''UM ERRO TERRÍVEL'' : CEMITÉRIO ALEMÃO ENTERRA NEONAZI EM SEPULTURA QUE TINHA PERTENCIDO A UM JUDEU

Igreja que gere o cemitério nos arredores de Berlim já afirmou estar a tentar “reverter o processo”

A Igreja Evangelista de Berlin-Brandenburg-schlesische Oberlausitz admitiu que foi "um erro terrível" autorizar o enterro de um neonazi e conhecido negacionista do Holocausto na sepultura que anteriormente pertenceu a um judeu.

Henry Hafenmayer, de 48 anos, foi enterrado na passada sexta-feira no cemitério de Südwestkirchhof Stahnsdorf, a cerca de 30 quilómetros do centro de Berlim.

Antes de ter morrido - vítima de doença - em agosto passado, Hafenmayer tinha ganho notoriedade entre os grupos neonazis alemães por ter sido condenado com pena de prisão. O alemão enviou várias cartas de teor antissemita a várias instituições públicas em que afirmava que o Holocausto era uma "mentira".

De acordo com o The Guardian, o neonazi foi enterrado no local onde anteriormente esteve sepultado Max Friedländer, um músico e académico judeu nascido na Prússia que morreu em 1934. Segundo a publicação britânica, a lápide de Friedländer foi coberta com um pano preto e com letreiros com o nome de Hafenmayer e o versículo bíblico "e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João, 8:32).

A igreja que gere o cemitério - que tem cerca de 200 hectares - já explicou que o local da sepultura de Max Friedländer tinha sido reclamada para novos enterros, como é procedimento normal nos casos em que o arrendamento não é renovado após o “período de descanso” de 10 a 20 anos. As cinzas do académico judeu já tinham sido removidas, mas a sua lápide foi deixada no local por ter sido considerada um monumento.

Pelo que a instituição explicou, o pedido inicial do advogado de Hafenmayer solicitava uma sepultura mais central. Este pedido terá sido negado por a gestão temer que o cemitério se pudesse tornar um ponto de encontro para grupos extremistas.

O advogado terá então alegadamente avançado com o pedido para ocupar a sepultura desocupada de Friedländer. A igreja terá aceitado este local com base no princípio de que todos os humanos "têm o direito a um local final de descanso" e porque o judeu estava listado como protestante no momento da sua morte.

O bispo responsável afirmou ainda que a esta autorização foi "um erro terrível" e que a instituição está "a averiguar se será possível reverter o processo".

Entretanto, Samuel Salzborn, membro do gabinete federal de Berlim que combate o antissemitismo, apresentou esta terça-feira uma queixa no Departamento deJustiça. Salzborn considera que "é óbvio que os extremistas de direita escolheram deliberadamente uma sepultura judaica para perturbarem a paz eterna através do negacionista do Holocausto".

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