banco são ligados a escritórios de uma família de advogados da Bahia: o Gabino Kruschewsky e o André Kruschewsky Advogados Associados.

A família Kruschewsky chegou a ser listada em um requerimento de convocação para depor na CPMI do INSS. O deputado Josenildo (AP-BA) diz que o escritório Gabino Kruschewsky foi contratado para defender o Banco Master quando este assumiu a linha de crédito CredCesta, que oferecia empréstimo consignado para servidores da Bahia.

O requerimento não foi apreciado pelo Congresso.

André Kruschewsky foi diretor jurídico do Master entre 2023 e 2024. Ele trabalhava no banco desde 2018.

Outro escritório que atua em um grande número de casos do banco é o Monteiro, Rusu, Cameirão e Bercht Advogados, também da Bahia.
Caso Master em segredo no STF

Vorcaro foi preso em novembro no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga a simulação do valor de uma carteira de crédito repassada ao BRB (Banco Regional de Brasília), que pretendia comprar o Master. Foi solto dias depois.

A defesa de Vorcaro no caso — não representada pelo escritório de Viviane de Moraes — pediu que a tramitação saísse da Justiça Federal e fosse transferida para o STF. A justificativa foi a apreensão na casa do banqueiro de um documento que cita um deputado federal.

O ministro do STF Dias Toffoli atendeu ao pedido e deixou o caso no Supremo. Além disso, Toffoli colocou o processo sob sigilo.

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