ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PARA QUEM GANHA ATÉ R$ 5 MIL É SANCIONADA POR LULA

Lula sanciona isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil nesta quarta-feira (26). Novas regras começam a valer a partir de 2026, mas vão impactar a declaração do ano seguinte; entenda como vai funcionar

Leonardo Fernandes
Brasil de Fato

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vai reunir lideranças de movimentos populares, parlamentares da base e dirigentes políticos, nesta quarta-feira (26), em uma cerimônia para sancionar a lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês e estabelece um desconto progressivo para rendas de até R$ 7.350 mensais. O projeto é visto como o “carro-chefe” da campanha pela reeleição de Lula no próximo ano.


No programa Bom Dia, Ministro!, da TV Brasil, da última terça-feira (25), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, disse que o impacto para as famílias será o equivalente a um 14º salário.

“Beneficia um professor, uma professora, um profissional liberal, qualquer trabalhador que ganhava R$ 4,5 mil vai economizar, no fim do ano, quase um salário inteiro. É como um 14º salário que esse trabalhador vai ter, porque ele vai economizar o valor de um salário mensal que não vai pagar mais imposto de renda”, disse o ministro.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), as novas regras devem beneficiar cerca de 10 milhões de trabalhadores com a isenção total e outro 16 milhões com a redução progressiva.


O Ministério da Fazenda calcula que as novas regras terão um impacto de R$ 27 bilhões nas contas do governo. Como forma de compensar essa perda de arrecadação, a lei aumenta a taxação de altas rendas, a partir de R$ 600 mil anuais, ou R$ 50 mil mensais, o que, segundo o governo, deve atingir cerca de 0,13% dos contribuintes.

Ficam de fora da tributação os pagamentos de lucros e dividendos cuja distribuição tenha sido aprovada até 31 de dezembro de 2025, ainda que o pagamento ocorra nos anos seguintes. Também ficaram isentas as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), inicialmente parte da proposta.

Além desses títulos, o novo texto também exclui da tributação mínima as debêntures, que são títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos dirigidos a projetos de infraestrutura e alguns fundos de investimento.

Finalmente, a proposta aprovada inclui a tributação de lucros e dividendos enviados ao exterior, a partir de uma alíquota de 10% sobre esses valores, com exceção dos lucros e dividendos remetidos a governos estrangeiros, fundos soberanos e entidades no exterior que tenham como principal atividade a administração de benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões.

Relembre como foi a tramitação no Congresso

O projeto foi enviado pelo Executivo ao Congresso Nacional em março de 2025, e recebeu na Câmara dos Deputados a relatoria do ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).

Inicialmente, o texto propunha a redução progressiva para rendas de até R$ 7 mil, no entanto, o relator alterou o valor para R$ 7.350, para garantir, segundo ele, uma “neutralidade tributária”, sem que isso representasse um aumento de receita para o governo.


Lira manteve a cobrança de um imposto de até 10% sobre rendas superiores a R$ 600 mil anuais. Por outro lado, retirou a tributação sobre as LCIs e LCAs, além de isentar as debêntures.

O projeto foi aprovado pela Comissão Especial da Câmara em julho deste ano, e só foi votada em plenário outubro, após forte pressão popular por sua aprovação, o que resultou, inclusive, em votação unânime na Câmara dos Deputados.

No Senado Federal, o projeto recebeu a relatoria de Renan Calheiros (MDB-AL), que inicialmente queria fazer modificações ao projeto, sobretudo retomando a tributação de LCIs, LCAs e debêntures, mas decidiu manter o texto tal qual foi aprovado pelos deputados, para evitar que ele retornasse à Câmara. Dessa forma, ele foi aprovado no dia 5 de novembro pelo pleno dos senadores, também por unanimidade.

Pressão das ruas

Durante a tramitação do projeto no Congresso Nacional, movimentos populares fizeram o Plebiscito Popular 2025 – Por um Brasil Mais Justo e Soberano, reunindo mais de 2 milhões de assinaturas em apoio à aprovação da matéria.

Às vésperas das principais votações do PL no parlamento, os integrantes desses movimentos se reuniram com parlamentares e lideranças do Congresso, a quem entregaram as assinaturas recolhidas, solicitando a aprovação do projeto antes do final do ano, para que as novas regras pudessem valer a partir de janeiro de 2026.

Como funciona agora?

Atualmente, o Imposto de Renda é cobrado a todos os trabalhadores assalariados que ganham acima de dois salários mínimos, ou seja, R$ 3.036 mensais. Acima desse valor, é cobrado um imposto progressivo que, para a grande maioria dos trabalhadores, gira em torno de 27,5%.


As regras atuais não preveem a cobrança de imposto sobre lucros e dividendos nem a tributação das altas rendas, que pagam, em média, 2,54% de IR, segundo informações do Ministério da Fazenda.

Atenção à pegadinha: quem precisa declarar?

A Receita Federal recomenda que todos os trabalhadores formais devem fazer a declaração de Imposto de Renda anual, independentemente do volume de recursos recebidos, inclusive para verificar um eventual desconto irregular de IR na folha pagamento do trabalhador.

No entanto, os trabalhadores isentos do pagamento não são obrigados a declarar. Já aqueles que ganham acima da faixa de isenção, inclusive os que recebem descontos, são obrigados a declarar.

No entanto, é preciso ficar atentos a um detalhe: quando os trabalhadores são convocados pela Receita Federal a entregar sua declaração, o que ocorre por volta dos meses de março e abril, ela se refere aos recursos recebidos no ano anterior. Ou seja, em 2026, os trabalhadores farão a declaração referente ao ano de 2025, e sob as regras vigentes até então.

Resumindo, quem ganha acima de dois salários mínimos, ou R$ 3.036 mensais, terá que fazer a declaração de IR em 2026. Apenas a partir de 2027 que a declaração anual de IR deixará de ser obrigatória para quem ganha até R$ 5 mil.

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