COM 96 ANOS DE HISTÓRIA, CASA VELHA É UM PATRIMÔNIO BOTEQUEIRO DE CURITIBA


Com cerveja sempre bem gelada, cardápio com variadas e deliciosas opções e um ambiente único, bar localizado no bairro Abranches é uma parada obrigatória para qualquer curitibano ou turista

Rodolfo Luis Kowalski 

Casa Velha, no Abranches, se tornou um dos endereços mais procurados (Fotos: Franklin de Freitas)

Uma tradição que mistura bom atendimento, cerveja gelada, cardápio variado e um ambiente nostálgico vem garantindo a sobrevivência de um dos mais antigos bares de Curitiba. O Casa Velha Bar foi inaugurado em 1927, numa casa de madeira com dois andares no bairro Abranches. Noventa e seis anos depois segue funcionando no mesmo local, na famosa Avenida Mateus Leme e num entroncamento com a Rodovia dos Minérios, ocupando o mesmo antigo imóvel e preservando as mesmas características de quando foi fundado.


Não à toa, o simples ato de entrar no bar é uma verdadeira viagem no tempo, que nos transporta para uma época em que a cidade tinha cerca de 100 mil habitantes e a maior parte dos bairros preservavam características campestres. Foi nessa época em que um parente do atual proprietário do Casa Velha resolveu aproveitar aquele imóvel para abrir uma mercearia de secos e molhados, se aproveitando da passagem de viajantes que pegavam uma das saídas norte de Curitiba rumo ao município de Rio Branco.

“Foi um primo do meu pai que começou aqui, daí depois de uns meses ele foi morar no Litoral e vendeu o imóvel. Daí outra família deu sequência ao negócio aqui e depois de um tempo tocando começaram a alugar”, conta Aloísio Fernando Mickosz, que tem 67 anos de idade e há 33 é proprietário do Casa Velha.

Nascido e criado no tradicional bairro de polacos, ccé um nome conhecido na região e já foi até presidente da Sociedade Abranches. Antes de se tornar o proprietário do bar, inclusive, era mais um cliente da casa.

“Um empresário de Santos, que trabalhava num cassino, tinha comprado aqui. Aí a gente sempre chegava e ele estava sentado na mesa, jogando baralho, e não atendia ninguém (risos)”, recorda Mickosz. “Até que um dia ele me viu passando na rua e me chamou. Eu trabalhava na Bosch, mas tinha acabado de sair e ele ficou sabendo que eu estava querendo montar alguma coisa, ter um negócio meu. Foi quando perguntou se eu queria comprar o bar. Falei: ‘Eu, comprar bar? Você tá louco’. Eu estava entrando numa licitação de banquinha de jornal em Curitiba, mas ele falou pra eu comprar o bar, disse que os clientes eram todos meus amigos e que se eu começasse a tocar o negócio eles iriam voltar.”

Após refletir por um tempo, Mickosz resolveu topar o desafio e assumiu o comando do bar. Uma aposta que já começou a dar certo no primeiro dia. “Acertei a compra da casa num dia e no dia seguinte cheguei aqui e o bar estava lotado. Ele [antigo dono do Casa Velha] daí disse para mim: ‘Não falei para você que teus amigos voltavam?! Souberam que você ia comprar e já apareceram de volta.’ Aí foi dando certo.”




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